2016/09/16

«O desenvolvimento de inovação e seus tipos nas empresas em ambiente de incubação: o caso de Portugal» (I). «Questionando a Inovação»



José Pedro Carriço Cravo. Instituto Politécnico de Coimbra - Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra. Trabalho de Projeto. Vejam-se as referências na publicação original do texto. Vejam-se as conclusões deste projeto no postagem: «O desenvolvimento de inovação e seus tipos nas empresas em ambiente de incubação: o caso de Portugal» (II). «Conclusões»




«QUESTIONANDO A INOVAÇÃO

»Tal como a OCDE (2005) sugere, é determinante a procura de informação relevante, e análise da mesma, sobre os diversos aspetos da inovação. Uma questão pertinente será sempre sobre qual o papel do desenvolvimento tecnológico que dá origem a inovações no seio das empresas. Está premente a produção de conhecimento neste âmbito, necessário para o desenvolvimento de políticas económicas capazes de contribuir verdadeiramente para o desenvolvimento das nações e das comunidades.

»De forma a prestar um contributo nesse sentido, é relevante questionar de que forma tem contribuído o desenvolvimento tecnológico e a inovação para a criação e sustentabilidade das empresas. Vários trabalhos têm sido desenvolvidos no sentido de responder total ou parcialmente a esta questão, analisando realidades e contextos distintos.

»Robertson et al (2012) indicam que a inovação de processo é um tipo de inovação relevante, na medida em que está intimamente relacionada com a inovação de produto, sendo que novos produtos regularmente requerem alterações nos processos da empresa. Novos produtos tendem a se traduzir em técnicas desconhecidas para a empresa, daí a necessidade de alteração dos seus processos. Por este motivo, consideram Robertson et al (2012), a inovação de processo não deve ser considerada em isolado, mas em conjunto com inovação de produto, referindo que, ambos os tipos de inovação, requerem várias capacidades em áreas como o design, engenharia e marketing. Desta conclusão podemos inferir que existe uma relação de dependência entre estes dois tipos de inovação. As empresas recorrem a inovações de processo para fazer face á exigência de novos produtos e essas inovações de processo poderão dar lugar a inovações de produto. Assim formulamos a seguinte questão de investigação:

»P1: Ao se desenvolver inovações de produto, posteriormente desenvolvem-se inovações de processo e vice-versa?


»Numa outra perspetiva, Ganter e Hecker (2013) levaram a cabo um estudo junto de uma amostra alargada de empresas alemãs, onde foi possível concluir que quanto maior for uma empresa maior é o nível de adoção de uma inovação organizacional. Um tamanho maior da empresa origina uma maior diferenciação e complexidade da mesma, aumentando assim a necessidade por novos métodos para lidar com os acrescidos problemas de coordenação. O tamanho também se torna um benefício na aplicação de um novo método, tendo em conta os custos que acarretam a sua implementação, onde uma maior escala de operação pode atuar como alavanca nos ganhos de produtividade, tornando a inovação mais eficiente no seu custo. Marques (2014a) sugere o mesmo, concluindo, num estudo realizado em Portugal, que empresas de maior dimensão, em termos de número de colaboradores, tendem a gerar inovações organizacionais. Procurando validar as conclusões de Marques (2014a) sugere-se a segunda questão:

»P2: Empresas de maior dimensão são mais propícias a adotar e gerar inovações organizacionais?


»Já Sanchez-Famoso et al (2014) referem que a vantagem competitiva de uma empresa é substancialmente baseada na sua capacidade de inovar. McGrath (2013), ao dar relevo á necessidade de gerar um portfolio de vantagens competitivas, apenas possível por via da inovação, para puderem fazer face á realidade competitiva dos sistemas económicos atuais, aponta a sistematização das atividades de I&D como facto crítico para tal. Já Bergek et al (2013) referem que as empresas que mantenham esforços no sentido de uma integração dinâmica de diversas atividades de I&D, desenvolvendo em simultâneo o conhecimento existente e as suas fontes, bem como integrar novas competências, são capazes de superar os desafios da acumulação criativa, fazendo face a períodos de mudança tecnológica. E, segundo Love et al (2011), a inovação assume um carácter relevante como o motor de crescimento das empresas.

»Considerando o contexto português, Marques (2014a) levou a cabo um estudo, sobre empresas também em ambiente de incubação, concluindo que estas tendem a inovar constantemente, indicando que todas as empresas do seu estudo desenvolveram algum tipo de inovação nos 3 anos anteriores. Marques (2014a) refere ainda que empresas que desenvolvem atividades de I&D em full-time geram mais inovação na generalidade dos seus tipos.

»São muitos os autores que dão relevo a atividades de I&D, á opção pela inovação e ao desenvolvimento de atividades que a fomentem. Indicam que se constituem como um fator crítico para a distinção dos concorrentes, criação de vantagem competitiva e, no fundo, subsistência das empresas, mesmo em tempos marcados pela mudança do paradigma tecnológico. De forma generalizada, esta é uma assunção tida como verdadeira, contudo, as empresas efetivamente definem a sua estratégia neste sentido? E se sim, geram inovações?

»P3: A maioria das empresas desenvolve atividades de I&D?

»P4: Empresas que não desenvolvam a sua capacidade de inovar, ou atividades de I&D, não serão capazes de gerar inovações?


»Outra questão relevante, relacionado com o referido por Love et al (2011), prendese com as fontes de conhecimento. Love et al (2011) referem que a recolha de dados e informações relevantes, junto de diversas fontes, tais como os seus consumidores, e a transformação desse conhecimento, por via do desenvolvimento de atividades multi funcionais, permitem a criação de outputs de inovação, gerando competitividade e por consequência crescimento económico. Marques (2014a) apresentou resultados que apontaram no sentido de que a origem da empresa tem forte impacto na inovação, concluindo que diferentes origens dão lugar a distintos tipos de inovação, nomeadamente que spin-offs universitárias e spin-offs de outras empresas relacionam-se de mais perto com inovações organizacionais, de processo e de mercado. É então razoável afirmar que empresas de origem distinta têm acesso a fontes de conhecimento também distintas, contudo, o principal impacto dessas fontes, tenderá a ser no momento da criação das empresas. Assim surge a questão:

»P5: A origem da empresa está correlacionada com o tipo de inovação gerado no momento da sua criação?


»Por outro lado, Rosenbusch et al (2011) concluíram que as PME’s beneficiam mais de uma estratégia orientada para a inovação, do que apenas o foco em desenvolver produtos inovadores. Apontando que as pesquisas que recaem sobre a relação entre inovação e performance apresentam resultados controversos, Rosenbusch et al (2011) levaram a cabo um trabalho de meta-análise reunindo 42 estudos empíricos sobre 21.270 empresas. Referem que as empresas podem alavancar o máximo potencial da inovação se adotarem uma orientação para a inovação, alocando recursos noutras áreas, onde poderão criar maior valor. Essa alocação de recursos originará inovações de outros tipos, organizacional, de mercado, de processo. Contudo, Marques (2014a) apresentou resultados que apontam um comportamento das empresas em ambiente de incubação, em Portugal, no sentido oposto. Em 2009, período a que respeitam estes resultados, revelam um domínio no desenvolvimento de inovações de produto em detrimento dos restantes tipos. Procurando verificar se esta tendência se mantém:

»P6: As empresas tendem a orientar a sua estratégia focando-se apenas no desenvolvimento de um tipo de inovação, ou procuram gerar outros tipos de inovação?


»Com estas questões procuramos responder de que forma tem contribuído o desenvolvimento tecnológico e a inovação para a criação e sustentabilidade de empresas.»





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