2016/09/09

«Tipologias de parceria bastante diferentes que nos dieram a oportunidade de observar e testar métodos de abordagem de eco-inovação e modelos de internacionalização também distintos»



Entrevista com Vital Morgado (Director Executivo da AICEP Portugal Global, E.P.E., Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. Publicação: site ECOPOL em 12.05.2014. ANI - Agência Nacional de Inovação




«O projeto europeu ECOPOL trata de políticas de eco-inovação. Como carateriza o envolvimento da AICEP enquanto entidade especialista em internacionalização?

»No contexto deste projeto, a AICEP foi convidada pela ADI a participar no Grupo de Trabalho sobre “Cooperação internacional, comércio e investimento”, participação que para nós se revestiu do maior interesse, pois tivemos a oportunidade de partilhar e analisar experiências em matéria de apoios à internacionalização das PME, não apenas no âmbito português como de outros países, mas agora especialmente focados nas empresas eco-inovadoras.

»Actualmente a eco-inovação é uma dimensão fundamental da actividade empresarial, dado que tem como objectivo, entre outros factores de sustentabilidade, uma gestão empresarial “mais verde” que potencie a criação de serviços e produtos amigos do ambiente, bem como o aumento da eco-eficiência, o que requer a complementaridade de competências dos agentes públicos


»De que forma saiu reforçado no projecto a importância de instrumentos de apoio à internacionalização que promovam a eco-inovação?

»O projecto reforçou a percepção de que a sustentabilidade é uma oportunidade de diferenciação nos processos de inovação e que a eco-inovação é uma inevitabilidade neste contexto. Mas tal como acontece com empresas mais inovadoras de vários sectores, se, por um lado, o mercado interno carece de dimensão para as necessidades de crescimento das empresas eco-inovadoras, por outro, à escala global abrem-se para estas numerosas oportunidades, sendo portanto a sua internacionalização incontornável.

»Nesta medida, a competitividade das PME eco-inovadoras passa por ganharem presença, reconhecimento e robustez nos mercados internacionais, mas para isso estas necessitam não só de instrumentos de suporte que facilitem a sua entrada nos mercados, como também de instrumentos de acesso ao financiamento indispensável ao desenvolvimento dos seus negócios internacionais. O projeto identificou, neste âmbito, um conjunto significativo de práticas e de instrumentos existentes em outros países que podem ser aplicáveis à realidade portuguesa, nomeadamente no quadro das parcerias entre empresas.


»No ECOPOL foram testados vários modelos de utilização de instrumentos de apoio à internacionalização do tipo “Vale de internacionalização”. Em Portugal foi testado um modelo muito particular. De que se tratou e o que destacaria sobre a importância do modelo testado?

»Nesta ação piloto, cada país testou um modelo diferente para a utilização de vales de internacionalização. Portugal desenvolveu um trabalho específico - o Programa piloto de apoio à internacionalização de parcerias eco-inovadoras – em que testou dois tipos de apoio sob a forma de um único instrumento, o qual contempla a internacionalização de empresas em parceria, numa lógica de complementaridade de cadeias de valor, e a contratação de competências no âmbito da internacionalização. Desta forma, um conjunto de três a seis empresas, detentoras de um produto ou serviço eco-inovador, poderá preparar melhor a sua penetração num determinado mercado. Neste sentido, este teste deu-nos uma maior sensibilidade relativamente às diferentes tipologias de parcerias.


»Nesta iniciativa piloto de apoio à internacionalização de parcerias eco-inovadoras, participaram cerca de dez empresas. Qual foi a opinião destas sobre o modelo testado?

»As empresas percepcionaram claramente a natureza do concurso e concorreram com propostas e tipologias de parceria bastante diferentes, o que nos deu a oportunidade de observar e testar métodos de abordagem e modelos de internacionalização também distintos, o que realçou a importância da adequação estratégica à realidade das empresas, dos sectores e dos mercados a abordar.

»No final, as empresas foram auscultadas no sentido de obtermos elementos de avaliação, tendo todas elas considerado muito positivo um conjunto de práticas, como seja a forma simples e flexível de contratar competências externas em internacionalização, os ensinamentos partilhados pelas partes sobre os mercados, a partilha do risco e o reconhecimento de que a oferta combinada das empresas traz valor acrescentado aos clientes e aos parceiros. Destaco também que, de forma unânime, todas as empresas consideraram útil o apoio complementar prestado pela AICEP nos mercados externos.


»Em Portugal os trabalhos desenvolvidos no ECOPOL, no domínio da internacionalização, não identificaram qualquer instrumento de política pública que promova ou discrimine positivamente a internacionalização de empresas eco-inovadoras. De que forma considera ser possível que esta discriminação aconteça de modo a reforçar a competitividade dos ecoinovadores portugueses?

»Na realidade, os instrumentos existentes para apoiar a internacionalização de empresas, em particular de PME, têm um caráter transversal a toda a economia. Neste sentido, o projeto ECOPOL procurou identificar quem são os eco-inovadores de acordo com a definição ECOPOL, concluindo-se que a eco-inovação envolve muito mais setores económicos do que aqueles que tradicionalmente são considerados como “eco-indústria”. Assim, verificou-se que as ecoinovações poderão ser desenvolvidas em todos os setores económicos, uma vez que os desafios da sustentabilidade são universais.

»O tema da discriminação não é particularmente relevante, se tivermos rigor no desenho de alguns instrumentos, garantindo-se deste modo que se podem promover projetos ou propostas de valor eco-inovadoras. Um exemplo disto, é termos instrumentos que possam apoiar PME em projetos de desenvolvimento de produtos eco-inovadores desde as fases mais iniciais do ciclo de inovação até aos requisitos de entrada nos mercados-alvo. Por outro lado, a existência de um diretório/catálogo actualizado de competências nacionais de eco-inovação, que possa ser utilizado internacionalmente na promoção de Portugal e das empresas portuguesas eco-inovadoras nos mercados, constituiria sem dúvida um complemento estratégico relevante.»





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