2016/11/30

Tiago Varzim (@tiagovarzim): «OCDE: PIB é mais importante do que dívida pública»



Editado por Mariana de Araújo Barbosa. ECO Economia Online (@ECO_PT)



«Portugal é um dos países que devia gastar 0,5% do PIB em investimento público. Quem o diz é a OCDE que garante que o país pode aguentar esse gasto durante cinco anos.

»Os países devem concentrar-se mais no crescimento do PIB e menos na dívida pública. É este o conselho da OCDE que argumenta, no Economic Outlook de novembro, que, ao aumentar o denominador, a percentagem de dívida pública também irá diminuir. A organização pede políticas expansionistas para que os países aproveitem a política monetária de taxas de juro baixas.

»É esse o caso de Portugal, segundo a OCDE: apesar de a dívida pública ser superior a 130% e dos défices dos anos passados ter sido superior a 3%, a organização diz que a economia portuguesa é um dos casos que mais tempo conseguiria ‘aguentar’ esta estratégia orçamental (mais de cinco anos). Isto significa que se Portugal investisse 0,5% do PIB, mesmo agravando o défice no curto prazo, podia recolher ganhos no futuro, sem comprometer a sustentabilidade da dívida.

»“Alguns podem argumentar que não existe espaço para iniciativas fiscais dada a pesada carga da dívida pública em muitas economias. No entanto, a seguir a cinco anos de consolidação orçamental intensa, os rácios de dívida pública em relação ao PIB na maior parte dos países desenvolvidos achataram. É tempo agora de se focarem na expansão do denominador – o crescimento do PIB“, escreve a OCDE no relatório.

»A política monetária expansionista de taxas de juro baixas diminuiu os encargos com a dívida pública. Por isso, “em média, as economias da OCDE podiam implementar medidas orçamentais financiadas pelo défice durante três a quatro anos, mantendo, no entanto, os rácios da dívida pública em relação ao PIB inalterados a longo prazo”, argumenta a OCDE.

»Ou seja, a organização pede aos países para gastarem mais para estimular a economia, mesmo que isso signifique défices maiores nos próximos anos. A longo prazo, compensa. E, se o esforço for eficaz e trouxer efeitos positivos no PIB, o défice pode descer mais cedo do que esperado e o rácio da dívida pode tornar-se mais sustentável, prevê a OCDE.


A OCDE recomenda que os países adotem medidas fiscais eficazes e promovam políticas comerciais inclusivas para escaparem à armadilha do baixo crescimento. É este o principal conselho que a economista-chefe Catherine L. Mann deixa no editorial do Economic Outlook de novembro. Em causa está a pouca ambição em fazer reformas estruturais e a “incoerência” de políticas que prejudicaram o dinamismo dos negócios, armadilharam recursos em empresas pouco produtivas, fragilizaram instituições financeiras e enfraqueceram o crescimento da produtividade.

»A armadilha do baixo crescimento

»A OCDE recomenda que os países adotem medidas fiscais eficazes e promovam políticas comerciais inclusivas para escaparem à armadilha do baixo crescimento. É este o principal conselho que a economista-chefe Catherine L. Mann deixa no editorial do Economic Outlook de novembro. Em causa está a pouca ambição em fazer reformas estruturais e a “incoerência” de políticas que prejudicaram o dinamismo dos negócios, armadilharam recursos em empresas pouco produtivas, fragilizaram instituições financeiras e enfraqueceram o crescimento da produtividade.

»“Nos últimos cinco anos a economia global tem estado na armadilha do baixo crescimento“, começa a OCDE, referindo como principais efeitos negativos o declínio do investimento privado e público, assim como o “colapso” das trocas comerciais. Estes fatores têm “limitado” os desenvolvimentos ao nível do emprego, produtividade laboral e salários, os quais são necessários para melhorar a qualidade de vida das populações.

»Se os países seguirem os seus conselhos, a OCDE prevê que o crescimento económico passe a crucial linha dos 3%, o que significaria uma melhoria geral na qualidade de vida das pessoas. A previsão do crescimento do PIB mundial para 2017 é de 3,3% e em 2018 é de 2,6%. A ajudar estão países como a China, Índia, Indonésia e a Turquia, todos acima dos 3% em 2017. A Zona Euro continua sem acelerar com a previsão de um crescimento de 1,6% em 2017. Já os Estados Unidos vã começar a acelerar com 2,3% no próximo ano, prevê a OCDE.


»Protecionismo? “Crescimento inclusivo”, responde a OCDE

»A crescer pouco, o comércio mundial está também em perigo, nos próximos anos, por causa das mudanças políticas que contrariam a globalização e promovem o protecionismo. A OCDE prefere falar em criar políticas de realocação que distribuam de melhor forma os ganhos das trocas comerciais.

»Por um lado, o protecionismo iria contrabalançar as medidas orçamentais internamente, mas também aumentaria os preços e prejudicaria a qualidade de vida dos cidadãos. Por outro lado, esse protecionismo tende a proteger postos de trabalho.

»Segundo a OCDE, em muitos países, mais de 25% dos empregos dependem da procura internacional. Por isso, a OCDE prefere aconselhar os países a promoverem as tais políticas expansionistas. A palavra de ordem para a organização é “crescimento inclusivo”.


»As pistas da OCDE para soluções

»Iniciativas fiscais para apoiar a procura no curto prazo e a oferta no longo prazo;

»investimento ‘soft’ em educação e investigação;

»investimento forte em infraestruturas públicas;

»complementar com reformas estruturais especificamente para os países.



»Editado por Mariana de Araújo Barbosa (mariana.barbosa@eco.pt).»





Inovação e ideias

2016/11/29

«As reformas estruturais funcionam realmente?»



Guillaume Desjardins @GuilDesjardins. euronews em português



«Tornou-se muito comum falar em “reformas estruturais”, mas a que é que nos referimos precisamente? Quais são as mudanças em causa e até que ponto funcionam?

»Uma breve passagem pelo princípio económico desta expressão: as reformas estruturais destinam-se a flexibilizar a economia, protegendo-a contra os imprevistos. Ao reforçar a competitividade, o mercado de bens e serviços dispõe de mais escolha e os preços descem. Para contrabalançar, as empresas necessitam de aumentar a produção, o que vai gerar mais emprego.

»Já no mercado de trabalho, a teoria aponta que as mudanças provocam, a curto prazo, uma descida dos salários reais. No entanto, a longo prazo, como as empresas passam a ter mais flexibilidade, podem voltar a recrutar.

»É a coordenação de reformas nestas duas frentes que pode trazer crescimento. O aumento da carga de trabalho compensa supostamente as descidas nos salários. Os agregados familiares têm maior poder de compra, uma vez que os preços são mais reduzidos. Os lucros das empresas vão aumentar. A longo termo, segundo a teoria económica, as empresas vendem mais e os salários sobem. Ou seja, o balanço geral será positivo.



»A Irlanda voltou a ser o “tigre celta”?

»A Irlanda foi o primeiro país da zona euro a sair do programa de resgate. O PIB irlandês disparou, o défice desceu, assim como a taxa de desemprego, que se situa abaixo da média europeia. O problema da dívida soberana foi significativamente atenuado. Mas este cenário não gera propriamente consenso.

»Há muito que a família Keogh se dedica ao cultivo de batatas, nos arredores de Dublin. Em 2011, as encomendas começaram a diminuir. Foi então que surgiu a ideia de transformar os produtos sem escoamento em batatas fritas. “Foi uma atividade que começámos quando a Irlanda estava em plena recessão. Foi há quatro anos. Entretanto, temos mais 27 empregados e planeamos criar mais 12 postos de trabalho este ano. Exportamos cerca de 15% da produção para 14 países”, explica-nos Tom Keogh.

»O setor agroalimentar irlandês parece ter sido mais poupado perante a vaga de despedimentos no setor privado, o aumento de impostos e os cortes nos salários na função pública. Quando a troika chegou, no final de 2010, os salários no setor privado já estavam congelados há dois anos. No setor público, os sindicatos comprometeram-se a não organizar greves se não houver mais cortes salariais, nem despedimentos.

»Em fevereiro de 2012, a taxa de desemprego na Irlanda atingia os 15,1%. O governo decide lançar um plano estratégico com o objetivo de providenciar formações para responder às necessidades reais das empresas, atrair investimento estrangeiro e incentivar a iniciativa orientada para a exportação. A Enterprise Ireland é uma das agências governamentais envolvidas.

»O diretor da área de desenvolvimento, Kevin Sherry, salienta que “a Irlanda é um mercado pequeno. As empresas irlandesas têm de se concentrar desde o início nos mercados internacionais. Nós damos parte do financiamento, ajudamos na gestão e promovemos o crescimento internacional.”

»Em quatro anos, foram criados cerca de 136 mil postos de trabalho. O imposto aplicado sobre as empresas pode ir dos 12,5 aos 25%, dependendo da atividade.

»O economista Aidan Regan salienta que esta estratégia segue as políticas implementadas na Irlanda nos últimos 30 anos. Quanto ao papel das reformas estruturais na recuperação, a resposta de Regan é categórica: “Nenhum. A retoma irlandesa assenta no investimento direto estrangeiro, sobretudo nas exportações e nas multinacionais americanas. O papel do Estado e das empresas é incentivar isso. É fundamental ter um mercado laboral flexível e impostos competitivos. As reformas estruturais propostas pela troika no setor da saúde e da justiça nunca foram implementadas.”



»A reviravolta do mercado laboral alemão

»A Alemanha enfrenta um acelerado envelhecimento da população. Em 2003, foram implementadas reformas no mercado de trabalho, assim como em 2015. Mas a entrada massiva de refugiados e migrantes tornou o desafio ainda maior.

»No ano passado, enquanto o resto da Europa apertava o cinto, a Alemanha implementava o salário mínimo. Na última década, o setor laboral alemão mudou muito. O objetivo anunciado das reformas em 2003 era trazer os alemães de volta ao mercado de trabalho. E foi isso que aconteceu: a taxa de desemprego caiu para metade. Hoje em dia, a prioridade é a integração de jovens e migrantes.

»O economista Dierk Hirschel considera que “há 13 anos, as reformas da era Schröder destruíram o mercado laboral. Todos os bons postos de trabalho foram fragmentados em miniempregos ou em lugares em part-time. Era realmente necessário restabelecer a ordem no mercado.”

»Nos chamados miniempregos, os contratos não preveem cotizações sociais. Os empregadores têm menos custos. Por outro lado, os trabalhadores não têm obrigações em termos de horários.

»Atrair trabalhadores qualificados é outro dos desafios, sabendo-se que há mais de meio milhão de empregos disponíveis na Alemanha em setores como a engenharia, a saúde ou as tecnologias de informação.

»David Pothier, do Instituto Alemão de Investigação Económica, afirma que “o crescimento da Alemanha é muito dependente das exportações. Nos últimos trimestres, temos assistido a alguns sinais positivos que se traduzem num aumento da procura a nível nacional. É precisamente essa transição que é preciso incentivar.”

»Uma transição que acontece num momento em que o país acolhe quantidades recorde de refugiados e migrantes, outro fator a ter em conta na adaptação que o mercado está continuamente a fazer.



A Irlanda conseguiu manter-se como uma economia aberta mesmo durante a crise. Tem um mercado laboral flexível e PME muito especializadas. Mas também houve reformas no âmbito do resgate, nomeadamente a nível fiscal. A Irlanda tem um papel ativo no combate ao problema da fiscalidade das multinacionais. A flexibilidade e as reformas estruturais caminham lado a lado.

»A visão de Pierre Moscovici (@pierremoscovici), comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros


»Maithreyi Seetharaman, euronews: A retoma irlandesa deve-se às reformas estruturais ou resulta essencialmente da flexibilidade deste país?

»Pierre Moscovici: Eu diria ambas. A Irlanda conseguiu manter-se como uma economia aberta mesmo durante a crise. Tem um mercado laboral flexível e PME muito especializadas. Mas também houve reformas no âmbito do resgate, nomeadamente a nível fiscal. A Irlanda tem um papel ativo no combate ao problema da fiscalidade das multinacionais. A flexibilidade e as reformas estruturais caminham lado a lado.


»Maithreyi Seetharaman, euronews: Como convencer os países da necessidade de reformas tendo em conta o abrandamento a que assistimos?

»PM: Já houve, e continua a haver, muitos esforços. A nível fiscal, a situação na zona euro é relativamente equilibrada. A integração dos refugiados pode mesmo vir a tornar esse balanço mais positivo. No entanto, temos de pensar já nas reformas que vamos fazer no futuro, não podemos olhar só para o passado. É muito importante focarmo-nos na inovação e na boa gestão das contas públicas.


»Maithreyi Seetharaman, euronews: Como é que isso se coaduna com a perceção de que as reformas estruturais são, na verdade, sinónimo de austeridade?

»PM: É verdade que a consolidação fiscal teve um impacto negativo no crescimento. Mas já não é o que acontece hoje em dia. Não podemos ter medo das reformas. Pelo contrário, as mudanças significam investimento, progresso, inovação. As reformas do mercado laboral consistem na flexibilização, mas também na segurança dos cidadãos.


»Maithreyi Seetharaman, euronews: A Alemanha enfrenta vários desafios. Quais são as necessidades no imediato?

»PM: Os excedentes externos da Alemanha são gigantescos, ascendem aos 9%. É um desequilíbrio que tem de ser corrigido. A resposta está no investimento. Quanto à questão da crise dos refugiados quero salientar que, do ponto de vista económico, há aqui uma oportunidade…


»Maithreyi Seetharaman, euronews: Muitos são trabalhadores qualificados…

»PM: Sim, mas não forçosamente de acordo com os nossos padrões. A Alemanha tem grandes necessidades no mercado laboral. A solução está em políticas que ajudem a aprender a língua e adaptar competências às necessidades do mercado. São necessários provavelmente milhares de milhões de euros. Onde é que os vamos buscar? A primeira fonte possível são os fundos nacionais. Wolfgang Schauble fala num imposto europeu sobre o petróleo para financiar a crise dos refugiados… Não sei se é a conjugação mais adequada, mas é uma hipótese legítima. Tem de haver um debate.


»Maithreyi Seetharaman, euronews: Levando esse debate para o quadro europeu: como vamos assegurar o crescimento?

»PM: Há sempre riscos, basta olhar para o que está a acontecer na China. Temos de ter em conta também o preço do petróleo. Não atingimos a deflação, mas temos uma inflação muito baixa. São várias as ameaças no horizonte. Em termos económicos, a crise dos refugiados não é uma dessas ameaças. Visto de fora, o crescimento na União Europeia e na zona euro não parece assim tão vulnerável. A Itália está a sair da recessão. A Espanha está a crescer acima da média. Nesses casos, o problema é outro: aplicar reformas para endireitar as contas públicas e, ao mesmo tempo, favorecer o crescimento.»





Inovação e discursos

2016/11/28

Newsletter L&I, n.º 127 (2016-11-28)




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2016/11/25

«Discurso proferido por Pedro Pires ao receber o título de Doutor Honoris Causa»



A Semana



«Magnífica Reitora, Professora Dr.ª Judite Medina Nascimento, Senhora Vice-Reitora, Prof.ª Dr.ª. Astrigilda Silveira, Senhor Vice-Reitor, Prof. Dr. António Lobo de Pina, Senhor Administrador-Geral, Prof. Dr. Mário Carvalho Lima, Senhor Professor Dr. Manuel Monteiro da Veiga, Senhoras e senhores Dirigentes da UNICV, Senhoras e senhores Professores, Estimadas e estimados Estudantes, Distintos Convidados, Estimadas Amigas e estimados Amigos,

»Tenho o prazer de vos manifestar o meu elevado apreço por terem vindo compartilhar comigo este momento singular. Agradeço-vos pelas vossas presenças honrosas e amigas.

»Apraz-me, particularmente, poder gozar nesta cerimónia da companhia afectuosa e reconfortadora da minha Família. Saúdo os meus Camaradas de Luta e todos os Amigos que vieram associar-se a este acto.

»Saúdo e agradeço com muita amizade os distintos Reitores e Representantes das Universidades estrangeiras, de Portugal, das Canárias e dos USA, em particular, parceiras da UNICV, que vieram com as suas distintas presenças enobrecer esta cerimónia.

»Além disso, apraz-me agradecer penhoradamente ao Professor Dr. Manuel Veiga, pela sua disponibilidade e simpatia em se incumbir, na qualidade de Padrinho desta escolha, da fundamentação, junto dos seus pares, das razões da outorga do grau de Doutor Honoris Causa que me é conferido. Calculo que, por diversas razões, a desobrigação desta incumbência não deve ter sido muito cómoda. Agradeço-lhe ainda pelas referências elogiosas e amigas feitas à minha pessoa. De igual modo, estendo os meus agradecimentos penhorados ao Professor Dr. António Lobo de Pina pela sua colaboração prestimosa.

»Minhas Senhoras e meus Senhores, Amigas e Amigos,

»Sinto-me no dever indeclinável de agradecer à Universidade de Cabo Verde, na pessoa da sua Magnífica Reitora, Professora Dra. Judite Medina Nascimento, por este gesto honroso e gratificante, materializado pela outorga do grau de Doutor Honoris Causa, à minha pessoa. É com o sentimento de gratidão que a aceito. Mas, estou ciente de que ao lado de cada tributo público perfila-se um dever, igualmente, de natureza pública. Desde já, manifesto-me comprometido com o respeito das regras e dos princípios fundamentais desta instituição académica e com a promoção das suas virtualidades e realizações. Solidarizo-me com a defesa consequente das suas causas e interesses maiores. Considero-me um seu servidor voluntário.

»No meu espírito, esta insigne distinção reveste-se de um valor simbólico que ultrapassa o seu significado académico e de consagração pessoal. Interpreto-o, intimamente, como se representasse a meta de uma longa e dura maratona, em que o corredor-de-fundo sente-se, ao cruzá-la, reconfortado pelos esforços e sacrifícios que despendeu na preparação e realização da corrida, com o propósito firme de chegar ao fim, a tempo e hora. Reconforta-se com o seu feito e depreende que, afinal, os esforços e os sacrifícios feitos tiveram sentido, significado e reconhecimento. No que me diz respeito, sinto-me gratificado com os desenvolvimentos e resultados do combate político, patriótico e cívico, com que me tenho comprometido, até esta hora, e que é considerado merecedor deste tributo.

»Por outro lado, esta Universidade Pública representa o culminar de um longo processo de crescimento, de consolidação e de aperfeiçoamento do Sistema Nacional de Educação, instituído com a Independência Nacional. Traduz os avanços e progressos de que Nós, Cabo-verdianos, fomos capazes de construir paulatina e esforçadamente. Além disso, representa a materialização do ideário visionário e generoso dos precursores da intrépida e corajosa Luta pela Libertação Nacional, cuja realização permitiu-nos sonhar e cujo triunfo possibilitou-nos prosseguir a materialização progressiva da utopia de um Futuro nacional diferente e auspicioso, porém, resultado do trabalho e da responsabilidade de todos Nós e de cada um de Nós.

»Vejo na fundação da UNICV a consequência do nosso espírito patriótico e da nossa ousadia e confiança colectiva em assumir, no momento certo, o destino da nossa Nação. Esta opção audaciosa, que está plena de ambições e virtualidades, tem prosseguido e prosseguirá decerto como um desafio permanente, árduo e exigente, contudo, excitante, esperançoso e catalisador de vontades renovadas. Por outro lado, o futuro da nossa Universidade pública, para que ganhe em sustentabilidade, previsibilidade e qualidade, reclama dos poderes públicos a confiança, o comprometimento e os investimentos necessários para a sua consolidação e desenvolvimento, enquanto serviço público potenciador de capacidades e inteligências nacionais.

»Na verdade, a formação e a capacitação dos recursos humanos são investimentos prioritários e imprescindíveis para o sucesso do processo de desenvolvimento e de modernização social e económica do país. Não devem ser entendidos, numa visão economicista, como investimentos desprovidos de retorno económico imediato, porquanto, são precisamente o sustentáculo mais sólido e eficiente do processo de desenvolvimento duradouro e constitui o potenciador insubstituível de capacidades e competências nacionais. São recursos imateriais, porventura, pouco tangíveis para o senso comum, contudo, determinantes para o triunfo do nosso país e da nossa sociedade na evolução do complexo processo de desenvolvimento e de progresso, em todas as esferas da vida nacional, com que o país vem sonhando e buscando.

»Neste nosso mundo, que é bastante diversificado, existiram e existem propósitos e situações similares aos nossos. Com efeito, todos os países ou sociedades, que se encontram hoje na vanguarda mundial em matéria da inovação e do progresso tecnológico, fizeram a aposta inequívoca numa Educação de Qualidade e investiram estrategicamente na capacitação de Professores e Investigadores nacionais e na promoção de Escolas Públicas eficientes, capazes de responder pelas exigências de programas ambiciosos de Formação e Investigação, de projectos económicos, sociais e culturais progressistas e de longo alcance e pela materialização de aspirações legítimas ao progresso e à modernidade. Dessas experiências e realizações internacionais de sucesso, o nosso país, as nossas elites e as nossas lideranças devem tirar as lições que se impõem. Estou convencido que de não existe outra via a seguir por todos aqueles que, como nós, estejam profundamente empenhados na batalha vitoriosa pelo desenvolvimento, pelo progresso cultural, científico e tecnológico e pela edificação de um país próspero, moderno, corajoso e justo.

»Em síntese, a Educação de Qualidade continua a ser a maior entre as grandes prioridades e desafios do presente e do futuro, que temos que vencer; e constitui a alavanca mais eficiente para a construção bem-sucedida do progresso e da prosperidade a que a nossa Nação ambiciona. Por outras palavras, num mundo altamente concorrencial e em constante mutação tecnológica, as exigências profissionais são elevadas e temos que estar à altura daqueles com os quais estamos competindo e colaborando ou iremos competir e colaborar, quer em qualidade da formação, quer em aptidão profissional.

»A UNICV é a nossa maior “Casa-do-Saber”. Esta condição singular aumenta as suas responsabilidades académicas, culturais e sociais. Dela, esperam-se contribuições condizentes com a formação de uma elite capacitada, empenhada e identificada com a realidade nacional, com os desafios e as aspirações nacionais.

»Atendendo aos contextos de partida desfavoráveis, reproduzidos até agora, de atraso enorme em matéria de conhecimentos e de investigação em relação aos centros universitários dos países industriais mais avançados, espera-se da gestão da UNICV uma liderança dinâmica, aglutinadora e geradora de um ambiente interno de comprometimento, de cooperação e de motivação em prol da elevação permanente das capacidades profissionais individuais e colectivas dos seus membros, com o propósito assumido de contribuir para a superação dos atrasos acumulados.

»Nesta caminhada trabalhosa em busca de um futuro melhor, temo-nos batido, no meio de dificuldades, de logros e de constrangimentos sem conta, por um país melhor e por uma sociedade mais capaz e mais comprometida. Mas, seria muito melhor se a satisfação desse nosso anseio legítimo coincidisse com a emergência de uma sociedade mundial também melhor, mais harmoniosa, mais pacífica, solidária e equitativa. É nesta perspectiva que antevejo a cooperação entre universidades e outros centros do saber, o intercâmbio e a partilha generosa e empenhada de conhecimentos e do saber-fazer, o mais amplo quanto possível, enquanto uma alavanca preciosa para acelerar o desenvolvimento, superar os deficits científicos e tecnológicos e concorrer, por esta via, para a redução gradual das desigualdades mundiais e a promoção de uma maior equidade entre as Nações e os Estados. Desta forma, estariam facilitadas as condições para a construção da utopia universalista de uma sociedade mundial menos desigual e mais equilibrada, generosa e solidária.

»O sucesso da nossa marcha por este país muito melhor e por esta sociedade capaz coloca-nos desafios e responsabilidades acrescidas. Temos de potenciar tudo aquilo que temos de melhor em termos materiais e em capacidades humanas: as riquezas materiais conhecidas e as riquezas por descobrir e por explorar; os recursos humanos activos ou mobilizáveis, mais os recursos humanos prováveis ou por produzir. Esta marcha longa é uma obra inacabada, a se enriquecer em cada dia e por cada geração. Exige-nos a ousadia e a generosidade de trocar a condição cómoda, sem responsabilidade especial, de consumidor e importador de modelos, de ideias e de bens e serviços, pela condição desconfortável, angustiante e coactiva de produtor de bens materiais, de tecnologias e ideias próprias, em que estaríamos a corresponder ao chamamento desafiador de Amílcar Cabral propondo-nos “pensar pelas nossas cabeças e de andar pelos nossos pés”.

»Ademais, a garantia de sucesso dos esforços requeridos para o crescimento sustentável e a criação de riquezas internas, em benefício da sociedade, incluindo o empresariado nacional, requerem a mobilização das potencialidades locais e o envolvimento de toda Nação, com o propósito de preservar e reforçar a solidariedade nacional e as subsidiariedades necessárias. Porquanto, só uma Nação coesa e inclusiva, escorada num sentimento patriótico forte e apoiada por um Estado Desenvolvimentista, estará em condições de compensar as desvantagens da nossa pequenez territorial e humana, de gerar as sinergias colectivas necessárias e de aguardar pelo tempo de maturação dos resultados dos investimentos e objectivos de longo prazo.

»Fica-me a percepção de que a preparação da nossa Nação para o prosseguimento do combate por um futuro auspicioso e seguro passa pelo diálogo e solidariedade entre gerações, a fim de despertar no espírito das novas gerações o amor patriótico pela descoberta e valorização do percurso penoso, mas espiritualmente enriquecedor, que Cabo Verde e os cabo-verdianos tiveram que trilhar até chegar ao que somos nos dias de hoje. Outrossim, considero estimulador o conhecimento da nossa saga nacional, que é deveras extraordinária e plena de vicissitudes e de tragédias e, também, de negação ao fatalismo e à opressão, assim como, de vitórias sobre os desafios da sobrevivência, da libertação social e nacional e do progresso.

»Ao resumir estas reflexões circunstanciais, e por ocasião da celebração do seu X Aniversário, reitero a minha convicção de que a Universidade de Cabo Verde está vocacionada a corporizar a instituição predestinada a se constituir numa excelente universidade nacional e, porventura, internacional, à altura dos desafios, das ambições e das esperanças de Cabo Verde.

»Magnífica Reitora, Senhoras e Senhores Professores, Distintos Convidados, Estimadas e estimados Amigos,

»Já ultrapassei a casa dos 80 anos. Não sei se terei atingido a “clara idade” da sabedoria. Contudo, este tempo representa um longo, laborioso e fecundo percurso que me ofereceu a oportunidade de testemunhar acontecimentos que mudaram a face do mundo em todos os domínios de vida humana. Mas, para além de testemunhar, intervim no sentido de concorrer para a alteração daquilo que considerava desumano e retrógrado imposto à África: o colonialismo. Solidarizei-me com as boas causas da justiça e da libertação nacional e humana. Procurei dar coerência e significado à minha vida, princípios aos quais me mantenho fiel: fazê-la proveitosa para a comunidade nacional a que pertenço. E porque não, para a África e a Humanidade?

A gestão da pequenez territorial e demográfica do país reclama ponderação. Os aspectos mais urgentes são a probabilidade de instalação de um Estado “excessivo”, as expectativas da sociedade cabo-verdiana muito além dos recursos prováveis que gera a sua economia, a qualidade da produtividade e o custo elevado dos factores de produção, e a escolha correcta de prioridades das políticas públicas, a fim de se precaverem as duplicações e os prejuízos causados por flutuações ou alterações extemporâneas de caminhos.

»O ano de 1961 foi, no meu calendário pessoal, o ano decisivo e repleto de esperança. Entrei para a política activa naquele ano, logo, há mais de cinquenta e cinco anos. O meu engajamento político activo coincidiu com o apogeu das lutas pela emancipação das antigas colónias africanas.

»Na vida, somos frequentes vezes chamados a escolher entre a angústia da espera do tempo que tarda a chegar e a audácia de enfrentar os riscos para fazer acontecer aquilo em que cremos; entre o comodismo da apatia e o desassossego da acção. Optei pela acção, assumindo os riscos do desconhecido, e mudei as minhas visões morais e políticas por inoperantes para aquele momento histórico.

»Com o tempo, aprendi lições amargas e outras realmente úteis e pedagógicas. Comecei a duvidar da sinceridade dos discursos altruístas das antigas potências coloniais e de outros actores mundiais, seus aliados. Sei que esta verdade sincera incomoda, até hoje. Mas, foi assim! Compreendi que na vida não há dádivas. Há, sobretudo, a defesa ou a preservação de interesses, em que os mais fracos têm vindo a perder sempre.

»Aprendi ainda que os justos podem ser assassinados e que as virtudes das suas causas não propiciam, por si só, o sucesso; nem a justeza destas causas lhes garante a salvaguarda das suas vidas. Pois, o mundo, apesar de declarações de circunstâncias, sublimes e eloquentes, está ainda mais perto de uma autêntica selva do que de outra coisa. E, infelizmente, como se referiu o filósofo inglês Thomas Hobbes: “o homem é o lobo do próprio homem”.

»Hoje, mau grado o optimismo que me tem acompanhado sempre, tenho temores e frustrações quanto ao futuro próximo. Receio que um pequeno descuido na gestão da profunda crise que vem abalando o Médio-Oriente abra o caminho a um conflito de maior dimensão de consequências incalculáveis. O Papa Francisco alertou para essa ameaça inquietante. É preciso que as coisas sejam clarificadas e as responsabilidades sejam assumidas com sinceridade.

»Por outro lado, acompanho com angústia a multiplicação da crueldade gratuita e desnecessária, o destilar do ódio e a cegueira da rejeição do Outro, numa autêntica perda de sentido da riqueza que representam a irmandade e a pluralidade da Humanidade. A par disso, somos interpelados cada dia pela tragédia reproduzida pelos sofrimentos e humilhações por que passam os emigrantes ilegais, cujas razões de migrar são ignoradas, e pelos refugiados de guerras impiedosas. Estaremos diante de uma impossibilidade real ou da erosão preocupante dos valores do humanismo?

»Vejo com preocupação e angústia a evolução da complexa situação política e militar no Médio-Oriente, com extensões perigosas na Líbia e na imensa vastidão do espaço “saharo-saheliano” e, inclusive, na Europa, que reclama por uma solução que dê confiança suficiente aos vários interesses e aos diversos actores em luta, quer aos oprimidos, quer aos opressores. Embora não seja fácil, são essenciais a aproximação e o diálogo entre todas as partes implicadas. Pois, a meu ver, a solução militar e a coacção entre e sobre as várias comunidades residentes ou originárias jamais constituirão uma solução duradoura. Ademais, trata-se de conflitos antigos mal percebidos e mal geridos que têm origem nas soluções impostas na decorrência da derrota e desarticulação do antigo império otomano. Pelas suas ressurgências cíclicas, pedem uma abordagem política e cultural diferente.

»De resto, para o progresso e o bem-estar das nossas Nações, a Liberdade, a Paz, a Segurança e a Estabilidade são bens tão essenciais quanto o ar que respiramos e a água que bebemos. É imperioso preservá-las!

»Ainda, no decurso daquele tempo, pude observar alguns factos inéditos e, antes, improváveis: afinal, as potências mundiais mais poderosas podem ser derrotadas política e militarmente; e os impérios poderosos e de aparência sólida e duradoura podem desmoronar-se. Na razão das ocorrências desses casos improváveis está a poderosa força mobilizadora das vontades dos Povos e das aspirações legítimas de homens e mulheres em busca da realização da sua condição humana e da sua liberdade e emancipação.

»Sinto-me ainda angustiado e frustrado quando vejo a ligeireza e o desprendimento com que os grandes poluidores e as grandes empresas transnacionais examinam questões tão fundamentais e críticas como o futuro da vida humana e do Planeta. Fingem-se de desentendidos e erguem os lucros fabulosos e a acumulação do poder económico e da riqueza pessoal enquanto o objectivo de vida e a prioridade entre as prioridades. Declinam as consequências dos seus actos intencionais. Entendo que impõe-se instituir obrigações internacionais vinculativas que responsabilizem, moral e materialmente, os agressores irresponsáveis da Natureza que põem em perigo o nosso destino comum. Assim, torna-se imperioso que cada um de nós, habitante do nosso planeta, assuma um compromisso ético com o futuro deste e da Humanidade. Porquanto, esta nossa casa comum é mais frágil do que aparenta e, por isso, merece a nossa maior solicitude.

»De Cabo-Verde, tenho acompanhado com solicitude o labor quotidiano intenso do nosso povo. E, não restam dúvidas: temos podido e conseguido resultados apreciáveis e promissores. No nosso percurso, passamos de uma sociedade colonial, esclerosada e empobrecida a uma sociedade livre, dinâmica e medianamente desenvolvida. Mas, não obstante os avanços reconhecidos, a pobreza mantem-se e subsistem o desemprego e as desigualdades sociais. Embora, não se deva subavaliar os desafios ultrapassados e os importantes ganhos conseguidos, é imperioso que se mantenha a “tensão desenvolvimentista”, na visão militante de uma “gestão de impossibilidades”.

»Por outro lado, deve-se atender que a nossa elite económica é ainda bastante débil. E, como precaução, os poderes públicos devem prevenir os riscos de marginalização dos actores económicos nacionais no processo económico e produtivo, em curso, por falta de recursos ou de capacidade operacional. A par disso, há uma parcela contributiva interna a ser assumida e concretizada. Aliás, não se consegue o desenvolvimento sustentável recorrendo exclusivamente à APD e ao IDE. E, como é evidente, o nosso país deve tirar proveito das potencialidades da integração e cooperação inter-regional africana e de recursos procedentes da economia global.

»A nossa sociedade vive em tempo de transição, com tudo o que esta condição representa em matéria de instabilidade relacional e de perda ou mudança de referências e de valores. As mudanças socioculturais ocorridas com a aceleração da urbanização, da expansão da instrução pública e da intensificação das relações políticas, económicas e culturais com o mundo exterior provocaram alterações comportamentais várias e, algumas, perversas. A criminalidade corrente e a marginalidade agravaram-se. O crime organizado tem continuado a ser uma ameaça à segurança nacional e aos fundamentos do Estado de Direito. Estas particularidades trouxeram para a agenda nacional as urgências ligadas ao exercício eficiente da autoridade do Estado, à segurança pública e à neutralização das propensões sociais nocivas identificadas.

»Por sua vez, a tendência perceptível para o desaproveitamento do capital humano capacitado e a inversão dos valores do mérito penalizam a eficiência nacional e levam à perda de tempo e ao desperdício de recursos, além do mais, com o risco grave de se enredar no contra-senso do “eterno recomeço” e na dispersão e duplicação de esforços, em cada mudança de maioria. Numa democracia amadurecida e inclusiva, este modo de actuação pode e deve ser prevenido, sob pena de perdas acrescidas em tempo, em investimentos feitos, em recursos e em desperdícios do capital humano.

»Outrossim, o nosso país é um Estado insular pequeno e territorialmente fragmentado. Trata-se de uma condicionante estrutural que se complicaria se, em vez de aproveitar e potenciar as sinergias geradas pelas suas dimensões demográficas e territoriais, o fragmentássemos ainda mais.

»Com efeito, a gestão da pequenez territorial e demográfica do país reclama ponderação. E, um dos aspectos mais urgentes é de natureza institucional. A meu ver, a tendência que se antevê contém a probabilidade de instalação de um Estado “excessivo”, que traria encargos incomportáveis. Este risco merece ser analisado atentamente a fim de ser prevenido a tempo. Em segundo lugar, as expectativas da sociedade cabo-verdiana estão muito além dos recursos prováveis que gera a sua economia. Logo, seria saudável reduzi-las às possibilidades reais e disponíveis. A terceira condição refere-se à qualidade da produtividade e ao custo elevado dos factores de produção. E, a pergunta que se segue é: como compensar tais desvantagens a fim de aumentar a atractividade da economia nacional? E, não poderá ser apenas com os baixos salários! Por fim, uma outra via de melhorar a eficácia económica consiste na escolha correcta de prioridades das políticas públicas, baseadas por sua vez em estratégias planificadas e eficientes, a fim de se precaverem as duplicações e os prejuízos causados por flutuações ou alterações extemporâneas de caminhos.

»Magnífica Reitora, Senhoras e senhores Professores, Estimadas Amigas e caros Amigos,

»No meu calendário pessoal, até chegar aos dias de hoje, confrontei-me com desafios, riscos, incriminações, dúvidas, decepções, derrotas e frustrações. Porém, nunca me deixei desmoralizar pela ansiedade, pelo medo ou pela insegurança pessoal. Mantiveme humilde, paciente e firme. Não me deixei submergir em aflições, em derrotismos ou em angústias asfixiantes. Guardei a serenidade, a confiança e a esperança no triunfo. Beneficiei, igualmente, de amizades, de cumplicidades, de companheirismos e de solidariedades muito sólidas. Jamais, declinei as minhas responsabilidades! Mas, o essencial é que consegui realizar os objectivos de vida pelos quais tenho lutado. É desta forma que chego ao dia de hoje e posso desfrutar da satisfação de merecer este tributo da UNICV. E, uma homenagem no outono da vida e em casa tem outro significado e, por ela, estarei sempre grato!

»Em Setembro de 2000, por ocasião do anúncio da minha candidatura à Presidência da República, terminei desta forma a declaração que fiz na altura: “Perfilho a ideia de que, na vida, temos necessidade de escolher e estabelecer objectivos que nos motivam e que procuramos realizar, constituindo estes objectivos uma autêntica „razão de vida‟. Creio que sem esta „razão de vida‟, a nossa presença neste mundo perderia todo o sentido. Firme desta convicção, tenho procurado ter e assumir uma „razão de vida‟, seguindo a máxima de Victor Hugo de que „a utopia é a verdade de amanhã‟. É minha convicção de que espiritualmente morre aquele que deixar de sonhar. Há-que continuar semear o Futuro!”

»Em modo de conclusão, independentemente das colheitas, vou continuar esta minha vocação utópica de “semeador”.

»Finalmente, saúdo calorosamente o X Aniversário da UNICV e auguro à nossa Universidade Pública novos e maiores sucessos académicos e sociais no prosseguimento do caminho árduo e auspicioso que iniciou a 21 de Novembro de 2006.

»Bem-haja a UNICV!»





Inovação e recursos

2016/11/24

«UA 40 Anos, 40 inventores, 40 Empreendedores»



Universidade de Aveiro (UA)



«A criação da Universidade de Aveiro (UA), em 1973, constituiu um momento marcante para a Região de Aveiro e para o país, tendo rapidamente se tornado numa das mais dinâmicas e inovadoras universidades portuguesas. Sendo atualmente uma fundação pública com regime de direito privado, continua a desenvolver e implementar a sua missão de oferta de percursos formativos, de promoção da investigação e de cooperação com a sociedade.

»A UA cresceu, nos últimos 40 anos, de forma sustentada, não só em relação ao número de alunos e trabalhadores, mas também no que concerne à qualidade do seu ensino, investigação, cooperação com o tecido empresarial, transferência de conhecimento e criação de start-ups. No ano de 2013/2014 celebrou o seu 40.º aniversário, reforçando o seu lema “Theoria, poiesis, praxis” afirmando-se como “um campus que pensa”, centrado na sua comunidade diversificada e inclusiva, e no seu perfil inovador.

O processo de identificação dos inventores e empreendedores teve início com o envio da manifestação de interesse a membros da comunidade UA (docentes, alunos, investigadores e colaboradores, antigos alunos, antigos docentes, antigos investigadores e antigos colaboradores da UA), seguindo-se o processo de análise e seleção dos 40 inventores e dos 40 empreendedores, efetuada com base em diferentes critérios e prioridades.

»A publicação do livro “40 anos, 40 inventores, 40 empreendedores”, inserida no programa de comemoração dos 40 anos da UA, tem o objetivo de dar a conhecer os inventores e os empreendedores que se destacaram ao longo das últimas quatro décadas de vida da Universidade.

»O processo de identificação dos inventores e empreendedores teve início com o envio da manifestação de interesse a membros da comunidade UA (docentes, alunos, investigadores e colaboradores, antigos alunos, antigos docentes, antigos investigadores e antigos colaboradores da UA), seguindo-se o processo de análise e seleção dos 40 inventores e dos 40 empreendedores, efetuada com base em diferentes critérios e prioridades: na categoria de Inventores foram considerados os membros da comunidade UA que geraram conhecimento aplicado, nomeadamente através de Propriedade Intelectual licenciada, Propriedade Intelectual detida em cotitularidade com empresas, Propriedade Intelectual concedida e Propriedade Intelectual premiada (distinguida pela sociedade); na categoria Empreendedores consideraram-se os membros da comunidade UA que criaram empresas, tendo sido ponderado o número de empresas criadas, o número de tecnologias e produtos gerados na UA e industrializados ou comercializados pela empresa, o volume de vendas por país onde a empresa se encontra presente e o número total de colaboradores diplomados pela UA.»





Inovação e invenções

2016/11/23

Rui da Rocha Ferreira: «A/C Elon Musk: Cinco razões para Portugal receber a fábrica europeia da Tesla»



Rui da Rocha Ferreira @r_rochaferreira. Future Behind @futurebehind



«Caro Elon Musk,

»Este fim de semana ficámos a saber que Portugal está alegadamente numa lista de potenciais países que podem vir a receber a primeira grande fábrica de produção de veículos Tesla na Europa [a fábrica na Holanda é maioritariamente de montagem].

»Como entusiastas das tecnologias que somos – fale com qualquer tecnológica que está em Portugal e dir-lhe-ão que os consumidores portugueses são early adopters -, vemos Portugal como um destino natural para a Tesla.

»Claro que todos os países gostavam de receber um mega investimento de uma das empresas mais promissoras do mundo. Mas não só vocês podem fazer algo por nós, como nós temos algo para oferecer à marca, da mesma forma que já oferecemos a outros fabricantes automóveis.

»Isto não é só conversa de circunstância, existem de facto elementos que tornam o nosso país num forte candidato para a instalação de uma fábrica de veículos elétricos em território luso. Deixamos aqui cinco razões pelas quais o relacionamento ‘Tesla+Portugal’ pode dar certo.

»E nem nos importamos que a resposta venha outra vez só em forma de ‘Ok’, como aconteceu da última vez.

»Saudações elétricas!


»Inovação legislativa

»O Governo português sabe que a inovação é um motor importante para o desenvolvimento de qualquer economia. E também sabe que muitas das inovações que surgem estão numa primeira fase condicionadas por questões regulatórias – ou pela falta delas.

»O secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, já assumiu mais do que uma vez que o objetivo é tornar Portugal num paraíso tecnológico. Estão a ser criados grupos de trabalho específicos que vão ajudar a criar regulamentação para que empresas de todo o mundo encontrem em Portugal um espaço de investigação e desenvolvimento amigável.

»Por exemplo, Portugal vai ser dos primeiros países a ter uma legislação específica para serviços como a Uber. Ainda este ano o novo quadro legal deverá entrar em vigor. A Tesla também quer ter uma frota de veículos autónomos a funcionar como transportes públicos, certo?

»Depois há justamente a questão dos veículos de condução autónoma. Em 2017 Portugal conta ter legislação que permitirá que estes sistemas experimentais sejam testados em território português. Não é segredo que a questão dos veículos autónomos é nuclear para a Tesla, portanto parece-nos que neste aspeto há aqui claramente um match.


»Exposição solar

»Foram apontados vários motivos para Portugal ter conseguido ficar com a organização do maior evento de empreendedorismo do mundo, o Web Summit, durante três anos. Um dos que foi referido mais vezes foi o bom tempo.

»Sim, em Portugal o Sol ganha claramente às nuvens e à chuva. Estes mapas da organização Solargis ajudam a entender o potencial que o país tem.

“A indústria de componentes para automóveis em Portugal tem muitas vantagens competitivas que lhe conferem um elevado reconhecimento, como a mão-de-obra qualificada, a componente exportadora das empresas, a capacidade de produção flexível, o nível de qualidade, o elevado investimento, o grau de inovação da engenharia e a aposta contínua na formação e na valorização profissional dos seus recursos humanos”, lê-se na publicação Portugal Global, da AICEP.

»Portugal ocupa ainda a 11ª posição a nível global – num total de 126 países analisados – na performance energética analisada pelo Fórum Económico Mundial.

»Mas em Portugal não é só o Sol que é um bom produtor de energia elétrica. Também o mar e o vento jogam a nosso favor. “Entre janeiro e maio deste ano, só as barragens e as eólicas produziram quase 70% de toda a eletricidade gerada em Portugal Continental”, escreveu o Diário de Notícias em junho.

»Portugal já esteve quatro dias e meio, seguidos, totalmente alimentado por energias renováveis. Supomos que este é o tipo de feitos que a Tesla procura num possível parceiro.

»Só para terminar, vale a pena referir que esta semana o primeiro-ministro, António Costa, reforçou a estratégia de longo prazo de Portugal relativamente às energias limpas e às preocupações com o meio ambiente.

»“Queremos, assim, dar o exemplo e estamos já a preparar o processo de revisão do nosso Roteiro de Baixo Carbono para 2050 com o objetivo de sermos neutros em emissões de gases com efeito de estufa até ao final da primeira metade do século”, disse, citado pelo Jornal de Notícias.


»Experiência no sector automóvel

»Portugal é um país que tem experiência na produção de automóveis. Atualmente operam em Portugal quatro grandes fabricantes:Volkswagen Autoeuropa, PSA Peugeot Citroen, Mitsubishi Fuso Truck Europe e Toyota Caetano. Também a Ford e a General Motors já tiveram uma unidade de produção em terras lusas.

»A esmagadora maioria da produção feita em Portugal é exportada para países europeus, com a Alemanha, a Espanha e o Reino Unido a encabeçarem a lista de principais clientes.

»Além da produção de veículos per si, Portugal tem ainda uma forte indústria de produção de componentes automóveis. De acordo com dados da a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), em 2015 existiam cerca de 200 fabricantes de componentes automóveis em Portugal, incluindo nomes importantes da indústria: Continental, Delphi, Faurecia, Renault Cacia e Bosch.

»“A indústria de componentes para automóveis em Portugal tem muitas vantagens competitivas que lhe conferem um elevado reconhecimento, como a mão-de-obra qualificada, a componente exportadora das empresas, a capacidade de produção flexível, o nível de qualidade, o elevado investimento, o grau de inovação da engenharia e a aposta contínua na formação e na valorização profissional dos seus recursos humanos”, lê-se na publicação Portugal Global, da AICEP.

»Um exemplo que ajuda a dar um ‘rosto’ a esta ideia: recentemente a Bosch anunciou um investimento de 55 milhões de euros em parceria com a Universidade de Braga para o desenvolvimento de novas tecnologias direcionadas para o segmento da mobilidade.

»Se Portugal tem experiência na produção de veículos, o país também tem muita experiência no segmento da distribuição. Portugal está no centro do mundo, tendo por isso uma posição privilegiada de distribuição. Além de conseguir alimentar os mercados europeus, também pode ser uma boa porta de entrada para os mercados no continente africano.


»Mais perto do lítio

»Um estudo publicado em 2015 pelo United States Geological Survey, colocava Portugal como o sexto país com maior produção de lítio do mundo e com as quintas maiores reservas.

»O lítio é o elemento chave para a produção das baterias que alimentam os veículos elétricos da Tesla. Este bom posicionamento de Portugal pode ser apelativo para a fabricante norte-americana, que ficaria assim mais perto de uma matéria-prima que lhe é essencial.

»A Tesla já mostrou que valoriza o facto de poder estar perto do lítio, tendo inclusive no passado tentado comprar uma empresa que estava a testar novas formas de extração deste metal.


»Comunidade dedicada

»Comprar um Tesla em Portugal pode ser um ato de ‘loucura saudável’, como disse o presidente do conselho diretivo da Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE), Henrique Sanchéz, no primeiro encontro de veículos Tesla em Portugal.

»Henrique Sanchéz referia-se ao facto de o centro oficial mais próximo de Portugal estar a cerca de 1.200 quilómetros de distância, situando-se na cidade de Bordéus, em França.

»Mas nem este facto impede que já existam cerca de cem veículos da Tesla a circular nas estradas portugueses. Um quinto desses veículos marcou presença no encontro realizado em Lisboa em maio.

»É caso para dizer que estes consumidores são poucos, mas bons. As notícias sobre o evento propagaram-se na internet e foram muito além dos meios de comunicação portugueses. Isto porque o encontro tinha como objetivo chamar a atenção da Tesla para a necessidade de um centro de suporte mais próximo do país.

»A propagação do pedido chegou a Elon Musk, que na altura partilhou uma notícia relativa ao evento português e respondeu com um sempre misterioso ‘Ok’.

»Existem países que certamente terão melhor desempenho do que Portugal em alguns destes argumentos. Mas o potencial do país está justamente na mistura pouco comum de todas estas vantagens. Há energia solar em abundância, existem políticas favoráveis à inovação tecnológica, legislativa e ambiental, há experiência na indústria automóvel, há lítio e há um posicionamento geográfico que mais ninguém tem.

»Por fim é importante deixar claro que os argumentos que aqui foram expostos também podem ser usados como convite para qualquer fabricante automóvel que tenha planos para desenvolver veículos elétricos. Parece cada vez mais certo que o futuro da mobilidade vai passar por veículos mais amigos do ambiente – Volkswagen, BMW, Mercedes e Jaguar são exemplos de marcas que estão a trabalhar num futuro ‘verde’.

»Se esta mudança nas estratégias das empresas implicar investimentos em novas fábricas e não apenas a reconversão das que já existem, então definitivamente Portugal deve ser considerado no plano de investimentos.»





Inovação e ideias

2016/11/22

António José Araújo: «Eu sou certificado, e tu?»



António José Araújo, Professor da Escola Profissional de Braga. Correio do Minho



«No âmbito escolar, a competência pode ser encarada como obtenção de conhecimentos, saberes, aprendizagens, atitudes e valores. Contudo, o seu significado pedagógico assume um papel de destaque na educação do aluno, manifestando-se na sua ação perante situações complexas, imprevisíveis, mutáveis e singulares.

»A aquisição de competências, como instrumento do conhecimento, a obtenção de novos conteúdos, o desenvolvimento de aprendizagens, irá suplantar a dicotomia teoria-prática, que se encontra enraizada, e permitir que a escola do futuro seja uma realidade.

»O termo competência vem do latim “competentia” e significa aptidão em uma pessoa resolver uma questão. Está diretamente ligada à qualificação profissional, mas também relacionada a uma característica pessoal, a que designamos capacidade ou habilidade, em realizar um conjunto de tarefas.

»Neste sentido, a EPB pretende que os seus alunos adquiram esses saberes, atitudes e valores, através da aprendizagem de novas práticas e ações, afetos à escola, aos colegas e a toda a comunidade. É fundamental, nos dias de hoje, possuirmos novas competências, e o melhor local para os alunos obterem essas competências é, sem dúvida, a escola.

»Todos os dias, os nossos alunos aprendem, assimilam e partilham novos conhecimentos, mas não é suficiente! Será necessário validar essas competências, promover e destacar as valências. Serão elas a ter o papel diferenciador no mercado de trabalho.

»No seguimento desse pensamento, a EPB reforçou as competências na sua oferta formativa, através de uma parceria com a Microsoft, dando a possibilidade aos seus alunos de obterem uma formação certificada com o programa IT Academy Microsoft, nomeadamente, o exame Microsoft Office Specialist (MOS), sendo uma certificação em Tecnologias de Informação, reconhecida pelo setor a nível mundial, sendo um fator de distinção na formação académica de um aluno, que pretenda investir numa carreira na área tecnológica e não só.

»Para obterem a certificação em MOS, os alunos terão que realizar um exame e demonstrar que dominam os conhecimentos das tecnologias Microsoft. Esta formação apresenta diversas vantagens para os alunos, nomeadamente o reconhecimento do setor das Tecnologias de Informação, competências profissionais de elevado nível que irão facilitar o recrutamento pelas entidades empregadoras e a entrada no mercado de trabalho destes jovens.

A escola pretende, cada vez mais, concentrar o ensino no desenvolvimento das competências dos seus alunos, envolvendo-os numa aprendizagem ativa, que prossupõe aumentar a sua motivação e, consequentemente, a dos pais e professores, a sua forma de pensar, de sentir e de agir.

»As tecnologias estão cada vez mais presentes na sala de aula e a preocupação do professor passa por preparar e ajudar o aluno a desenvolver as suas competências, promover o desenvolvimento e articulação na capacidade de se relacionar com os diferentes saberes, tornando o aluno capaz de agir perante um determinado tipo de situação, de forma eficaz e fortalecer as componentes no domínio cognitivo (saber-saber), psicomotor (saber-fazer) e afetivo (saber-ser).

»No entanto, estão atualmente em estudo e a serem introduzidas na educação, as competências do século XXI, mas quais são? Estamos na era da transferência do conhecimento, o que permite aos alunos desenvolverem essas competências nos domínios cognitivos, intrapessoais e interpessoais.

»A primeira competência envolve estratégias, pensamento crítico, criatividade, inovação, comunicação e o poder de análise.

»A segunda competência diz respeito à capacidade de lidar com as emoções, orientação para a carreira, cidadania, iniciativa e atingir objetivos. Por fim, a última competência - domínio interpessoal - envolve a capacidade de expressar ideias, interpretar e responder a estímulos sociais, tais como, trabalhar em equipa e a resolução de conflitos.

»Assim, o objetivo principal da escola não é apenas ensinar conteúdos, mas desenvolver competências que permitam aos alunos encarar e alcançar o sucesso pessoal e profissional, através da capacidade de aplicar os conhecimentos e atitudes adquiridas ao longo da sua formação. Para isso, a escola pretende, cada vez mais, concentrar o ensino no desenvolvimento das competências dos seus alunos, envolvendo-os numa aprendizagem ativa, que prossupõe aumentar a sua motivação e, consequentemente, a dos pais e professores, a sua forma de pensar, de sentir e de agir.

»De referir que ser competente não é executar uma mera assimilação de conhecimentos, mas sim compreender, construir e mobilizar conhecimentos na tomada de decisão e na resolução de situações complexas. Numa perspetiva futura, muitos dos atuais alunos irão terminar o seu curso profissional e será a aquisição destas competências, num contexto de aprendizagem contínuo, que implicará que estejam mais bem preparados para o futuro e ingressar, com sucesso, no mundo profissional.

»E tu queres adquirir competências e obter certificação?»





Inovação e discursos

2016/11/21

Newsletter L&I, n.º 126 (2016-11-21)




n.º 126 (2016-11-21)

TAGS: # liderança e inovação # liderazgo e innovación # leadership et innovation # leadership and innovation
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Index


Liderar Inovando BR
Discursos e inovação | Ideias e inovação | Invenções e inovação | Recursos e inovação

«Aliança para Inovação Agropecuária no Semiárido realiza workshop em Oeiras» [link]

«Competição seleciona startups e ideias inovadoras no Turismo» [link]

«Invenção de alunos da Escola do Sesi de Campo Grande vence desafio nacional de inovação» [link]

«Suspensão de recursos para ciência e tecnologia põe em risco futuro do país, dizem gestores universitários» [link]


Liderar Inovando PT
Discursos e inovação | Ideias e inovação | Invenções e inovação | Recursos e inovação

«Proposta de Programa do Governo Regional dos Açores começa a ser debatida hoje» [link]

«Web Summit: Cinco ideias inovadoras para estar atento» [link]

«Presidente José Eduardo dos Santos recebe talentos» [link]

«IBM inaugura Centro de Inovação Tecnológica em Viseu» [link]


Liderar Innovando ES
Discursos e innovación | Ideas e innovación | Inventos e innovación | Recursos e innovación

«Innovar o Morir» [link]

«Inacap invita a participar en desafío de innovación “50 ideas para mi región”» [link]

«Inspiratec reunirá a 237 alumnos riojanos con 42 proyectos de inventos» [link]

«Ifema pone en marcha la próxima edición de Recursos para la Educación 2017» [link]


Mener avec Innovation FR
Discourses et innovation | Idées et innovation | Inventions et innovation | Ressources et innovation

«We don't need no innovation» [link]

«Innovation. Saint-Malo accueille une méga boîte à idées» [link]

«Hand’speaker : une invention pour faire parler les sourds et les muets» [link]

«#SMARTOFFICE. La culture d’innovation en entreprise : perspectives et enjeux d’un “tiers-lieu d’activité”» [link]


Leadership & Innovation EN
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«Rethinking the Discourses of Higher Education Innovation» [link]

«LCBO researching new ideas in downtown Kitchener» [link]

«Invention, Innovation, and Disruption» [link]

«Experts urge Africa to put more resources in Science, Technology and Innovation» [link]



L&I Media

Liderar Inovando BR – Media

«Medicamento inovador para o tratamento da obesidade marca entrada da Novo Nordisk (@novonordisk) em nova área terapêutica» [link]

«FCA (Fiat Chrysler Automobiles) vence mais uma vez ranking de tecnologias sustentáveis», Mecânica Online [link]

«Nova Zelândia lidera lista de países com clima empresarial mais favorável», Alfonso Fernández, @UOLEconomia [link]

«A cientista tcheca naturalizada brasileira Johanna Döbereiner, que liderou pesquisa sobre fixação biológica de nitrogênio, é homenageada», @RevistaCultivar [link]


Liderar Inovando PT – Media

«Outros 12 projetos selecionados para receber fundos europeus. Saúde lidera mas há surpresas» Joana Petiz, @dntwit [link]

«A BGuest, a Climber, a Infraspeak, a TeamOutLoud e a VPS são as cinco start-ups portuguesas da hotelaria que decidiram juntar-se para criar o consórcio Hotel-Up», i9 magazine [link]

«Startup portuguesa Talkdesk (@Talkdesk) distinguida como uma das empresas mais empreendedoras nos EUA» @TeKSapo [link]

Talkdesk (@Talkdesk) «Brilliant Customer Interactions. With Talkdesk, you will enjoy all the benefits of enterprise call center software, without all the complexity» [link]

«EVO, nova fibra sustentável feita 100% de semente de mamona, resultado de investigação da empresa Fulgar», @FNW_PT [link]


Liderar Innovando ES – Media

«Stephen Heppell (@stephenheppell): “El alumno debe liderar el cambio”». Entrevista. @anaayala3_0, @educacion3_0 [link]

«Juan de Vicente (@Jdevicenteabad): “Me interesa la innovación para la inclusión”», entrevista, @educacion3_0 [link]

«Los líderes de la innovación biofarmacéutica en Latinoamérica lideran el programa del encuentro Biolatam 2016», @EBDgroup vía @PRNewswire [link]

Bajo el lema “Participa e INvolúcrate en el cambio”, este año fi2 centra la atención en la transformación educativa y la economía digital creativa como motor de desarrollo de la isla de Tenerife» [link]

«La exploradora del talento ajeno. “¡El maestro es el cliente! Aprender descubriendo”. Este es uno de los lemas favoritos de la psicóloga chicharrera Rosa Elvira González (@rosaelviraglezp)» [link]

José Antonio Bastos, Presidente de Médicos sin Fronteras España: «Falta voluntad de los líderes hacia los más desesperados», entrevista, Gerardo Elorriaga, @lariojacom [link]


Mener avec Innovation FR – Media

«L’innovation, plus que l’effervescence du marché de l’habitation américain est la planche de salut à long terme de l’industrie canadienne du bois d’œuvre», Susan Smith, @EDC_Exportwise [link]

«Coopérer pour innover. Session d'exploration pour les professionnels de l'ingénierie et les élus», Cap Rural [link]

«L’Ile de France domine l’industrie du logiciel», @InformatiqNews [link]

«Comment Nice se renforce dans la santé», Laurence Bottero (@l_bottero), @LaTribunePACA [link]


Leadership & Innovation EN – Media

«Meet The #Leadership Team Driving GM’s Recovery», @tetzeli, @FastCompany [link]

«Europe’s innovation culture: which countries rank best?» Tom Wadlow (@TomWadlowBRE), Business Review Europe magazine (@BizReviewEurope) [link]

«New Leadership for Infectious Disease Research Center», @CSUAlanRudolph, @coloradostateu [link]

«Figures from amenity horticulture to production to share leadership insights at @CIHort conference» @hortweek [link]



L&I Scholar

Liderar Inovando BR – Scholar

«Liderança e Inovação», Hugo Ferreira Braga Tadeu, Fundação Dom Cabral (@DomCabral) [link]

«Liderança e inovação fazem a diferença», Luiz Edmundo Rosa, HUMUS-EAD (@HUMUS_EAD) [link]

«As Práticas Gerenciais Adotadas nas Empresas Líderes em Inovação para Promover o Empreendedorismo Corporativo», Viana & Santos [link]

«Liderança e inovação na administração pública», Lisete Barlach, Revista Gestão & Políticas Públicas (RGPP), @revistasusp [link]


Liderar Inovando PT – Scholar

«“Dream Teens” - adolescentes autónomos, responsáveis e participantes» [link]

«7 novas regras para a inovação na liderança», Success Magazine via Human Resources Portugal [link]

«Fórum RH 2016. Liderança do Futuro e Inovação» Isabel Freire de Andrade (Bright Concept), @RHMagazine_IIRH [link]

«Enquanto líder, facilita a inovação? Há 6 regras com as quais não falha», Samuel B. Bacharach (@samuelbacharach), @PLideranca [link]


Liderar Innovando ES – Scholar

«La #innovación de la labor docente a través del #liderazgo. ¿Es posible?», Peniche & Ramón @uady_mx @CenidOficial [link]

Estilos de toma de decisión de líderes en Perú – Gaviria, Ratti, Quiroga, Ontaneda y Galdós (@Postgrado_UPC / @UPCedu y @Korn_Ferry) [link]

«Construyendo una cultura de innovación. Una propuesta de transformación cultural», Naranjo & Calderón [link]

«Las redes sociales, la confianza y los líderes de las escuelas de distrito urbanas», Daly & Finnigan, @FaculEDUAM [link]


Mener avec Innovation FR – Scholar

«Recherche et innovation à Amadeus», Lardeux & Salch, ROADEF #36 @roadef [link]

«Les pratiques managériales les plus innovantes du monde», Francis Boyer (@DYNESENS), Le Journal du Net (@journaldunet) [link]

«L’innovation et le leadership», Jean-Philippe Deschamps [link]

«Quand les grands groupes montent leur usine à start-up», Thomas Guyon via @frenchweb [link]


Leadership & Innovation EN – Scholar

«Innovation and Change. Lessons from the Global Cities Education Network», @carussell17, @psaresearch [link]

«Toward Culturally Sustaining Leadership: Innovation beyond ‘School Improvement’ Promoting Equity in Diverse Contexts» [link]

«Transformational leadership, innovation climate, creative self-efficacy and employee creativity: A multilevel study», Jaiswal & Dhar [link]

«The impact of leadership styles on innovation - a review», Peter Kesting, John Parm Ulhøi, Lynda Jiwen Song and Hongyi Niu, Journal of Innovation Management (JIM) [link]



L&I Blog

Liderar Inovando BR – Blog

«Cuidado com as inovações de curto prazo. “O maior problema é quando o imediatismo se torna doença e compromete totalmente o planejamento”, explica Luiz Serafim, Head de Marketing Corporativo da 3M no livro “O poder da inovação”», @3MdoBrasil, @admnews [link]

«Conheça a Escola de Liderança para Meninas», Plan Brasil (@PlanBR) [link]

«Os desafios da gestão para o atual cenário brasileiro» Portogente (@portogente) [link]

«Nunca foi tão importante alinhar a TI e o Marketing» Bill Coutinho (@billcoutinho, @DextraSistemas), CIO Brasil (@CIObrasil) [link]


Liderar Inovando PT – Blog

«Lisboa lidera no Plano Juncker» Sofia Colares Alves, @observadorpt, coluna de opinião [link]

«Como a Web Summit pode alavancar a inovação em Portugal», José Serra (@OlisipoNews), @OlisipoTI [link]

«Quatro princípios para liderar na Indústria 4.0» Portal da Liderança (@PLideranca) [link]

«O cliente no centro da gestão das empresas se torna no novo centro de valor», Rui Nogueira (@RuiNogueira_pt), @sageportugal [link]


Liderar Innovando ES – Blog

«Conoce a @INITEC_UNI, innovación tecnológica mediante @waposat, control en tiempo real del agua de los ríos», Lachlan Bache, @AIESEC_PERU [link]

«Innovar: las 7 virtudes capitales», José Santomingo (@josesantomingo), FOL.cl Fondos Mutuos (@fondosonline) [link]

«La participación: tendencia empresarial en las nuevas organizaciones», Ricardo Pedroza (@redhatcolombia @redhatla @RedHatNews) [link]

Encuentro de Líderes en Innovación (ELI), vía @comunidadELI e @IPNOficial [link]


Mener avec Innovation FR – Blog

«Crisotech: L’innovation au service de la gestion de crise», Marc Jacob, @GS_Mag [link]

«Comment concrétiser et gérer l’innovation durable dans les entreprises grâce à l’Objet Emotion ?», Marion Laperrouze, @eRSE_net [link]

«Ressources humaines, innovation et transformation digitale : le cas Crédit Agricole SA» [link]

«Mener votre équipe vers l’inconnu», Jeffrey H. Dyer et Nathan Furr, @HBRFrance [link]


Leadership & Innovation EN – Blog

«Accelerating Innovation with Leadership», Bill Gates (@billgates), Gates Notes [link]

«The 4 Traits You Need to Be a Great Leader», Marillyn Hewson (@MarillynHewson, @LockheedMartin), @FortuneMagazine [link]

«The Attributes of an Effective Global Leader», @SAHewlett, @HarvardBiz [link]

«Albertans Are Ready To Be Leaders In Innovation», Kent Hehr (@kenthehr), @HuffPostAlberta [link]




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