2016/09/13

«Criatividade e inovação empresarial nas indústrias criativas (A influência da atitude)»



Florbela Nunes e Fernando Sousa Cardoso. CIEM 2015 (5ª Conferência Ibérica de Empreendedorismo / 5ª Conferencia Ibérica de Emprendimiento). Empreender para Vencer. Jornada Científica: Proceedings, ed. de Maria do Rosário Almeida, Carolina Rodrigues e Mário Carrilho Negas, Oeiras, Empreend – Associação Portuguesa para o Empreendedorismo, 2015. Vejam-se as referências na publicação original deste texto.



«Discussão

»Os resultados principais desta investigação resultaram num modelo de regressão linear, no qual se verifica a existência de uma relação de influência entre as variáveis em estudo, ou seja, entre as atitudes face à criatividade e as práticas de inovação no contexto empresarial. Esta relação assenta na especificidade da influência das atitudes criativas dos gestores sobre as práticas inovadoras da empresa, no que respeita à Liderança sobre o Desempenho e à Autonomia sobre a Estratégia.

»No segmento das indústrias criativas, verifica-se um aumento de explicação da variância, por comparação com o modelo inicial, evidenciando uma relação de dependência entre as práticas empresariais inovadoras e as atitudes criativas, num enquadramento condicionado pelo contexto de um determinado tipo de atividade.

»Deste modo, conclui-se que capacidade inovadora é influenciada por um conjunto de características do empresário (e.g. inteligência, personalidade ou motivação), em que o meio em que se insere e com o qual interage também produz influência.

»Trabalhar no meio criativo parece favorecer e estimular as atitudes ativas e criativas e, consequentemente, a implementação de práticas relevantes, em termos da inovação empresarial. A liderança assume-se, assim, como um dos fatores que mais afetam a inovação, numa linha de pensamento também defendida por Mumford (2012), que refere a importância da liderança na motivação dos colaboradores para promoverem a inovação. Com efeito, a liderança afirma-se como fator determinante da inovação, sendo o líder criativo responsável pelo impacte e desempenho empresariais (Cummings e O’Connell, 1978; Woodman, Sawyer e Griffin; 1993), a par de um papel preponderante que passa pela criação e manutenção de um clima favorável à criação e partilha de ideias (Robinson, 2001).

»Especialmente interessante é a influência da atitude face à importância da organização e dedicação ao trabalho, da objetividade e da capacidade de concentração, sobre práticas que se traduzem na participação dos trabalhadores, definição de objetivos, gestão de recursos humanos, cooperação externa e avaliação das atividades. Numa palavra, parece ser uma verdadeira noção de disciplina, entrega e humildade que determina muito da atitude colaborativa na gestão da empresa. E se essa parece ser a característica mais vincada nos empresários das indústrias criativas, tal pode dever-se, não só a uma maior especialização e capacidade dos colaboradores, como à necessidade de uma maior perseverança e entrega para obter resultados favoráveis, dentro da linha já evidenciada por Eikhof e Haunschild (2006).

»A ideia que aqui transparece é a de que o empresário inovador é, sobretudo, um indivíduo disciplinado e orientado para a partilha com os colaboradores, internos e externos. Disciplina, persistência e colaboração surgem aqui como as palavras-chave da inovação nas empresas, em especial nas indústrias criativas.

»Como limitações deste estudo, verificamos que, embora os instrumentos utilizados tenham revelado boas qualidades métricas, relativamente à capacidade explicativa dos itens e ao seu agrupamento em fatores, a consistência não foi muito significativa (alfa de Cronbach inferior a 0.70, no caso do fator 2 do inventário). Outra limitação prendeu-se com o facto de a amostra ter sido de oportunidade, o que não permite generalizar resultados a grupos semelhantes Face às conclusões e limitações apresentadas, e considerando o modelo preditivo emergente, sugeremse pesquisas futuras que expliquem o modo como mais e melhores ensinamentos se poderão retirar da forma como os empresários das indústrias criativas gerem e tiram partido da criatividade dos colaboradores, tendo em vista a inovação, bem como sobre a ligação entre a inovação e a observação de uma disciplina rigorosa de trabalho.»





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