2017/02/08

«Estratégia e investigação em análise na UBI»



Rafael Mangana. Urbi et Orbi. Jornal Online da UBI (Universidade da Beira Interior), da Região e do Resto



«“Muitas vezes confunde-se a RIS3 com setores de atividade, o que não é real. Nós começámos um exercício na região definindo os domínios diferenciadores na região mais na fronteira do conhecimento e depois considerámos necessidades transversais que estão também muito alinhadas com o que são hoje as novas áreas de competência, quer na ciência quer empresariais, e também alinhadas com o que é a estratégia do Portugal 2020”, esclareceu a presidente da CCDR Centro. No encontro que decorreu na UBI na última terça-feira, 29 de novembro, Ana Abrunhosa sublinhou que “podem desenvolver-se projetos inovadores e diferenciadores em qualquer setor de atividade”, definindo aquilo que é definido pela CCDR como “plataformas de inovação”, a ter em conta quando, por exemplo, unidades de investigação do Ensino Superior ou empresas submetem projetos de ciência e tecnologia para conseguirem fundos europeus. A “Estratégia de Especialização Inteligente da Região Centro” define, então, as áreas prioritárias de apoio aos projetos, que funcionam como Plataformas de Inovação: soluções industriais sustentáveis, valorização dos recursos endógenos naturais, tecnologias para a qualidade de vida e inovação territorial, “que é a que distingue muito a região da RIS3 centro das outras regiões”, destacou aquela responsável.

»A RIS3 começou por ser uma obrigação da Comissão Europeia. Cada região na Europa teve que definir a sua Estratégia de Especialização Inteligente, algo que tinha que estar cumprido antes de serem apresentados os programas operacionais. “A ideia era definirem-se as áreas especializadas, como os recursos são limitados, definirem-se no que toca à ciência e tecnologia para cada região as áreas prioritárias de apoio com fundos estruturais”, explicou Ana Abrunhosa. “Aproveitámos o que era uma obrigação para tornar isto num exercício participado pela região. Temos aplicado a grelha nos sistemas de incentivos, que são apenas para projetos empresariais, depois nas ações coletivas, depois os programas integrados, depois a fundação tem um mapeamento para as infraestruturas cientificas e tecnológicas, depois os projetos de internacionalização”, enumerou a presidente da CCDR Centro.

»Perante uma plateia composta por representantes de grupos empresariais, empresas e equipas de investigação, Ana Abrunhosa quantificou a ação da CCDR Centro. “A 15 de novembro já tínhamos visto 3103 candidaturas. Alinhadas com a RIS3, 1545 e fortemente alinhadas, 984. E o que é preciso para ser fortemente alinhado com a RIS3? Basta estar alinhado com uma das linhas de ação e ser um projeto inovador, diferenciador”, reforçou.

»Ana Abrunhosa fez ainda questão de esclarecer a utilidade deste tipo de sessões: “Discutir uma possível alteração da grelha, um afinamento da grelha de mérito regional nos incentivos à qualificação e internacionalização, perceber se vale a pena, revisitar algumas linhas de ação da RIS3, melhorar o apoio às candidaturas, sendo que, inicialmente nem preenchiam o nosso campo, atualmente com estas questões de esclarecimento tem vindo a melhorar bastante”. Aquela responsável referiu ainda que “o próximo programa de trabalho é continuar a comunicar, a capacitar, ajudar a que os atores se apropriem. Em termos de desenvolvimento futuro, o desejável é que possamos ver os contributos que tivemos com estas sessões e o balcão de responsabilidade social científica”.

A Estratégia de Especialização Inteligente da Região Centro define, então, as áreas prioritárias de apoio aos projetos, que funcionam como Plataformas de Inovação: soluções industriais sustentáveis, valorização dos recursos endógenos naturais, tecnologias para a qualidade de vida e inovação territorial.

»Presente na sessão, o vice-reitor da UBI para a Investigação lembrou que “há fatores de pontuação dos projetos e a presidente da CCDR Centro, em função disso, veio aqui expor quais são os resultados desta primeira ronda. Não são os melhores, mas também não são os piores, há muito para melhorar, mas isso também é normal num projeto que implica aprendizagem”, referiu Paulo Moniz. “Diria que ela também foi muito útil no sentido de ver, por diferentes áreas temáticas, como é que elas estão distribuídas nos projetos. Eu fiquei surpreendido em particular naquilo que diz respeito às Ciências da Saúde e à qualidade de vida, em que só 5 ou 10 por cento estão realmente a ser contabilizados e financiados, enquanto nós aqui na Universidade da Beira Interior temos um centro, que é a Faculdade das Ciências da Saúde que tem a melhor classificação possível para a quantidade que tem”, sublinhou. “Portanto, é muito bom e nós ambicionamos que tenha ainda mais e gostávamos que, em função do que o que a professora Ana Abrunhosa aqui nos disse, possamos ainda chegar mais alto”, referiu o vice-reitor.

»O presidente da Comunidade Intermunicipal Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE) marcou também presença no encontro de terça-feira. Paulo Fernandes deixou alguns pedidos à presidente da CCDR Centro: “Quem não consegue integrar os serviços de inovação é como se entrasse no mapa do subdesenvolvimento. Isso é um fator crítico, fazer parte dos processos de capacitação de inovação. Peço-lhe que, do ponto de vista de capacitação da nossa região, coloque essa questão também na linha da frente das nossas preocupações, centros de competências, por exemplo na área das tecnologias, que se feche esse processo, de uma vez por todas o nosso ponto de partida é este e acredite que nós vamos estar na primeira linha da exigência, precisamos é da massa crítica mínima a partir da qual nós podemos aspirar a dar o salto”, defendeu.

»Paulo Fernandes lembrou que a região “precisa de tempo, precisamos que a verba de capacitação fique disponibilizada e precisamos que lá mais para a frente as verbas não estejam esgotadas, porque a nossa região precisa de mais tempo do que outras para chegar lá e certamente em 2018 estamos em posição de avançar, vamos ter mais projetos com mais valor social e económico. O que peço é que em 2018 essas verbas estejam ainda disponíveis, que exista ainda financiamento”, solicitou aquele responsável a Ana Abrunhosa.


»Balcão de responsabilidade social científica

»O encontro de terça-feira serviu também para a apresentação do primeiro balcão/serviço de Responsabilidade Social Científico da região.

»“O balcão não é uma plataforma tecnológica, isso já existem, e se elas fossem perfeitas para resolver o problema o problema já estava resolvido. A plataforma é um instrumento de apoio”, sublinhou Ana Abrunhosa. “A ideia é provocar o encontro entre quem conhece o território, investiga os problemas do território e das empresas e pode colocar esse conhecimento ao serviço de quem tem problemas para resolver. Existe a necessidade de capacitar e a plataforma vai ter pessoas que são facilitadores, que são os que nós chamamos brokers de informação que provocam bons encontros”, esclareceu a presidente da CCDR Centro.

»De resto, referiu, “a ideia do balcão é ser realmente um elemento facilitador, é que o conhecimento seja apropriado por quem precisa dele, por quem o possa utilizar para criar riqueza, a ideia é contribuir para que o conhecimento que existe seja partilhado para que produza valor económico e social”.

»Com este Balcão de Responsabilidade Social Científico pretende-se, pois, uma aproximação do conhecimento produzido à comunidade, “transformando-o em valor social, em valor económico para a comunidade mais vezes, que é isso que pretendemos”.»





Inovação e ideias

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