2016/08/29

«As empresas inovadoras com sucesso podem ser divididas em quatro tipologias distintas»



CEC - Câmara de Comércio e Indústria do Centro


«Segundo a metodologia proposta pelo EUROSTAT e adoptada pelo OCES (2007), as empresas inovadoras com sucesso (ou seja, as empresas com actividades de inovação de produto ou de processo) podem ser divididas em quatro tipologias distintas: “inovadoras independentes”, “inovadoras cooperantes”, “inovadoras frágeis” e “adoptantes ou modificadoras de tecnologia”.

»A classificação das empresas segundo essa tipologia passa pelo cruzamento de dois indicadores: “actividades de difusão de conhecimento” e “actividades criativas realizadas no interior da empresa”, de onde resulta uma matriz de classificação das empresas nos quatro grupos mencionados.

»O indicador “actividades de difusão de conhecimento” diz respeito à entidade com quem a empresa desenvolveu as inovações de produto ou de processo, tomando-se como critério que as empresas que desenvolveram actividades de inovação em cooperação com outras entidades ou introduziram inovações desenvolvidas por terceiros inovam com base na difusão de conhecimentos externos à empresa, e que as actividades desenvolvidas pela própria empresa ou pelo grupo a que pertence são de menor intensidade em termos de difusão de conhecimento.

»O indicador “actividades criativas realizadas no interior da empresa” relaciona-se com a I&D realizada na empresa e com os pedidos de patentes. Neste caso, considera-se que as empresas que desenvolvem actividades de I&D intramuros ou que submeteram algum pedido de patente desenvolveram um trabalho criativo de maior intensidade, sendo de menor intensidade o das empresas que não cumpriram nenhum destes dois requisitos.

»Aplicados estes critérios, e cruzados os resultados, consideram-se “inovadoras cooperantes” as empresas que conjugaram uma maior intensidade das actividades criativas dentro da empresa com uma maior intensidade das actividades de difusão do conhecimento. No outro extremo (menor intensidade nos dois indicadores) estão as “inovadoras frágeis”. As empresas que combinam maior intensidade em termos de actividade criativa e menor em matéria de difusão de conhecimento são classificadas de “inovadoras independentes”; as que apresentam uma situação inversa consideram-se “adoptantes ou modificadoras de tecnologia”.

»Analisando os resultados verifica-se que 69 das 109 empresas introduziram inovação com sucesso, e é relativamente a estas que se obteve a tipologia apresentada no Quadro 10.



»Verifica-se que 29 das 69 empresas consideradas (42%), além de manterem actividades de I&D intramuros ou submeterem pelo menos um pedido de patente entre 2002 e 2005, também desenvolveram inovações no interior da própria empresa: estas empresas são consideradas “inovadoras independentes”. A nível nacional a percentagem de empresas “inovadoras independentes”, apuradas no quadro do CIS 4 foi de 50%.

»Por outro lado, 13% das empresas, para além da I&D e dos pedidos de patentes, desenvolveram actividades de inovação em cooperação com terceiros ou introduziram inovações desenvolvidas unicamente por terceiros; pelas relações que assim estabelecem com entidades externas à empresa, são classificadas como “inovadoras cooperantes”, tipologia que agrupa 19% das empresas inovadoras bem sucedidas a nível nacional.

»Constata-se também que 28% das empresas que inovaram com sucesso não mantiveram actividades de I&D nem depositaram qualquer pedido de patente, tendo desenvolvido as suas actividades de inovação no interior da empresa ou do grupo, pelo que pertencem à categoria de “inovadoras frágeis”. Segundo o CIS 4, este tipo de empresas representa apenas 13% das que desenvolveram actividades de inovação com sucesso a nível nacional.

»As restantes, “adoptantes ou modificadoras de tecnologia”, correspondem a 17% do total das empresas inovadoras. Trata-se, neste caso, de empresas que não fazem I&D mas que desenvolvem as inovações em parceria com outras entidades ou introduzem no mercado produtos e serviços inovadores idealizados por terceiros. Nesta categoria o valor encontrado para a amostra é muito semelhante à média nacional que é de 18%.

»A maior diferença entre a amostra considerada e a média nacional reside na proporção de “inovadoras frágeis”, claramente superior entre as empresas dos municípios da região Centro.

»Qualquer que seja a dimensão, a maioria das empresas que inovou com sucesso é “inovadora independente”, ou seja, dominam as empresas que desenvolvem actividades de I&D mas que não estabelecem relações com terceiros nas actividades de inovação.»





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