2016/08/31

«Inovação nos serviços: conceitos, modelos e medidas. Uma aplicação ao sector bancário»



José Manuel Monteiro Barata. Instituto Superior de Economia e Gestão / Universidade Técnica de Lisboa (ISEG/UTL). Teaching Economics Working Papers TEWP02/2011/DE

Vejam-se as referências na publicação original do texto.




«Conclusões

»O sector de serviços não é mais o “sector residual” da economia. Pelo contrário, os serviços desempenham nas economias actuais um papel dinâmico proeminente, quer em termos de produção quer em termos de emprego. Também neste domínio, a inovação ocupa um lugar de destaque como factor insubstituível de crescimento e de modernização. A análise teórica da inovação nos serviços, suportada na compreensão prévia da natureza dos serviços, permitiu evidenciar as semelhanças e as dissemelhanças entre o processo de inovação na indústria e nos serviços.

»A importância da participação do cliente na produção do serviço, associada à natureza do interface produtor-consumidor, é claramente uma característica própria e muito importante dos serviços. Porém, a recorrência crescente dos serviços ao mesmo stock de conhecimento disponível para a indústria (sistemas de informação, métodos organizacionais, por exemplo), assim como, a canalização de recursos, em crescendo, para a execução de actividades de I&D constituem traços de uma indelével confluência sectorial. Mais: no contexto da enorme heterogeneidade interna ao sector, muitas empresas de serviços apresentam características comparáveis às de indústrias de alta tecnologia (o caso de muitas empresas de serviços “intensivos em conhecimento”). Estas tendências devem ser consideradas na gestão empresarial e na definição de políticas públicas referentes aos serviços.

»As inovações nos serviços podem assumir, naturalmente, um carácter eminentemente tecnológico mas, mais frequentemente do que na indústria, estão mais relacionadas com vertentes não estritamente tecnológicas (organizacionais, profissionais, sociais – “the soft side of innovation”). São, em geral, de natureza mais incremental do que radical e apresentam uma orientação mais marcada para o cliente. As estruturas formais de I&D são pouco comuns nas empresas de serviços e as inovações apresentam um ciclo de desenvolvimento mais curto. A inovação nos serviços assume, geralmente, um carácter abrangente, envolvendo directamente, quer o “processo de produção” quer o “produto” (serviço).

»Os quatro principais períodos da investigação sobre a inovação nos serviços destacados neste texto foram os: de “omissão”, de “assimilação”, de “demarcação” e de “síntese” (“rainbow economy”, Coombs e Miles, 2000). No contexto das tipologias ou taxonomias de inovação nos serviços (presentes, nomeadamente, nos trabalhos de F. Gallouj), a “inovação ad hoc“ é muito importante e específica; é característica das actividades de “serviços intensivos em conhecimento” (SIC). Na tradição do trabalho de Pavitt (1984), Evangelista (2000) e Miozzo and Soete (2001) identificaram diferentes classes de sectores de serviços com diferente actividade tecnológica. São iniciativas referidas na literatura como representando a perspectiva de “assimilação”.

»Igualmente, destacou-se, em primeiro lugar, o modelo do “ciclo do produto invertido” de R. Barras e, em seguida, o modelo de Bilderbeek et al. e as suas quatro dimensões da inovação nos serviços. Na opinião de quase todos os autores (ver, por exemplo, Gallouj e Gallouj, 1996), a construção teórica de R. Barras é sem dúvida a primeira reflexão económica que visa explicitamente elaborar uma teoria de inovação nos serviços.

»O modelo de R. Barras aplicado ao sector bancário evidenciou as fases de: informatização/eficiência; qualidade/eficácia; desenvolvimento de novos serviços (resultado acumulado das fases anteriores associado ao desenvolvimento tecnológico e à desregulamentação); e, ultimamente, a banca on-line (era Internet) – ou seja, o processo de informatização ou automatização das transacções bancárias (Steiner e Teixeira, 1990). O modelo de Bilderbeek et al., 1998 – multidimensional, interactivo e definido para cadeias/sistemas de valor – evidenciou atributos suficientes para se estabelecer como um quadro adequado para conceber, desenvolver e medir a inovação nos serviços, em especial, quando se considera o “serviço” um compósito (conceito, interacção, instalações, deliver, etc.) que exige, cada vez mais, ferramentas globais para a sua gestão operacional e para a gestão do seu núcleo mais dinâmico: a inovação.

»Indicam-se, de seguida, cinco pistas de investigação ulterior sobre inovação nos serviços que merecem algum destaque:

»_ A primeira pista de elevado potencial é a que se manifesta nas abordagens evolucionistas que encaram os produtos/serviços como um conjunto de características (a la Lancaster) - análises patentes, em particular, nos trabalhos de F. Gallouj e de H. Grupp (este último autor aborda a inovação de um ponto de vista geral e não focalizado nos serviços);

»_ A segunda refere-se ao desenvolvimento de quadros detalhados de análise que possibilitem pormenorizar as diferentes características e trajectórias da inovação no quadro da forte heterogeneidade interna do sector de serviços – a edificação de novas taxonomias sectoriais de inovação nos serviços;

»_ A terceira pista consiste na revisita dos modelos de “ciclo do produto”, testando-os na sua forma “normal” ou “invertida” em realidades sectoriais características da economia do conhecimento;

»_ A quarta linha de investigação incide na pesquisa geral de novas medidas de input e de output de inovação nos serviços que ultrapassem algumas das limitações actuais;

»_ A quinta e última pista ou linha de investigação assentaria, com base nos indicadores disponíveis, no teste apropriado da relação entre a inovação nos serviços e a performance, no contexto português ou internacional.


»Em guisa de conclusão, o forte e sustentado crescimento dos serviços nas economias modernas exige a continuação do estudo sistemático do seu principal propulsor: a inovação. O próprio aprofundamento da concepção de “inovação nos serviços” concorrerá também para uma melhor compreensão global e gestão da inovação na economia e sociedade actuais (a perspectiva de “síntese”). Nas palavras de I. Miles (Miles, 2005, p. 451): “Innovation studies will have to take on board the issues of organizational and market innovation, interorganizational and client-facing innovation, and even aesthetic an cultural innovation”.»





Tipologias de inovação
Leituras temáticas

2016/08/30

«O design e a inovação»



Joana Maria da Cruz Vila Pouca. A Inovação pelo Design Criativo - Fator Crítico de Sucesso para a Internacionalização?. Tese de Mestrado em Marketing. Vejam-se as referências no texto original.



«Freeman (1982) foi o primeiro a enfatizar o papel do design na inovação, afirmando que é geralmente reconhecido como uma atividade empresarial que faz parte do processo de inovação, enquanto parte do desenvolvimento de novos produtos. O design é considerado como driver, input ou ferramenta para a inovação, em vez da inovação propriamente dita, exceto no caso onde o design propriamente dito (o resultado da atividade de design) é uma inovação de marketing. O termo ‘design de produto’, como usado na definição de inovações de marketing refere-se à forma e aparência de produtos e não às suas especificações técnicas ou características funcionais. No entanto, as atividades de design podem ser entendidas pelas empresas em termos gerais, como parte integrante do desenvolvimento e implementação de inovações de produto ou processo. A categorização das atividades de design vai depender consequentemente do tipo de inovação com que estão relacionados (Manual de Oslo, 2005).

»Devido às constantes mudanças de comportamento dos consumidores e à concorrência de outras empresas, as organizações que desejam manter posições de liderança devem inovar continuamente. O design e o estilo, bem como, características complementares, componentes primários, confiabilidade, durabilidade, disponibilidade, efetividade, eficiência, empatia e preço dos produtos ou serviços, são os principais atributos e benefícios que fundamentam o desempenho da marca das empresas (Keller e Machado, 2006).

»Este desempenho pode depender, para além de outros, de aspetos sensoriais como a aparência e a sensação ao toque proporcionado pelo design e estilo, na medida em que os consumidores podem ter associações com o produto que ultrapassam o seu aspeto funcional, levando-os a considerações mais estéticas, como o tamanho, formato, materiais e cores envolvidos (Keller e Machado, 2006).

»A estética do marketing, entendida como o marketing de experiências sensoriais que contribui para a identidade da organização e da marca, é abordada por Schmitt e Simonson (1997), a partir de três perspetivas: design de produto, design espacial e comunicação. Argumentando que a estética oferece um valor tangível às organizações, gera fidelidade, permite preços mais elevados, ultrapassa a saturação de informações, possibilitando proteção contra ataques competitivos, poupando custos e aumentando a produtividade.

»Os temas dos elementos de design e o estilo representam o modo como as expressões corporativas afetam as perceções e impressões dos clientes. Os primeiros referem-se ao conteúdo, ao significado e à imagem projetada de uma identidade, podendo proporcionar aos clientes pontos de referência mentais que lhes permitem situar uma organização num contexto mais amplo e distinguir a sua posição. Estes são expressos mais categoricamente se usados como expressões prototípicas dos valores e missão de uma empresa, repetidos e adaptados ao longo do tempo e aperfeiçoados como um sistema de ideias interrelacionadas, sendo apresentados de vários modos, como nome da marca, símbolos, descrições, slogans, conceitos e combinação de elementos. Já os de estilo respeitam a uma qualidade ou forma distintiva, ou seja, um modo de expressão, compostos por elementos primários, entre eles a visão (cor, forma, linha, padrão e tipo de letra dos textos), o som (altura, tom e ritmo), o toque (material e textura), o gosto e o cheiro (Schmitt e Simonson, 1997).

»As crenças dos consumidores em relação às dimensões da construção de uma marca de um produto ou serviço fundamentam muitas vezes as perceções de qualidade do produto, que, por sua vez, podem influenciar atitudes e comportamentos em relação a uma marca. Os atributos ou benefícios específicos associados com avaliações e perceções favoráveis da qualidade dos produtos podem variar de categoria em categoria. O design e o estilo podem ser vistos com a aparência de qualidade (Keller e Machado, 2006).

»Por sua vez, a Comissão Europeia (2009) considera que o design é um instrumento para mercados maduros onde os desenvolvimentos tecnológicos resultam em melhorias marginais para o utilizador final, bem como para mercados low tech. Um bom design pode incrementar as receitas de vendas e margens de lucro através de diferenciação de produtos e serviços, tornando-os mais atraentes para os clientes, facto que está relacionado com o seu potencial, não só para dar um novo visual ao produto maduro, mas também para tecerem considerações de caráter intangível relacionado com as necessidades, as aspirações, imagem e cultura dos utilizadores.

»Assim, o design contribui para criar vantagens competitivas exclusivas que ajudam a afastar-se da concorrência de preços, inclusivamente através da criação e fortalecimento de identidades e marcas, quer corporativas, quer ou nível de produto, tem ainda potencial para reduzir custos, tais como os de produção, montagem, embalagem, armazenamento, transporte e eliminação, e como tal reforça a competitividade e rentabilidade. Uma abordagem de design centrado no utilizador aplicada no início do processo de desenvolvimento de conceitos também pode ter um custo de poupança potencial, acautelando investimentos adicionais num produto ou serviço que mais tarde iria falhar no mercado devido à falta de compatibilidade com as necessidades, gostos ou habilidades dos consumidores (CEC, 2009).

»Estudos recentes em gestão de design permitiram compreender o modo como as empresas podem aplicar o design para se aproximarem e perceberem os consumidores. Intitulada de “Design centrado no utilizador” ou “User centered design”, advoga que o desenvolvimento de produtos deve partir da análise profunda das necessidades dos utilizadores (Verganti, 2008).

»Para Verganti (2008), o “User centered design” tem como pressuposto o facto de as empresas poderem absorver ideias e inputs para alimentar a inovação de produto, através da auscultação das necessidades dos consumidores ou através da observação dos comportamentos desses mesmos consumidores durante o processo de consumo. Por oposição, existem empresas que desenvolveram uma abordagem diferente, o chamado “design orientado para a inovação” ou “Design driven innovation”, praticando esta estratégia com níveis avançados e sofisticados, permitindo que se tornassem líderes mundiais do seu setor de atividade. Para estas empresas “Design driven innovation” é a inovação radical do significado de um produto (Verganti, 2008).

»O design permite indicar com uma marca distintiva ou sinal, mas à parte da aparência estética, o que interessa ao consumidor é o seu significado. Se a funcionalidade do produto permite satisfazer as necessidades utilitárias do utilizador, o significado do produto delicia as necessidades afetivas e socioculturais dos seus consumidores. Os designers atribuem significado aos produtos através do uso de uma linguagem específica de design, compreendida entre sinais, símbolos e ícones que transmitem a mensagem (Verganti, 2008).

»Com base na abordagem anterior pode afirmar-se que a inovação pode incidir sobre uma utilidade funcional do produto, seu significado ou ambos. A inovação funcional tanto pode implicar uma melhoria incremental ou radical de desempenho técnico, como também a inovação da dimensão semântica pode ser mais ou menos radical. A inovação de significados é incremental quando um produto adota uma linguagem de design e entrega uma mensagem que está em consonância com a atual evolução dos modelos socioculturais. No entanto, a inovação de significados é radical, quando um produto tem uma linguagem e entrega uma mensagem que implica uma significativa reinterpretação de significados (Verganti, 2008).

»O design é destacado como uma disciplina central no desenvolvimento de novos produtos e numa perspetiva mais ampla como o núcleo do processo de inovação (Freeman, 1982, OCDE, 1992; Walsh et al., 1992).

»Walsh (1992) afirma, no sentido de clarificar as semelhanças e as diferenças entre design e inovação, que ambas fazem parte de um processo: o design significa a criação de uma ideia, um plano ou uma forma como o objeto pode ser feito e a inovação diz respeito a um novo produto ou processo industrial quando surge no mercado ou tem a sua primeira aplicação ou utilização.

»Para Bonsiepe (1997), a primordial particularidade do design é o interface que origina com o consumidor, através da ligação direta que o produto gera no mesmo. Esta relação faz com que o design seja considerado como uma força motora da inovação interligada à análise das necessidades do consumidor: percebidas, processadas, satisfeitas e transformadas em estratégias de diferenciação junto da concorrência, permitindo alcançar vantagens competitivas.

»Todavia, a atividade de design continua a ser subvalorizada no âmbito do processo de inovação, apesar de um cada vez maior entendimento no que respeita a esta relação. Segundo a Comissão Europeia (2009) as razões residem na dificuldade de conquistar um consenso para o termo design, bem como, a complexidade de circunscrever os domínios de atuação e a sua natureza. Adicionalmente, um outro constrangimento está presente na definição de variáveis estatísticas que possibilitam revelar o impacto e a relevância do design no processo inovação, uma vez que se sobrepõe, constantemente com outras atividades de inovação.

»Contudo, a vantagem competitiva alcançada pelas organizações através das inovações e do design são potencialmente efémeras, pela sua própria natureza, na medida em que podem, as empresas, ser rapidamente ultrapassadas pela concorrência, partir do momento em que esta copie ou imite os seus novos produtos, ou eventuais mudanças no mercado. A vantagem competitiva das empresas só é sustentável se as estratégias forem constantemente revistas no sentido de manter a competitividade, e para, consequentemente, antecipar consumidores e concorrentes (Lojacono, 2001).

»É fundamental para qualquer empresa distinguir-se nos mercados competitivos e exigentes. Presentemente, a competitividade é um fator de sobrevivência, comprovada pela teoria de Schumpeter (1988), segundo o qual a inovação em produtos, serviços ou processos de produção determinam uma vantagem competitiva.

»Conclui-se que esta relação entre design e inovação, como recursos estratégicos das empresas, gera vantagem competitiva, tornando-se potencialmente crítica para o sucesso das empresas, estimulando a sua internacionalização.»





Tipologias de inovação
Leituras temáticas

2016/08/29

«As empresas inovadoras com sucesso podem ser divididas em quatro tipologias distintas»



CEC - Câmara de Comércio e Indústria do Centro


«Segundo a metodologia proposta pelo EUROSTAT e adoptada pelo OCES (2007), as empresas inovadoras com sucesso (ou seja, as empresas com actividades de inovação de produto ou de processo) podem ser divididas em quatro tipologias distintas: “inovadoras independentes”, “inovadoras cooperantes”, “inovadoras frágeis” e “adoptantes ou modificadoras de tecnologia”.

»A classificação das empresas segundo essa tipologia passa pelo cruzamento de dois indicadores: “actividades de difusão de conhecimento” e “actividades criativas realizadas no interior da empresa”, de onde resulta uma matriz de classificação das empresas nos quatro grupos mencionados.

»O indicador “actividades de difusão de conhecimento” diz respeito à entidade com quem a empresa desenvolveu as inovações de produto ou de processo, tomando-se como critério que as empresas que desenvolveram actividades de inovação em cooperação com outras entidades ou introduziram inovações desenvolvidas por terceiros inovam com base na difusão de conhecimentos externos à empresa, e que as actividades desenvolvidas pela própria empresa ou pelo grupo a que pertence são de menor intensidade em termos de difusão de conhecimento.

»O indicador “actividades criativas realizadas no interior da empresa” relaciona-se com a I&D realizada na empresa e com os pedidos de patentes. Neste caso, considera-se que as empresas que desenvolvem actividades de I&D intramuros ou que submeteram algum pedido de patente desenvolveram um trabalho criativo de maior intensidade, sendo de menor intensidade o das empresas que não cumpriram nenhum destes dois requisitos.

»Aplicados estes critérios, e cruzados os resultados, consideram-se “inovadoras cooperantes” as empresas que conjugaram uma maior intensidade das actividades criativas dentro da empresa com uma maior intensidade das actividades de difusão do conhecimento. No outro extremo (menor intensidade nos dois indicadores) estão as “inovadoras frágeis”. As empresas que combinam maior intensidade em termos de actividade criativa e menor em matéria de difusão de conhecimento são classificadas de “inovadoras independentes”; as que apresentam uma situação inversa consideram-se “adoptantes ou modificadoras de tecnologia”.

»Analisando os resultados verifica-se que 69 das 109 empresas introduziram inovação com sucesso, e é relativamente a estas que se obteve a tipologia apresentada no Quadro 10.



»Verifica-se que 29 das 69 empresas consideradas (42%), além de manterem actividades de I&D intramuros ou submeterem pelo menos um pedido de patente entre 2002 e 2005, também desenvolveram inovações no interior da própria empresa: estas empresas são consideradas “inovadoras independentes”. A nível nacional a percentagem de empresas “inovadoras independentes”, apuradas no quadro do CIS 4 foi de 50%.

»Por outro lado, 13% das empresas, para além da I&D e dos pedidos de patentes, desenvolveram actividades de inovação em cooperação com terceiros ou introduziram inovações desenvolvidas unicamente por terceiros; pelas relações que assim estabelecem com entidades externas à empresa, são classificadas como “inovadoras cooperantes”, tipologia que agrupa 19% das empresas inovadoras bem sucedidas a nível nacional.

»Constata-se também que 28% das empresas que inovaram com sucesso não mantiveram actividades de I&D nem depositaram qualquer pedido de patente, tendo desenvolvido as suas actividades de inovação no interior da empresa ou do grupo, pelo que pertencem à categoria de “inovadoras frágeis”. Segundo o CIS 4, este tipo de empresas representa apenas 13% das que desenvolveram actividades de inovação com sucesso a nível nacional.

»As restantes, “adoptantes ou modificadoras de tecnologia”, correspondem a 17% do total das empresas inovadoras. Trata-se, neste caso, de empresas que não fazem I&D mas que desenvolvem as inovações em parceria com outras entidades ou introduzem no mercado produtos e serviços inovadores idealizados por terceiros. Nesta categoria o valor encontrado para a amostra é muito semelhante à média nacional que é de 18%.

»A maior diferença entre a amostra considerada e a média nacional reside na proporção de “inovadoras frágeis”, claramente superior entre as empresas dos municípios da região Centro.

»Qualquer que seja a dimensão, a maioria das empresas que inovou com sucesso é “inovadora independente”, ou seja, dominam as empresas que desenvolvem actividades de I&D mas que não estabelecem relações com terceiros nas actividades de inovação.»





Tipologias de inovação
Leituras temáticas

2016/08/26

«Guia de inovação para pequenas empresas»



Vinicius Roveda. Conta Azul




«O que é Inovação? Algumas pessoas acham que inovação é algo extraordinário, que acontece somente com pessoas altamente qualificadas e em avançados centros de pesquisa. Se você é uma dessas, pode parar de pensar isso agora mesmo.

»Para os pequenos empresários ou pessoas que estão pensando em começar a empreender, esse tipo de pensamento pode destruir grandes potenciais de inovação.

»Charles Leadbeater, autor do livro We-think: the power of mass creativity (Nós-pensamos: o poder da criatividade de massa), a inovação é a criação de novas receitas, é uma forma de misturar ingredientes (que muitas vezes já existem) de uma maneira totalmente diferente. Mas ele destaca que não basta apenas criar novas receitas, mas sim fazer com que as pessoas gostem e comprem sua receita. Ou seja, além de pensar, imaginar — já que estamos falando em ingredientes, tem que colocar a mão na massa!

»Assim como na cozinha, as receitas resultam em diferentes pratos, a inovação também pode ser classificada em diferentes tipos. Fique atento ao que é possível inovar em seu negócio:


»Inovação de produto

»Consiste em modificações nos atributos do produto, com mudança na forma como ele é percebido pelos consumidores.

»Exemplo: automóvel com câmbio automático em comparação ao manual.


»Inovação de processo

»Trata de mudanças no processo de produção do produto ou serviço. Não gera necessariamente impacto no produto final, mas produz benefícios no processo de produção, geralmente com aumentos de produtividade e redução de custos.

»Exemplo: automóvel produzido por robôs em comparação ao produzido por operários humanos.


»Inovação de modelo de negócio

»Considera mudanças no modelo de negócio. Ou seja, na forma como o produto ou serviço é oferecido ao mercado. Não implica necessariamente em mudanças no produto ou mesmo no processo de produção, mas na forma como que ele é levado ao mercado.

»Exemplo: automóvel é alugado ao consumidor, que passa a pagar uma mensalidade pelo uso do veículo, com direito a seguro, manutenção e troca pelo modelo mais novo a cada ano; em comparação ao modelo de negócio tradicional, em que o veículo é vendido.

»Além de diferentes tipos, a inovação pode trazer impactos de forma diferente ao negócio. Confira:


»Inovação Incremental

»Reflete pequenas melhorias contínuas em produtos ou em linhas de produtos. Geralmente, representam pequenos avanços nos benefícios percebidos pelo consumidor e não modificam de forma expressiva a forma como o produto é consumido ou o modelo de negócio.

»Exemplo: evolução do CD comum para CD duplo, com capacidade de armazenar o dobro de faixas musicais.


»Inovação Radical

»Representa uma mudança drástica na maneira que o produto ou serviço é consumido. Geralmente, traz um novo paradigma ao segmento de mercado, que modifica o modelo de negócios vigente.

»Exemplo: evolução do CD de música para os arquivos digitais em MP3.

»Para entender melhor sobre inovação e como o empreendedorismo pode ajudar na hora de inovar, o ContaAzul entrevistou a pesquisadora Vanessa de Oliveira Collere, que é diretora do Inovaparq (Parque de Inovação Tecnológica de Joinville e Região), e conversamos com ela sobre os caminhos para a inovação. Vanessa esclarece que “a inovação deve gerar produtos melhores, que facilitem a vida das pessoas de alguma forma, para que, assim, seja aceita pelo mercado”. Ela ressalta que a inovação está relacionada com a aplicação prática de novas ideias e que, para colocar essas ideias em prática, é necessário o espírito empreendedor: ousado, que aceita riscos, que quebra paradigmas, que encara desafios. Pare para pensar: não foi com esse mesmo espírito que você correu atrás do sonho de ter seu próprio negócio? Por isso mesmo, não pense que a inovação é algo “divino” e que não está ao seu alcance.

»Você pode ser inovador, independente do tamanho de sua empresa ou de sua ideia.

»Há uma lenda que conta que, há cerca de 200 anos a.C, estava lá Arquimedes em sua banheira. Bom, e o que isso tem a ver com inovação? Nós já vamos chegar lá! Essa história conta que o rei de Siracusa pediu para Arquimedes descobrir se a coroa dele era feita totalmente de ouro ou se havia prata misturada. Foi durante o banho que Arquimedes observou: à medida que seu corpo mergulhava na banheira, a água transbordava, descobrindo o método para a solução do problema sobre como medir o volume do peso da coroa. Foi daí que nasceu o conceito de Impulsão da Física e também uma expressão conhecida até hoje — ele ficou tão contente com a descoberta que saiu gritando na rua “Eureka, Eureka!” que, em grego (εὑρηκα), quer dizer descobri, achei, encontrei.

»Essa pequena historia pode causar uma confusão sobre o processo criativo e de descobertas de novas ideias. Não é que Arquimedes descobriu a solução ao acaso durante o banho. Ele já havia pesquisado bastante sobre o assunto, levantado algumas hipóteses e, o que aconteceu foi que, relaxado na banheira, conseguiu fazer conexões do que estava vivendo com o que já tinha estudado. Portanto, o momento Eureka não vem ao acaso. É resultado de muita pesquisa e conexões acerca de um tema.


»Guia para o momento Eureka

»E por saber que a criatividade não é um dom, e sim uma habilidade que pode ser trabalhada diariamente, nós queremos te ajudar a encontrar vários momentos Eureka. Para isso, separamos algumas dicas sobre como trabalhar a inovação no dia-a-dia do seu negócio. Conheça nosso Guia de inovação para pequenas empresas. Nele, você vai saber mais sobre o conceito e os tipos de inovação e aprender ainda algumas técnicas para buscar ideias inovadoras.»





Tipologias de inovação
Leituras temáticas

2016/08/25

«Noções sobre tipos de inovação»



NORTE 2020 (Programa Operacional Regional do Norte 2014/2020): Aviso para Apresentação de Candidaturas - Sistema de Incentivos “Inovação Produtiva”
Aviso n.º 01/SI/2015 . Anexo A.
Regime Contratual de Investimento (RCI) 17 de março de 2015



«Introdução

»Os tipos de inovação mencionados no ponto 4 deste Aviso enquadram-se nos conceitos apresentados no Manual de OSLO (OCDE 2005).

»As definições e exemplos incluídos neste Anexo não dispensam o cumprimento da regulamentação aplicável em matéria de elegibilidade de projetos e despesas, bem como quanto ao cumprimento dos critérios de acesso de elegibilidade e de seleção das candidaturas apresentadas ao presente Aviso.

»È importante notar que nos termos do Manual de OSLO a exigência mínima para que uma mudança seja considerada uma INOVAÇÃO é que ela seja nova (ou significativamente melhorada) para a empresa. Contudo, nas condições específicas de acesso deste Aviso, quando estamos na presença de Não PME, o grau requerido de exigência na originalidade das inovações situa-se não ao nível da empresa, mas antes ao nível do mercado nacional ou internacional.

»O RECI estabelece, na definição vv) apresentada no seu artigo 2.º, que «Inovação» corresponde, à introdução de um produto (bem ou serviço) ou processo novo ou significativamente melhorado, de um novo método de marketing ou de um novo método organizacional na prática do negócio, na organização do trabalho ou nas relações externas da empresa. Nesta definição apresentada no referido regulamento salienta-se que não se considera inovação:

»a) Pequenas alterações ou melhorias, aumentos de capacidade de produção similares a processos já existentes na empresa;

»b) Investimentos de substituição ou decorrentes do encerramento de um processo produtivo;

»c) Investimentos de inovação de processos resultantes de alterações de preços, customização e alterações cíclicas ou sazonais;

»d) Investimentos para a comercialização de novos produtos ou significativamente melhorados e investimentos de inovação de processos associados a alterações estratégicas de gestão ou aquisições e fusões.




»Tipo de inovação

»Desta forma, a avaliação e enquadramento das candidaturas no âmbito das tipologias de inovação será efetuada com base nos conceitos a seguir descritos.

»Diferenciam-se 4 tipos de inovação:

»_ Produto;

»_ Processo;

»_ Marketing;

»_ Organizacional.


»As inovações de produto e de processo relacionam-se estreitamente com os conceitos de inovação tecnológica. As inovações de marketing e organizacionais ampliam o conceito de inovação para novas áreas consideradas igualmente relevantes.


»Inovação de Produto

»Uma Inovação de Produto é a introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado no que concerne às suas características ou usos previstos. Incluem-se neste tipo de inovação melhoramentos significativos em especificações técnicas, componentes e materiais, software incorporado, facilidade de uso ou outras características funcionais.

»As inovações de produto podem utilizar novos conhecimentos ou tecnologias, ou podem basear-se em novos usos ou combinações de conhecimentos ou tecnologias existentes. O termo “produto” abrange tanto bens como serviços. As inovações de produto incluem a introdução de novos bens e serviços, e melhoramentos significativos nas características funcionais ou de uso dos bens e serviços existentes.

»Melhoramentos significativos para produtos existentes podem ocorrer por meio de mudanças em materiais, componentes e outras características que aprimoram o seu desempenho. A introdução dos travões ABS, dos sistemas de navegação GPS (Global Positioning System), ou outras melhorias em subsistemas de automóveis são exemplos de inovações de produto baseadas em mudanças parciais ou na adição de um subsistema em vários subsistemas técnicos integrados. O uso de tecidos respiráveis em vestuário é um exemplo de uma inovação de produto que utiliza novos materiais, capazes de melhorar o desempenho do produto.

»As inovações de produtos no setor de serviços podem incluir melhoramentos importantes no que diz respeito a como eles são oferecidos (por exemplo, em termos de eficiência ou de rapidez e qualidade), a adição de novas funções ou características em serviços existentes, ou a introdução de serviços inteiramente novos. São exemplos, as melhorias significativas em serviços via internet, tais como um grande aumento na velocidade e na facilidade de uso, ou a introdução de serviços que melhoram o acesso dos clientes.

»A conceção é parte integrante do desenvolvimento e da implementação de inovações de produto. Todavia, mudanças na conceção que não implicam uma mudança significativa nas características funcionais do produto ou nos seus usos previstos não são inovações de produto. Ainda assim, elas podem ser inovações de marketing, como será abaixo referido.

»Atualizações de rotina ou mudanças sazonais não configuram inovações de produto.


»Inovação de Processo

»Uma Inovação de Processo é a implementação de um método de produção ou distribuição novo ou significativamente melhorado. Incluem-se neste tipo de inovação as mudanças significativas, as técnicas, de equipamentos e/ou de software.

»As inovações de processo podem também visar reduzir custos de produção ou de distribuição, melhorar a qualidade, ou ainda produzir ou distribuir produtos novos ou significativamente melhorados.

»Os métodos de produção envolvem as técnicas, equipamentos e software utilizado para produzir bens e serviços. São exemplos de novos métodos de produção a introdução de novos equipamentos de automação numa linha de produção e a implementação de design auxiliado por computador para o desenvolvimento de um produto.

»Os métodos de distribuição dizem respeito à logística da empresa e seus equipamentos, software e técnicas para aprovisionamento (matérias primas e produtos acabados) e entrega do produto final.

»As inovações de processo incluem métodos novos ou significativamente melhorados para a criação e o fornecimento de serviços. Elas podem envolver mudanças substanciais nos equipamentos e no software utilizado em empresas orientadas para os serviços ou nos procedimentos e nas técnicas que são utilizadas para os serviços de distribuição.


»Inovação de marketing

»Uma Inovação de marketing é a implementação de um novo método de marketing com mudanças significativas na conceção do produto ou na sua embalagem, no posicionamento do produto, na sua promoção ou na fixação de preços. Inclui inovações de marketing “inbound”, nomeadamente a otimização de motores de busca e website design.

»Inovações de marketing são voltadas para melhor atender as necessidades dos clientes, abrindo novos mercados, ou reposicionando o produto de uma empresa no mercado, com o objetivo de aumentar as vendas.

»A característica distintiva de uma inovação de marketing comparada com outras mudanças nos instrumentos de marketing de uma empresa é a implementação de um método de marketing que não tenha sido utilizado previamente pela empresa. Isso deve fazer parte de um novo conceito ou estratégia de marketing que representa um distanciamento substancial dos métodos de marketing existentes na empresa. Novos métodos de marketing podem ser implementados para produtos novos ou já existentes.

»Inovações de marketing compreendem mudanças substanciais no design do produto, constituindo um novo conceito de marketing. Mudanças de design do produto referem-se aqui a mudanças na forma e na aparência do produto que não alteram as características funcionais ou de uso do produto. Elas também incluem mudanças na forma de embalar produtos como alimentos, bebidas e detergentes, em que a embalagem é o principal determinante da aparência do produto. Inovações em design de produtos podem também incluir a introdução de mudanças significativas na forma, na aparência ou no sabor de alimentos ou bebidas, como a introdução de novos aromatizantes em produtos de alimentação com o objetivo de atingir um novo segmento de consumidores.

»Os novos métodos de marketing em promoção de produtos envolvem o uso de novos conceitos para promover produtos ou serviços de uma empresa. Por exemplo, o estabelecimento de uma marca, com o desenvolvimento e a introdução de um símbolo fundamentalmente novo para uma marca que visa posicionar o produto de uma empresa num novo mercado ou dar-lhe uma nova imagem.

»Mudanças sazonais, regulares ou rotineiras nos instrumentos de marketing não são consideradas inovações. Para que tais mudanças configurem inovações de marketing, é essencial que elas envolvam métodos de marketing não utilizados previamente pela empresa. Por exemplo, uma mudança significativa no design ou na embalagem de um produto que se baseie num conceito de marketing já usado pela empresa para outros produtos não é uma inovação de marketing, nem o uso de métodos de marketing existentes para atingir um novo mercado geográfico ou um novo segmento de mercado.


»Inovação Organizacional

»Uma Inovação Organizacional é a implementação de um novo método organizacional nas práticas de negócios da empresa, na organização do seu local de trabalho ou nas suas relações externas.

»Inovações organizacionais podem visar a melhoria do desempenho de uma empresa por meio da redução de custos administrativos ou de custos de transação, estimulando a satisfação no local de trabalho (e assim a produtividade do trabalho).

»Os aspetos distintivos da inovação organizacional, comparada com outras mudanças organizacionais numa empresa, é a implementação de um método organizacional (em práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas) que não tenha sido anteriormente usado na empresa.

»As inovações organizacionais em práticas de negócios compreendem a implementação de novos métodos para a organização e procedimentos para a condução do trabalho. Isso inclui, por exemplo, a implementação de novas práticas para melhorar a difusão do conhecimento no interior da empresa. Um exemplo é a primeira implementação de práticas para a codificação do conhecimento, por exemplo pelo estabelecimento de bancos de dados com as melhores práticas, lições e outros conhecimentos, de modo que a informação se tornem mais acessíveis a todos. Outro exemplo é a primeira introdução de sistemas de gestão da produção, tais como sistemas gestão de cadeira de fornecedores, reengenharia de negócios, sistemas de gestão qualidade.

»As inovações na organização do local de trabalho envolvem a implementação de novos métodos para distribuir responsabilidades e poder de decisão. Participam também novos conceitos para a estruturação de atividades, tais como a integração de diferentes atividades de negócio. Um exemplo de inovação no local de trabalho é a primeira implementação de um modelo organizacional que confere aos empregados de uma empresa maior autonomia na tomada de decisões e os encoraja a contribuir com suas ideias

»Novos métodos organizacionais nas relações externas de uma empresa compreendem a implementação de novos meios para organizar as relações com outras empresas ou instituições públicas, tais como o estabelecimento de novos tipos de colaborações com organizações de pesquisa ou consumidores, novos métodos de integração com fornecedores e o uso de outsourcing ou a introdução da subcontratação das atividades de negócios na produção, no aprovisionamento, na distribuição, no recrutamento e em serviços auxiliares.

»Mudanças nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas baseadas em métodos organizacionais já em uso na empresa não são inovações organizacionais. Também não é considerada uma inovação a formulação de estratégias de gestão em si. Todavia, mudanças organizacionais que são implementadas em resposta a uma nova estratégia de gestão são consideradas uma inovação se elas representarem a primeira implementação de um novo método organizacional em práticas de negócios, organização do local de trabalho ou relações externas.

»Fusões ou aquisições de outras empresas não são consideradas inovações organizacionais, mesmo se uma empresa se unir a outras ou adquiri-las pela primeira vez.»





Tipologias de inovação
Leituras temáticas

2016/08/24

«Inovação Disruptiva: Reflexões sobre as suas características e implicações no mercado»



Ana Clara Cândido. IETEC - Instituto de Educação Tecnológica
Research Centre on Enterprise and Work Innovation - Centro de Investigação em Inovação Empresarial e do Trabalho.
Faculdade de Ciências e Tecnologia. Universidade Nova de Lisboa.
IET Working Papers Series N.º WPS05/2011



«O Modelo de Inovação Disruptiva

»Em relação aos princípios da Inovação Disruptiva, de acordo com Christensen, inicialmente são considerados:

»1 – Os recursos das empresas dependem dos clientes e investidores. Portanto, devem oferecer a estes produtos e serviços que estes requerem. O facto de estarem centradas nas actuais necessidades dos clientes, quando surpreendidas por inovações disruptivas, tem dificuldades em continuar a investir em seu produto (inovações sustentadoras), pois os seus clientes já estarão interessados nas novas oportunidades presentes no cenário actual.

»2 – Os pequenos mercados não resolvem as necessidades de crescimento das grandes empresas. Conforme já mencionado, inicialmente a inovação disruptiva alcança um mercado pequeno e progressivamente ao longo do tempo chega ao patamar que seria ideal para as grandes empresas. Por este motivo, na maior parte dos casos preferem continuar investindo no mercado já consolidado.

»3 – Os mercados que não existem não podem ser analisados. Esta questão é relacionada com os riscos e incertezas, a falta de dados para se comparar por exemplo, o retorno financeiro de algo que não possui dados para analisar.

»4 – O fornecimento da tecnologia não pode ser igual a procura de mercado. Por outras palavras, a tecnologia disponível não é capaz de atender a procura de mercado. O facto da tecnologia disruptiva inicialmente ser utilizada num mercado pequeno, poderá eventualmente tornar, já nesta fase, competitiva para a tecnologia actualmente consolidada no mercado. Isto porque, o ritmo do progresso tecnológico pode normalmente exceder a taxa de melhoria que os clientes da tecnologia actual desejam ou querem absorver. Sendo assim, os produtos até então oferecidos no mercado tornam-se ultrapassados frente a tecnologia disruptiva. Em relação a evolução em que ocorre a inovação disruptiva e as atitudes a serem consideradas pelos gestores, Christensen conclui:

»“A big mistake that managers make in dealing with new technologies is that they try to fight or overcome the Principles of Disruptive Technology. Applying the traditional management practices that lead to success with sustaining technologies always leads to failure with disruptive technologies, (...). The more productive route, which often leads to success, is to understand the natural laws that apply to disruptive technologies and to use them to create new markets and new products. Only by recognizing the dynamics of how disruptive technologies develop can managers respond effectively to the opportunities that they present”. Christensen (The Innovator’s Dilemma).

»No que diz respeito ao modelo de Inovações Disruptivas, evidenciado no Quadro 1, podemos perceber os três elementos críticos nesta representação gráfica:



» - O primeiro é a taxa de melhorias que os clientes podem absorver, representada pelo espaço entre as linhas azul e verde.

»- O segundo diz respeito às inovações sustentadoras. Na medida em que são agregadas inovações incrementais acabam por não reflectir as reais necessidades dos clientes e o valor que estes estão dispostos a pagar.

»- O terceiro é o ritmo do progresso tecnológico.

»Por vezes, aumenta-se o risco associado as tecnologias tradicionais em decorrência destas melhorias incrementais. Neste sentido, de diferente modo a inovação disruptiva entra no mercado e causa uma ruptura e a redefinição da trajectória de novos produtos que não possuem a mesma performance da tecnologia anterior, até aquele momento. Porém, o fato de apresentarem novos atributos (menor custo, simplicidade e conveniência para o uso), permite-lhes em uma primeira fase conquistar os consumidores menos exigentes. “… disruptive technologies that may underperform today, relative to what users in the market demand, may be fully performancecompetitive in that same market tomorrow” (Christensen, ibíd.). Após a tecnologia disruptiva ser introduzida no mercado, neste caso um novo mercado, tornase constantes os esforços na melhoria do produto até que esta inovação disruptiva esteja em conformidade com as reais necessidades dos clientes mais exigentes, consolidando-se no mercado. Quando estas inovações conquistam as demais camadas do mercado, o efeito pode ser fatal para empresas anteriormente líderes.


»Disrupção New-market

»A partir do conceito de inovação disruptiva, Christensen (1997) caracteriza dois tipos de disrupção: New-market e Low-end.

»A disrupção New-market caracteriza-se por uma busca de novos consumidores e a criação de novos atributos e valores ao produto. As empresas já estabelecidas no mercado inicialmente não percebem que poderão perder o seu espaço, por isso não se sentem ameaçadas. A medida que o processo se estabelece, as empresas que desenvolvem a inovação disruptiva ganham mais força, melhoram significativamente o seu desempenho e adquirem mais capacidade para conquistar os consumidores, que são atraídos pelos atributos diferenciais do produto.


»Disrupção Low-end

»As características de uma disrupção Low-end são principalmente o baixo custo e neste sentindo, o foco do público-alvo esta nos consumidores de menor atractividade para as empresas já estabelecidas no mercado. Conforme mencionado anteriormente, para as grandes empresas estabelecidas no mercado a preocupação central esta em atender os consumidores mais exigentes e ganhar espaço no atendimento da maior fatia no mercado.

»A preocupação por parte das empresas já estabelecidas no mercado, em oferecerem produtos e serviços cada vez melhores, muitas vezes faz com que desenvolvam produtos com desempenho acima das expectativas da média do mercado. Esta situação possibilita que as empresas entrantes ofereçam produtos com bom desempenho, porém inferior ao que estava sendo oferecido e ainda assim atendendo as necessidades do mercado. A vantagem é ter um custo menor ou mais conveniente, tornando-o mais atractivo.


»Síntese dos dois tipos de disrupção

»A partir da definição destes dois conceitos, Christensen e Raynor (2003) sugerem algumas perguntas que permitem identificar se a inovação possui realmente um potencial disruptivo, entre elas:

»• Questões específicas para o caso da disrupção New-market:

»1 – A falta de informação e baixo poder aquisitivo não permitem que o consumidor utilize directamente o produto, sendo necessário ajuda de algum intermediário?

»2 – Para fazer uso do produto é necessário estar em um ambiente específico?


»• Questões específicas para o caso da disrupção Low-end:

»1 – Existem no mercado, consumidores interessados em produtos pouco sofisticados em função do custo mais baixo?

»2 - Conseguimos criar modelos de negócio de maneira a poder liderar (com lucros), tendo o custo mais baixo para atrair consumidores low-end?


»Após responder a estas questões, os autores recomendam fazer o teste, observando se é possível responder afirmativamente a pergunta: A inovação é considerada disruptiva para todos os atores principais deste sector?

»Outra questão importante é o papel dos gestores na liderança de novas oportunidades, sendo estes responsáveis pela efetividade de uma estratégia disruptiva. É preciso estar atento à interface das novidades disruptivas e sustentadoras, pois isto definirá quais os produtos e processos serão interessantes e necessários nos novos negócios. É importante incentivar uma cultura de inovação dentro da empresa e criar um processo contínuo de procura por inovações disruptivas (longo prazo).




»A partir do resumo das características apresentadas no quadro 2, pode-se perceber que as inovações sustentadoras ao oferecerem melhores desempenhos aos consumidores mais exigentes do mercado. Um exemplo para ilustrar esta situação: a empresa fabricante das sandálias havaianas a partir de 1994 adoptou uma posição estratégica e inovadora para os seus produtos. A ideia foi investir no design do produto, oferecer variedade de cores, estampas, novos detalhes que sofisticaram o conceito das sandálias havaianas. Atualmente sua posição no mercado ainda é sustentadora e os seus consumidores mostram-se dispostos a pagar pelas melhorias do produto.

»No caso das inovações disruptivas new-market, em síntese os clientes-alvo são os consumidores que não conseguiam obter o produto por razões de preço e/ou sofisticação, por outras palavras, os não-consumidores. No início tendem a apresentar desempenho mais baixo, porém possuem novos atributos. Um exemplo disto são os telemóveis, inicialmente tinham uma qualidade de voz inferior aos telefones convencionais, mas por outro lado, trouxeram a conveniência da mobilidade.

»As inovações disruptivas low-end, ao desenvolverem um produto com bom desempenho, mesmo que inferior ao existente no mercado, conseguem oferecer produtos com atributos como: preços menores, maior conveniência ou facilidade de uso. Neste caso, a tecnologia VoIP pode ser considerada um exemplo de disrupção low-end.»





Tipologias de inovação
Leituras temáticas

2016/08/23

«Quais os tipos de inovação?»



3M via Co_labore



«Com o Ipad, a Apple completou uma seqüência de 3 grandes lançamentos junto ao Ipod e Iphone. Aqueles que já leram nossa visão do que não é inovação e do que é melhoria, adequação, invenção e inovação podem estar se perguntando se tais produtos são inovadores, afinal, produziram enorme resultado (1o pré-requisito), mas nem todos eram produtos absolutamente novos. Já existiam tocadores de MP3, Smartphones e Tablets antes dos lançamentos da Apple.

»No entanto, é preciso compreender que as inovações têm diferentes tipos e intensidades. Há inovações radicais que transformam mercados, criam novas categorias e mudam a base de competição de indústrias existentes; e há inovações incrementais, com menor grau de novidade e menor impacto nos resultados.

»No que se refere a tipos, a inovação de produtos é apenas um dos doze tipos de inovação que as empresas podem aproveitar para melhorar seu desempenho. De todas as tipologias para classificar inovações, que já utilizamos em projetos de consultoria, o Radar da Inovação, criado pelo Prof. Mohan Sawhney é a que melhor auxilia a adotar uma visão ampliada de inovação de negócios.



»O quadro abaixo apresenta os doze tipos de inovação, com uma definição clara de cada uma, e exemplos nacionais e internacionais que ilustram cada tipo de inovação.



»Temos utilizado o Radar da Inovação para: a) identificar o perfil de inovação atual de empresas; b) comparar com o perfil setorial e dos concorrentes; e c) desenhar uma estratégia futura explicitando onde a empresa quer inovar.

»Percebemos que essa visão ampliada de inovação aproxima o tema de executivos de áreas que, anteriormente, eram excluídas do processo de inovação. A inovação pode vir do financeiro com uma nova forma de captura de valor, de uma experiência do consumidor inovadora pelo pessoal do marketing ou ainda de uma nova configuração da cadeia de fornecimento pela área de logística e supply chain. Além disso, setores maduros e de baixa intensidade tecnológica começam a identificar tipos de inovações adequados a característica de seus setores. As inovações de clientes, soluções e experiências do consumidor têm sido mais presentes no varejo, enquanto que as inovações de processo, cadeia de fornecimento e organização, mais presentes nas indústrias. No setor de tecnologia e entretenimento há uma combinação de diferentes tipos e intensidades de inovação.

»A Apple não é a única referência em inovação mas, nesse momento, consolida-se como a empresa mais inovadora do mundo. Seu perfil combina inovações na oferta, na presença como as lojas conceito, que mudaram o canal de venda de computadores, e a loja online Itunes, que redefiniu a forma de comprar músicas, vídeos e games, bem como a AppStore, que vende as aplicações (os softwares) que turbinam os aparelhos. Todos esses novos canais de distribuição criaram inovações na experiência do consumidor, algo vivo nos próprios produtos e nas lojas conceito. Para tanto, a empresa inovou na cadeia de fornecimento ao estabelecer acordos inéditos com as gravadoras de música e permitir a compra de músicas individuais, o que também se constitui numa inovação na captura de valor.»








Tipologias de inovação
Leituras temáticas

2016/08/01

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Newsletter L&I, n.º 115 (2016-08-01)



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TAGS: # criatividade # creatividad # créativité # creativity


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Liderar Inovando (BR)

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de Brexit» ( ► )
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Leadership and Innovation (EN)

Mmanti Umoh: «Imaginit School Of Creativity Graduates Africa’s Youngest Creative» ( ► )
Seb Joseph: «How a marketer's need for certainty is redefining creativity» ( ► )
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