2017/02/28

Jorge Portugal: «A sociedade tem de vencer a corrida da requalificação entre pessoas e máquinas»



Entrevista de Joana Petiz. Diário de Notícias (@dntwit)



«Jorge Portugal, diretor-geral da associação empresarial para a inovação, explica o que está em causa no lançamento do programa Indústria 4.0

»Com 60 medidas estratégicas, o plano de investimentos na indústria 4.0 traduz-se numa estratégia nacional para a digitalização da economia. O primeiro passo para esse objetivo é dado esta manhã, em Leiria, com a assinatura do protocolo de cooperação entre governo e COTEC. Jorge Portugal, diretor-geral da associação empresarial para a inovação, explica o que está em causa.


»Em que medida é fundamental a digitalização das empresas portuguesas?

»A digitalização, no contexto da era da internet industrial das coisas, significa que os sistemas operacionais de qualquer negócio são geradores de grandes quantidades de dados (sensorização, transmissão e consolidação em cloud). O processo de extração de conhecimento destes "oceanos" de dados — só possível recorrendo a algoritmos de aprendizagem automáticos — permitirá às empresas explorar novos modelos de organização da produção e distribuição mais eficientes e gerar ofertas aos clientes mais individualizadas e, por isso, mais valorizadas.

»Para garantirem os benefícios que resultam da eficiência de escala, estes novos modelos exigirão avanços sem precedentes nos níveis de coordenação e integração nas cadeias de valor, facilitados por novos paradigmas digitais de gestão.


»Traz vantagens mesmo para as empresas que não estão preparadas para a transformação digital?

»Para as empresas em geral, incluindo as menos preparadas, o programa Indústria 4.0 constitui uma oportunidade única de repensar os modelos de negócio, quer ao nível da qualidade e eficiência dos processos produtivos, quer em novas possibilidades de gerar valor para os clientes.

»Há por isso um sentido de urgência na mobilização de todas as empresas e outros agentes económicos. Ao apoiar a exploração as tecnologias digitais em ambiente empresarial — desde ferramentas de marketing digital e comércio eletrónico até modelos colaborativos entre trabalhadores humanos e autómatos — o programa i4.0 permitirá reduzir o esforço de investimento, de aprendizagem e riscos tecnológicos neste complexo processo de transição.


»Mas há riscos a considerar.

»Os momentos de transição originados por cada revolução industrial foram sempre caracterizados por grande aceleração tecnológica e forte turbulência económica e social. Esta nova revolução — a que muitos chamam a 4ª revolução — não será exceção. Muito se tem escrito e debatido sobre riscos inevitáveis, como a obsolescência das competências e a eliminação de postos de trabalho ou as ciberameaças, que deste processo.

»No entanto, a nossa perspetiva é de que a natureza destes riscos é antecipável e, por isso, os seus efeitos podem ser mitigados com soluções que podem ser colocadas em prática desde já. Se a aplicação das tecnologias de automação inteligente é irreversível, é possível antecipar que funções apresentam maior potencial de eliminação e, ao mesmo tempo, que outro tipo de funções os trabalhadores estão aptos a desempenhar e assim conceber programas de formação e treino de forma preventiva.

»Este é um tema de grande urgência, já que para que a Indústria 4.0 alcance resultados positivos, a sociedade terá de vencer a corrida da requalificação, disputada entre pessoas e máquinas. Este desafio só poderá ser ultrapassado com a sensibilização e participação ativa, assim como com a responsabilidade das empresas para requalificar os trabalhadores, em conjunto com políticas públicas bem desenhadas de apoio ao esforço que irá ser exigido.


»Qual será o papel da COTEC na implementação do programa?

»O papel principal da COTEC neste programa será o da coordenação e acompanhamento da implementação da Estratégia Nacional para a Digitalização da Economia - Programa Indústria 4.0, de forma integrada e articulada com os agentes políticos, económicos e sociais, contribuindo desta forma para identificar lacunas e oportunidades de melhoria.

»Teremos ainda a missão de maximizar os resultados das diferentes medidas e maior adaptação das empresas, trabalhadores e da economia. Pretendemos ainda acompanhar todos os desenvolvimentos nas plataformas europeias e internacionais, fazendo a coordenação da participação portuguesa nas mesmas, bem como promover as tecnologias made in Portugal e o potencial do nosso país como polo atrativo ao investimento em i4.0.

»A criação e partilha de um repositório de conhecimento em i4.0, fazem também parte das nossas responsabilidades. É um papel exigente e que nos responsabiliza, mas para o qual nos sentimos preparados para desempenhar.


Se existe previsão que poderemos fazer com um forte grau de certeza é que o futuro vai ser mais digital. Todas as empresas que tenham intenção de explorar as novas possibilidades poderão beneficiar do apoio do Programa i4.0.

»Em que medida pode o Estado ajudar?

»Refletindo uma intenção política inequívoca, a Estratégia Nacional para a Digitalização da Economia é um instrumento essencial para estimular a transição para novos modelos de organização económica e assim contribuir para melhorar a competitividade das empresas numa perspetiva a prazo e, ao mesmo tempo, reduzir o impacto dos riscos mencionados, inevitáveis em processos complexos de mudança tecnológica, económica e social.


»De que forma será feita a coordenação e fiscalização? Que instrumentos terá a COTEC ao seu dispor?

»A palavra-chave é articulação. A COTEC vê o processo de coordenação e acompanhamento como um instrumento de interligação e coerência entre múltiplas atividades e projetos que já ocorrem em redes distintas (clusters, associações setoriais, centros tecnológicos, universidades e consórcios), aos níveis regional, nacional e internacional, gerando assim um efeito multiplicador nos resultados, redução de redundâncias na utilização de recursos e disseminando mais rapidamente resultados e experiências.

»Vamos por isso ter muita disponibilidade para escutar as empresas, das quais destaco os nossos associados, as estruturas académicas, económicas e sociais, e valorizar as suas preocupações e contribuições para melhorar o Programa i4.0, cujas medidas já estão e irão agora para o terreno.


»Que tipo de empresas se enquadra neste projeto?

»A Indústria 4.0 é uma estratégia nacional que cobre todos os setores de atividade e todos os tipos de empresa, independentemente da sua dimensão ou organização ou até grau de internacionalização. Se existe previsão que poderemos fazer com um forte grau de certeza é que o futuro vai ser mais digital. Todas as empresas que tenham intenção de explorar as novas possibilidades poderão beneficiar do apoio do Programa i4.0.


»O programa será realmente capaz de captar investimento em projetos de inovação? Há metas definidas?

»Pela sua importância crítica na competitividade empresarial, temos fortes expectativas de que a digitalização possa atrair nos próximos anos níveis significativos de investimento em inovação, aumentando a capacitação das empresas portuguesas para incorporarem conceitos de negócio e tecnologias facilitadoras decorrentes dos processos de transformação digital. Por enquanto, não temos conhecimento de metas concretas.


»Que efeito poderá ter na competitividade do país?

»A introdução atempada de conceitos e tecnologias i4.0 nos modelos de negócio será condição necessária para as empresas nacionais manterem e reforçarem posições de relevo nas respetivas cadeias de valor dentro e fora de Portugal. Por outro lado, o atraso poderá representar a prazo perda progressiva de negócio oriundo dos melhores clientes, aqueles que apostarão também nos mesmos conceitos e famílias de tecnologias e a incapacidade de concorrência na eficiência e no valor acrescentado. A aceleração da transição reforçará a qualificação do capital humano e a sua retenção em empresas nacionais.


»Como se fará a ligação entre tecido empresarial português e estrangeiro?

»Entendemos que muitas das questões críticas da i4.0, como as áreas de financiamento da inovação, normalização e as cibersegurança, serão decididas no plano europeu e por isso pretendemos acompanhar de perto as tendências do mercado e decisões políticas mais relevantes ao nível das instâncias europeias.

»Nesta matéria tão crítica será necessário melhorar a coordenação da participação portuguesa nas plataformas europeias, sem esquecer a estratégia nacional para a especialização inteligente, com a possibilidade de articulação com algumas prioridades específicas decorrentes da estratégia i4.0.

»A relação que temos com as nossas congéneres no âmbito da COTEC Europa, será também uma ajuda relevante no posicionamento que pretendemos alcançar ao nível europeu.»





Inovação e discursos

2017/02/27

Newsletter L&I, n.º 137 (2017-02-27)




n.º 137 (2017-02-27)

TAG: # inovação ecológica # innovación ecológica # innovation écologique # ecologic innovation
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«Plataforma brasileira permitirá diagnóstico sobre biodiversidade» [link]

«“Provamos que a tecnologia para o Hyperloop já existe”» [link]

«Chile é destaque em maior feira de alimentos da Rússia» [link]

«Energizer [@Energizer] apresenta a primeira pilha alcalina fabricada com reciclados» [link]



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«Inventor do cimento ecológico vira-se para as aplicações automóveis» [link]

«Cinco alunos da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (UMinho) venceram um concurso nacional de veículo de venda ambulante inovador» [link]

«Sugo Cork Rugs, start-up da Amorim Cork Ventures» [link]

«Horizonte 2020 [@H2020SME]: Portuguesa Consulpav selecionada para última ronda de apoio» [link]



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Hermógenes Gil: «Panasonic también acelera el desarrollo del hidrógeno en producción, almacenamiento y uso» [link]

«La Confederación Hidrográfica del Duero lidera el proyecto europeo de innovación NAIAD (NAture Insurance value: Assessment and Demonstration) sobre economía verde y cambio climático» [link]

«Nuevo Plan Aragonés de Estrategia Turística 2016-2020: Ciudadanos pide promocionar la Etiqueta Ecológica Europea entre agentes turísticos» [link]

«Hifas da Terra [@hifasdaterra], premio Alimentos de España por su producción ecológica» [link]



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Christophe Koessler: «L’innovation verte au service du Sud» [link]

«Les Shetland, réservoir d'énergies renouvelables après le pétrole» [link]

«Togo: EcotecLab, le makerspace qui favorise le partage et l’innovation pour l’écologie» [link]

«Le Grand Éléphant des Machines se met au vert pour rouler écologique» [link]



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«Fiscal incentives may help reduce carbon emissions in developing countries» [link]

«Low-cost solar-powered ambulance to save lives in Bangladesh» [link]

«Leading the way for the future of farming in New Zealand» [link]

«The 6 startups to represent Africa at AFIF [@_EMRC_ #AFIF2017] Entrepreneurship Awards» [link]




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L&I Media


«Frost & Sullivan reconhece a Level 3 (@Level3) com o Prêmio de Empresa do Ano Fornecedora de Serviços Corporativos na América Latina em 2016» [link]

«Paulo Neves assume liderança do Conselho de Administração da @PortugalTelecom» [link]

«El liderazgo como "atractor extraño" en una sociedad caótica» [link]

«EY annonce l’acquisition de @CogniStreamer, start-up d’origine belge proposant des solutions de gestion des projets d’innovation collaborative» [link]

«McGill study (@JuniperAdvisers) reveals the ‘illusion’ of innovation at Canadian law firms» [link]



L&I Scholar


«Inovações do empreendedorismo que você precisa conhecer» [link]

«Um exemplo de liderança» [link]

«Los Andes presenta un curso de liderazgo con espíritu sanmartiniano» [link]

«Le leadership des médecins, essentiel à la transformation des soins de santé» [link]

«Innovative leadership and Lagos’ resilience city status» [link]



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«Como é construir um ambiente de inovação, do zero, dentro de um grande banco – o Bradesco» [link]

«O desafio de crescer sem perder o espírito de startup» [link]

«Cinco comportamientos de liderazgo para pymes globales» [link]

«Le leadership est fondamental pour entraîner la communauté vers un nouveau consensus» [link]

Ky Arts Council (@KYArtsCouncil): «How the arts community can team with business to drive innovation» [link]





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Vasco Teixeira: «O Sucesso da Participação Portuguesa no Horizonte 2020», @correiodominho








2017/02/24

«Horizonte 2020 [@H2020SME]: Portuguesa Consulpav selecionada para última ronda de apoio»



Sónia Bexiga. StartUp Magazine @startupmagpt



«A Comissão Europeia vai atribuir 33,5 milhões de euros a 17 projetos inovadores que envolvem 80 parceiros de 19 países, entre os quais Portugal.

»Este apoio visa acelerar o acesso ao mercado, no âmbito da sexta e última ronda do projeto-piloto “Processo Acelerado para a Inovação” (FTI) [Fast Track to Innovation (FTI) Pilot], executado no âmbito do programa de investigação e inovação da UE, Horizonte 2020.

»Nesta última ronda encontra-se uma PME beneficiária portuguesa, a Consulpav, que faz parte de um consórcio, a quem foi atribuído o montante de 2,1 milhões de euros para facilitar a transição da sua ideia inovadora para o mercado.

Este projeto tem por alvo o setor da indústria da pavimentação que enfrenta atualmente desafios variados à medida que aumenta a necessidade de pavimentos que exijam menor manutenção, mais silenciosos e mais ecológicos. A utilização de fragmentos de borracha derivados de pneus em fim de vida em misturas betuminosas dá resposta a todas estas necessidades.

»A Consulpav, fundada em 1990, é especialista em projecto, caracterização, gestão e fiscalização e controlo de obra de pavimentos rodoviários e aeroportuários.

»Este projeto tem por alvo o setor da indústria da pavimentação que enfrenta atualmente desafios variados à medida que aumenta a necessidade de pavimentos que exijam menor manutenção, mais silenciosos e mais ecológicos.

»A utilização de fragmentos de borracha derivados de pneus em fim de vida em misturas betuminosas dá, segundo os promotores do projeto, resposta a todas estas necessidades.

»Neste contexto, Carlos Moedas, comissário europeu responsável pela Investigação, Ciência e Inovação, reforma que, através do Horizonte 2020, a Comissão pretende dar às empresas inovadoras o apoio de que necessitam para acelerar a transição das suas inovações para o mercado. “Com base nos resultados promissores desta fase-piloto e tendo em conta o seu potencial contributo para a inovação na Europa, decidimos que o Processo Acelerado para a Inovação continuará em 2018-2020 como parte do novo Conselho Europeu da Inovação”, conclui.»





Inovação e recursos

2017/02/23

«Sugo Cork Rugs, start-up da Amorim Cork Ventures»



Sugo Cork Rugs: História - Sustentabilidade. Sugo Cork Rugs é uma start-up da Amorim Cork Ventures @amorimcorkv.



«História

»Sugo Cork Rugs teve a sua génese em 2014, fruto do sonho da designer Susana Godinho de conceber tapetes com cortiça, recorrendo a técnicas de tapeçaria tradicionais.

»A preocupação com o ambiente e com o uso sustentável de recursos, foram o pontapé de saída para a criação de um tapete inspirado na Natureza, de design atrativo, com a capacidade de valorizar qualquer espaço, incutindo-lhe uma atmosfera especial. Tendo como parceiro a Amorim Cork Ventures – do grupo Corticeira Amorim, a maior empresa mundial de produtos de cortiça, o sonho é agora uma realidade concretizada, com o lançamento da primeira coleção de tapetes com cortiça concebidos em tecelagem, fruto de uma combinação audaz entre técnicas artesanais, recurso a materiais naturais e em sintonia com as tendências mundiais de decoração de interiores.

»Localizada no Norte de Portugal, zona reconhecida mundialmente, pela forte experiência e tradição no sector têxtil, Sugo Cork Rugs, recupera a tradição de forma inovadora, através da junção de cortiça, lã e algodão criando padrões e sensações únicas. Sugo Cork Rugs é uma coleção de tapetes concebida a pensar em quem valoriza Eco design e funcionalidade, numa proposta de valor que tira partido das propriedades únicas e inimitáveis da cortiça e que resulta num tapete sem igual.


O sonho é agora uma realidade concretizada, com o lançamento da primeira coleção de tapetes com cortiça concebidos em tecelagem.

»Sustentabilidade

»Eco design é o que nos move e, como tal, preocupamo-nos com a escolha dos materiais que utilizamos na conceção dos tapetes. Sugo Cork Rugs compromete-se com o ambiente em todas as fases do ciclo de vida do produto, desde a recolha das matérias-primas até ao produto final, e preocupa-se em utilizar materiais amigos do ambiente que preservem o ecossistema.

»A cortiça utilizada nos tapetes provém da maior empresa mundial de produtos de cortiça – a Corticeira Amorim, cuja atuação é determinante para a gestão sustentável das áreas de sobreiro e a implementação de boas práticas ao nível ambiental e social.

»A par da cortiça, privilegiamos o que de melhor Portugal tem para oferecer, utilizando lã proveniente de produtores nacionais, que partilham a mesma preocupação com o ambiente e com práticas sustentáveis.

»A nossa preocupação estende-se até na seleção do algodão utilizado, um material de baixo impacto ambiental, sendo regenerado/recuperado e proveniente de fornecedores nacionais certificados.

»Sugo Cork Rugs é marca da empresa Td Cork Lda, à qual foi atribuída a certificação Internacional Pending BCorp, um movimento internacional em grande crescimento que avalia as empresas de acordo com a sua performance ambiental, social e económica.»





Inovação e invenções

2017/02/22

«Cinco alunos da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (UMinho) venceram um concurso nacional de veículo de venda ambulante inovador»



Correio do Minho @correiodominho. Redação



«Cinco alunos da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (UMinho) venceram um concurso nacional por criarem um veículo de venda ambulante inovador.

»O protótipo, destinado à venda de gelados, distingue-se por ser autónomo, ecológico, interactivo e adaptado a vários contextos.

»O projecto da UMinho superou os que foram apresentados pelas universidades do Lisboa, Porto e Aveiro, também desafiadas para o concurso ‘Sou Olá’, pela Unilever.

»As principais inovações são a capacidade de manter a arca refrigerada, a colocação de mais gelados por metro cúbico (em radial), a tampa de acesso rápido a produtos, a aplicação móvel (app) para interagir com clientes ou gerir stocks e cobranças e, ainda, o painel solar que serve para iluminar o veículo e carregar a bateria do tablet que contém a app.

As principais inovações são a capacidade de manter a arca refrigerada, a colocação de mais gelados por metro cúbico (em radial), a tampa de acesso rápido a produtos, a aplicação móvel (app) para interagir com clientes ou gerir stocks e cobranças e, ainda, o painel solar que serve para iluminar o veículo e carregar a bateria do tablet que contém a app.

»O veículo de 2.2 por 1.3 metros pode também ser desdobrado como ‘carrinho’ (push cart). A equipa procurou assim resolver várias fragilidades que têm os veículos actuais. O protótipo foi testado em Agosto no centro de Braga.

»“As pessoas gostaram sobretudo do design, da aplicação para pedidos e pagamentos, bem como do uso da energia renovável e não depender de motor de apoio”, destacam os autores, no relatório de 130 páginas. Nos aspectos a melhorar está o peso do bólide.

»Os alunos promotores consideraram o concurso “uma óptima oportunidade” para o contacto real com o mercado e para a criação de um projecto académico de investigação, que incorpora tendências tecnológicas e pode vir a ser implementado.

»“Ganhámos conhecimentos técnicos, redes de contactos e muitas competências, desde estar com fornecedores, resolver dificuldades imprevistas, lidar com objectivos exigentes, ter deadlines apertados, trabalhar em equipa e saber comunicar, o que nos permite preparar para o futuro profissional”, refere a aluna Vera Neto.

»O projecto foi orientado pelos professores Pedro Lobarinhas e João Pedro Mendonça, do Departamento de Engenharia Mecânica da UMinho.»





Inovação e ideias

2017/02/21

«Inventor do cimento ecológico vira-se para as aplicações automóveis»



Motor 24 #motor24



«Um professor universitário desenvolveu um método para criar polímeros, plásticos e outros materiais compósitos em baixas temperaturas.

»O método resultou na produção de materiais ultra-leves muito mais baratos, consumindo menos energia e dando a origem a uma quantidade superior de possíveis aplicações em produtos de consumo pelo grande público, incluindo um cimento ecológico e materiais para uso em automóveis.

»Richard E. Riman, que tem 30 anos de carreira como professor de ciência de materiais na Universidade Rutgers, conseguiu patentear vários materiais como resultado das suas experiências.

»Muitos dos materiais compósitos que desenvolveu simulam a aparência e o comportamento de madeira, osso e até aço. O objetivo é criar materiais com um consumo mínimo de energia na fase de produção.

Muitos dos materiais compósitos que desenvolveu Richard E. Riman simulam a aparência e o comportamento de madeira, osso e até aço.

»Riman vê a indústria automóvel como um ambiente natural para diversificar o uso da tecnologia, apontando usos potenciais na conceção de motores e revestimentos, no interior e no exterior do carro.

»Há também a possibilidade de criar sistemas eletrónicos ou magnéticos que assumem funções que anteriormente eram puramente mecânicas.

»Todos estes sistemas baseiam-se no conceito de solidificação a baixa temperatura, com materiais produzidos num máximo de 240 graus, mas com muitos processos realizados em temperatura ambiente. Riman quer que esta tecnologia dê origem a uma espécie de Silicon Valley em redor da Universidade Rutgers, baseada em New Jersey.»





Inovação e discursos

2017/02/20

Newsletter L&I, n.º 136 (2017-02-20)




n.º 136 (2017-02-20)

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«Pochet, que em 2023 festejará os 400 anos da unidade Pochet du Courval, sua fábrica de frascos de vidro, assume compromisso e investe no futuro» [link]

«Produtos sustentáveis foram destaques do Grupo ReciclaBR na Fesqua 2016» [link]

«Produção de carvão ativo a partir do bagaço da cana poderá reduzir poluição» [link]

«Epamig desenvolve 'refrigerante do bem', bebida láctea saudável» [link]



Liderar Inovando PT
Discursos e inovação | Ideias e inovação | Invenções e inovação | Recursos e inovação

Jorge Montezinho: «Quando o queijo pode fixar população» [link]

«Tecnologia no prato: Colmeias Hi-Tech e a agricultura nas cidades FUTURIS Tecnologia no prato: Colmeias Hi-Tech e a agricultura nas cidades» [link]

«Etiópia inaugura o maior parque industrial de moda na África» [link]

«Transístor de papel: a descoberta de Elvira Fortunato que já revoluciona o mundo» [link]



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«La planta de Irizar en Aduna iniciará en mayo la fabricación de autobuses eléctricos» [link]

Alicia Carrasco Rozas: «La moda sostenible y de proximidad protagonistas en la tercera edición de la feria BSTIM» [link]

«El compromiso de Grohe por la protección del agua» [link]

«La planta química de Cepsa supera una auditoría de sostenibilidad» [link]



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«Vannes. Fevrier du 2016: L’usine Michelin investit 2,6 millions d’euros. Fevrier du 2017: Michelin investira 22 millions d’euros dans son usine. En contrepartie, l'effectif passera de 450 salariés à 350, d'ici à cinq ans» [link]

«Fapel-Guinée, la start-up qui a inventé la pompe à pistons alternatifs» [link]

«Le “style éthique”, tendance forte du salon Ambiente 2017 à Francfort» [link]

«L'aviation à petits pas vers les carburants alternatifs durables» [link]



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«Forest Products Industry Highlights Sustainable Manufacturing Leadership, Economic Contributions in Washington State» [link]

«Fully 3D-Printed Car Promises Sustainable Manufacturing» [link]

«Driven towards sustainability, this team of VIT students built a car that runs 200km per litre» [link]

«SURPLUS MALL kickoff, a project to improve surplus materials reuse» [link]




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L&I Media


«Develop2Change, iniciativa de desenvolvimento pessoal, interpessoal e organizacional de empreendedores(as) sociais da Ashoka @ChangemakersPT, em parceria com a Global Academy Foundation, anuncia edição para 2017» [link]

«SEAT #Espanha é Top Employer pelo terceiro ano consecutivo» [link]

«Intraemprendedurismo, la ruta de las mujeres para romper barreras». Entrevista con Ryan Schill @INCAE [link]

«La Fromagerie L'Ancêtre @fromagesdici: la tradition au cœur de la technologie» [link]

«Why the Best Innovators Ask the Most Beautiful Questions?» Interview to the questionologist Warren Berger (author of the book A More Beautiful Question), by @lisakaysolomon, @singularityhub [link]



L&I Scholar


«A #Africa.com.br, agência mais admirada do Brasil e líder em 7 categorias na pesquisa Agency Scope 2016, investe em nova liderança para atender às demandas dos clientes no atual cenário competitivo» [link]

Rios Amorim @100PercentCork: «EUA são o nosso mercado com maior potencial de crescimento» [link]

Raúl Colorado (@RaulColoradoM, Psicosoft @PsicosoftRedes): «Leadership Training Program: Una arquitectura global de Liderazgo» [link]

«Depuis plus de 15 ans, le Dorothy Wylie Health Leaders Institute (DWHLI) réunit des leaders des soins de santé de tout le pays pour une étude concentrée des principes, modèles, compétences et instruments de leadership» [link]

«Leadership Insights from Published Studies on Chinese Top Executives» [link]



L&I Blog


«São José recebe o programa inovador Awesome Business Life, da Awee4LIFE, para a melhoria de performance de pequenas e medias empresas» [link]

«Os novos desafios da liderança», Luís Sítima, Porto BS, via @ojeconomico [link]

Francisco González Bree (@PacoBree): «Innovación, liderazgo y talento» [link]

«Nest @NestFrance, marque leader de la maison connectée, étend sa présence en Allemagne, en Autriche, en Italie et en Espagne» [link]

«Women’s initiative at University of Georgia @universityofga's @TerryCollege recognized as an innovator in business education» [link]





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«Paulo Neves assume liderança do Conselho de Administração da @PortugalTelecom»








2017/02/17

«Transístor de papel: a descoberta de Elvira Fortunato que já revoluciona o mundo»



Rádio e Televisão de Portugal (RTP) - Notícias



«Ideias arrojadas e inovadoras a nível mundial dão-lhe trabalho, prémios, medalhas e, acima de tudo, reconhecimento. Têm sido assim os últimos anos da carreira da investigadora, que conta já com mais de meia centena de patentes. Dez já estão registadas.

»Elvira Fortunato, diretora do Cenimat - Centro de Investigação de Materiais da Universidade Nova de Lisboa não esconde que a ciência passou por uma fase menos boa com a troika em Portugal, um facto que “teve efeitos nefastos em termos da investigação científica”.

»Ainda assim considera que a ciência tem evoluído positivamente. Recentemente foi também a primeira cientista portuguesa a receber a medalha Blaise Pascal, atribuída pela Academia Europeia de Ciências.

»Chegar às empresas tem sido um percurso difícil, mas a equipa desta investigadora portuguesa está a desenvolver um projeto com a maior indústria nacional - e também europeia - da área do papel.

»A nível internacional têm uma patente com a Samsung na área da eletrónica, em que os transístores vão ser usados na nova geração de mostradores.

»Sem adiantar pormenores, Elvira Fortunato revelou ao site da RTP que tem já fortes contactos na área das análises clínicas e na área das embalagens, com empresas nacionais e multinacionais. Uma para fazer testes de diagnóstico (sangue, malária, leishmânia, colesterol, entre outros) e outra para fazer embalagens inteligentes.


»O que é o Cenimat?

»“O Cenimat é um centro de investigação de materiais que nasceu na década de 90 e atualmente pertence a um laboratório associado. Em 2006 juntámo-nos aos colegas da física de Aveiro e do Minho. Estes três centros tinham tido uma avaliação excelente porque desde a altura do professor Mariano Gago que os centros de investigação, a nível nacional, são avaliados por painéis internacionais e isso foi muito bom. Permitiu organizar a ciência em Portugal e, por outro lado, o financiamento que nós recebemos da Fundação para a Ciência e Tecnologia é indexado à classificação que temos. É um sistema competitivo, perfeitamente justo.

»“Face às boas classificações que tivemos no passado e face à complementaridade que tínhamos nas áreas científicas, juntámo-nos e fizemos um Instituto na área das nanotecnologias. Instituto esse que tem vindo a trabalhar, especialmente, na área dos materiais avançados, nano fabricação e simulação. Na última avaliação que decorreu em 2013/2014 nós tivemos a nota de excecional. Esse reconhecimento é muito bom. Trabalhamos bem, queremos continuar a trabalhar e já para o ano vamos novamente ser avaliados.

»No meu grupo em particular, trabalhamos mais na área da microeletrónica e com materiais semicondutores. Portanto, tudo o que seja o fabrico de eletrónica, em eletrónica de papel. Nós usamos o papel como material de eletrónica, coisa que nunca tinha sido feita no mundo. O papel é uma componente eletrónica. Nós aqui usamos o papel para tudo menos escrever. O papel é muito mais nobre”.


»Em 2008 conquistou o maior prémio de sempre dado a um investigador português, o que foi feito de lá para cá?

»“Basicamente, trabalhamos na área dos materiais avançados, utilizados na eletrónica transparente. São materiais funcionais, que permitem ter uma determinada função mas, para além disso, o Cenimat está dividido em três grupos de investigação: grupo de materiais da eletrónica e nanotecnologias, grupo de materiais estruturais que trabalha mais na área dos metais, materiais cerâmicos e também materiais culturais (vidros) e temos um grupo de materiais moles, biomateriais e cristais líquidos.

»O laboratório cresceu imenso. O prémio veio acompanhado de um valor monetário elevado. Foram 2,25 milhões de euros que permitiram fortalecer o laboratório. Praticamente metade desse valor foi para a aquisição de um microscópio eletrónico de alta resolução e, por outro lado, permitiu também contratar pessoas para trabalhar na área da eletrónica transparente a cinco anos.

»O dinheiro traz mais dinheiro, mas não foi só o dinheiro. Foi todo o reconhecimento científico e isso catapultou-nos para um outro patamar em termos de investigação científica”.


»O que é que a despertou para a ciência?

»“Não gosto muito de programar a minha vida a longo prazo ou dizer: eu quero ser isto eu vou ser aquilo. As coisas na minha vida aconteceram todas de uma forma muito natural. Nunca fiz nada de especial para chegar onde cheguei. A única coisa que eu tenho feito desde que acabei o meu curso e comecei a trabalhar foi trabalhar, trabalhar e trabalhar.

»Eu não tinha objetivos concretos. A hipótese de ser cientista quando eu era pequenina não se colocou, mas quando eu acabei o liceu e entrei para a Universidade, uma coisa eu sabia: queria seguir engenharia porque é exatamente nessa área que eu me sinto bem”.

»“Eu gosto de fazer coisas. Não só descobrir mas fazer coisas que sejam úteis para a sociedade, daí que a nossa área de investigação seja muito aplicada. Fazemos muitas coisas relacionadas com dispositivos, biossensores e transístores, que de alguma forma estão muito próximas da indústria, daí ser fácil para nós ter contratos, projetos, e de alguma forma passar aquilo que fazemos aqui dentro das quatro paredes, não só para Portugal mas para o mundo inteiro”.


»Tem sido fácil chegar às empresas?

»“Chegar às empresas, nomeadamente às portuguesas, tem sido um percurso difícil mas, neste momento, estamos a trabalhar com o grupo Portucel. Ganhámos agora um projeto no âmbito do PT 2020 e estamos a trabalhar com a melhor e maior indústria da área do papel nacional e também europeia, o que é muito bom.

»Aquilo que vamos fazer no âmbito desse projeto é explorar até que ponto se pode funcionalizar o papel, que é produzido neste momento e que é basicamente para fotocópias e papel de impressão. O objetivo é tentar usar esse papel também para a área da eletrónica e embalagens.

»Há uma tendência mundial muito grande para substituirmos a maioria das embalagens de plástico por embalagens à base de papel porque temos também um problema mundial: os oceanos estão cheios de plásticos, que duram mais de 100 anos, com todos os problemas que isso acarreta.

»Imagine que eu quero ver um pedacinho de papel aqui dentro do microscópio. Ele é muito transversal e deve cobrir as áreas todas, até analisar peças metálicas defeituosas que são responsáveis pelos airbags, por exemplo. Nós já identificámos um problema crítico de uma empresa alemã que disse que a empresa portuguesa é que estava a fazer o trabalho mal feito. Depois descobriu-se que a empresa alemã estava a comprar essas peças metálicas a uma empresa chinesa. Os airbags mesmo sem impacto abriam porque as molinhas partiam.

»Desde ver esse tipo de coisas neste microscópio, a identificar esses problemas, essas doenças se quiser, também podemos ver bactérias. Nós temos neste momento trabalhos com diversas bactérias: as que produzem fibras de papel como as bactérias que estão no vinagre e as que permitem o fabrico de uns biopolimeros a partir de uns resíduos.

»Um biopolímero pode ser usado também em biossensores, em embalagens específicas. Portanto, é um resíduo que é transformado num material de elevado valor acrescentado. Sem este equipamento era impossível progredir tanto. Este microscópio é único a nível nacional”.

»“Eu costumo dizer que fazer um transístor é como fazer um bolo. Eu preciso para fazer um bolo de farinha, ovos e açúcar. Para fazer o transístor preciso também de materiais isolantes, materiais condutores e materiais semicondutores. Neste caso, o isolante é o papel.

»O papel não conduz eletricidade. É um material isolante, eletrónico. Então fizemos os transístores e passamos para circuitos mais completos já em papel.

»“Temos um protótipo que foi feito no âmbito de um projeto europeu, em que não só temos transístores mas sensores e um mostrador. Isto era utilizado para a deteção de um gás tóxico e depois no mostrador podem aparecer as palavras: “attention”, “dangerous”. Aqui pode ver-se que nós integramos o transístor com outros componentes.

»Para além da eletrónica de papel, mais recentemente, começamos a trabalhar na área dos biossensores. Aqui a ideia é nós termos também sensores em papel, a um custo muito reduzido e neste caso em particular são feitos numa impressora laser, cujo tonner é cera. A tinta é cera como lápis de cera.

»Nós usamos esta cera para imprimir um determinado padrão. Neste caso pode ser um sensor em que em cada uma destas pontinhas eu vou determinar qualquer coisa: glucose, colesterol, aquilo que eu quiser. São testes de diagnóstico rápido e a um baixo custo. Pelo facto de ser em papel tem a grande vantagem de que no fim queima e não tem problemas de contaminação. Além disso, foram feitos para serem compatíveis com as máquinas que já existem no mercado”.


»Como se faz um transístor?

»“Numa das faces coloco um condutor, que pode ser alumínio ou cobre. Na outra superfície coloco um material semicondutor que é à base de óxido de zinco. No fundo é como se eu fizesse uma fotocópia frente e verso. Começo no meio do dispositivo. Numa das faces ponho um condutor, na outra face o semicondutor e já tenho transístor.

»Tem imensas aplicações. As placas que são usadas para análises clínicas e mesmo para experiências podem ser substituídas por uma placa de papel, com a grande vantagem de que o custo é muito menor. Por outro lado, eu não necessito de ter um volume tão grande de material. Basta impregnar o poço de papel com a solução, que em alguns casos pode ir a 100 vezes menos a quantidade de solução”.

»“Neste momento, a nível internacional, há quatro grandes pilares que têm problemas ou que necessitam de outra atenção: água, alimentação, a parte da saúde, em especial, com as pessoas mais velhas e a internet das coisas.

»A longevidade é cada vez maior mas acima de tudo nós queremos viver com qualidade, daí que seja necessário todo um conjunto de testes de diagnóstico, de ferramentas, que permitam controlar de uma forma melhor.

»Já na área da internet das coisas, os estudos de mercado apontam que, como temos a cloud, dentro de pouco tempo vamos deixar de ter programas nos nossos discos rígidos. Nós só precisamos de ter documentos. A informação anda por aí.

»Numa sociedade cada vez mais integrada, mais sustentável, em que se quer que todas as coisas sejam inteligentes, o ideal é que eu possa controlar automaticamente, a eletricidade, o ar condicionado, em função da temperatura ou em função da luminosidade. Para que isso aconteça eu tenho que ter sensores dispersos, quer seja numa casa, quer seja numa fábrica ou até num automóvel. Para que isso exista tem que existir eletrónica, emissores, recetores, mas a um baixo custo”.

»“A nível mundial inquietam-me os problemas da sustentabilidade e os problemas ambientais, como o CO2 e o aumento da temperatura. Os glaciares estão a derreter.

»Se não se colocarem travões, a Terra não vai conseguir resistir. Se nós continuarmos, por exemplo, a consumir o cobre ou o ouro, alguns materiais extremamente importantes na área da eletrónica, à velocidade que estamos a consumir hoje, dentro de 30, 50 anos não há mais materiais destes na terra”.


»Como vê a ciência em Portugal?

»“A ciência em Portugal passou uma fase má. Na última legislatura tivemos a troika e isso teve efeitos nefastos em termos da investigação científica mas por outro lado às vezes os sucessos partem ou surgem devido às dificuldades que as pessoas têm.

»Se estivermos sempre numa zona de muito conforto e tivermos tudo de uma forma muito simples, não nos esforçamos muito. É um facto. Isso também consciencializou os investigadores para serem mais ativos e se candidatarem a outras fontes de financiamento, nomeadamente projetos europeus.

»Esses projetos são muito competitivos porque são 28 países a concorrer às mesmas coisas e aí a competição é mais forte, mas temos tido sucesso. Portanto, o défice é positivo.

»A ciência tem evoluído positivamente. Aliás deu um salto num espaço de tempo pequeno. Nós no espaço de cerca de 20/30 anos demos um salto gigante e mesmo com os recursos que temos, penso que conseguimos fazer milagres com as verbas”.


Para além da eletrónica de papel, mais recentemente, começamos a trabalhar na área dos biossensores. Aqui a ideia é nós termos também sensores em papel, a um custo muito reduzido e neste caso em particular são feitos numa impressora laser, cujo tonner é cera. A tinta é cera como lápis de cera.

»É vice-presidente do grupo de conselheiros do Comissário Carlos Moedas para a investigação, ciência e inovação, qual é o papel que desempenha?

»“É uma grande responsabilidade mas é um orgulho muito grande. Foi um processo de candidaturas, não foi por convite. Houve um processo a nível europeu e é engraçado porque eu tive que ir a Bruxelas. Fizeram-me uma entrevista, coisa que eu não fazia já há não sei quantos anos. Normalmente eu é que faço entrevistas mas correu muito bem e fui selecionada.

»Basicamente, neste grupo de sete há problemas que são colocados pelos comissários europeus. São pessoas de várias áreas científicas.

»A ciência é vastíssima e, por vezes, é necessário regular a nível europeu. Fazer novas leis. Existia a necessidade de se regular a nível, por exemplo, das emissões dos automóveis, nomeadamente CO2. Aquilo que se verifica é que quando nós compramos um carro e se analisa qual é a emissão de CO2 que o vendedor indica, isso não tem nada a ver com a emissão do CO2 que o veículo faz em andamento.

»Existe um hiato enorme que pode ir até aos 40 por cento. Esse problema foi até colocado pelo comissário espanhol europeu. Sendo um problema mais científico veio para o comissário Carlos Moedas, que o colocou aqui a este grupo de investigação. Nós estamos neste momento a finalizar um relatório, estritamente científico.

»Basicamente o que se quer fazer é alterar o ciclo de testes porque está provado que o que é feito não tem nada a ver com as emissões que depois os veículos têm em andamento normal. São evidências científicas. Nós fazemos o nosso trabalho, depois os políticos que decidam. Portanto, é preciso legislar. Há que convencer também os grandes fornecedores de automóveis que vão ter uma lei, um critério mais real. Será para 2017”.


»O número de patentes que têm já é considerável. Que patentes são essas?

»“Temos patentes na área da eletrónica transparente, nomeadamente com a Samsung na área da eletrónica transparente para os mostradores. São transístores transparentes que vão ser usados na nova geração de mostradores.

»Temos também patentes na área da eletrónica de papel, por exemplo, os transístores de papel. Algumas patentes na área de novos materiais óxidos, com propriedades diferentes dos que já existem e também patenteamos essas combinações de materiais e o seu processo de fabrico. Temos ainda algumas patentes na área dos biossensores, como testes de diagnóstico rápido.

»Aquilo que nós achamos que pode vir a potenciar estas descobertas é serem usadas em termos industriais. O nosso sonho é tentar passar todo este desenvolvimento para a indústria. Face à importância que isto está a ter, a própria Comissão Europeia abriu projetos em áreas específicas.

»Neste momento, no âmbito do grande pacote de projetos europeus, existe um projeto específico na área do papel eletrónico, ao qual concorremos. Isso mostra o interesse da própria Comissão Europeia em potenciar e colocar um alerta aos investigadores: por favor trabalhem nesta área com o envolvimento de empresas.

»Neste momento, na área do papel, estamos com contactos fortes na área quer das análises clínicas, quer na área das embalagens, com empresas nacionais e multinacionais. Uma é para fazer testes de diagnóstico e outra para fazer embalagens inteligentes, mas não posso dar mais pormenores.

»Isto é como se fosse uma peça de lego. É uma plataforma. Agora podemos fazer em cima daquilo o que nós quisermos. Nós desenvolvemos uma plataforma de baixo custo, usando a impressão, para fazer testes de diagnóstico. Agora o teste pode detetar o que quiser: malária, leishmânia, colesterol. Depende daquilo que se quiser lá colocar.



»Nanofibras a partir de bactéria do vinagre

»Ainda na área do papel, neste momento, estamos a trabalhar com uns colegas da Universidade do Minho que trabalham com umas bactérias que são as bactérias do vinagre. Produzem nanocelulose que são fibras também de celulose mas com uma dimensão mais pequenina, com um grau muito elevado de pureza e sem defeitos porque normalmente a natureza é perfeita.

»Como as fibras são muito pequeninas, são nanofibras, o papel é transparente, é quase papel vegetal. Isso para nós foi muito engraçado porque trabalhávamos na área da eletrónica transparente, trabalhávamos na área do papel, então aqui juntámos as duas. Podemos ter eletrónica transparente em papel transparente.

»Em termos de sustentabilidade, nós não precisamos de estar à espera quatro ou cinco anos que o eucalipto ou o pinheiro cresça para depois ser cortado e depois ter que utilizar toda aquela indústria pesada, química, para extrair da madeira a celulose. Eu aqui tenho as bactérias. Elas durante dois a três dias fazem folhas de papel. É numa escala diferente, mas sobretudo são alternativas sustentáveis.

»Nós fazemos exatamente a mesma coisa que fazemos com o papel normal: células celulares, fotovoltaicas, transístores e testes de diagnóstico. Podemos fazer exatamente a mesma coisa ou até melhor, usando a nano celulose, as nano fibras produzidas pela bactéria do vinagre”.



»Tetra solar a baixo custo

»“A tecnologia não coloca qualquer tipo de impedimento. Inicialmente quando começámos a trabalhar na área do papel, sendo o papel um material barato, nós tínhamos que utilizar tecnologias para fazer os dispositivos em papel também baratos, então iniciámos o trabalho com simples impressoras a jato de tinta.

»Retirámos os tinteiros de tinta normal das impressoras e em substituição da tinta normal colocámos tintas feitas por nós com nanopartículas (óxido de zinco, prata, cobre – materiais que são usados na eletrónica) com os materiais que nós sintetizamos no laboratório para poder imprimir os transístores.

»Colocamos esses materiais nos tinteiros, imprimimos e fizemos dispositivos, transístores, circuitos integrados em papel. Imprimimos o que quisermos, no tipo de substrato que quisermos.

»Como isto funcionou bem e estas impressoras não foram feitas para transístores, comprámos uma mais profissional onde até podemos controlar a temperatura da deposição, a velocidade de deposição e fazer circuitos com mais complexidade e com uma resolução maior.

»Como queremos embalagens inteligentes, lembrámo-nos que parte das embalagens são de tetrapack para líquidos. Como o tetrapack tem no seu interior alumínio, que é um dos nossos materiais da eletrónica, nós aproveitámos o cartão do tetrapack já com o alumínio, em que o próprio alumínio já é o contato inferior de uma célula solar.

»Resumindo, é uma célula que converte energia solar em energia elétrica. Chamámos-lhe tetra solar. Portanto, células de baixo custo em cartão tetra pack”.»





Inovação e recursos

2017/02/16

«Etiópia inaugura o maior parque industrial de moda na África»



Stylo Urbano. FashionNetwork PT @FNW_PT



«Na atualidade, a moda está muito mais cosmopolita e geograficamente diversificada do que era há uma geração graças às diversas semanas de moda que decorrem na Ásia, Médio Oriente, Europa Oriental e América Latina.

»No entanto, há uma região que ainda permanece à margem do negócio global da moda: a África. Cheia de cultura, criatividade, talento, ambição e recursos, mas atormentada por uma infraestrutura precária, pobreza, corrupção, protecionismo, burocracia e instabilidade política, a África é tudo menos simples.

»O parque industrial 'Hawassa' na Etiópia Mas felizmente várias iniciativas surgem no continente para colocar a região no mapa da moda mundial. A África tem o potencial de atrair uma parte muito maior da fabricação de tecidos, vestuário e acessórios, mas, para conseguir isso, é necessário grande investimento internacional a fim de construir a infraestrutura industrial necessária para competir com os países asiáticos.

»No entanto, fábricas de roupas e calçados já surgem na Etiópia, Quénia, Costa do Marfim, Ilhas Maurício, Gana, África do Sul e outros países africanos que querem criar produtos competitivos e gerar empregos.

»Sendo a segunda nação mais populosa da África, a Etiópia possui uma força de trabalho jovem, abundante e relativamente bem-educada entre os seus 100 milhões de habitantes. O país possui um dos mais altos níveis de investimento estrangeiro na África graças, em parte, a competitivos custos trabalhistas bem menores do que os chineses. Quem está mais interessado em fabricar moda na África são justamente empresas chinesas por causa dos aumentos dos custos chineses.

»Quem ganha com isso são os africanos, pois os chineses acabam por ajudar a construir a infraestrutura necessária. Inaugurado a 13 de junho de 2016 pelo primeiro-ministro Hailemariam Dessalegn e construído por uma empreiteira chinesa, o parque industrial 'Hawassa' conta com 1,3 milhão de metros quadrados e vai abrigar 21 fabricantes de roupas, tecidos, bolsas e sapatos, levando a uma duplicação do número de postos de trabalho para os etíopes no setor. O espaço ajudará o país a gerar 1.000 milhões de dólares de receitas em exportação, 10 vezes mais do que os volumes atuais.

Sendo a segunda nação mais populosa da África, a Etiópia possui uma força de trabalho jovem, abundante e relativamente bem-educada entre os seus 100 milhões de habitantes. O país possui um dos mais altos níveis de investimento estrangeiro na África.

»A fabricação têxtil da África está a tirar proveito da renovação do AGOA até 2015 feita pelo governo americano, que prevê exportações isentas de impostos para o mercado americano.

»O parque industrial Hawassa, quando estiver em pleno funcionamento, vai gerar 60.000 postos num único local, mais do que os 53.000 empregos que toda a indústria têxtil da Etiópia tem hoje. Construído pela China Civil Engineering Construction Corporation por 250 milhões de dólares, investidos pelo governo etíope, o parque se situa a 275 quilómetros da capital, Addis Ababa.

»O Hawassa conta com enormes galpões para atender os fabricantes internacionais, mas ainda galpões menores para empresas de moda etíopes e de outros países africanos. Empresas de moda como a PVH Corp. (dona das marcas Calvin Klein e Tommy Hilfiger), a gingante do fast-fashion sueca H&M, e a Wuxi Jinmao Foreign Trade Company, da China, estão entre as 15 empresas estrangeiras que alugaram galpões no parque, junto com outras provenientes da Índia, Sri Lanka e China, além de seis empresas etíopes.

»O governo tem anunciado o Hawassa como um parque industrial 'sustentável', pois, além de contar com novas tecnologias e segurança, ele vai ser alimentado pela abundante e barata energia hidrelétrica do país, empregando tecnologias de conservação de energia e água.

»A Etiópia passa hoje por uma expansão industrial vista em décadas anteriores na Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura, Hong Kong e China. O país está no centro das atenções das empresas globais por ter um custo mais baixo do que aquele dos seus principais concorrentes, como China, Vietname e Indonésia.

»Como os salários dos trabalhadores têxteis e o custo de energia sobem na China, além das inúmeras denúncias de exploração de trabalho escravo em países asiáticos, muitas marcas ocidentais começaram a buscar centros de abastecimento alternativos, e a África é vista por alguns como a próxima fronteira. A Etiópia oferece, assim, uma grande oferta de energia barata e os salários no setor têxtil do país estão entre os mais baixos do mundo, menos de 60 dólares por mês.

»O país tem potencial para se tornar uma fonte de matérias-primas: mais de 3,2 milhões de hectares de terra com um clima adequado para o cultivo de algodão e outras fibras naturais. No entanto, apenas 7% da terra estão a ser usados para cultivo.

»Para se diferenciar dos problemas ambientais causado pela fabricação de moda na Ásia, com suas fábricas altamente poluentes, o governo da Etiópia quer que o país fique conhecido pela produção de vestuário, têxtil, couro e calçados com as mais recentes tecnologias sustentáveis de fabricação e tratamento de resíduos têxteis.»





Inovação e invenções

2017/02/15

«Tecnologia no prato: Colmeias Hi-Tech e a agricultura nas cidades FUTURIS Tecnologia no prato: Colmeias Hi-Tech e a agricultura nas cidades»



Euronews @euronewspt



«A agricultura tradicional alimentou os nossos antepassados. Mas hoje, a sociedade urbana não consegue abdicar das novas tecnologias. Nesta edição especial de “Futuris”, vemos como os cientistas e os engenheiros estão a ajudar os agricultores e a indústria por toda a Europa.


»Colmeias Hi-Tech

»Alexandros Gousiaris é um matemático que agora gere 700 colmeias, na Grécia. Cada colmeia precisa de verificação regular, para avaliar o bem-estar das abelhas. Alexandros ajudou a desenvolver uma nova aplicação para smartphone que simplifica estas inspeções: “Esta aplicação dá aos apicultores dois assistentes digitais: um acompanha-nos quando fazemos trabalho de campo e o outro é-nos útil em casa – é possível aceder à aplicação através da internet.”

»A aplicação tem um sistema de voz e chama-se “Beenotes”. Faz uma série de perguntas sobre cada colmeia e o apicultor responde, utilizando um sistema de mãos-livres. As respostas são automaticamente armazenadas numa base de dados.

»“Se usasse um gravador de voz, tinha de ouvir oito horas de gravações todos os dias, quando voltasse para casa. Assim, já não necessário. Com esta aplicação já não perdemos tempo a reproduzir as gravações”, diz Alexandros Gousiaris.

»A aplicação, desenvolvida dentro de um projeto europeu de investigação, tem um interface que ajuda o apicultor a analisar os dados e a gerir as colmeias de forma eficiente – no que toca à prevenção de doenças e na seleção das colónias de abelhas para reprodução.

»O software funciona em várias línguas e é utilizado por centenas de apicultores na Europa, América, África e Austrália. Os criadores da aplicação estão a tentar melhorar ainda mais os algoritmos. Segundo Nassos Katsamanis, engenheiro de software da Beenotes: “É a primeira vez que os apicultores conseguem recolher dados em grande escala. Juntar todos estes apicultores ajuda-nos a desenvolver a inteligência virtual necessária, para que apicultura possa avançar no futuro. Permite que o apicultor escolha as melhores abelhas, as melhores rainhas para reprodução, ano após ano. Desta forma, passo a passo, o número e a qualidade das abelhas melhora.”


»Alimentos Saudáveis e Saborosos

»Os fumados e as salsichas podem ser muito saborosos, mas não cabem em todas as dietas. Será que os alimentos processados se podem tornar mais saudáveis – preservando o sabor?

»Uma fábrica na Catalunha é o mais antigo produtor espanhol de produtos tradicionais, como presunto, salame ou chouriço. Mas está aberta à inovação. Uniu-se a outro projeto europeu de investigação, para encontrar alternativas com baixo teor de gordura e de sal.

»Segundo Jordi Buxeda, diretor técnico da Biadas 1880: “Para fabricar o chouriço tradicional, com baixo teor de gordura, usamos um tipo de carne de porco de alta qualidade; a diferença está na receita de baixo teor de gordura que só contém 3% de gordura”.

»O chouriço tradicional pode conter cerca de 30% de gordura, o que lhe dá um sabor e textura diferentes. Nesta nova receita saudável, a gordura animal é substituída por óleo de girassol. “Um dos principais objetivos do projeto era obter o sabor tradicional do chouriço, por isso, tivemos que fazer mais de 70 testes diferentes para alcançar o resultado final”, acrescenta Jordi Buxeda.

As borras de café são transformadas em substrato para o cultivo dos cogumelos, no centro da cidade. Um exemplo de agricultura urbana que é objeto de um estudo sociológico europeu que procura modelos sustentáveis de cultivo, nos grandes centros urbanos.

»Segundo a empresa, o novo chouriço tem 60% menos de gordura e 40% menos sal e é bastante apreciado pelos consumidores à procura de opções alimentares mais saudáveis. Aparentemente, o sabor é praticamente o mesmo.

»Medir o sabor dos alimentos: é o objetivo dos cientistas do Instituto Nacional de Investigação Agrícola (INRA), em Dijon, França.

»Alterar a receita altera a química complexa do sabor dos alimentos. Etienne Sèmon, Químico Alimentar do INRA explica: “Digamos que o processo vai influenciar uma maior presença de certas moléculas em relação a outras. Desta forma talvez estes sabores sejam percecionados de forma diferente, à medida que são libertados. É neste momento que é preciso avaliar as informações imparciais dos provadores.”


»Mercados Urbanos

»Consumir produtos locais é um slogan importante para quem quer cuidar da saúde, assim como para o bem-estar dos agricultores e do meio ambiente. Mas será possível cultivar alimentos dentro das grandes cidades? Em Roterdão, os sociólogos estão a estudar um bom exemplo desta abordagem”.

»As máquinas de café de um edifício de escritórios produzem cerca de uma tonelada de resíduos de café, todos os meses. Estes resíduos ainda contém mais de 99% dos compostos originais e vários nutrientes. Um recurso precioso para uma startup local que recolhe resíduos de café para posterior reutilização.

»Segundo Sandra de Haan, comercial da RotterZwam:“É possível fazer várias coisas com as borras de café – podem ser utilizadas no jardim, para nutrir as plantas e para produzir alimentos. Normalmente, em Roterdão, os resíduos de café são considerados resíduos normais e vão para o incinerador.”

»As borras de café são transformadas em substrato para o cultivo dos cogumelos, no centro da cidade. Um exemplo de agricultura urbana que é objeto de um estudo sociológico europeu que procura modelos sustentáveis de cultivo, nos grandes centros urbanos.

»Todos os meses, uma equipa de sete pessoas produz 400 kg de cogumelos, para restaurantes locais. Também organizam cursos de formação para novos produtores.

»“Quando se compara com uma refeição convencional – os produtos fizeram cerca de 10 mil km por todo o mundo, antes de chegarem ao prato. Ao produzi-los na cidade, podemos reduzir a distância para uns 10 quilómetros”, acrescenta Sandra de Haan.

»Outro caso de estudo é o mercado de Kalnciema, do século 19, em Riga. É património mundial da UNESCO – tornou-se conhecido pela comida e pelo artesanato.

»Para o Sociólogo, Mikelis Grivin: “É um local único em Riga, onde é possível ver como um mercado tem conseguido sobreviver durante vários anos. Do ponto de vista da investigação é realmente interessante. Porque é que os outros falham, enquanto este mercado se consegue manter tão bem?”

»Na Letónia, como em vários outros países, os mercados de agricultores tendem a desaparecer devido às cadeias de supermercados. No entanto, Kalnciema atrai 100 mil visitantes por ano. Os sociólogos descobriram que os eventos culturais gratuitos criados à volta do mercado – como exposições, concertos, projeções de cinema e várias atividades para crianças – ajudaram a unir a comunidade de agricultores e os clientes. Algo que os supermercados não oferecem.

»O sociólogo Talis Tisenkopfs conclui: “Um local enigmático – com uma extraordinária fusão entre cultura e distribuição alimentar, num ambiente urbano. É incrível como é possível trazer boa comida até à cidade através da cultura e também do lazer.”»





Inovação e ideias

2017/02/14

Jorge Montezinho: «Quando o queijo pode fixar população»



Expresso das Ilhas (@ExpressoCV). Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 773 de 21 de Setembro de 2016.



«Cabo Verde está ligado à Slow Food desde 2006, data em que uma delegação do país participou pela primeira vez na Bienal “Terra Madre - Salão do Gosto”. Nas várias edições em que marcou presença posteriormente, através de agricultores, pescadores, estudantes e professores associados a projectos promovidos do Atelier Mar, o arquipélago tem dado a conhecer o esforço das comunidades que defendem a preservação dos produtos mais genuínos e a importância de se estabelecer políticas adequadas para a sua valorização enquanto património gastronómico.

»Em 2007, após estudos e o esforço de uma equipa de professores da Universidade de Turim, chefiada por Giuseppe Quaranta, o queijo de Bolona, (queijo de leite de cabra, cru, fabricado segundo a tradição) do Planalto Norte, na ilha de Santo Antão, recebeu a marca de Slow Food como património mundial do gosto depois de competir com queijos semelhantes de outras partes do globo.

»Como explicou então Leão Lopes, ex-ministro da Cultura do Cabo Verde e presidente da ONG Atelier Mar, o queijo produzido em Santo Antão é resultado de um processamento natural do leite, sem a adição de água, sem o uso do fogo, sem ser resfriado ou refrigerado. A produção acontece em Bolona, pequena vila num planalto semiárido onde vive um rebanho de sete mil cabras e que garante renda e trabalho a mais de 60 famílias. “Cabo Verde é um país pobre e talvez por isso conseguimos ainda manter as nossas tradições. Agora estamos a perceber como preservar e valorizar a tradição agrícola e pecuária do nosso país”.

»Uma nova gastronomia é a grande bandeira da Slow Food. E ao gastrónomo cabe o papel que Carlo Petrini, fundador do movimento já entrevistado pelo Expresso das Ilhas, denomina “co-produtor”: não apenas o alienado elemento final de uma longa cadeia, mas alguém conhecedor da agricultura e pecuária, das condições dos trabalhadores do campo e da proveniência dos produtos. Mas, isso não basta. É imprescindível que o gastrónomo seja uma pessoa activa na mudança do planeta, rejeitar alimentos provenientes de exploração humana, de meios de transporte poluidores em excesso, de empresas que arruínam culturas locais ao instalarem-se nas comunidades. Além disso, todas as pessoas devem estar dispostas a pagar mais por tais alimentos.

»Desde há alguns anos que queijeiros da região de Piemonte, Itália, têm colaborado, através da Slow Food, com os produtores locais de Santo Antão. Essencialmente, dando formação e apoio técnico para que o produto cabo-verdiano seja cada vez mais seguro. Actualmente, no Planalto Norte há já cinco unidades de ordenha, mas em breve serão mais as estações em funcionamento.

»“Já sabemos que o queijo é bem feito. Já sabemos que respeita a ideia de slow food – bom, limpo e justo, mas poderia ser mais justo se as pessoas o conhecessem melhor”, diz ao Expresso das Ilhas Emanuele Dughera, da Slow Food International. Afinal, estamos a falar da expressão de todo o planalto norte, um resumo de todo um local. “A nossa ideia”, continua Dughera, “seria de valorizar o facto de ainda lá morarem pessoas, não só a qualidade, mas sim porque é feito lá e mantém os produtores na localidade”.


»Valorizar o produto

»Para melhorar os padrões de qualidade, todos os produtores estão identificados e cada um deles terá um rótulo dito “falante”, com a historia do planalto. Agora, segue-se o marketing, porque, explica Dughera, as pessoas têm de conhecer melhor o produto. “Não interessa levar o queijo do Planalto Norte para o mundo, [principalmente porque Cabo Verde enfrenta ainda dificuldades na certificação de qualidade], o que interessa é chegar ao mercado de Cabo Verde e ao mercado turístico. Até porque, actualmente, os produtores praticamente só vendem aos pequenos comerciantes da ilha. Temos de dizer aos guias turísticos que se vão a Santo Antão têm de levar os turistas ao planalto, aos produtores. Mesmo os chefes de cozinha cabo-verdianos também têm de começar a usar o queijo do Planalto Norte, importante é valorizar o produto”, sublinha Emanuele Dughera.

»Com a ajuda da Slow Food, o queijo do Planalto Norte está a viver dois momentos: primeiro, ter a certeza que o queijo respeita toda uma série de obrigações que fazem dele um legitimo produto slow food, segundo, dar-lhe visibilidade. E mais valor. Porque obtendo um valor justo, também se consegue manter a qualidade do produto. Até porque é mais caro fazer respeitando as regras da slow food. “O nosso trabalho é convencer as pessoas a pagarem esse preço justo”, diz a rir Emanuele Dughera.

O queijo do Planalto Norte, Santo Antão, um dos alimentos com a chancela Slow Food, é um produto que pode ter um impacto cada vez maior na economia local e, naturalmente, na melhoria da qualidade de vida da população.

»O principio básico da Slow Food é o direito ao prazer da alimentação, voltar a fazer com que as pessoas se divirtam à volta da mesa. “Os alimentos transformam-se em nós depois de ingeridos, por isso era bom que eles fossem bons, limpos, e também justos. Esse é o direito ao prazer, não só do paladar, mas da saúde, de saber que se vou sustentar a agricultura local ajudo o meu vizinho a crescer, ou o pescador meu vizinho e não um barco qualquer que pesca ao largo de Cabo Verde e que nem sei quem são. Não temos a verdade no bolso mas defendemos o regresso às raízes”, resume Dughera.

»“Por isso estamos a dar mais informação sobre o queijo do Planalto Norte. Isso trabalha-se. Mas sabemos que é um produto em que podemos confiar. Não quer dizer que seja o melhor, mas é de confiança, é bom e estás a ajudar um pequeno produtor”. O Salão do Gosto deste ano vai ser gigante, tanto que foi transferido para fora da cidade de Turim para conseguir receber o meio milhão de pessoas esperado. E se muita gente significa mais visibilidade, também é verdade que salvaguardar um património gastronómico depende também das políticas nacionais. “Sem leis, sem disciplina, é muito mais difícil. As pessoas têm de perceber mais, porque as leis só existem quando as pessoas sentem que precisam delas (principalmente quando se enfrentam os poderosos). Quanto mais soubermos, mais poderemos influenciar”, conclui Emanuele Dughera.


»África no saloão do gosto 2016

»Organizada pelo Slow Food, pela região de Piemonte e pela prefeitura de Turim, a 11ª edição do Terra Madre Salone del Gusto, o mais importante evento internacional dedicado à cultura alimentar, será realizado de 22 a 26 de Setembro de 2016, em Turim. Quinhentos delegados de 160 países, mais de 800 expositores, 300 Fortalezas Slow Food e 500 comunidades do alimento Terra Madre participarão do evento. O Mercado Internacional incluirá uma área especial dedicada às comunidades do alimento Terra Madre e produtos de Fortalezas de 15 países africanos.

»De Cabo Verde, participará a Fortaleza dos Queijos de Leite de Cabra Cru do Planalto Norte, formada por um núcleo de criadores que têm um papel crucial na proteção de um meio ambiente árido e difícil, e na produção de diferentes tipos de queijos de leite cru de cabra.

»A Fortaleza das Tâmaras do Oásis de Siwa, do Egipto, exibirá algumas variedades antigas de tâmaras em risco de extinção cultivadas no Oásis de Siwa. O imenso património gastronómico do Egipto será o assunto da conferência Alimentos e Agricultura no Egipto, Ontem e Hoje – com a participação do diretor do Museu Egípcio, Christian Greco, e do sociólogo egípcio Malak Rouchdy e de uma mostra fotográfica montada no pátio interno do Museu Egípcio: Do Absinto do Sinai ao Pão Farasheeh: A Arca do Gosto no Egito.

»A Etiópia será representada pela Fortaleza do Café Selvagem da Floresta de Harenna, um tipo de café selvagem da floresta naturalmente seco. Uma oficina de degustação será dedicada à descoberta do Café Kafa Etíope e os cafés de origem única mais representativos do mundo.

»A Guiné-Bissau mostrará o Sal de Farim, uma Fortaleza que reúne mais de 500 mulheres que filtram o sal através de pedaços de tecido estendidos sobre molduras de madeira, fervendo o líquido obtido para acelerar a evaporação da água. Produtores da Fortaleza do Óleo de Palma Selvagem mostrarão aos visitantes como produzem óleo utilizando apenas palmas de óleo selvagens, trabalhando em perfeita harmonia com o meio ambiente, protegendo as florestas e a cultura local.

»O Quénia mostrará uma grande variedade de produtos, incluindo o Mel Ogiek e Urtigas Secas da Floresta Mau, o Sal de Cana do Rio Nzoia, o Iogurte de Cinzas Pokot e a Abóbora Lare. Criadores de Ovelhas Molo e a Fortaleza dasGalinhas Molo Mushunu também participarão no evento.

»De Madagáscar, participa a Fortaleza Variedades Antigas de Arroz do Lago Alaotra – onde 200 produtores trabalham para proteger sementes de variedades locais de arroz em risco de extinção –, e os produtores de Baunilha Mananara, que vivem na Reserva da Biosfera Mananara Nord, onde preparam as vagens manualmente.

»A área de exposição do Marrocos mostrará produtos de quatro Fortalezas: Óleo de Argan, Cominho de Alnif, Sal de Zerradoun, Açafrão de Taliouine.

»A Mauritânia será representada pela Fortaleza Butarga de Tainha das Mulheres Imraguen. Os Imraguen são pescadores nômadas que transportam os seus pequenos vilarejos de cabanas improvisadas para seguir os movimentos de grandes cardumes de tainha-garrento e corvina ao longo do Arguin Bank na costa norte da Mauritânia.

»A Fortaleza do Café do Ibo, de Moçambique, trará para o evento um café único. A Fortaleza quer proteger o ecossistema ímpar da Ilha do Ibo, onde a planta ainda é silvestre. Uma mostra fotográfica no Castelo Valentino – Um projeto de cooperação em três países: Brasil, Angola e Moçambique – da fotógrafa Paola Viesi, que viajou por Angola e Moçambique fotografando as comunidades identificadas pelo trabalho de mapeamento de produtos locais e tradicionais realizado pelo Slow Food. São Tomé e Príncipe será representado pela Fortaleza do Café Robusta, rico em cafeína e com sabor equilibrado, aromático e suave, com uma leve nota amarga.

»Do Senegal, a Fortaleza do Cuscuz de Painço Salgado da Ilha Fadiouth, que preserva uma linha de produção antiga, tradicional e original que liga a terra e o mar. O cuscuz de painço salgado é o resultado da união dos cereais tradicionais, cultivados desde tempos imemoriais no interior, e do mar.

»A Serra Leoa mostrará a Noz de Cola de Kenema, fruto da árvore cola, que pertence à mesma família do cacau, e é usado como ingrediente de um refrigerante natural que tem muito pouco em comum com a bebida mais globalizada do mundo. A rede Slow Food na África do Sul será representada no evento Terra Madre Salone del Gusto pela recém criada Fortaleza do Sal de Baleni. Criadores de Ovelhas Zulu e produtores da Fortaleza de Queijos de Leite Cru da África Do Sul também participarão do evento para informar os consumidores internacionais sobre a importância de proteger raças animais nativas e para promover a fabricação de queijos artesanais da África do Sul.

»De Uganda, participarão quatro Fortalezas: Café Robusta de Luwero, Banana Kayinja nativa, Inhame Trepadeira e Gado Ankole Long-Horned. As chefs Betty Nakato e Harriet Birabwa vão preparar pratos tradicionais da cozinha de Uganda, cozidos lentamente em folhas de bananeira.

»A Tanzânia mostrará o Mel de Abelhas sem Ferrão de Arusha, apanhado por um pequeno grupo de apicultores em colmeias em pedaços de troncos ocos pendurados nos telhados das casas, cercas ou dos galhos mais altos de árvores frutíferas, como mangueiras, abacateiros e mamoeiros.


»Slow Food

»Fundada em 1986, a Slow Food é um movimento que tem como princípio básico o direito ao prazer da alimentação, utilizando produtos artesanais de qualidade, concebidos de uma maneira que respeite tanto o meio ambiente quanto as pessoas responsáveis pela produção. Opõe-se à tendência de padronização do alimento no Mundo, e defende a necessidade de que os consumidores estejam bem informados, tornando-se coprodutores. “É inútil forçar os ritmos da vida. A arte de viver consiste em aprender a dar o devido tempo às coisas”, diz Carlo Petrini, fundador da Slow Food.

»Com sede em Bra, Itália, e tendo como símbolo um pequeno caracol, a Slow Food teve como objectivo inicial apoiar e defender a boa comida e o prazer gastronómico. Com o tempo, a iniciativa foi sendo ampliada para abranger a nossa qualidade de vida e, como consequência, a própria sobrevivência do planeta em que vivemos. O Slow Food acredita que a gastronomia está indissociavelmente ligada à política, à agricultura e ao ambiente.

»A Slow Food foi o primeiro dos movimentos “Slow” a surgir, em 1986, em Barolo, Itália. Em 1989, em Paris, constituiu-se o movimento internacional Slow Food, por oposição ao conceito de Fast Food e ao estilo de vida acelerado. É um movimento que valoriza o que é de origem “Local” em oposição ao “Global”, não negando, contudo, a Globalização desde que esta seja pautada pela justiça, pela equidade, pela humanização e pela regulamentação. É, na realidade, um contributo para que seja criado um modelo de desenvolvimento sustentável onde prevaleça o respeito pela biosfera e pela socioesfera, e onde se defende a sustentabilidade dos recursos da natureza e os valores culturais humanos.

»O movimento tem actualmente mais de 100.000 membros, em 170 países, que constituem mais de 800 Convivia (o nome dos grupos da organização), além de escolas, hospitais, instituições e autoridades locais, juntamente com 1.600 Comunidades do Alimento, 5.000 produtores de alimentos, 1.000 Chefes e cozinheiros e 400 académicos de 150 países. A Slow Food organiza eventos nacionais e internacionais como o Salone del Gusto, a maior feira de comida e vinhos de qualidade do mundo, organizada bienalmente no Centro de Exposições Lingotto em Turim; a Cheese, uma feira bienal organizada na região de Piemonte e a Slowfish, uma exibição anual em Génova dedicada à pesca sustentável. Também em Turim, organiza a cada dois anos o evento Terra Madre, que reúne mais de 5 mil pequenos produtores agrícolas, chefes de gastronomia e pesquisadores de todo o mundo.

»“Ao treinar os nossos sentidos para compreender e apreciar o prazer que o alimento proporciona, também abrimos os nossos olhos para o mundo.” Lê-se no Manual Slow Food. Em resumo, o que é um alimento slow? É aquele que é bom, limpo e justo. Ou seja, bom porque é saboroso e apetitoso, fresco, capaz de estimular e satisfazer os sentidos, capaz de juntar as pessoas e trazer bons momentos passados em companhia ou mesmo sozinho, bons momentos passados na sua produção, confecção ou degustação; limpo porque é produzido sem exigir demasiado dos recursos da terra, dos seus ecossistemas e meio-ambiente e sem prejudicar a saúde humana; e justo porque respeita a justiça social, o que significa pagamento e condições justas para todos os envolvidos no processo, desde a produção até a comercialização e consumo.»





Inovação e discursos