2017/05/18

«A digitalização da morte»



Manuel Rui via Jornal de Angola @jornaldeangola



«A operação “TEMPESTADE NO DESERTO”, nome que designou a 1ª invasão dos USA (Estados Unidos da América) ao Iraque, foi comandada por Colin Powell, nomeado por George Bush para chefe do Estado-Maior, o mais alto posto militar da América.

»A guerra foi eminentemente mediatizada e os écrans de televisão, as transmissões da guerra ganhavam mesmo aos dependentes de telenovelas ou similares. Correu pelo mundo que o grande cabo de guerra Colin Powell comandava a guerra sentado em frente dos computadores.

»Pela primeira vez, estávamos perante a digitalização da morte. Porque as guerras são para matar e a morte, para além de comandada, entrava em nossas casas pela televisão.

»A evolução tecnológica que levou à informática e seus benefícios para as ciências, incluindo a medicina, dentro do neoliberalismo passou a super estrutura da globalização. Sem regras, como os mercados e as recentes crises económicas com dívidas impagáveis. Porém, a humanidade não se importou com as manipulações da informática e os efeitos do reverso da medalha. Os próprios especialistas, alguns, começaram a inventar vírus para depois inventarem antivírus e os consumidores comprarem como vacinas. As vidas e a intimidade das pessoas começaram a ser devassadas. Alguns estudantes não necessitam de ler livros para prepararem uma tese académica. Vão à net, consultam resumos, notas biobibliográficas e podem fazer um calhamaço sobre William Shakespeare sem sequer saberem de Julieta.

»Hoje, no entanto, pode dizer-se que um urbano só não usa informática se não tiver dinheiro para tal. Sendo certo que tudo é para bem servir, sobra aí a questão de como usar esse instrumento que já foi uma caixa grande e ruidosa e agora é um pequena placa ou um telemóvel que se usa na palma da mão. A pessoa pode ter diversos jornais a ler no telemóvel. E contactos de todo o tipo, amizades, sexo virtual ou negócios. A informática passou de necessidade a diversão, perda de tempo e perversidade para delinquentes, quadrilhas e pedófilos.

»Num mundo em que a vida é curta e que cada vez mais a ciência pretende aumentar o tempo de vida, não faz muito sentido perder uma grande parte da vida no isolamento do computador ou do telemóvel para, sem darmos por ela estarmos a perder tempo de vida quase esquecendo que queremos estar vivos. Mas abrimos a maquineta e estamos a mostrar o nosso rosto, a falar e a ver a outra pessoa, a maravilha de uma mãe falar com um filho que está longe, a estudar (que não é para todos).

Num mundo em que a vida é curta e que cada vez mais a ciência pretende aumentar o tempo de vida, não faz muito sentido perder uma grande parte da vida no isolamento do computador ou do telemóvel para, sem darmos por ela estarmos a perder tempo de vida quase esquecendo que queremos estar vivos. Mas abrimos a maquineta e estamos a mostrar o nosso rosto, a falar e a ver a outra pessoa, a maravilha de uma mãe falar com um filho que está longe, a estudar (que não é para todos).

»Agora surge uma nova questão social e filosófica que é a da robotização. Os robôs já fazem muita coisa, conversam com o seu “pai” e até aperfeiçoam-se no exercício das tarefas. Há grandes espaços onde se entra, tiram-se as compras, digita-se o telemóvel e já não se passa pelo caixa. Claro, cada vez serão dispensáveis trabalhadores. Os filósofos mais optimistas, que acreditam que o mundo só pode caminhar para um sistema universal em que exista um mínimo ético para cada um viver e com a robotização, cada um fará aquilo de que gosta e não aquilo onde pode ganhar o sustento como acontece hoje com as maiorias, e daí a criatividade passaria a ser a grande reserva e motor da melhoria da vida.

»Porém, num mundo ocidental assustado com as bombas e camiões fórmula morte, com uma europa de dívidas impagáveis que se disfarçam com negociações, guerras por todo o lado e uma visita a um lugar santo que se prepara com uma insegura crença recorrendo ao betão armado e toneladas de homens de segurança... para o Papa santificar duas que foram crianças e tiveram visões... o mundo, depois de tanta maka com os computadores, abre a boca de espanto com mais um susto: O jogo da baleia azul, que, em boa verdade não se trata de um jogo mas mais de uma apelação de certas seitas que defendem o suicídio.

»Passa-se mais ou menos assim: há um intermediário que contacta um adolescente, conversa, explica como fazer e cumprir a escala que passa por automutilação até ao suicídio. Falam que foi inventado na Rússia onde já morreram muitos jovens e já chegou a muitos países incluindo Portugal. E como os pais podem antecipar a defesa dos seus filhos contra esta morte digitalizada? A questão não se resolve com legislações nacionais (já que as internacionais como as resoluções da ONU, os grandes não cumprem).

»A questão está em como descobrir defender os filhos adolescentes desta praga de mercado livre, do conceito de liberdade que tolera partidos contra os direitos humanos como um que foi à 2ª volta das eleições em França e fez trinta e tal por cento contra os direitos humanos. A questão é a do neoliberalismo que deixa que as invenções científicas se possam virar contra o homem, que a impunidade seja compensada pelo transe que nos possa ser passado pela televisão e agora toca a descobrir uma tecnologia para suportar a captura dos criminosos que ainda não são porque não há crime sem lei!

»Tudo, por causa da digitalização da morte!»





Inovação e invenções

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