2016/06/30

«Nanotecnologia: Medicina em ponto pequeno»



Sara Sá. Visão



«Manipulando ao nível do átomo, investigadores conseguem melhorar o diagnóstico de doenças cardíacas.

»Sendo a principal causa de morte entre os países ricos, o tratamento e diagnóstico das doenças cardiovasculares é uma área que não pára de evoluir. Depois das cirurgias sofisticadas, da medicação inovadora, chega a nanotecnologia – a técnica que se baseia na manipulação ao nível do átomo ou da molécula – uma ideia que parece ficção, mas que começa a ter aplicação em várias áreas, entre elas a medicina.

»Durante o doutoramento na Universidade da Califórnia, Nuno Santos, investigador do Instituto de Medicina Molecular (IMM), aprendeu a trabalhar nesta área, que implica usar um equipamento de manipulação de moléculas, o AFM (da sigla em inglês para Microscopia de Força Atómica). E decidiu aplicar este conhecimento à cardiologia.

»Num estudo feito em colaboração com o Hospital Pulido Valente, e publicado esta semana na revista Nature Nanotechnology, o investigador e a sua equipa descrevem a utilização do AFM para avaliar o prognóstico de doentes com insuficiência cardíaca.

O investigador e a sua equipa descrevem a utilização do AFM para avaliar o prognóstico de doentes com insuficiência cardíaca.

»Numa primeira fase, mediram a força com que as proteínas de fibrinogénio (envolvidas no processo de coagulação) se agarram aos glóbulos vermelhos, em pessoas saudáveis, obtendo um valor médio. A seguir, mediram o mesmo em doentes com insuficiência cardíaca crónica, num processo de grande minúcia que Nuno Santos compara à pesca de linha – sendo o fibrinogénio o 'isco', o glóbulo vermelho o 'peixe' e a linha a ponta do AFM usada para prender as moléculas. “Percorremos a amostra de sangue com a molécula de fibrinogénio agarrada. Quando este encontra o seu recetor no glóbulo vermelho, agarra-se”, descreve.

»A força desta ligação (entre a proteína de coagulação e o glóbulo vermelho), descobriram os investigadores do IMM, permite prever qual a evolução no estado de saúde do doente. “Quanto maior, relativamente à média para as pessoas saudáveis, maior o risco de vir a ter complicações,” avança à VISÃO. Para já, esta técnica ainda não está no dia a dia dos hospitais. Mas é apenas uma questão de tempo.»





Uma inovação

2016/06/29

«O empreendedor exponencial»



Joana Madeira Pereira. Expresso



«David Roberts ensina a mudar o mundo através da tecnologia. Professor na Singularity University, criada pela NASA e pela Google, cria negócios que tenham um impacto social positivo

»Tinha 10 anos quando construiu a primeira engenhoca. E não o fez por menos. Pegou no aspirador da mãe e dele fez um drone para transportar a sua irmã mais nova à paragem do autocarro da escola. Felizmente, como diz, a autonomia do aparelho estava limitada pelo comprimento do cabo elétrico, pelo que a invenção nunca saiu do recato do lar, no Estado norte-americano de Ohio.

»Esta foi a primeira das demandas tecnológicas de David Roberts, que, antes de ser especialista em inovação disruptiva e tecnologia exponencial, foi um militar norte-americano condecorado e, depois disso, agente especial na luta contra o terrorismo: aos 23 anos, foi elogiado publicamente pelo então diretor do FBI pelo seu papel na condenação de seis terroristas internacionais e traficantes de armas, ao mesmo tempo que ajudou a desenvolver sistemas de inteligência militar avançados, integrando satélites, aviões não tripulados (drones) e outros equipamentos e serviços.

»Por essa altura percebeu o que queria fazer da sua vida. “Se soubesse, em miúdo, que ser inventor podia ser uma profissão, certamente teria escolhido logo este caminho”, conta à EXAME, em Madrid, onde esteve em janeiro para participar na entrega dos Prémios everis, que anualmente distinguem projetos empreendedores e com forte potencial empresarial em três áreas: economia digital, biotecnologia e saúde e tecnologias industriais e energéticas – na última edição dos prémios da Fundação everis o projeto ganhador tem selo português (ver caixa “Biotecnologia made in Portugal vencedora”).

»David Roberts, nascido no Reino Unido e adotado pelos Estados Unidos, é atualmente um dos maiores entendidos mundiais em tecnologia e no impacto social das novas tecnologias. Depois da carreira militar, acabaria por seguir o seu sonho: ingressou no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e graduou-se em Ciência e Engenharia Computacional, especializado em Inteligência Artificial e Engenharia Bioinformática, tendo depois feito o seu MBA (master in business administration) na Harvard Business School.

»Desde então tornou-se num empreendedor em série, tendo sido o impulsionador de dezenas de projetos, que já receberam mais de 100 milhões de dólares de investimento por parte de empreendedores como o indiano Vinod Khosla e de empresas como a Cisco, Oracle, Accenture, Kleiner Perkins. É o presidente da administração da HaloDrop, uma inovadora empresa prestadora de serviços com drones (ao serviço de cenários de crise e de governos), líder da 1QBit (primeira empresa do mundo dedicada à produção de software para computadores quânticos) e assessor da Made-in-Space, companhia responsável pela produção do primeiro objeto no espaço a partir de uma impressora 3D numa estação espacial da NASA.

»Simultaneamente, é um dos principais docentes (já foi vice-presidente e diretor) da Singularity University, corporação sem fins lucrativos, localizada em Silicon Valley (Califórnia), que é simultaneamente universidade, think-thank e incubadora de empresas, e que tem como objetivo “educar, inspirar e dar poder aos líderes para aplicarem tecnologias exponenciais na resolução dos grandes desafios da humanidade” – em áreas como a educação, energia, ambiente, alimentação ou pobreza. Por esta instituição, criada pela NASA e pelo Google, passaram, desde 2008, quase nove mil estudantes (de jovens a líderes empresariais) e daí nasceram mais de uma centena de projetos e iniciativas que “já impactaram positivamente no mundo”.

»É da vontade de resolver problemas, através da vontade dos líderes mundiais e com a ajuda da tecnologia, que trata esta conversa.


»É apresentado como especializado em tecnologia exponencial. Afinal, o que é que isso significa?

»As pessoas costumam pensar que a tecnologia em si é que é exponencial, mas isso não é verdade. O custo da sua performance é que é exponencial. Tomemos como exemplo a energia, que claramente não é suficiente para toda a população mundial. Produzir essa energia da forma mais convencional que conhecemos implica custos incomportáveis. Nesse sentido, as células solares ou fotovoltaicas são exponenciais: mesmo que estas células não evoluam nem fiquem melhores nos próximos 100 anos, o seu custo de performance – aquilo que conseguimos obter por um determinado preço – continua a multiplicar-se. Em 2023, o custo de performance destas células será 100 vezes superior ao atual, ou seja, uma célula será 100 vezes mais barata do que hoje, sem que seja melhorada. Em 2010, a energia solar tornou-se mais barata do que a energia nuclear. À medida que esta tecnologia for mais exponencial, chegará a mais pessoas: basta colocar um painel no telhado e há luz e água quente. Daqui a 15 anos, o número de pessoas com acesso a energia será muito, muito maior.


»A tecnologia tem então o poder de resolver problemas como a pobreza mundial?

»E outros. E pode resolvê-los nos próximos 20 anos, ou ainda mais cedo. Problemas como a fome mundial, os problemas ambientais, a qualidade da água. Mais de metade das hospitalizações no mundo devem-se à ingestão de água não potável e todos os anos 3,5 milhões de pessoas morrem devido a doenças que resultam deste consumo. E, no entanto, este é um problema que já podia estar resolvido – basta olhar para a invenção de Dean Kamen [empreendedor norte-americano que, entre outras coisas, inventou os segway], o SlingShot, um equipamento mais pequeno do que uma máquina de lavar roupa e que não é mais do que um sistema de purificação de água: ferve e evapora a água proveniente de qualquer fonte, como rios, oceanos ou até esgotos, e através da condensação do vapor permite a recolha de água purificada. Por isso nós só temos de decidir se queremos ou não produzir um número suficiente destas máquinas para que mais ninguém tenha de morrer. Há 10 anos, essa solução não existia, hoje existe. Há é um problema de vontade.


»E a erradicação da pobreza pode ser assim tão rápida?

»Sim. Hoje há muita gente que ainda não tem dinheiro para comprar o seu próprio smartphone. Mas porque esta tecnologia é exponencial e o seu custo de performance está sempre a multiplicar-se, daqui a pouco tempo muitas mais pessoas irão conseguir ter-lhe acesso. Ao mesmo tempo, empresas como a Google e o Facebook lançaram programas que têm como objetivo fazer chegar a Internet a sítios recônditos e menos desenvolvidos, sendo expectável que nos próximos 10 anos outros 3,5 mil milhões de pessoas passem a ter acesso à Internet (são atualmente 3,3 mil milhões de utilizadores). Se adicionarmos a democratização dos smartphones e da Internet a outras inovações, como a Bitcoin, que nos permite ter dinheiro mesmo que não tenhamos crédito, temos um mundo diferente. A relação entre prosperidade e o acesso à Internet é muito óbvia: uma pessoa que consiga aceder à Internet a partir de um pequeno equipamento cada vez mais sofisticado terá acesso a cuidados de saúde, saberá onde encontrar água potável, poderá educar-se. Algo que era difícil e inacessível torna-se descomplicado e de fácil acesso.


»Mas estamos também a falar de informação, e não apenas de tecnologia…

»De inteligência artificial. Pensemos no Watson, o supercomputador da IBM (que combina inteligência artificial e software analítico muito sofisticado): conseguiu bater o melhor jogador de sempre do Jeopardy! [programa norte-americano de perguntas e respostas]. Agora, deixaram o Watson ler e aprender toda a informação que existe sobre o estado inicial do cancro do pulmão. Num estudo levado a cabo neste projeto, concluiu-se que enquanto um grupo de médicos conseguiu fazer o diagnóstico e traçar terapêuticas para 50% dos casos da doença, o Watson fez isso para 90% dos casos. Prefere consultar um médico ou o Watson? Estima-se que existam 30 mil doenças. Se esta máquina tiver capacidade para absorver toda a informação que existe sobre elas, o potencial é inesgotável. É uma coisa fascinante, porque a humanidade ainda acredita que precisaremos sempre de médicos. A utilização de máquinas no diagnóstico de doenças e na recomendação de tratamentos vai ser uma disrupção nos próximos 10 anos.


A utilização de máquinas no diagnóstico de doenças e na recomendação de tratamentos vai ser uma disrupção nos próximos 10 anos.

»Parece até algo perigoso...

»Mas a Siri, o assistente pessoal inteligente do iPhone, já faz isso. Já nos dá conselhos sobre saúde. Peter H. Diamandis, um dos fundadores da Singularity University, disse que um guerreiro massai, no Quénia, será melhor médico do que um clínico do primeiro mundo. Simplesmente porque irá ter telemóvel.


»E o futuro passará pela realidade virtual?

»Sem dúvida. Mas é um mundo tão grande que ainda nos é incompreensível. Porque, na verdade, a realidade virtual é a disrupção da realidade. A qualidade, a resolução, o som, a perceção sensorial da realidade virtual são cada vez melhores e melhores. A nossa realidade não: a resolução do nosso olho é a mesma há 50 mil anos. O que quer dizer que a realidade virtual irá rapidamente ultrapassar a realidade. Quando isso acontecer, vai oferecer-nos tanta coisa que será completamente disruptiva para nós. Porque a realidade virtual irá permitir-nos, por exemplo, transformar neste preciso momento esta sala e torná-la numa divisão com gravidade zero.


»A que prazo?

»Isso será a muito longo prazo. Mas o futuro da humanidade está na realidade virtual. Penso cada vez mais que nós não somos seres de objetos físicos; e é isso que há muito tempo as religiões nos tentam ensinar. Se calhar, já estou a entrar demasiado num tema que parece obscuro, mas acredito que se existe vida no universo e nós não a vemos é porque, quando atingimos um determinado intelecto, entramos numa outra realidade e tornamo-nos indetetáveis. A evolução, na verdade, mostra isso: os organismos unicelulares não tinham ideia de que os organismos multicelulares existiam. A vida marinha evoluiu para a vida terrestre. Há uma história de movimento de um domínio para o outro. Mas isto é um pouco doido.


»Costuma ter estas conversas com os seus alunos na Singularity University?

»Eles gostam muito destas conversas…


»Qual o propósito dos alunos quando entram numa instituição como essa?

»São pessoas que querem fazer coisas diferentes. Querem ser a diferença, na verdade. E acreditam que podem fazer isso recorrendo à tecnologia. Não têm necessariamente como o fazer, mas isso nós ensinamos. Na maioria das vezes, são pessoas brilhantes em alguma coisa.


»Mas têm um background idêntico? A maioria não são engenheiros?

»É verdade que há muitos engenheiros e cientistas, mas também temos pessoas muito diferentes. Não têm de ter tido um percurso académico extraordinário. Num dos programas, admitimos um hacker – não tinha um currículo invejável, mas era brilhante de uma certa maneira.


»Quais os temas e disciplinas na Singularity University, onde leciona?

»O principal programa, o Global Solutions Program, tem a duração de 10 semanas. As primeiras semanas são muito académicas e focam-se sobretudo na deteção e no estudo dos problemas globais. Muitos dos alunos, quando entram, dizem que querem trabalhar num dos problemas, mas acabam atraídos por outro tópico. Falamos muito sobre tipos de tecnologia, vemos o que foi experimentado e o que ainda não foi testado. Essencialmente, falamos de cinco tipos de tecnologia.


»Quais?

»A primeira tem a ver com os computadores e as redes. Depois, falamos sobre robótica e inteligência artificial, verdadeiras tecnologias exponenciais. À terceira chamamos biologia digital: a partir do momento em que se descobriu como ler o ADN, a biologia tornou-se numa ciência da informação e é totalmente exponencial, pois no futuro escrever o ADN vai ser praticamente de graça. Depois, temos a nanotecnologia e, finalmente, a impressão 3D.


»Que projetos já saíram da universidade?

»Foram vários, mas posso falar do Made-in-Space, do qual sou assessor. Três alunos, muito interessados no tema do espaço, quando perceberam o potencial da impressão 3D, decidiram criar uma impressora que funcionasse em gravidade zero. Colocaram-na numa estação espacial e, quando o astronauta precisou de uma ferramenta que não tinha, a impressora construiu-a. Aqueles três tipos são responsáveis pela primeira peça que a humanidade fabricou no espaço e ainda não tiveram suficiente crédito por isso.


»Precisamos de educar os mais novos para as tecnologias e sensibilizá-los para os problemas e desigualdades do mundo. Estamos a começar a fazê-lo?

»Estamos a ensinar matérias como já as ensinávamos há centenas de anos. O modelo de educação tem de mudar. Este é, aliás, um dos problemas globais que estudamos. Ainda estamos no modelo em que uma pessoa, perante uma turma de 80 pessoas, debita matéria de forma muito rápida para 35 delas, muito lenta para outras 35 e apenas 10 a estão a acompanhar. Avalia-se um tema e passa-se para o seguinte. É algo que não faz sentido, mas que nunca colocámos em causa porque sempre fizemos assim. Existem estudos que mostram que quando um grupo de alunos é acompanhado, cada um com o seu mentor, 98% obtêm uma nota excelente. A inteligência artificial irá permitir ensinar pessoas através de um modelo de tutorização e iremos aprender de forma muito rápida e intuitiva, a grande velocidade.


»Será no curto prazo?

»Não, e isso é um problema, porque os robôs e as máquinas vão continuar a disruptir postos de trabalho. Vamos passar por um período crítico, de grande desemprego. Mas há 150 anos éramos todos agricultores e achávamos que a máquina a vapor nos iria roubar o trabalho. Conseguimos evoluir e hoje somos web developers. No futuro, teremos de ser outra coisa.»





Um inovador

2016/06/28

«Investigadores portugueses utilizam nanotecnologia na investigação molecular genética»



Nuno Patrício e Sara Piteira. RTP



«Combater e erradicar doenças como o cancro da mama, entre outros, é o objetivo para o qual trabalham dezenas de investigadores do ITBQ - Instituto de Tecnologia Química e Biológica, da Universidade Nova de Lisboa.

»É neste rumo, ainda difícil, dentro da ciência médica, que o campo da genética molecular tenta alterar o paradigma da evolução microbiológica nos seres humanos. José Rueff, coordenador do Centro de Investigação em Genética Molecular Humana e Diretor do Departamento de Genética da Escola de Ciências Médicas da Nova, esteve à conversa com o Online da RTP, tendo explicado em que consiste todo o trabalho de investigação feito pelo departamento de genética molecular da Nova.


»O que se pode fazer com a nanotecnologia combinada com a genética

»A designada “nanotecnologia”, que ainda é vista por muitos como incluída no campo da ficção, já se aplica em diversas áreas na construção e reconstrução molecular de objetos físicos.

»O campo científico da saúde é também uma área onde este tipo de tecnologia é já utilizado muito embora numa fase experimental e primária.

»Neoplasia, também denominada tumor, é uma forma de proliferação celular não controlada pelo organismo, com tendência para a autonomia e perpetuação.

»As neoplasias podem ser benignas ou malignas, de acordo com o seu potencial de causar danos ao indivíduo.

»Segundo o investigador José Rueff, as técnicas de diagnóstico utilizadas através de nano tecnologia, podem resultar em soluções de enorme vantagem.

»Rápida eficiência e boa sensibilidade em locais onde não é fácil ter outro tipo de método de análise microbiológica, como por exemplo em trabalhos e estudos que visam o “Terceiro Mundo” ou regiões tropicais.

»É neste campo que várias equipas de investigadores da Universidade Nova de Lisboa estão a trabalhar, aproveitando sistemas com base na “nanotecnologia”, no Instituto de Higiene de Medicina Tropical da UNL .

»“A investigação na área da genética de microrganismos pode ajudar a compreender determinadas elevadas taxas de morbilidade para a espécie humana, como por exemplo a “Estafilococos”, um tipo de bactéria que normalmente é causadora de infeções tipicamente adquiridas em meio hospitalar e que se transmitem de paciente para paciente.

»Com uma população cada vez mais idosa, e cada vez mais vulnerável, as bactérias podem induzir efeitos nefastos que dão origem às infeções.

»A compreensão dos mecanismos de resistência antibiótica destes “estafilococos” é para a comunidade cientifica da maior importância, e essa é uma das áreas que o Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova da Lisboa trabalha, contribuindo assim com uma mais valia para o conhecimento destes microorganismos.


»Microbiologia ou Genética microbiológica

»Todos nós já fomos afetados por uma constipação ou gripe. Uma infeção a nível respiratório que provoca obstrução das vias nasais e respiratórias.

»Por vezes o não tratamento adequado ou recorrido fora do tempo de incubação, dá origem a uma infeção bacteriana que leva uma simples constipação a degenerar numa pneumonia.

»É precisamente neste campo, segundo o investigador e professor de genética molecular da Nova, José Rueff, que a genética tenta compreender os mecanismos da patogenicidade do organismo da resistência a antibióticos, entre outros.

»“A bactéria pode viver no seu estado normal, vive, reproduz-se multiplica-se, tem um bom metabolismo, (…) ou pode em condições de adversidade evoluir para um estado de esporo. É como se fosse uma semente que anda no ar”, refere o professor Rueff.

» “Por exemplo, todos se lembram, quando houve o 11 de setembro nos Estados Unidos, da preocupação com o que ia dentro das cartas, como o Antrax, que é um bacilo da mesma família. “

»Os esporos criados por estas bactérias tornam-se em veiculos fáceis para a transmissão de doenças, que se forem como o bacilo “Antracis” podem mesmo transformar-se numa situação de elevada gravidade.

»Para o professor, a nanotecnologia aplicada de forma correta e direta pode ser a ferramenta de que a comunidade científica necessita para minimizar riscos ou erradicar bactérias ou mesmo para áreas mais complicadas de manipulação genética como as neoplasias mamárias (cancro mamário).

»Uma investigação translacional que visa “não é apenas da bancada do laboratório para a bancada do laboratório, mas também da bancada do laboratório para a cabeceira do doente e vice versa.

»Um conhecimento aberto, segundo o investigador da Universidade Nova Lisboa, pode beneficiar e que se traduz em resultados palpáveis e publicados em revistas cientificas, passiveis de serem lidas e replicadas na comunidade médica.

»Estes trabalhos, apesar de estarem já a ser executados clinicamente, ainda não estão acessíveis à generalidade dos doentes do Serviço Nacional de Saúde, visto ainda servirem apenas como teste de diagnóstico.

»Para o Diretor do Departamento de Genética da Escola de Ciências Médicas da Universidade Nova, o próximo passo é precisamente a aplicação e a abertura à comunidade destes testes genéticos.

»No entanto, para o investigador, este saber adquirido nas universidades não deve ser aplicado pelas mesmas, servindo sim de base a outras entidades ligadas ao setor da saúde para a sua aplicação e utilização.


»Nanotecnologia: uma ciência invasiva

»Nunca existe nada que signifique tudo e nada. A experiência de anos e séculos de investigação médica mostram que a via do meio é a mais larga e pode ajudar em muita coisa.

»Para o investigador José Rueff da UNL, a utilização de meios modernos e inovadores, como é o caso da nanotecnologia, não vai trazer o que designa como “caixa de pandora” e alterar qualitativamente as diversas investigações em curso nas diversas ciências onde intervém.

A experiência de anos e séculos de investigação médica mostram que a via do meio é a mais larga e pode ajudar em muita coisa. Para o investigador José Rueff da UNL, a utilização de meios modernos e inovadores, como é o caso da nanotecnologia, não vai trazer o que designa como “caixa de pandora” e alterar qualitativamente as diversas investigações em curso nas diversas ciências onde intervén.

»“É uma ferramenta de uma importância muito grande. Tudo o que seja miniaturizar e simplificar para diagnosticar melhor, seja por diagnóstico que é feito através do sangue ou a urina do doente, ou por outros meios tecnológicos mais finos no interior do corpo humano, tudo isso não vai necessariamente trazer alterações qualitativas e há sempre uma gradação e o meio é sempre o que vai surgindo de novo para problemas que são problemas de sempre.”

»O investigador e cientista refere que a nanotecnologia, aplicada ás ciências, pode entrar dentro do “paradigma de Kuhn”, em que dentro de uma sequência de períodos de ciência dita como normal, a comunidade de pesquisadores é interrompida por revoluções científicas.

»Para Kuhn a ciência segue o seguinte modelo de desenvolvimento: uma seqüência de períodos de ciência normal, nos quais a comunidade de pesquisadores adere a um paradigma, interrompidos por revoluções científicas (ciência extraordinária).


»Técnica “nanogenética” utilizada no combate ao cancro

»O cancro é uma das metas em que a aplicação da nanotecnologia está a ser utilizada como ferramenta de extrema utilidade.

»Poder entrar nas células e transformar ou inibir o seu ciclo normal de reprodução, pode com a utilização de novas terapêuticas ligadas à nanobiologia dar lugar a um novo avanço de paradigma na área da saúde.

»A mudança pode inverter o número alarmante de neoplasias existentes no seio da comunidade humana, como refere o investigador José Rueff:

»“Uma em cada três pessoas tem cancro (…), era bom que fosse um em cada mil mas não é. Detetar precocemente quem é que pode ter maior susceptibilidade para neoplasia, é uma coisa que pode ser importante para começara fazer uma vigilância mais precoce e já mais dirigida ao fator que é a susceptibilidade.”

»Para o investigador, a hereditariedade no campo das neoplasias é apenas uma das causas menores, referindo que o principal factor cancerígeno no corpo humano é o tabaco, seguido do factor alimentar e só por ultimo de causas genéticas e hereditárias.

»A nanotecnologia é, assim, vista pela comunidade científica, como um instrumento cirúrgico e de precisão, tal como um “míssil teleguiado” que pode destruir ou reconstruir, em alguns casos, as células anómalas no corpo humano (terapêutica dirigida a alvo).

»Estes temas em debate vão ser aprofundados no simpósio, esta sexta-feira, dia 9 de outubro, na reitoria da Universidade Nova de Lisboa e que visa o conhecimento e troca de experiencias na área da saúde e bioquímica.


»Um “Workshop” como troca de saberes

»O “workshop” destina-se a mostrar — por via de comunicações e apresentação de estudos — o que de melhor se tem feito no âmbito da Genética nas unidades orgânicas e nos institutos de investigação da Universidade Nova como o ITQB — Instituto de Tecnologia Química e Biológica —, Faculdade de Ciência e Tecnologia ou a Faculdade de Ciências Médicas.

»Ao longo do dia estão programadas apresentações de estudos e outras intervenções de diversos especialistas daquela Universidade sobre temas que irão desde a nanotecnologia e as novas tecnologias aplicadas à Genética, análises de susceptibilidade genética a doenças crónica-degenerativas como o cancro, tendo especial destaque o cancro mamário.

»Para além destes outros estudos vão ser debatidos por exemplo os mecanismos genéticos de resistência a determinados fármacos ou a facilidade da formação de tumores, entre outros assuntos.»





Administração Pública e inovação

2016/06/27

Newsletter L&I, n.º 110 (2016-06-27)



n.º 110 (2016-06-27)

TAGS: # nanotecnologia # nanotecnología # nanotechnologie
# nanotechnology


Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

«Nanotecnologia: o futuro da inovação científica no Brasil» ( ► )
«Pesquisador fala da nanotecnologia em veículos robustos durante simpósio da SAE BRASIL» ( ► )
«Aedes: pesquisadores do RS anunciam parceria para
desenvolver tecnologias» ( ► )
«Livro sobre nanossegurança é lançado no Simpósio SAE BRASIL de Novos Materiais e Nanotecnologia» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«Centro da UMinho vai usar Nanotecnologia para criar alimentos funcionais mais eficientes» ( ► )
«Investigadores portugueses em destaque na Europa» ( ► )
António Lúcio Baptista: «Saúde e reformas: o que falta resolver» ( ► )
«Startup do futuro são “minúsculas”. Em Braga, são Startup.Nano» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

«El centro de nanociencia vasco nanoGUNE usará el modelo de la Fundación Barrié para rentabilizar la investigación» ( ► )
«Nanotech, la vanguardia en nanotecnología en México» ( ► )
«Con biosensor de glucosa ganan Premio Santander» ( ► )
«BeAble, un fondo para convertir la ciencia en empresa» ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

Laurent Alexandre, Thierry Berthier et Bruno Teboul: «Le prochain président devra faire face à la révolution NBIC!» ( ► )
Nouria Hernandez: «La science est une force qui avance toute seule» ( ► )
«Luc Ferry, philosophe de l’ère des nanotechnologies, des biotechnologies et de la cognitique» ( ► )
«Corée du Sud / innovation: Séoul et Paris veulent s’entendre pour peser au niveau mondial» ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

a
Markus J. Beyrer: «No risk, no innovation: Europe needs an
Innovation Principle» ( ► )
Edward Greenspon: «A true 'innovation agenda' requires government to think differently» ( ► )
Todd Hirsch: «Canada should take advantage of a new power innovation» ( ► )
«How to pitch your business idea: Insight from the Ci2016
innovation scholarship» ( ► )

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2016/06/24

«Startup do futuro são “minúsculas”. Em Braga, são Startup.Nano»



Erika Nunes. Dinheiro Vivo.



«Depois de dois anos a apoiar quase uma centena de startups de áreas web, mobile e medtech, a dinamizadora do Minho tem novos projetos.

»Da incubação à aceleração, a Startup Braga apoiou, nos dois anos de existência que celebra esta semana, cerca de 70 startups e 250 empreendedores que criaram mais de 200 postos de trabalho nas áreas web, mobile e medtech. Longe de estar terminado, o trabalho da “dinamizadora de empreendedorismo”, como o presidente Carlos Oliveira gosta de defini-la, a Startup Braga tem grandes ambições para um futuro cada vez mais pequenino. É como quem diz: nanotecnologia. Startup.

»Nano é o nome do projeto que será lançado, ainda durante este trimestre, pela incubadora bracarense, em articulação com o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL na sigla utilizada internacionalmente) , sediado na mesma cidade, e com o Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes (CENTI), localizado em Famalicão. O programa está a aguardar financiamento de cerca de 400 mil euros, proveniente de fundos de coesão, que se somará aos 7,5 milhões de euros arrecadados pelas startup nos últimos dois anos.

Portugal, mais concretamente Braga, pode afirmar-se como hub de referência na incubação e aceleração de startups com base nano tecnológica a nível europeu.

»“Na Startup Braga temos procurado fatores de competitividade numa lógica de diferenciação, por isso arrancámos pelas Tecnologias de Informação, embora a diferenciação não fosse tão evidente, seguindo depois para a área de techmed, porque em Braga já havia um ecossistema que proporcionava esse desenvolvimento”, começou por explicar Carlos Oliveira.

»“No caso da nanotecnologia, temos o INL, que é um laboratório único no Mundo, onde a nanotecnologia de A a Z pode ser tratada no mesmo edifício, e que será o espaço ideal, inclusive, para fazer incubação”, adiantou. Com o objetivo de, no próximo programa de aceleração, integrar metade das startup de áreas de nanotech e medtech, a aposta da Startup Braga poderá contribuir para “transformar em negócio grande parte do potencial da nanotecnologia que, hoje, está alocado em instituições de I&D”.

»Segundo o presidente da Startup Braga, desde a eletrónica, com a produção de chips, até à segurança alimentar ou os nano-materiais, ainda “há muito potencial por explorar na nanotecnologia” e Portugal, mais concretamente Braga, pode afirmar-se como “hub de referência na incubação e aceleração de startups com base nano tecnológica a nível europeu”.»





A execução da inovaçao

2016/06/23

António Lúcio Baptista: «Saúde e reformas: o que falta resolver»



Público



«A inovação fechada, pendurada na ideia de que “o segredo é a alma do negócio”, já não tem lugar no seculo XXI.

»Passados mais de 20 anos desde a realização do I Fórum Internacional de Saúde, enquadrado na Normédica 94 sob o tema “O que mudou na saúde em Portugal?”, coloca-se a questão - muito, pouco ou quase nada?

»Recordo aqui as palavras do então Ministro da Saúde, Paulo Mendo, que afirmava nesse mesmo fórum, no painel sobre Política e Economia da Saúde, que os problemas que se põe à volta de uma política de saúde são o peso do Estado, o peso do sector privado, o seu financiamento, a comparticipação ou não do utilizador, a provisão dos serviços, etc. Volvidos mais de 20 anos estas questões ainda não foram totalmente resolvidas.

»Questionava ainda Paulo Mendo a propósito dos serviços prestados, se seriam do Estado ou se deveriam ser do sector privado. De facto, o ex-Ministro da Saúde considerava, e bem, que a modificação de um sistema de saúde tem implicações de ordem sociológica que extravasam a capacidade de executar uma reforma rápida. Volvidos mais de 20 anos, essa reforma não está concluída.

»Muitas destas questões não foram nem vão ser resolvidas porque a dinâmica das mudanças no mundo da saúde é demasiado rápida e os ajustamentos lentos. Ao mesmo tempo que há necessidade de inovação disruptiva neste sector, esta implica problemas sociais e humanos.

»Todos os dias há no mundo milhares de pessoas que têm ideias inovadoras sem que isso se traduza em benefício real, ficando estas ideias entre quatro paredes como chama a atenção Tina Rosenberg em “Ideas help no one on a shelf”.

»A inovação fechada, pendurada na ideia de que “o segredo é a alma do negócio”, já não tem lugar no seculo XXI. Agora “uma ideia guardada é uma ideia desperdiçada”.

Somos o país dos lasers inovadores, das técnicas cirúrgicas avançadas, da robótica, a Euro-região de excelência para a nanotecnologia, um território privilegiado para o turismo de saúde e bem-estar, as “ilhas verdes”, um espaço dinâmico intelectual de debate, de criatividade e de liberdade.

»Já há muito que vimos a insistir nesta necessidade de uma linha verde para a inovação aberta, um Europass para as empresas que querem inovar e apresentamos à Comissão Europeia o documento Fair Cost Health Care com estas ideias.

»Desde há muito que vimos a repetir que a inovação e a investigação científica são parte inteligente da actividade clínica e hospitalar bem como do ensino das ciências da saúde e o quão importante é a ligação das empresas às universidades (terceira via para o ensino pós-graduado).

»Através da nossa plataforma Iberia Advanced Health Care temos vindo a pôr em prática esta metodologia mostrando o quão importante é ligar a saúde, a medicina, a engenharia e o desporto, a biotecnologia e a engenharia biomédica, a genética, os têxteis e o calçado, a talassoterapia, os autocuidados; o quão importante é para a saúde a prevenção da morte súbita, a prevenção das infecções hospitalares, a criação de dispositivos médicos para o mercado global. Que interesse fenomenal podiam ter a prevenção e rastreios no Golfe (seis mortes em 2015), a prevenção da morte súbita no running e nas ciclovias, a prevenção do risco no surf e no kaitsurf. E, novamente, os materiais inovadores, materiais inteligentes e biodegradáveis para cirurgia.

»Um mundo, um vasto mundo de acções, interacções, incentivos, revelações de investimento e criação de emprego qualificado. Somos o país dos lasers inovadores, das técnicas cirúrgicas avançadas, da robótica, a Euro-região de excelência para a nanotecnologia, um território privilegiado para o turismo de saúde e bem-estar, as “ilhas verdes”, um espaço dinâmico intelectual de debate, de criatividade e de liberdade.

»E o investimento? Sem investimento as ideias e a economia não avançam. Também aqui temos sorte em incorporar o espaço ibérico e da Europa. Os espanhóis controlam, por exemplo, a mais de 50 por cento 1843 empresas exportadoras portuguesas. Seguem-se a França com 528 e depois os Estados Unidos e a Alemanha num total responsáveis por 51 mil milhões de volume de negócios, ou seja, 30 por cento do PIB nacional e mais de 50 por cento das exportações para terceiros (dados apresentados no semanário Expresso).

»A Iberia Advanced Health Care tem feito este esforço de cruzar conhecimento e investimento, de aproveitar o que de melhor se faz em várias áreas, as ideias que surgem nas universidades, as teses de mestrado e o know how das empresas e ajudar a criar produtos inovadores para o mercado que vão solucionar problemas reais da sociedade.

»Tina Rosenberg propõe que escolhamos uma ideia e a ajudemos a implementar, o que em termos práticos significa levar uma ideia da teoria à prática, pô-la a funcionar aqui e agora ou noutro local em situação semelhante.

»“Se um homem imagina uma coisa, outro a tornará realidade” – Júlio Verne.»





Uma inovação

2016/06/22

«Investigadores portugueses em destaque na Europa»



João Cunha e André Rodrigues. SAPO



«No programa desta quarta-feira, em destaque o tema da investigação, com trabalhos nacionais a merecerem amplo destaque no espaço europeu.

»Começamos pelo transístor de papel. Um projecto português que vai à Final do Prémio Europeu do Inventor 2016. Os investigadores Elvira Fortunato e Rodrigo Martins são os rostos desta iniciativa que conseguiu criar transístores de celulose a partir de papel, com “chips” baseados em nanotecnologia, que substituem o silício por materiais orgânicos.

»Esta inovação permite reduzir custos de produção e torna os transístores descartáveis e recicláveis. Uma investigação que terá futuramente inúmeras aplicações.

»Podem ser criados, por exemplo, bilhetes de avião automaticamente actualizáveis e o mesmo pode acontecer nos rótulos de alimentos. O transístor de papel também pode ser aplicado no sector da saúde.

O transístor de papel: a partir de papel, com “chips” baseados em nanotecnologia, que substituem o silício por materiais orgânicos.

»A Renascença falou com a autora deste projecto que chega agora à final do Prémio Europeu do Inventor 2016, a investigadora Elvira Fortunato, que explica em que consiste esta inovação.

»A cerimónia de anúncio dos vencedores da 11.ª edição do prémio de inovação do Instituto Europeu de Patentes vai decorrer em Lisboa, a 9 de Junho. O jornalista André Rodrigues explicou em que consiste este Prémio Inventor Europeu 2016.

»Outra inovação portuguesa premiada na Europa foi a do professor e investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Coimbra, Penousal Machado, que foi distinguido com o “mais importante prémio” na área da computação evolucionária atribuído no espaço Europeu. O prémio da EvoStar - Conferência Científica líder na Europa – reconhece a “continuada excelência do trabalho científico e os contributos para o desenvolvimento desta área de conhecimento a nível mundial”.

»A área da computação evolucionária, que se integra no domínio da inteligência computacional, procura “transformar os princípios da teoria da evolução das espécies, em algoritmos, por forma a resolver problemas de elevada complexidade”. O jornalista António Pedro foi tentar perceber melhor em que consiste esta investigação com sede na Universidade de Coimbra, numa reportagem que pode ouvir na íntegra.»





Um inovador

2016/06/21

«Centro da UMinho vai usar Nanotecnologia para criar alimentos funcionais mais eficientes»



Braga TV



«Utilizar a nanotecnologia para aumentar a eficiência e os resultados obtidos com alimentos funcionais, ou seja, produtos enriquecidos com aditivos alimentares e que podem ter propriedades curativas ou preventivas, é o objetivo principal de um novo projeto que o Centro de Engenharia Biológica (CEB) da Universidade do Minho está a desenvolver, em parceria com o Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (iBET). Os produtos criados serão incorporados em alimentos e testados num sistema gastrointestinal dinâmico, que simula a digestão no corpo humano.

»A grande inovação deste projeto assenta no facto de procurar, utilizando a nanotecnologia, desenvolver produtos que aumentam a quantidade de compostos bioativos – vitaminas, probióticos e antioxidantes, entre outros – que são efetivamente absorvidos pelo corpo humano, aumentando, assim, a eficácia dos alimentos.

»Ao mesmo tempo, também se pretende que os novos produtos mantenham por mais tempo a chamada biodisponibilidade, ou seja, a velocidade e o grau com que uma substância ativa é absorvida a partir de um medicamento ou alimento e fica disponível dentro do corpo humano.

A grande inovação deste projeto assenta no facto de procurar, utilizando a nanotecnologia, desenvolver produtos que aumentam a quantidade de compostos bioativos – vitaminas, probióticos e antioxidantes, entre outros – que são efetivamente absorvidos pelo corpo humano.

»O projeto está organizado em quatro fases. O primeiro passo engloba a seleção das matérias-primas a utilizar na produção das nanoestruturas. Posteriormente, será feita a caracterização dos materiais selecionados em termos das suas propriedades físicas relevantes e serão efetuados testes de toxicidade e bioacessibilidade. Finalmente, os compostos produzidos serão submetidos a testes no sistema gastroinstestinal dinâmico, equipamento que simula a digestão humana e que foi desenvolvido no CEB.

»Ana Cristina Pinheiro, a investigadora responsável por este projeto, afirma que o objetivo é obter “uma considerável gama de opções de sistemas de libertação funcionalizados, que serão desenvolvidos de forma a serem comestíveis e por isso aplicáveis na indústria alimentar.” “Serão produtos com uma bioatividade maximizada, dado que haverá aumento da biodisponibilidade, ou seja, compostos bioativos com elevada capacidade de absorção”, refere ainda Ana Cristina Pinheiro, que acrescenta, “estas nanoestruturas funcionalizadas poderão ser usadas como plataformas para a produção de produtos inovadores com características melhoradas, tendo em consideração as mais recentes exigências dos consumidores.”

»Este projeto do CEB deverá também permitir obter informações fundamentais sobre a segurança das nanoestruturas no interior do corpo humano durante os processos de digestão e absorção. Um tema que ainda desperta bastante interesse na comunidade científica, dado que se desconhecem, alguns pormenores sobre o efeito destes produtos, ainda recentes, em humanos. Neste âmbito, serão realizados testes nos quais o sistema gastrointestinal dinâmico será combinado com modelos celulares in vitro de modo a avaliar a toxicidade das nanoestruturas e monitorizar a resposta inflamatória.»





Administração Pública e inovação

2016/06/20

Newsletter L&I, n.º 109 (2016-06-20)



n.º 109 (2016-06-20)

TAGS: # comêrcio # comercio # comerce # commerce


Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

«BNDES pode ajudar governo do estado do Rio na privatização de empresas» ( ► )
«Mercado segurador aposta em inovação para crescer» ( ► )
«Comércio de Manaus realiza dia livre de impostos» ( ► )
«Blairo Maggi negocia no G20 ampliação de comércio com vários países» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«OCDE fixa como desafios o aumento da produtividade e o combate das desigualdades» ( ► )
«Portugueses dão cartas no comércio digital em França» ( ► )
«Revolução tecnológica e sustentável também está a passar pela agricultura» ( ► )
«Missão de embaixadores europeus busca inovação» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

«Startups pactan negocios por US$20 millones en Lima» ( ► )
«Bezos fía a la inteligencia artificial el futuro del comercio electrónico» ( ► )
«José María Ferrer, inspiración entre grifos» ( ► )
«Bankia e Insomnia ponen en marcha la primera incubadora y aceleradora fintech de España» ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

«Emmanuel Macron, ministre de l’Economie, alerte sur le risque de stagnation qui “menace” l’Europe» ( ► )
«Aéroport de Bordeaux-Mérignac: un 3e Terminal à l'horizon 2019» ( ► )
«Carbios: crée Carbiolice, une JV avec Limagrain et Bpifrance» ( ► )
Philippe Portier: «Le coavionnage, nouveau défi collaboratif en l'air ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

«Passing the ball of innovation from science to commerce» ( ► )
«Broadleaf Commerce Sponsors Retail Innovation at IRCE 2016» ( ► )
«Great Firewall Curbs Innovation and Commerce» ( ► )
«Innovation, funds key to growth in e-commerce: Parag Gupta, Morgan Stanley» ( ► )

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2016/06/17

«Missão de embaixadores europeus busca inovação»



Economia SC. Foto: James Tavares /Secom / Divugação.



«Realizada pela primeira vez em Florianópolis e no Estado, a reunião anual dos embaixadores dos Estados Membros da União Europeia no Brasil, realizada nesta segunda e terça-feira, dias 30 e 31, teve como pauta a busca pela inovação como forma de promover o crescimento econômico.

»A missão foi organizada pela delegação da União Europeia no Brasil em parceria com o governo do Estado e contou com a participação de representantes diplomáticos de 18 países do continente europeu.

»A visita trouxe novas perspectivas nas relações internacionais para o estado. Segundo o Embaixador da União Europeia no Brasil, João Gomes Cravinho, a União Europeia vê o Brasil como um “país muito próximo e amigo que se enquadra nas parcerias estratégicas”. E o mercado catarinense ganha atenção especial, com destaque para a área de pesquisa e a inovação. “Santa Catarina é um dos estados brasileiros que mais avançam nessas áreas e por isso existem grandes possibilidades de intensificação da ação bilateral nesse campo vital para o desenvolvimento do estado, do Brasil e de nossas relações bilaterais”, avalia Cravinho.

»Para o secretário de Estado de Assuntos Internacionais, Carlos Adauto Virmond, Santa Catarina tem potencial para se tornar a porta de entrada de investimentos europeus no Brasil. “Estamos muito felizes com a escolha de Santa Catarina pela delegação para sediar este encontro que irá coroar o bom relacionamento que temos com a União Europeia há décadas e abrir-nos pontes entre SC e os Estados Membros do bloco, tanto pelas relações comerciais e pelas cooperações já existentes em diversas áreas, quanto pelos elos culturais devidos aos imigrantes europeus”.


Para o secretário de Estado de Assuntos Internacionais, Carlos Adauto Virmond, Santa Catarina tem potencial para se tornar a porta de entrada de investimentos europeus no Brasil.

»Inovação e cooperação

»A missão visitou o Sapiens Parque, no Norte de Florianópolis, polo tecnológico e de inovação do Estado. “A decisão do grupo em iniciar este encontro é um atestado de que somos reconhecidos como uma referência de projeto de inovação e empreendedorismo”, afirma o diretor executivo do parque, José Eduardo Fiates.

»No local foram apresentadas as iniciativas que integram o Programa Catarinense de Inovação (PCI), entre elas a construção de 13 Centros de Inovação em diferentes regiões do Estado e o programa Geração TEC.

»Os 13 Centros de Inovação serão construídos nas seguintes cidades: Lages, cuja inauguração será no próximo mês; Jaraguá do Sul, São Bento do Sul, Tubarão, Chapecó e Joaçaba, com obras em torno de 60% concluídas; Itajaí, com 17%, e Blumenau, que está no início das obras; Brusque e Criciúma, que serão licitados em breve; e ainda, Rio do Sul, Florianópolis e Joinville. Os centros abrigarão aceleradoras de empresas, incubadora, laboratórios de pesquisa, de capacitação e de consultoria para novos negócios. São espaços criados para estimular o crescimento e competitividade das empresas catarinenses, unindo as instituições de ensino, empresas e Governo.

»O Geração TEC é um programa criado em 2011 para a oferta de cursos gratuitos de curta duração, descobrindo talentos para o mundo da tecnologia e fortalecendo as empresas do Estado. Já foram formados 6.156 alunos em mais de 200 turmas.

»A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc) também recebeu a visita dos embaixadores. De acordo com o presidente da Fapesc, Sergio Gargioni, em ações conjuntas com a União Europeia, a Fapesc fechou um acordo com o programa Horizonte 2020 para financiamento de pesquisas. “O programa prevê desembolsar, aproximadamente, 80 milhões de euros até 2020 para projetos colaborativos de pesquisa e inovação com países da União Europeia”, explica Gargioni.


»Comércio exterior

»No comércio exterior, as relações de Santa Catarina com os Estados Membros da União Europeia são significativas. Entre os blocos econômicos, a União Europeia é o principal parceiro comercial do Estado. Em 2015, foram exportados R$ 1,477 bilhão em produtos para os 28 países do bloco. Já as importações somaram cerca de R$ 2,087 bilhões, número superado apenas pelo volume importado da China. “Vimos na reunião da União Europeia uma grande oportunidade para mostramos os potenciais de Santa Catarina e buscarmos o equilíbrio da balança comercial ao longo dos próximos anos”, diz o secretário Virmond.

»A agroindústria domina metade da pauta das exportações, com a venda de fumo, frango, peixe e outras carnes. A venda de máquinas e instrumentos mecânicos e elétricos vem em seguida. Produtos à base de madeira, móveis, automóveis, tratores e autopeças, e produtos químicos também estão os principais produtos vendidos para o bloco. Do lado das importações, maquinários mecânicos e elétricos e derivados, juntos, representam quase 30% do total importado.



»Os participantes da missão:

»Alemanha – Embaixador Dirk Brengelmann.

»Bélgica – Embaixador Jozef Smets.

»Croácia – Embaixador Želiko Vukosak.

»Dinamarca – Embaixador Kim Hojlund Christensen

»Eslováquia – Embaixador Milan Cigán

»Eslovênia – Embaixador Alain Brian Bergant.

»Espanha – Embaixador Manuel de La Cámara Hermoso.

»Estônia – Cônsul em Brasília Reigo Ginter.

»Finlândia – Ministro Conselheiro Juha Savolainen.

»França – Embaixador Laurent Bili.

»Grécia – Embaixador Kyriakos Amiridis.

»Irlanda – Embaixador Brian Glynn.

»Itália – Cônsul Geral em Curitiba, Enrico Mora.

»Países Baixos – Cônsul Geral em São Paulo, J. van Honk.

»Portugal – Embaixador Francisco Maria de Souza Ribeiro.

»República Checa – Chefe de Missão Adjunta, Cônsul Sandra Lang Linkensederová.

»Romênia – Embaixadora Diana Anca Radu.

»Suécia – Embaixador Per-Arne Hjelmborn.

»União Europeia – Embaixador João Gomes Cravinho.»





A execução da inovaçao

2016/06/16

«Revolução tecnológica e sustentável também está a passar pela agricultura»



OJE Digital Económico. Sónia Bexiga



«Luís Mira, secretário-geral da Confederação de Agricultores de Portugal e administrador do CNEMA, apresenta a 53.ª edição da mais antiga feira agrícola do país. Este é o ponto de encontro para os profissionais que querem estabelecer contactos e debater o futuro do setor.


»Em vésperas da abertura das portas ao público da FNA, que expectativas existem para esta 53ª Feira Nacional de Agricultura/63.ª Feira do Ribatejo?

»A 53ª Feira Nacional de Agricultura/63.ª Feira do Ribatejo, evento que decorre no Centro Nacional de Exposições (CNEMA), em Santarém, de 4 a 12 de junho, tem este ano, como tema central, “A Fruta Portuguesa” e é a mais antiga feira agrícola do país. Ocupando uma área útil superior a 33 mil metros quadrados, oferece inúmeros motivos para visitas de lazer ou de negócios. Para as famílias que se deslocam à FNA à procura de descontração e animação, espera-as uma boa gastronomia, contacto direto com animais, muitos espetáculos ao vivo e concursos para todos os gostos. Para os apreciadores de produtos artesanais de grande qualidade, menos comuns nas grandes superfícies e no comércio tradicional, o leque de escolha é vasto e tentador. Para o público mais jovem, a grande novidade desta edição é a animação noturna permanente, onde não vão faltar Dj, discotecas, bares e muitos concertos com bandas de reconhecida notoriedade como C4 Pedro, David Antunes & The Midnight Band, os D.A.M.A e David Fonseca+Agir. Para os profissionais que pretendem estabelecer negócios e parcerias, a FNA é o mais importante ponto de encontro do setor agrícola nacional, indispensável para quem pretende trocar experiências, debater problemas ou refletir sobre o futuro.


»Como correu a sua preparação? Que adesão registaram, ao nível de expositores, e que afluência de visitantes é esperada?

»A FNA é um certame que começa a ser preparado com bastante tempo de antecedência e a adesão nesta edição é bastante positiva, quer em número de expositores, quer na área ocupada. O CNEMA procurou também melhorar as condições para os visitantes, com colocação de mais sombras e a climatização das naves. Em termos de números, a FNA de 2016 conta com mais 750 expositores e esperamos ultrapassar os 170 mil visitantes, dos quais 40 mil são profissionais.


A FNA é o mais importante ponto de encontro do setor agrícola nacional, indispensável para quem pretende trocar experiências, debater problemas ou refletir sobre o futuro.

»Que razões presidiram à escolha da fruta como tema central?

»A escolha do tema, para além do peso que este subsetor tem na produção agrícola e na economia nacional, está também ligada à saúde e às atuais tendências nutritivas. Do ponto de vista económico, a fruta é atualmente um dos subsetores com maior peso na agricultura portuguesa, contribuindo cada vez mais para o PIB e para a criação de postos de trabalho. O setor cresceu 41% na exportação entre 2010 e 2014, exporta cerca de 50% do que produz e está prestes a atingir o equilíbrio da balança comercial. As exportações de frutas e legumes aumentaram 14% entre 2014 e 2015, atingindo mais de mil milhões de euros. Para esta edição, o CNEMA também preparou um programa para captar o público mais jovem e, também por isso, o tema da fruta assume particular relevo. Nos dias que correm, a saúde e a forma física estão no topo da lista das preocupações dos jovens e a fruta é, muito provavelmente, o alimento que melhor contribui para alcançar esses objetivos.


»Que importância assume atualmente a fruta, quer em tempos de produção ou de consumo?

»Em 2015, o valor da produção de fruta (inclui frutos frescos, citrinos, frutos subtropicais, uvas e azeitonas) atingiu os 1093 milhões de euros, tendo registado uma taxa de crescimento médio anual, entre 2005 e 2015, de 2,4%, o que evidencia o aumento do peso deste subsetor no contexto geral da agricultura portuguesa. As exportações de fruta ultrapassaram, pela primeira vez, as do vinho, representando, juntamente com os produtos hortícolas, um volume de negócios agregado superior a mil milhões de euros. Portugal tem um conjunto de recursos que lhe permitem desenvolver a fileira da fruta com sustentabilidade e competitividade, afirmando os atributos de qualidade, reconhecidos por consumidores e operadores internos e externos. Do ponto de vista da saúde e do bem-estar, a fruta é, inquestionavelmente, o alimento mais recomendado em qualquer dieta alimentar, não só pelas suas qualidades dietéticas e nutritivas, mas também por não se conhecer qualquer tipo de contraindicação ao seu consumo.


»De entre o programa da FNA, evidencia-se a conferência internacional “Grandes desafios para a inovação na agricultura” que junta oradores nacionais e internacionais. Que papel tem a inovação na agricultura? Que desafios são estes?

»Durante os nove dias do evento, decorrerão cerca de 50 conferências/seminários e workshops, entre elas esta, de âmbito internacional, com a presença do diretorgeral da FAO (Food and Agriculture Organization), José Garaziano Garcia, e dos comissários Carlos Moedas (investigação, ciência e inovação) e Phil Hogan (agricultura e desenvolvimento rural). A FNA é a única de cariz nacional e representativa de um setor em que a inovação e a tecnologia são fundamentais. O certame mostra aos consumidores como a agricultura de hoje se faz com uma grande incorporação de tecnologia, com a utilização de computadores, tablets, ipads, entre outros, que recolhem dados para tornar a produção mais competitiva sustentável e amiga do ambiente. É um setor com muita necessidade de tecnologia e que consegue produzir alimentos mais baratos que há décadas atrás, fruto de uma autêntica revolução tecnológica e de uma preocupação com a sustentabilidade da produção.


»Colocam-se outros desafios, noutras áreas. Por que caminhos passa o desenvolvimento da agricultura nacional?

»O grande desafio da agricultura passa pelo aumento da produção. Prevê-se que em 2050 seja necessário alimentar cerca de nove mil milhões de habitantes, o que implica um aumento de produção na ordem dos 60%. No entanto, o espaço disponível para as culturas é restrito e não aumentará muito mais, o que torna necessário intensificar a produção, mas com sustentabilidade.»





Uma inovação

2016/06/15

«Portugueses dão cartas no comércio digital em França»



Jornal de Notícias



«As marcas Go Voyages, Look Voyages, MisterFly, Taxyz e Reflex Latino são projetos com assinatura portuguesa que se destacam no comércio digital em França e que apostaram na internet para modernizar serviços tradicionais como o turismo, os transportes, a alimentação e o lazer.

»Carlos da Silva é um empresário reconhecido pela indústria turística em França por ter dirigido as agências online Look Voyages e Go Voyages, a última das quais se tornou na líder do mercado francês de venda de bilhetes de avião pela internet.

»Em setembro de 2015, depois de uma volta ao mundo em família, o português voltou a lançar uma nova ‘start-up’ chamada Misterfly, que já conquistou o prémio especial do júri “Travel d’Or 2016”.

»Com a nova empresa, Carlos da Silva voltou a inovar na venda de serviços turísticos online, com ferramentas como o pagamento por prestações, o seguro de anulação, um dispositivo de internet móvel para levar na bagagem e a procura das datas de voo mais baratas.

»“Gosto muito de jogar poker e há mais de 30 anos que jogo todas as semanas ao poker. Ser empreendedor é um bocado isso, é gostar da liberdade. Lançar uma empresa é como uma partida de poker, há muita incógnita”, disse à Lusa o empresário de 51 anos.

»Também Filipe Alves decidiu aproveitar a generalização dos ‘smartphones’ para criar, em 2011, uma aplicação móvel que aproximasse os clientes dos táxis, muito antes da popularização dos Uber em França.

A Reflex Latino, disponível na App Store e no Google Play, pretende internacionalizar Portugal no mundo, mas também dar voz a pequenas empresas, aos consulados, à imprensa da diáspora para construir um Portugal dentro do território digital de forma participativa.

»“Em 2011, criei a ‘Taxyz apps’ que permite geolocalizar o táxi, encomendá-lo segundo os critérios que a gente quer e pagar diretamente com a aplicação (...) A Uber chegou mais ou menos nessa fase, só que com outros meios, uns biliões de dólares, e começaram a fazer muito mais comunicação”, disse à Lusa o empresário de 40 anos.

»O dispositivo de geolocalização e reserva de táxis nasceu da vontade de Filipe Alves modernizar a empresa do pai, António Alves, criada em 1982 com seis táxis e atualmente a trabalhar com 220 a 250 veículos, “o quarto maior grupo de táxis em França, o segundo maior português”.

»Em junho, vai ser lançada a nova versão da aplicação que vai estar integrada no contador do táxi, evitando que o taxista tenha de manipular o telemóvel, e os clientes vão poder pagar através da aplicação, facilidades que se juntam à localização dos táxis mais próximos e à informação sobre o preço da viagem.

»A Taxyz vai permitir, ainda, escolher um veículo elétrico já que Filipe Alves se prepara para lançar uma frota de táxis 100% elétricos na região de Paris.

»“A nova ideia é de criar uma empresa 100% elétrica com veículos 100% elétricos, isto é, ser o primeiro europeu aqui em Paris a ter uma oferta de táxis 100% elétricos”, afirmou o empresário de 40 anos que viveu a adolescência em Portugal mas que está em França desde os 19 anos.

»Outra empresa com nomes portugueses a apostarem nas aplicações e nas redes sociais é a 2903 International Group, presidida por Bruno António, um lusodescendente de 27 anos.

»Associado a outra start-up, a Mediatree, especializada em novas tecnologias e presidida também por um lusodescendente, Bruno António lançou em março uma aplicação móvel chamada Reflex Latino que permite encontrar restaurantes, produtos alimentares ou atividades de lazer portuguesas e latinas.

»“No fundo, somos a aplicação que vai ajudar o Cristiano Ronaldo a matar saudades durante o Euro porque quando ele chegar a Paris e às várias cidades francesas, se quiser encontrar um pastel de nata ou outros paladares lusitanos pode usar a aplicação”, afirmou Bruno António.

»A Reflex Latino, disponível na App Store e no Google Play, pretende “internacionalizar Portugal no mundo”, mas também “dar voz a pequenas empresas, aos consulados, à imprensa da diáspora” para “construir um Portugal dentro do território digital” de forma participativa “algures entre o Facebook e as Páginas Amarelas”.»





Um inovador