2016/09/15

«Porque é que nos preocupamos com a inovação disruptiva?»



Alexis Gonçalves. Inovação e Empreededorismo, newsletter da Vida Económica (@vidaeconomica) n.º 21, setembro 2011




«Na semana passada, dois dos meus colegas estavam envolvidos num intenso debate sobre se uma determinada empresa estava ou não operando com um modelo de negócio “disruptivo”. Quando perguntaram a minha opinião, surpreendi os meus amigos ao responder: “Eu realmente não me importo.”

»“Mas estamos todos a favor da inovação disruptiva não estamos?” perguntou um deles. “Bem, sim”, respondi, “mas para mim o mais importante é a construção de um modelo de negócio de sucesso, sustentável e escalável”.

»É natural pensar que a única “raison d’être” de um inovador é a inovação “disruptiva”. Foi o Professor da escola de negócios de Harvard, Clayton Christensen, quem cunhou o termo “inovação disruptiva”, e muitos de nós que atuamos na área de inovação desenvolvemos uma abordagem prática para aplicar nas empresas essa forma de inovar.

»Na verdade, a inovação disruptiva não é um fim em si mesmo mas é um meio para alcançar um êxito comercial. O objetivo final é construir um negócio com considerável vantagem competitiva e com retornos atraentes. Acontece que os modelos de inovação disruptiva e suas ferramentas fornecem um ótimo meio para promover a criação de empresas que transformam mercados, desbloqueando um valor substancial para os acionistas, empregados e clientes.

»A inovação disruptiva é um termo utilizado em negócios para descrever as inovações que criam um produto ou serviço totalmente inesperados pelo mercado, geralmente por oferecerem novos produtos ou serviços a preços muito mais baixos (como o caso da video-camera Flip de USD $100 ou do carro Nano de USD $2.500) ou por serem lançados num mercado de consumo totalmente diferente do atual (como a Enterprise Rent-a-Car que entrou no mercado de locação de automóveis para pessoas que precisam de um carro de substituição temporária ou de um veículo para uma ocasião especial).

»As inovações disruptivas são particularmente ameaçadoras para os líderes de um mercado já existente, porque a concorrência está vindo de uma direção totalmente inesperada – como o caso da Netflix que rompeu o mercado de aluguer de vídeos dominado pela Blockbuster ao criar um serviço de assinatura de vídeos pela internet muito mais barato e conveniente para os consumidores.

»Adaptar uma mentalidade de inovação disruptiva permite a um gestor perceber oportunidades que estariam escondidas. A caixa de ferramentas da inovação disruptiva, permite que um gestor desenvolva e construa um modelo de negócios sustentável para aproveitar oportunidades de mercado.

»É importante notar que os modelos e abordagens de inovação disruptiva não alteram os fundamentos do negócio.

»Lembre-se:


»Você tem que encontrar uma solução para um problema desconhecido.

»Você tem que criar uma forma única e defensável para aproveitar as oportunidades de mercado.

»Você tem que encontrar uma maneira de ganhar dinheiro.

»Você tem de alinhar parceiros, fornecedores e distribuidores para apoiar o seu negócio em conjunto.

»Você tem de afastar os concorrentes com intensidade e rapidez.


»Não se esqueça desses fundamentos na busca da inova- ção disruptiva. Afinal de contas, se verificar que a sua ideia não corresponde à definição técnica de “inovação disruptiva”, mas se ela gerar alguns milhares de euros em crescimento orgânico, ninguém vai reclamar.»





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