2016/04/29

Micael Pereira: «Segunda Circular vai tornar-se a maior alameda de Lisboa»



Expresso



«A via rápida mais popular de Lisboa vai deixar de existir. A Câmara Municipal pôs à consulta pública um projeto que a irá transformar em 2017 numa avenida cheia de árvores e com passeios nas bermas. Veja como está hoje e como vai ficar daqui a dois anos.

»Dá muito jeito porque vai de uma ponta à outra da cidade, mas tem muito trânsito, é poluída e, além disso, dificilmente alguém pensa em usá-la com a ideia de fazer um passeio agradável. Mas a Câmara Municipal de Lisboa tem um plano para mudar a forma como os lisboetas – e todos os que vivem à volta de Lisboa – encaram a Segunda Circular.

»Embora não implique destruir a principal e mais congestionada via rápida de Lisboa, o plano consiste, na prática, em transformá-la noutra coisa: numa avenida, como se estivesse no centro nobre da cidade. Passará então a ser a segunda maior avenida de Lisboa, com dez quilómetros de comprimento, logo a seguir à avenida Infante D. Henrique (que tem 12).

»O objetivo é reconverter a Segunda Circular até 2017. No site da Câmara Municipal de Lisboa, todos os detalhes do projeto estão disponíveis para consulta e quem quiser pode enviar sugestões até dia 15 de janeiro, antes de o executivo liderado por Fernando Medina tomar uma decisão definitiva sobre o assunto.

»A ideia é repavimentar toda a extensão de 10 quilómetros da Segunda Circular, que vai do IC19 à A1, e criar um separador central com 3,5 metros de largura e que terá uma fileira de árvores frondosas. As bermas passarão a ter passeios largos para peões, com grandes extensões de arvoredo a ocupar os espaços possíveis.

»A autarquia quer que a via funcione como um corredor arborizado que faça a ligação entre Monsanto e o chamado “pulmão verde oriental” da cidade, onde se inclui o Parque da Belavista.

A autarquia quer que a via funcione como um corredor arborizado que faça a ligação entre Monsanto e o chamado “pulmão verde oriental” da cidade, onde se inclui o Parque da Belavista.

»Para reforçar o conceito de avenida, o traçado irá manter o número de faixas que tem atualmente mas a largura das faixas vai ser reduzida para 3,25 metros e as faixas exteriores, junto às bermas, terão uma cobertura betuminosa, sinalizada com outra cor, para uma rodagem mais lenta.

»Além disso, a própria velocidade máxima permitida passará dos atuais 80 km/hora para 60 km/hora, praticamente o mesmo que é exigido em todo o país dentro das localidades. E haverá, segundo o projeto, controladores de velocidade nos locais mais críticos, a par da substituição de toda a sinalética, de forma a torná-la mais fácil e eficaz.


»Usem a CRIL, por favor

»O maior desafio vai ser, no entanto, resolver o problema do trânsito. O que fazer com todos os condutores que usam a Segunda Circular em hora de ponta, a caminho ou de volta para o trabalho?

»Apesar dos receios de que todas estas mudanças provoquem ainda mais congestionamentos dos que já existem hoje na Segunda Circular, a previsão é de que a velocidade média de circulação em hora de ponta melhore um pouco (de 45,7 km/hora para 47,1 km/hora). Se tudo correr conforme o plano. Em média há 105 mil veículos a circular todos os dias naquela via. Os estudos publicados no site da câmara apontam para uma redução do tráfego global naquela via de 18,8%, com o tráfego a ser canalizado para o Eixo Norte-Sul, a CRIL, a Radial de Benfica e mais duas artérias na zona oriental da cidade.

»Há 11 mil veículos por dia que usam atualmente a Segunda Circular não tendo Lisboa como origem ou destino. E 38 mil carros gerados pelos movimentos de saída e entrada no aeroporto, que os técnicos acreditam poder baixar consideravelmente com o desvio do trânsito para a avenida Marechal António Spínola e a avenida Infante D. Henrique.

»De acordo com as contas da autarquia, as obras de reconversão da Segunda Circular vão demorar 11 meses e correspondem a um investimento de dez milhões de euros. Além disso, haverá outros encargos que terão de ser suportados pela Infraestruturas de Portugal, a empresa responsável pela CRIL, já que terão de ser feitas obras no nó da Buraca, de forma a melhorar o cruzamento entre as vias.


»A Segunda Circular em números

»10,1

»Quilómetros, extensão total da Segunda Circular

»31

»Acessos à Segunda Circular em cada um dos sentidos

»11.000

»Carros que usam todos os dias a Segunda Circular mas não entram nem saem de Lisboa

»18,8%

»Redução de tráfego esperada com a reconfiguração da Segunda Circular

»50%

»Diminuição do nível de ruído com a renovação planeada do pavimento

»60%

»Poupança no consumo de energia com a substituição da atual iluminação

»70%

»Das árvores que serão plantadas vão ser da espécie Lodão, que pode chegar aos 30 metros de altura. É uma árvore de folha caduca e de copa redonda


»[Texto publicado no Expresso Diário de 5 de janeiro de 2016].»





A execução da inovaçao

2016/04/28

Catarina Andrade: «Porto: Aprovado novo sistema de limpeza para a cidade»



JPN. Artigo editado por Filipa Silva



«A Câmara Municipal do Porto vai avançar com a criação de uma empresa municipal para a gestão de resíduos urbanos e limpeza pública. O objetivo é tornar o Porto numa “referência nacional e internacional na área da recolha de resíduos diferenciados”.

»A limpeza das ruas do Porto tem recebido mais atenção nos últimos anos. Com a crescente pressão de turistas e novos negócios, os resíduos urbanos têm aumentado e, consequentemente, a exigência para que a limpeza seja eficiente tem sido também maior.

»O vereador da Inovação e Ambiente, Filipe Araújo, apresentou, esta terça-feira, em reunião de câmara, um projecto de criação de uma empresa municipal para a gestão de resíduos urbanos e limpeza pública que vai operar em toda a cidade.

»O estudo sobre este caso foi desenvolvido pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Neste momento, a câmara apenas tem a seu cargo 50% da limpeza da cidade. O restante é da responsabilidade de duas empresas privadas.


»Porto separa apenas 26% dos residuos

»Filipe Araújo constatou que “há ainda um longo caminho a percorrer” no que aos resíduos recicláveis diz respeito. Para que a cidade Invicta se possa “projetar para o futuro” nesta área, o vereador explicou que a estratégia vai passar por “uma maior aposta” na separação dos resíduos urbanos. Atualmente, a separação do lixo no Porto situa-se abaixo dos números de outras cidades europeias, com apenas 26% dos resíduos separados.

» “Dotar a cidade de tecnologia” e haver “uma transparência de recursos” é também uma prioridade para o vereador do Ambiente com a criação da nova empresa municipal. Filipe Araújo adiantou que é necessário “ter uma frota sustentável” de veículos de recolha de lixo e limpeza. “Toda e qualquer empresa que operar em 2017, tem de ter uma frota nova e a gás”, acrescentou.

»A preocupação com os funcionários que atualmente fazem as limpezas das ruas não escapou a este plano, que pretende “dar formação aos trabalhadores” para que possam podar árvores e cuidar de jardins. Desta forma, podem ser integrados na futura empresa.

A preocupação com os funcionários que atualmente fazem as limpezas das ruas não escapou a este plano, que pretende “dar formação aos trabalhadores” para que possam podar árvores e cuidar de jardins. Desta forma, podem ser integrados na futura empresa.

»Manuel Pizarro, do pelouro da Habitação e Ação Social, elogiou a “forma cuidadosa como são tratados os direitos dos trabalhadores” com a sua transferência para a empresa municipal.

»Já Pedro Carvalho, deputado da CDU, criticou a forma como um “assunto extraordinariamente importante para a cidade” não foi sujeito a uma “discussão” prévia à aprovação da criação desta empresa. “Não tenho nenhuma base de estudos para poder tomar uma posição sobre esta proposta”, explicou o vereador sem pelouro.

»Para rematar, Pedro Carvalho afirmou “não ver transparência” neste projecto, uma vez que “as empresas municipais estão fora do âmbito de fiscalização da câmara”. O deputado rematou sugerindo que a questão fosse “adiada” até que fossem apresentados estudos sobre o assunto.

»Rui Moreira rebateu esta questão afirmando que “as empresas municipais são escrutinadas por toda a gente” e, por isso, não há razão para não haver “transparência”. O presidente da Câmara Municipal do Porto foi mais longe e acusou a CDU de apenas exigir transparência “naquilo que não controla”, acrescentando que o partido é “altamente centralista” e “contra a municipalização”.

»Ricardo Almeida, vereador sem pelouro eleito pelo PSD, também mostrou “algumas dúvidas” em relação à criação de uma empresa municipal. Para o vereador, seria “mais interessante a integração” dos serviços de limpeza e recolha de resíduos “na empresa municipal Águas do Porto, que já existe”.


»Eficiência refletida na fatura

»Filipe Araújo deixou claro que se há o “discurso de que o cidadão deve separar” o lixo, também deve haver benefícios para os portuenses. “O custo da recolha tem de ser refletido no custo apresentado ao munícipe”, continuou o vereador. Filipe Araújo prevê que o modelo futuro terá cerca de “menos 11% dos custos”, o que implica uma “redução da tarifa”. “Se houver mais reciclado do que indiferenciado, entramos num círculo virtuoso”, concluiu.

»Para o vereador do pelouro para a Inovação e Ambiente, a criação de uma empresa municipal para a gestão de resíduos urbanos e limpeza pública é um passo para fazer da cidade Invicta uma “referência nacional e internacional na área da recolha de resíduos diferenciados”.

»A proposta foi aprovada por maioria com um voto contra do vereador Pedro Carvalho da CDU.»





Uma inovação

2016/04/27

Luís Manzoli: «Ele cresceu brincando com árvores, e criou um documento de identidade para elas»



Projeto DRAFT



«No clássico Meu Pé de Laranja Lima, o escritor José Mauro de Vasconcellos conta a história de amizade de um menino com sua planta, que fala e expressa sentimentos. É algo bastante irreal, coisa de ficção mesmo. Mas… E se as árvores pudessem ter um documento de identidade de verdade? A ideia não só existe, como já saiu do papel e vem rendendo bons dividendos para Rodolfo Sousa Ramos, 31 anos, CEO da Anubz Innovative Solutions, com sede em Campinas (SP). Ele desenvolveu o Mais Verde, um sistema de identificação de árvores plantadas em projetos de compensação ambiental.

»É uma forma de grandes empresas que fazem reflorestamento garantirem — e mostrarem — a legitimidade destas ações. Funciona assim: a Anubz produz uma pequena placa, que Rodolfo chama de “tag”, com um QR Code. Cada árvore plantada recebe uma dessas (no caso de mudas, elas são amarradas, na planta adulta elas são pregadas ao tronco e há a possibilidade de instalar as tags em pequenos totens ao lado da árvore).

»A leitura do QR Code leva o usuário à plataforma digital Mais Verde, que mostra todas as informações possíveis sobre a árvore em questão: idade, espécie, habitat, georreferenciamento e, é claro, quem são seus “pais” (a empresa responsável pelo seu plantio). Também dá para verificar o quanto de carbono foi compensado por aquela única planta, bem como por todo o projeto da qual ela é integrante.

»O caminho inverso também é possível. Em vez de identificar o QR Code, o usuário (que pode ser qualquer pessoa – pois o sistema é totalmente aberto) entra diretamente no site e visualiza o mapa das compensações, podendo acessar as informações de qualquer árvore com um clique no mouse.

»De certa forma, o sistema chega a ser lúdico, mas não foi exatamente a diversão que motivou Rodolfo a criá-lo. Em 2003, a Prefeitura de Campinas publicou uma lei que determina o controle digital das áreas de reflorestamento fruto de compensações ambientais. E, em 2009, o governo paulista editou medida similar. Em tese, a regra deveria ser seguida por todas as cidades paulistas, mas não havia tecnologia para isso. Não havia até Rodolfo desenvolver esta solução.

»“Passou a ser exigido o cumprimento das leis a partir do momento em que passou a existir uma forma de viabilizar o cumprimento delas”, conta ele, e afirma que isso tem provocado uma verdadeira corrida de clientes pelo produto. Entre os clientes da Anubz estão a Pirelli, o Grupo Pão de Açúcar, a construtora Cyrela e a concessionária CCR. Em 2014 a Anubz faturou 234 mil reais, e a previsão era triplicar este valor em 2015. Além de Rodolfo, a empresa conta com três programadores.

»A aventura da Anubz entre as árvores começou em 2012. A empresa trabalhava com o desenvolvimento de plataformas de ensino à distância, quando foi procurada por uma construtora para criar um site para a gestão das árvores que plantaria para cumprir um acordo de compensação. Rodolfo quis saber o porquê daquilo. E descobriu ali as legislações que tratam do tema:

A aventura da Anubz entre as árvores começou em 2012. A empresa trabalhava com o desenvolvimento de plataformas de ensino à distância, quando foi procurada por uma construtora para criar um site para a gestão das árvores que plantaria para cumprir um acordo de compensação.

»“Pensei que, se uma empresa havia me procurado, outras também procurariam. E em vez de fazer um sistema para uma só, resolvi fazer um que pudesse atender outras também”.

»O papel da Anubz, além de criar e gerenciar o sistema, é produzir as tags – a instalação delas é feita pela empresa que faz o plantio. “Queríamos eficiência. Já que a empresa vai plantar, nada mais coerente que ela instale as tags também. Não faria sentido eu ter uma equipe só para isso. Processo em cima de processo encarece o produto”, diz Rodolfo.


»UM PRODUTO À PROVA DE FRAUDES

»As tags, aliás, são feitas com material ecológico e têm espaço para divulgação do logotipo da empresa investidora. O custo é de 1 real por mês para cada árvore (a legislação obriga a empresa compensadora a fazer a manutenção da área por dois anos). Mas há descontos progressivos, dependendo da quantidade plantada, que podem derrubar este valor pela metade.

»O sistema também favorece a fiscalização do reflorestamento pelos órgãos públicos. Se antes o levantamento das informações de todo o plantio demorava até oito meses, agora é feito em apenas um. E os técnicos nem precisam ir a campo: basta checar o mapa no site.

»“A empresa é obrigada a plantar 10 mil árvores. Quem vai contar? Agora, com a identificação de cada árvore, sabemos quantas exatamente são e onde estão”, diz Rodolfo. Como a legislação obriga a empresa compensadora a enviar uma foto da muda plantada com sua respectiva identificação, também não é possível criar uma “floresta de tags”. “Desenvolvemos um sistema onde é melhor fazer o certo do que tentar fraudar”, orgulha-se Rodolfo.

»A boa aceitação do Mais Verde levou Rodolfo a um evento paralelo da COP21, a Cúpula do Clima, em Paris, no fim do ano passado. Na embaixada brasileira, a convite do governo paulista, ele apresentou seu projeto junto com mais 25 empresas inovadoras. “Fui o primeiro porque foi em ordem alfabética. Não tinha muitas pretensões além de mostrar meu produto. Mas quando terminei minha fala e sentei na cadeira, já tinha gente me cutucando e dizendo ‘não sai daqui sem falar comigo’”, conta.

»Para Rodolfo, encarar esse tipo de situação exige 100% de confiança no seu produto. “Quem é Anubz perto de uma Natura, de uma Votorantim? Era esse pessoal que estava lá. Se você senta numa mesa dessas, para fazer esse pessoal tirar o escorpião do bolso, precisa ter o melhor produto do mundo, e é nisso que eu acredito”, afirma.


»QUANDO O PROPÓSITO NASCE COM A EMPRESA

»Fazer o certo, inclusive, está no DNA da Anubz. O nome da empresa remete ao deus egípcio responsável por julgar os mortos, e determinar se eles poderiam desfrutar do paraíso. Para isso, ele pesava de um lado o coração e de outro a sinceridade do defunto. O acesso ao céu só era permitido se o coração fosse mais leve que o conjunto de verdades da vida do morto. “É um senso de justiça pleno, de fazer o correto. Isso tem me guiado. E para equilibrar essa balança é preciso muita excelência”, diz Rodolfo.

»Como muitos empreendedores, Rodolfo é inquieto por natureza. Passou por três faculdades – fez um ano de design, quatro anos de publicidade e propaganda e mais um ano de gestão de TI –, mas nunca terminou nenhuma. Autodidata, precisou montar uma empresa, a Software House, aos 16 anos, para atender a Compaq. “Eu via a teoria na faculdade e já sabia que na prática era tudo diferente. Havia esse conflito”, conta.

»Com mais um sócio, chegou a liderar uma equipe de 18 pessoas. “Meu sócio era mais velho. A gente ia nas reuniões e todo mundo se dirigia sempre a ele. Nas questões mais técnicas, ele falava ‘olha, é com ele ali que vocês têm que falar’, e apontava para mim”, conta Rodolfo. Além da Compaq, atendia a rede bancária 24h, Motorola e a Associação Comercial de Campinas, entre outros clientes. Mas Rodolfo abandonou a sociedade para criar a Anubz e as plataformas de ensino à distância. Hoje, diz que o carro-chefe da empresa é o Mais Verde e aprendeu algumas lições sobre empreendedorismo:

»“Você tem que trabalhar de acordo com os resultados que almeja. Se quer um resultado mais ou menos, se empenhe mais ou menos. Agora, se quiser respeito entre os clientes, se quiser ser reconhecido pela excelência, aí bicho, aí o trabalho é grande”

»Entusiasta dos porquês, criador nato e autocrítico ao extremo, Rodolfo diz que busca no esporte uma forma de, literalmente, esfriar a cabeça. “Gosto muito de pedalar. É um sincronia com corpo e mente, você não cansa. Também jogo tênis, que exige concentração total. Se pensar na conta para pagar, perde três pontos na hora.” Entre seus hobbies, Rodolfo ainda enumera a culinária e a música eletrônica. “Fui DJ por dez anos e hoje também atuo como produtor”, conta.

»A paixão pelas árvores também não é coisa nova. Aos 5 anos, Rodolfo se mudou com sua família para um sítio, nos arredores de Campinas. “Tudo o que tinha para brincar era um quartinho de ferramentas e um pomar. Eu subia no pé para comer manga. Árvore era uma referência. As pessoas infelizmente perderam isso. Hoje cortam árvore por qualquer motivo. Fico feliz em estar ajudando a mudar isso.”


»DRAFT CARD

»Projeto:Anubz Innovative Solutions

»O que faz:Identifica árvores em projetos de compensação ambiental

»Sócio(s):Rodolfo Sousa Ramos

»Funcionários:4 (incluindo Rodolfo)

»Sede:Campinas (SP)

»Início das atividades:2012

»Investimento inicial:NI

»Faturamento:R$ 234 mil em 2014

»Contato:talk@anu.bz»





Um inovador

2016/04/26

«Município da Guarda promove o corte de dezenas de árvores de grande porte na cidade»



Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza.
Verdadeiro Olhar



«O projeto de rearborização da AV. Cidade Salamanca, na cidade da Guarda, tem estado no centro da polémica devido ao abate de dezenas de árvores sem uma fundamentação aceitável. A Câmara Municipal da Guarda contraria o proposto num relatório de análise técnica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que refere a necessidade de abate de apenas 1 árvore na Av. Cidade de Salamanca por se apresentar segundo o relatório “(…) numa condição de declínio acentuada e/ou a colocar em risco pessoas e bens pela possibilidade de fratura de ramos ou da queda da própria árvore (…)”. A Quercus tem conhecimento de que a referida árvore já foi cortada em 2015, através de comunicação da UTAD à Câmara Municipal da Guarda onde esta Universidade demonstra o desagrado pela intervenção publicitada pelo Município não estar de acordo com os pareceres técnicos da UTAD.

»No sítio da internet do Município da Guarda, existe apenas uma informação “Rearborização da Av. Cidade de Salamanca arranca a 1 de Março”, em que não é dado destaque nenhum ao abate indiscriminado de 40 Cedros, assim como Tílias de grande porte. A Quercus compreende a necessidade de substituição de algumas árvores, mas deveria ser efetuado um planeamento faseado ao longo de vários anos e não cortar todo o arvoredo urbano na antiga N16 em poucos dias, pelo que apela à suspensão do abate perpetuado pelo Município da Guarda.

»O corte raso de árvores saudáveis de grande porte continuou após diversos alertas e as reações não se fizeram esperar, surgiu um movimento cívico a contestar esta situação, tendo sido criado recentemente uma Petição Pública “Cessação imediata do abate de árvores na Guarda” para a Câmara Municipal atuar no sentido de reverter o dano e que conta ao fim dos primeiros dias, já com quase 700 assinaturas contra o abate das árvores (pode assinar a petição em http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT80278).

»A Quercus interpôs no passado dia 2 de Março, uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco contra a Câmara Municipal da Guarda, quepermaneceu indisponível para prestar qualquer tipo de informação esclarecedora e para suspender a ação do corte de árvores de grande porte. A Associação Nacional de Conservação da Natureza aguarda uma decisão do tribunal e espera que exista bom senso por parte do Município para parar com esta situação danosa para o património arbóreo da Guarda. Considera ainda que os prestadores de serviço de arboricultura não devem compactuar com este tipo de decisões pouco fundamentadas e avaliar a pertinência do abate de árvores.

»As árvores são um bem público e, por isso, devemos estar conscientes da ameaça que o seu corte desmedido representa para a ecologia e conservação da Natureza.

A Quercus compreende a necessidade de substituição de algumas árvores, mas deveria ser efetuado um planeamento faseado ao longo de vários anos e não cortar todo o arvoredo urbano na antiga N16 em poucos dias, pelo que apela à suspensão do abate perpetuado pelo Município da Guarda.

»O corte raso de árvores saudáveis de grande porte continuou após diversos alertas e as reações não se fizeram esperar, surgiu um movimento cívico a contestar esta situação, tendo sido criado recentemente uma Petição Pública “Cessação imediata do abate de árvores na Guarda” para a Câmara Municipal atuar no sentido de reverter o dano e que conta ao fim dos primeiros dias, já com quase 700 assinaturas contra o abate das árvores (pode assinar a petição em http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT80278).

»A Quercus interpôs no passado dia 2 de Março, uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco contra a Câmara Municipal da Guarda, quepermaneceu indisponível para prestar qualquer tipo de informação esclarecedora e para suspender a ação do corte de árvores de grande porte. A Associação Nacional de Conservação da Natureza aguarda uma decisão do tribunal e espera que exista bom senso por parte do Município para parar com esta situação danosa para o património arbóreo da Guarda. Considera ainda que os prestadores de serviço de arboricultura não devem compactuar com este tipo de decisões pouco fundamentadas e avaliar a pertinência do abate de árvores.

»As árvores são um bem público e, por isso, devemos estar conscientes da ameaça que o seu corte desmedido representa para a ecologia e conservação da Natureza.»





Administração Pública e inovação

2016/04/25

Newsletter L&I, n.º 101 (2016-04-25)



n.º 101 (2016-04-25)


Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

«Em boas mãos: Rússia e Irã desenvolvem logística de transporte de carga comercial» ( ► )
«Supera Parque inaugura laboratório de compatibilidade eletromagnética» ( ► )
«Frederico Bussinger: “O novo, nos portos, pode ser o velho”» ( ► )
João Benedetto: «Inovação em tecnologia de dados auxilia crescimento do varejo» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«João Almeida Lopes, Presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma): “Desconheço países com quotas de genéricos tão altas como as nossas”» ( ► )
«BMW introduz robots autónomos na sua logística» ( ► )
«Santarém recebe Roadshow Portugal Global» ( ► )
«Cascais: da eficácia à eficiência nos resíduos» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

«Hidalgo siembra semilla logística con centro de innovación» ( ► )
«Los estudiantes imaginan cómo será la cadena de suministros del mañana» ( ► )
«La innovación revolucionará el Salón Internacional de la Logística y de la Manutención (SIL) 2016)» ( ► )
«Megacamiones que siembran dudas» ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

«VNF lance un centre d’innovation fluviale» ( ► )
«Prix de l’innovation logistique de la SITL 2016 : 5 lauréats récompensés» ( ► )
«Avec les robots collaboratifs, la robolution gagne les chaînes logistiques de la Deutsche Post» ( ► )
«Trois start-up marocaines qui incitent au partage» ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

Sandy Verma: «Tapping into the power of the IoT: Three questions to ask your team» ( ► )
«Kaleido Logistics launches Logistics Tech Accelerator» ( ► )
Dhruvil Sanghvi: «Technological innovations and new trends in logistics, supply chain management» ( ► )
«Robots set to aid postal workers with deliveries in Germany» ( ► )

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2016/04/22

«Cascais: da eficácia à eficiência nos resíduos»



Patrícia Silva. Revista Smart Cities - Cidades Sustentáveis



«Computadores de bordo acompanham os circuitos das viaturas, enquanto as recolhas são registadas automaticamente, através de etiquetas com tecnologia RFID (radiofrequência) colocadas nos contentores. Todas as anomalias ou necessidades extra – tais como contentores danificados ou sujos, objectos fora de uso ou resíduos verdes abandonados na via pública – são identificadas e a informação sobre o nível de enchimento dos contentores, captada por sensores, é disponibilizada on-line. Assim se faz a gestão inteligente de resíduos em Cascais, de uma forma “inédita” a nível nacional, com base numa plataforma única.

»Integrando duas tecnologias inovadoras, conectadas à operação de recolha de resíduos no terreno, o sistema de “Gestão de Resíduos e de Sensores de Enchimento das Ilhas Ecológicas” utilizado pela empresa municipal Cascais Ambiente engloba o software Mawis da Moba, para a gestão de resíduos, e sensores de leitura do nível de enchimento dos ecopontos e comunicação à distância da Smartbin. “Pode dizer-se que as operações de recolha e limpeza urbana passaram de muito eficazes para simplesmente eficientes”, sumariza, à Smart Cities, a câmara municipal de Cascais.

Integrando duas tecnologias inovadoras, conectadas à operação de recolha de resíduos no terreno, o sistema de “Gestão de Resíduos e de Sensores de Enchimento das Ilhas Ecológicas” utilizado pela empresa municipal Cascais Ambiente engloba o software Mawis da Moba, para a gestão de resíduos, e sensores de leitura do nível de enchimento dos ecopontos e comunicação à distância da Smartbin.

»O resultado? Uma diminuição de cerca de 13% nos gastos directos da Cascais Ambiente com a prestação dos serviços de recolha, entre 2011 e 2014, muito em parte devido à redução, “de forma significativa”, do número de circuitos realizados e consequentes cortes no consumo de combustível e manutenção de viaturas. Além disso, foram evitadas 264 toneladas de emissões de CO2, em 2014, registando-se “uma maior quantidade de resíduos” recolhida.

»Com esta informação “bastante detalhada” em mãos, além de reduzir custos, ao longo dos últimos anos, “sem colocar em causa o normal funcionamento dos serviços”, a Cascais Ambiente “melhorou a satisfação por parte dos munícipes”, assegura a câmara municipal. Até porque, descreve a autarquia cascalense, “o acesso a dados reais e actualizados e a criação de histórico permitiram suportar os processos de decisão e moldar as operações de recolha de acordo com uma realidade em constante mutação”.

»Após a instalação de várias unidades, em 2013, como forma de testar e validar o modelo e a tecnologia, hoje, o sistema está em pleno funcionamento, sendo que todos os contentores subterrâneos, por exemplo, usam a tecnologia de leitura dos níveis de enchimento, ao passo que a mesma informação sobre os ecopontos é obtida por análise visual, posteriormente incorporada na plataforma.

»Esta plataforma de gestão de resíduos da Cascais Ambiente é, de resto, já considerada uma referência, tendo sido reconhecida com o prémio “A Smart Project for Smart Cities”, cujo objectivo é reconhecer o mérito de projectos que visam o desenvolvimento de cidades inovadoras, sustentáveis, inclusivas e conectadas, atribuído pela INTELI - Inteligência em Inovação, Centro de Inovação, no âmbito da edição do ano passado da Green Business Week – Semana para o Crescimento Verde.

»“O conhecimento adquirido pelo savoir faire deixou de ser suficiente, uma vez que o meio empresarial no qual as empresas operam apresenta características diferentes, tanto em termos logísticos (inúmeros fluxos de resíduos para recolher), como financeiros (restrições orçamentais)”, reconhece a câmara municipal de Cascais, concluindo, por isso, que “a ligação entre sistemas de informação, munícipes participativos e profissionais dedicados, motivados e competentes na Cascais Ambiente permitiu alcançar um nível de excelência na qualidade de serviço prestado, garantindo margem para constante inovação, o que se traduz numa vantagem competitiva ímpar no sector da Higiene Urbana”.

»Cascais será um dos municípios que marcará presença na conferência ZOOM Smart Cities, a realizar nos próximos dias 18 e 19 de Maio.»





A execução da inovaçao

2016/04/21

«Santarém recebe Roadshow Portugal Global»



O Mirante



«Santarém recebe esta quarta-feira, 7 de Abril, o Roadshow Portugal Global, uma iniciativa da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal que este ano vai passar por seis regiões consideradas de elevado potencial de internacionalização de negócios. A cadeia logística do sector agroalimentar e o mercado holandês são os destaques da sessão.

»Durante um dia, oradores internacionais, especialistas de mercado, seminários temáticos, networking e speed meetings prepararam as empresas para competir com sucesso no palco internacional. Este ano o mote é “Cooperação e Competição – chave para a competitividade nos Mercados Externos”.

Este ano o mote é “Cooperação e Competição – chave para a competitividade nos Mercados Externos”.

»A recepção protocolar aos participantes decorreu na tarde de terça-feira, 5 de Abril, na Casa do Brasil em Santarém e contou com discursos do presidente da câmara, Ricardo Gonçalves, e do presidente da AICEP, Miguel Frasquilho. Na mesa esteve ainda o secretário-geral do Millennium BCP, Miguel Magalhães Duarte, e o dirigente da Nersant António Campos.

»A cerimónia contou com a presença de mais de 30 pessoas, entre empresários e figuras ligadas ao evento, que após os breves discursos de circunstância tiveram uma visita guiada pela Casa do Brasil - Casa Pedro Álvares Cabral, seguindo-se um período de confraternização informal entre os presentes.

»O Roadshow Portugal Global está na segunda edição e decorre pela primeira vez em Santarém. Os trabalhos têm lugar no Convento de São Francisco, durante a manhã, e no CIES - Centro de Inovação Empresarial de Santarém da parte da tarde. A iniciativa já passou por Setúbal e vai ainda ter sessões em Viana do Castelo, Guimarães, Aveiro e Leiria.»





Uma inovação

2016/04/20

«BMW introduz robots autónomos na sua logística»



Turbo



«A BMW está a dar início à produção de robots autónomos, alimentados por baterias recicladas de BMWs i3, que ajudam as diversas equipas na coleta de materiais.

»A planta da BMW em Wackersdorf, que fornece componentes aos centros internacionais de produção e montagem do grupo, tem agora "um novo funcionário", com a adição à equipa de um robot autónomo para transporte de materiais, com o simples tamanho de uma mala, que através dos seus transmissores de rádio, sensores e do seu mapa digital é capaz de identificar obstáculos que cruzem o seu caminho. Funcionará principalmente como um veículo de transporte no solo, e como para fazer a navegação recorre apenas a transmissores montados nas paredes das salas onde circular, existe a possibilidade de expansão para outras áreas de logística.

O grupo BMW contou com a colaboração do Instituto Fraunhofer para este projeto, designado de BMW Enterprise Lab for Flexible Logistics, criada em Setembro de 2015.

»Para além de possuir contentores personalizados à dimensão dos materiais que transporta, uma grande prioridade passa por obter uma capacidade de bateria suficiente para atender aos requisitos logísticos da empresa. Desta forma, os robôs serão equipados com baterias de veículos BMW i3 reutilizadas de forma substancial, capazes de fornecer até oito horas de energia.

»O grupo BMW contou com a colaboração do Instituto Fraunhofer para este projeto, designado de BMW Enterprise Lab for Flexible Logistics, criada em Setembro de 2015. Os primeiros resultados deste projeto serão apresentados na feira LogiMAT em Estugarda, bem como no fórum “New transport robots - agile, strong, versatile” (Novos robôs de transporte - ágeis, fortes e versáteis). No futuro, o Smart Transport Robot poderá ser utilizado tanto na área de montagem, como na área de embalagem de logística, o que simplifica o processo de coleta de materiais para os trabalhadores nos respetivos departamentos. Neste momento, o robô está a ser desenvolvido e testado no Innovation Park da BMW em Wackersdorf.»





Um inovador

2016/04/19

«João Almeida Lopes, Presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma): “Desconheço países com quotas de genéricos tão altas como as nossas”»



Vera Lúcia Arreigoso. Expresso.



«Formado em Finanças, o rosto da indústria farmacêutica em Portugal garante que na Saúde o orçamento só deve ser central quando não chega para dar cuidados a quem precisa. João Almeida Lopes está confiante de que o novo governante Adalberto Campos Fernandes vai acabar com os “cortes cegos” que durante quase dois anos vetaram aos portugueses o acesso a tudo o que era inovador.


»Disse recentemente que este ministro da Saúde traz uma nova perspetiva e expectativas.

»Sim. Na entrevista que deu ao Expresso o próprio ministro refere que a Saúde deve ser vista mais como um investimento do que como uma despesa e isto é todo um olhar diferente. É pensar que o grande objetivo é dar Saúde à sociedade. O orçamento só nos deve preocupar se não estiver adequado à realidade da Saúde que a sociedade exige e os cidadãos querem.


»O ministro não está preocupado com o orçamento?

»Claro que está, mas pela primeira vez temos um ministro que assume que a Saúde é um investimento. E como muito bem referiu o Presidente da República, a importância da Saúde é tal que, de facto, faz sentido falar num pacto.


»Há uma sintonia de visões apesar da divergência política entre o Governo e a Presidência da República.

»Não tenho dúvida nenhuma. Para qualquer de nós, a saúde é das coisas mais importantes na vida e não faz sentido que seja gerida unicamente de uma maneira economicista e em termos do orçamento.


»A Saúde é valiosa mas isso não se reflete nos orçamentos.

»Se há área que deveria ter um financiamento adequado à sua dimensão e necessidades é a Saúde.


»Daí o ministro afirmar que há subfinanciamento crónico.

»A Apifarma também o diz há anos.


»O sistema de Saúde vai conseguir pagar cada vez mais?

»A sociedade vai ter de pensar. São opções políticas, nas quais investimos mais os recursos. Todos ficamos extasiados com o desenvolvimento das técnicas e ao percebermos que as pessoas lá em casa podem viver muito mais e com uma qualidade incomparavelmente melhor e é evidente que isso vai necessitar de outro tipo de desafios, de escolhas, de organização... vai ter impactos transversais na sociedade.


»O Governo quer gastar este ano €2 mil milhões em medicamentos e as farmacêuticas prometem um desconto de €200 milhões. A população vai continuar a ter as terapêuticas se o plafond for ultrapassado?

»Sim, só teremos de adaptar os nossos orçamentos. Os acordos deste tipo são soluções de compromisso e um esforço conjunto para minorar o impacto do subfinanciamento, que calculamos que ronde €300 a €350 milhões. E o medicamento só representa 25%, se representar. Tratamos hoje muito mais pessoas e não faz sentido que sistematicamente se queira manter os números.


»O desconto de €200 milhões é maior do que os anteriores?

»Teoricamente é o maior de sempre, mas em termos práticos não vai ser muito diferente do que foi feito no ano passado. Como, obviamente, não vão faltar medicamentos a nenhum português, no final têm de ser feitos acertos e acabamos por ficar relativamente próximos. O problema é outro: por força da assistência financeira e a continuação da rigidez dos orçamentos a que Portugal tem estado obrigado, os orçamentos da Saúde para investimentos em medicamentos têm sido cada vez mais insuficientes. E tornam-se ainda mais quando aparece inovação extremamente disruptiva e que não pode deixar de ser utilizada.


Por força da assistência financeira e a continuação da rigidez dos orçamentos a que Portugal tem estado obrigado, os orçamentos da Saúde para investimentos em medicamentos têm sido cada vez mais insuficientes. E tornam-se ainda mais quando aparece inovação extremamente disruptiva e que não pode deixar de ser utilizada.

»Está a dizer que haverá alguns medicamentos e tecnologias que não vão ser dados?

»A inovação vai chegando. Às vezes demora mais de um ano. A avaliação em Portugal não é das mais céleres, mas há garantia do ministro de que não existirão ‘vetos de gaveta’. As avaliações têm de ser feitas e se forem positivas, dis- ponibilizadas. Temos sugerido que os orçamentos sejam para mais de um ano, com uma Lei de Programação da Saúde.


»Houve ‘vetos de gaveta’ no governo anterior?

»Completamente. Durante um ano e meio a dois anos, desde o período de assistência financeira até meados de 2013, não existiu praticamente aprovação de nenhuma inovação. Tirando casos esporádicos, não houve qualquer avanço nos tratamentos.


»Prescrever mais genéricos para gerar poupanças para pagar a inovação faz sentido?

»Não temos nada contra, mas as quotas de genéricos em Portugal são elevadas. Aliás, desconheço que haja países com quotas de mercado de genéricos tão altas como as nossas: Espanha não tem, Itália, França...


»Tem a Alemanha.

»Mas o sistema de saúde na Alemanha é completamente diferente do português e temos de comparar realidades que são comparáveis. Não é realista que a quota de genéricos possa progredir sem a entrada de novos medicamentos.


»Concorda com o atual sistema de preços por referência com outros países?

»Tem de existir sempre, mas alguns países de comparação não fazem sentido, como a Eslovénia ou a Eslováquia. Não queiram ver o que é o Serviço Nacional de Saúde desses países... Faz sentido a Espanha, a França... O efeito perverso é que os doentes vão às farmácias e não têm os medicamentos, porque são tão baratos que as cadeias de logística preferem reexportar.


»Pagar pelos ganhos para o doente e não pelo preço da caixa é um modelo para ficar?

»É uma tendência atual e faz sentido, até porque na maior parte dos casos estamos a falar de tecnologias tão inovadoras [e caras] que temos de tentar encontrar soluções.


»Em que áreas são esperadas mais inovações?

»As hepatites vão continuar na ‘crista da onda’ e a oncologia vai ter saltos enormíssimos e desenvolvimentos espantosos com grande impacto na vida das pessoas.


»E os portugueses vão ter acesso, como têm um espanhol ou um norte-americano?

»Está a pedir-me um comentário muito político [risos]. Acabaremos por ter, mas será ao fim de um ano ou mais. E é preciso que seja mais cedo. Estamos perante uma onda gigante e estonteante de inovação, que começou na hepatite e vai passar para a oncologia com o mesmo tipo de impacto. Isto é, capaz de proporcionar mais dois, três anos de vida aos doentes e enquanto sociedade temos de pensar como estamos e onde queremos estar.»





Administração Pública e inovação

2016/04/18

Newsletter L&I, n.º 100 (2016-04-18)



n.º 100 (2016-04-18)


Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

«Redução da violência não se resume a policiamento» ( ► )
«Ranking de Competitividade dos Estados: para comparar e cobrar» ( ► )
«TSYS conclui a aquisição da TransFirst» ( ► )
Fábio Saad: «Que legado as startups deixarão para a cultura corporativa?» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«BNU Macau: “Somos a plataforma para entrar no mercado da China”» ( ► )
«Bon Bon é poder jantar no novo estrela Michelin português» ( ► )
Ana Pimentel: «Liderar antes dos 30. Do que é que eles têm medo?» ( ► )
Bruno Mourão com Elsa Pereira: «Pela primeira vez em quase 250 anos, uma mulher lidera Bolsa» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

Ricardo Rodríguez Vargas. Omar Williams López Ovalle. Opinión LJA: «Esfera Pública: Innovar, la clave para competir» ( ► )
«Lucy Crespo y su objetivo de innovar a Puerto Rico» ( ► )
«¿Quiere innovar? Adiós a su zona de confort» ( ► )
«Conozca a los 40 menores de 40». Selección de El Financiero (Puerto Rico) ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

Bernard Planchais: «Comment innover en politique en s’inspirant
de l’industrie» ( ► )
«Le Patronat de Guinée (PAG), distingué meilleure Organisation Patronale 2015 en Guinée» ( ► )
Regine Turmeau: «5 conseils à retenir de “Le leadership humainement intelligent de demain”» ( ► )
«Inauguration de l’African Leadership College Campus à Maurice – Graça Machel: “Jeter les bases des futurs leaders africains”» ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

James Hasik: «Innovating Faster, Cheaper and Smaller at the Pentagon» ( ► )
«Koo Govender - CEO of the Dentsu Aegis Network» ( ► )
Caroline Kennedy-Pipe, James I. Rogers & Tom Waldman: «Remote Control Project Briefing - ‘Drone Chic’» ( ► )
«Leadership When Things Go Wrong» ( ► )

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2016/04/15

«Pela primeira vez em quase 250 anos, uma mulher lidera Bolsa»



Bruno Mourão com Elsa Pereira. Notícias ao Minuto



«Euronext nomeou antiga gestora da Caixa Geral de Depósitos para a posição mais importante do mercado nacional. Transição progressiva deverá estar concluída já este ano.

»A nova presidente executiva da bolsa de Lisboa já está escolhida. Aos 44 anos, Maria João Carioca Rodrigues assume aquele que será provavelmente o seu maior desafio profissional, saindo da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos para chefiar o mercado nacional.

»“A Euronext anuncia que o Supervisory Board aprovou por unanimidade a nomeação de Maria João Borges Carioca Rodrigues como CEO da Euronext Lisbon, CEO da Interbolsa e membro do Conselho de Administração da Euronext N.V”, pode ler-se no comunicado divulgado hoje pela CMVM. A confirmação da nova liderança do mercado acionista nacional aguarda agora “todas as aprovações relevantes regulatórias e dos accionistas”.

»Com a nomeação de Maria João Borges Carioca, a Euronext confirma a primeira liderança feminina oficial desde 1769. É preciso, no entanto, ressalvar que Isabel Ucha era a líder interina da Euronext desde a saída de Luís Laginha de Sousa.

Isabel Ucha era a líder interina da Euronext desde a saída de Luís Laginha de Sousa.

»“Maria João Carioca Rodrigues irá juntar-se à Euronext durante o segundo semestre de 2016, depois de completar as suas atuais tarefas na CGD”, esclarece a comunicação, antes de explicar como irá funcionar o mercado nacional durante os próximos três meses.

»“Para garantir uma transição suave, Isabel Ucha, atualmente CEO interina da Euronext Lisbon, e Rui Matos, atualmente CEO interino da Interbolsa, concordaram em permanecer nestes cargos até que Maria João Carioca Rodrigues seja nomeada oficialmente”.

»“Estamos muito satisfeitos em receber Maria João Carioca Rodrigues na nossa equipa e agradecemos-lhe por aceitar esta posição chave no seio do grupo”, assume o CEO e Presidente do Conselho de Administração da Euronext.

»Stéphane Boujnah garante que a Euronext dá “as boas vindas a pessoas dinâmicas como Maria João que contribuem ativamente para promover a inovação” e assume o otimismo para o futuro: “Estou confiante de que sua forte experiência em mercados financeiros permitirá que continue a desenvolver as nossas operações em Portugal”.»





A execução da inovaçao

2016/04/14

Ana Pimentel: «Liderar antes dos 30. Do que é que eles têm medo?»



Observador



«Miguel Amaro tem 26 anos e lidera 140 pessoas. Tiago Paiva tem 29 e é responsável por 198. Diogo Guerra, 29, por 35. E entre a gestão da cultura, salários e equipas, há desafios por gerir. E emoções.

»Miguel Santo Amaro tem 26 anos e 140 pessoas para gerir na Uniplaces. Quando o Observador lhe pergunta o que é que o assusta, lembra o primeiro colaborador que contratou. Tinha 22 anos. Conta que teve de o fazer acreditar mais num sonho do que noutra coisa qualquer. E que se isso não lhe tirou o sono – porque pouca coisa consegue fazê-lo -, foi, por sua vez, uma angústia. Causou-lhe mais ansiedade do que quando o Benfica perde, brinca. A partir dali, havia uma família a depender dele. Hoje, são 140. E Miguel Amaro ainda se questiona: estarão todos a tentar resolver o problema certo na startup portuguesa com mais capital de risco angariado em rondas de investimento, cerca de 26 milhões de euros?

»Medo, raiva, tristeza e alegria. E mais de 100 pessoas para gerir. Ilustra-se a liderança com emoções primárias – aquelas que têm como objetivo preservar e assegurar a sobrevivência da espécie (neste caso, da equipa) -, porque gerir vai além das contas. Deve chegar à emoção. Pedro Barbosa da Rocha, especialista em stress e bem-estar na Oficina de Psicologia, não duvida. “As emoções desempenham um papel determinante na hora de tomarmos decisões, pelo impacto que têm na motivação dos colaboradores. São elas, muitas vezes, as responsáveis pela capacidade de um colaborador se transcender. Se um grupo de pessoas é o conjunto da força de cada um, uma equipa é o conjunto da força de cada um potenciada pela dinâmica entre si. É como se o todo fosse maior do que as partes”, explica.

»Miguel Santo Amaro não é o único líder sub-30 com angústias para partilhar. Tiago Paiva foi um dos jovens destacados pela revista Forbes na categoria “30 under 30” pelo trabalho que juntamente com Cristina Fonseca tem vindo a desenvolver na Talkdesk, a startup portuguesa que angariou 21,8 milhões de euros em investimento e emprega 198 pessoas. Tem 29 anos. Diogo Guerra não é fundador da Feedzai, mas é o colaborador número um. Aos 29 anos, é responsável pela equipa de desenvolvimento de produto da startup que está no top 3 das mais inovadoras da Europa e que totaliza um investimento de 23,4 milhões de euros. Lidera a equipa desde os 25 anos.

»No centro, todos têm uma missão comum: a de levar as empresas a bom porto, ou seja, à sustentabilidade financeira. E de fazer com que o tal todo seja maior do que as partes. Talvez seja por isso que Teresa Oliveira, docente na formação de executivos da Universidade Católica de Lisboa e no The Lisbon MBA, fala na importância de incluir o outro. “O que se perspetiva é que a liderança seja, no futuro, a capacidade de mobilizar e desenvolver os outros, acima de tudo, dando-lhes autonomia e liberdade. Até se fala em algo que é a liderança coletiva, a perspetiva de que o gestor pode ser liderado por um colaborador seu”, afirma. Se assim for, todas as pessoas da empresa têm responsabilidade pelos resultados finais. E lideram.

»São jovens com milhões de euros para gerir, modelos de negócio em teste e resultados que ainda podem estar longe de fazer sorrir investidores. O que preocupa quem contrata, gere e faz crescer o motor de cada startup – as pessoas?



»Miguel Amaro. “Estamos todos a trabalhar no problema certo?”

»Miguel Santo Amaro, Mariano Kostelec e Ben Grech fundaram a Uniplaces – plataforma online de alojamento de estudantes universitários – em 2012. O líder Miguel Amaro tinha 22 anos. Nunca teve outro emprego que não a sua empresa. Aos 26, a Uniplaces tornou-se a casa de cerca de 140 colaboradores e a inauguração do novo escritório, em Lisboa, até contou com a presença do primeiro-ministro António Costa. Para Miguel Santo Amaro, os desafios são vários, mas há uma pergunta que, várias vezes, lhe invade a consciência: estarão todos a tentar resolver o problema certo?

»“Uma frustração constante para alguns pode ser um desafio para outros. Eu prefiro que seja um desafio: estamos a tentar resolver o problema certo? É fácil estarmos ocupados e trabalharmos muito, mas podemos estar a trabalhar muito nos problemas errados. Estamos a trabalhar nas soluções que fazem sentido ou nas coisas mais fáceis – que não dão resultados sustentáveis no longo prazo?”, questiona. A par das incertezas, há as pessoas. Recrutá-las, mantê-las e apostar no seu desenvolvimento pessoal. Encontrar o talento certo para a função certa é outra das dores de cabeça. Quatro anos depois de ter lançado a Uniplaces, Miguel Santo Amaro ainda está envolvido no processo de recrutamento de todos os colaboradores. “Entrevisto todas as pessoas que vêm para a empresa”, diz.

»Respirar Uniplaces quase 24 horas por dia também acabou por ter impacto na forma como lidera a startup, que hoje está presente em 39 cidades, de nove países. Nos primeiros três anos, quase que não tirava férias. Até que percebeu que isso acabava por inibir as pessoas de gozar os dias de descanso a que têm direito. “Tinha um impacto negativo na empresa, porque tu és o exemplo destas pessoas. Se trabalhas até tarde e não tiras férias, eles fazem igual. E uma coisa que aprendi é que descansar é importante, estar satisfeito a nível pessoal é importante. E desde que percebemos isso que decidimos obrigar-nos a tirar férias. De quatro em quatro meses, um de nós tira férias, nem que seja uma semana. Para as pessoas perceberem que isso é importante”, explica.

»“Tivemos de o fazer acreditar mais num sonho do que noutra coisa qualquer. E isso fez-me alguma confusão, porque sabia que tinha de lhe pagar um salário. Quando começas a perceber que tens famílias que estão dependentes de ti, isso faz-te pensar duas vezes antes de tomares decisões.”

»Miguel Santo Amaro, fundador da Uniplaces.


»Miguel Santo Amaro recorda o dia em que contratou o colaborador número um da Uniplaces, um programador mais velho do que os fundadores, já com família, que ainda hoje se mantém na empresa. “Na altura, a Uniplaces era só uma ideia, nem investimento externo tinha. Tivemos de o fazer acreditar mais num sonho do que noutra coisa qualquer. E isso fez-me alguma confusão, porque sabia que tinha de lhe pagar um salário. Quando começas a perceber que tens famílias que estão dependentes de ti, isso faz-te pensar duas vezes antes de tomares decisões”, afirma.

»E se não foram raras as vezes em que contratou pessoas mais velhas do que ele, Miguel Santo Amaro optou por “pedir ajuda”, reconhecendo que precisava de “pessoas muito boas” na Uniplaces, para poder aprender com elas. Funciona como uma provocação positiva, explica: “Eu não consigo dominar todas as realidades e preciso da vossa ajuda.” E é nas pessoas que se centram muitas das inquietudes do fundador. “Como é que desenvolves este talento todo quando estás a crescer a um ritmo muito acelerado? Como é que defines o ADN da Unilaces e crias, ao mesmo tempo, ferramentas que te permitem facilitar o desenvolvimento de cada pessoa? São pessoas com perfis totalmente diferentes, de áreas diferentes, países diferentes e estás a tentar criar uma cultura única”, diz.

»Na base do desenvolvimento, está o recrutamento. O processo começa na escolha de quem vai vestir a camisola da Uniplaces. E quem o fizer terá de ter as competências certas, integrar-se na cultura da empresa e gostar de trabalhar em equipa. “O efeito dessa pessoa é multiplicador? Vai ajudar os outros membros da equipa a quererem ser melhores também?”, explica Miguel Santo Amaro. Para ajudar as pessoas a crescer dentro da Uniplaces, os fundadores criaram programas de incentivos, que também permitam desenvolver uma “cultura de excelência, onde não se aceita a mediocridade”.



»Tiago Paiva. “Como é que manténs estas pessoas todas motivadas?”

»Tiago Paiva e Cristina Fonseca lançaram a solução que permite “criar um call-center em cinco minutos” em 2011. Tinham cerca de 24 anos. No início de 2016, foram ambos destacados pela revista Forbes na secção de “30 Under 30” e, hoje, a Talkdesk emprega 198 colaboradores. No último ano contratou cerca de 180. À frente do pelotão que se divide entre os escritórios de Lisboa e de Silicon Valley, está Tiago Paiva, de 29 anos. Conta que a experiência de gerir a equipa mudou muito no último ano, quando passaram de cerca de 15 colaboradores para perto de 200.

»“Antes, éramos nós que tínhamos de fazer tudo, de vendas a suporte, o que foi bom, porque aprendes um pouco de tudo, mas é complicado. Porque é preciso deixar os clientes contentes, angariar novos clientes, cumprir com os requisitos dos investidores, garantir que o produto continua a ser construído, que funciona. Agora, tenho cinco ou seis pessoas que me ajudam a fazer isto”, conta Tiago Paiva, para quem o desafio é sempre crescer rápido o suficiente, contratando as pessoas certas. Essa é a preocupação até ao final do ano: contratar o talento certo para a próxima fase da empresa. O empreendedor quer fechar 2016 com mais de 300 colaboradores.

»“Acho que a parte mais complicada é mesmo a do início, quando somos uma equipa pequenina e não temos muito dinheiro. Queremos saber como ter estas primeiras pessoas motivadas na empresa, porque não podemos pagar-lhes muito e estamos focados em fazer crescer a empresa. Então, como é que mantemos as pessoas motivadas? Acho que a única maneira de isso acontecer é fazendo com que eles vejam alguém como um líder. Quando olham para mim, eles têm de saber e acreditar [que vamos conseguir]”, explica Tiago Paiva.

»Tal como Miguel Santo Amaro, também Tiago Paiva é exigente na contratação e gosta de ter pessoas mais experientes por perto. “Só contrato pessoas mais inteligentes ou melhores do que eu. Se há coisa importante numa empresa é saber contratar as pessoas certas, que vivam ao máximo [a empresa] e que lutem todos os dias para conseguirmos chegar onde queremos”, explica o fundador da empresa que já tem nomes como a Box e a Dropbox entre os clientes. Sobre a jovem idade, o líder conta que nunca sentiu que fosse um problema. “As pessoas valorizam o que foi feito até agora e ninguém pode dizer que nós não fizemos nada”, diz.

»“Só contrato pessoas mais inteligentes ou melhores do que eu. Se há coisa importante numa empresa é saber contratar as pessoas certas, que vivam ao máximo [a empresa] e que lutem todos os dias para conseguirmos chegar onde queremos.”

»Tiago Paiva, fundador da Talkdesk.


»A cofundadora da Talkdesk, Cristina Fonseca, saiu das operações diárias da empresa em fevereiro e a notícia apanhou o ecossistema de empreendedores de surpresa. Mas Tiago conta que foi uma decisão pensada e planeada de forma a não afetar a atividade da Talkdesk. Liderar perto de 200 pessoas que se dividem entre dois continentes não é tarefa fácil, mas Tiago Paiva diz que tenta vir a Lisboa uma vez por mês. Pelo meio, fica a vida pessoal, conta. Mas não se queixa, ainda que entre às 8h00 e saia por volta das 23h00. “Não sinto falta. Acho que isto vale mais do que muita coisa. Tenho 29 anos e tempo para pensar na minha vida pessoal.”



»Diogo Guerra. “Conseguimos garantir que a equipa está toda alinhada com a cultura da Feedzai?”

»Diogo Guerra foi o colaborador número um da Feedzai, o software que Nuno Sebastião, Paulo Marques e Pedro Bizarro desenvolveram para combater a fraude nos pagamentos eletrónicos. Há seis anos e meio na empresa que foi considerada pela organização do Tech Tour uma das três empresas mais inovadoras da Europa e o “único potencial unicórnio” português, é o responsável pela equipa de desenvolvimento de produto, que envolve cerca de 35 pessoas. Tem 29 anos. Ao Observador, diz não ter dúvidas: o maior desafio que sente é o de fazer crescer a equipa rapidamente enquanto assegura o desenvolvimento do produto.

»“Somos muito exigentes a recrutar. Procuramos os melhores e isto tem dois lados: o lado das competências técnicas e o das soft skills (interpessoais), porque andamos à procura de pessoas com um crivo muito elevado, com uma vontade muito grande de fazer coisas inovadoras”, explica Diogo Guerra, acrescentando que, em 2015, a Feedzai recebeu duas mil candidaturas, mas só contratou 2%, cerca de 40 pessoas. “Não encontrávamos as pessoas certas, que reunissem estas características”, diz. Se, por um lado, as universidades não estão a preparar os jovens para o mercado de trabalho, certo é que a tecnologia desenvolvida pela empresa “tem um nível de engenharia considerado elevado”.

»E como também acontece na Uniplaces e na Talkdesk, aqui, também o desenvolvimento das pessoas preocupa Diogo Guerra. “Neste momento, o nosso maior problema é conseguir garantir que as pessoas estão todas alinhadas e partilham a cultura que construímos na Feedzai. Muitas vezes, é difícil conseguir explicar e motivar as pessoas e fazer-lhes ver que cada tarefa que elas desenvolvem é realmente importante e crítica para o crescimento da empresa”, explica o gestor, para quem é importante que os colaboradores sejam “guardiães” do trabalho uns dos outros. Apesar de haver uma hierarquia, todos estão envolvidos diretamente. “O resultado prático disto é que as pessoas sabem que as coisas na empresa mudam ou têm sucesso dependendo do trabalho delas, sabendo que elas próprias são responsáveis pela mudança.”

»Quando tinha 25 anos, Diogo Guerra estava a liderar uma pessoa na equipa que já tinha sido seu professor na Universidade. Conta que a experiência correu bem porque, na empresa, as pessoas chegam a cargos de liderança, não por serem mais velhos ou mais novos, mas pelas provas que dão no desempenho das suas funções. “Porque provam que são a melhor pessoa para o fazer dentro da empresa”, afirma, recordando que, no início, o que mais o assustava era garantir que os objetivos que lhe eram propostos eram cumpridos. “Foi o facto de deixar de depender apenas de mim para depender de toda a minha equipa.”

»“Estamos continuamente a entrevistar pessoas. Temos de estar sempre a redefinir a empresa, a vender um sonho e a torná-lo real.”

»Pedro Bizarro, fundador da Feedzai.


»Pedro Bizarro, 41 anos, é um dos fundadores da Feedzai. Ao Observador, conta que quando a empresa foi lançada se questionou como é que iria construir uma equipa de talento muito elevada, numa geografia como a portuguesa, e numa altura em que Portugal vivia uma crise económica profunda. Conta que as angústias, a que prefere chamar dificuldades, se centravam no talento: em encontrar e reter talento. “Estamos continuamente a entrevistar pessoas. Temos de estar sempre a redefinir a empresa, a vender um sonho e a torná-lo real”, diz. Entre a pressão de montar um negócio do zero e construir uma equipa com um nível de exigência elevado, Pedro Bizarro diz que tem “a melhor profissão do mundo”. “Acho fantástico ver o Diogo Guerra a gerir 30 pessoas. Às vezes, entram aqui tão jovens e passado uns meses já estão a fazer coisas com um nível de responsabilidade tão elevado”, diz.



»As emoções são “fundamentais” para o sucesso da liderança

»Para bem liderar, é fundamental ter em conta aqueles que são os aspetos da personalidade, bem como a parentalidade ou a forma como a rede social é ativada (família, amigos e outras pessoas que podem agir como suporte), explica Pedro Barbosa da Rocha. E é aqui que entra o conceito de inteligência emocional. “A história de vida da pessoa, a construção da estrutura emocional podem ser determinantes no sucesso e na forma como se gerem equipas. A inteligência emocional é um fator determinante para o sucesso da liderança. E por inteligência emocional entende-se a capacidade que a pessoa tem de saber identificar e compreender as emoções do próprio e dos outros”, afirma.

»Teresa Oliveira, docente na formação de executivos da Universidade Católica de Lisboa, explica que a liderança tem muito mais a ver com a noção de empatia do que com a de idade. “É o conseguir perceber a situação do ponto de vista do outro, ter consideração em relação a ele. Quando os jovens estão a liderar pessoas de 50 anos têm muita dificuldade em entender que pessoas mais velhas estão numa fase diferente da vida e podem ter outras necessidades”, explica. Aqui, correm mais o risco de não perceber as necessidades do outro. Como resolver isto? Promovendo um feedback contínuo com os colaboradores, procurando ouvi-los.

»Ter uma boa intenção não chega para alcançar os resultados pretendidos, explica a especialista. Teresa Oliveira dá um exemplo: se o líder disser a um colaborador que tem de ser mais pró-ativo e ele não souber o que isso significa, vai ficar mobilizado, aflito, ao contrário do que é pretendido. Daí ser tão importante saber que a equipa entenda o que é dito. Pedro Barbosa da Rocha concorda. “A inteligência emocional ajuda-nos a identificar emoções próprias e no outro. Quando não existe esta capacidade, algo poder correr mal”, diz, acrescentando que quanto maior for a rede social do líder, mais treinado vai estar para lidar com estas questões. Mais capacidade vai ter para adquirir competências de inteligência emocional.

A inteligência emocional ajuda-nos a identificar emoções próprias e no outro. Quando não existe esta capacidade, algo poder correr mal.

»“A liderança heroica do grande homem e da grande mulher, como pensamos nos clubes de futebol ou da política, já não existe. O que se perspetiva é que, no futuro, a liderança seja, acima de tudo, a capacidade de mobilizar e desenvolver os outros, dando-lhes autonomia e liberdade”, explica Teresa Oliveira, sublinhando que os jovens têm de ter autoconfiança suficiente para não assumirem o papel do líder heroico. “Às vezes, a dificuldade é essa. Como a pessoa está em início de carreira, tem pouca experiência ou menos segurança, pode ter o desejo de centralizar tudo em si, porque não acredita que os outros sejam capazes de o fazer”, diz. E acrescenta: “Devem pedir a opinião dos outras pessoas, na perspetiva da curiosidade, ouvir o que têm a dizer relativamente aos resultados da empresa e pedir para contribuírem”.

»“O que acontece muitas vezes neste perfil de gestão ou de maior risco é que há uma subversão dos papéis. É quase como se passasse a ser primeiro o profissional e a pessoa aparecesse em segunda instância.”

»Pedro Barbosa da Rocha, especialista em stress e bem-estar na Oficina de Psicologia.


»Pedro Barbosa da Rocha explica que é importante que os líderes não esqueçam que antes de serem profissionais, são pessoas. E que não devem subverter estes papéis. “O que acontece muitas vezes neste perfil de gestão ou de maior risco é que há uma subversão dos papéis. É quase como se passasse a ser primeiro o profissional e a pessoa aparecesse em segunda instância. Se a pessoa não praticar questões de auto cuidado, se não alimentar o lado pessoal da sua vida com família, desafios pessoais (que permitam que a pessoa se sinta realizada), uma parte importante da energia que é necessária para que o lado da gestão da vida pessoal esteja sob controlo acaba por influenciar os recursos necessárias à vida profissional”, conta.

»Se os recursos que a pessoa fortalece na vida pessoal são importantes para um bom desempenho na vida profissional, não descure o que faz nas chamadas “horas livres”. E se dúvidas existirem, Pedro Barbosa da Rocha explica: para evitar o síndrome de burnout (esgotamento físico e mental), é essencial uma boa alimentação, cumprir com os cuidados do sono, praticar atividade física, entre outros. Em última instância, fazer terapia ou optar por coaching.

»“Neste trabalho, vamos estar a trabalhar as questões da inteligência emocional. O objetivo é que, em conjunto, a pessoa fique plena de recursos para fazer face às necessidades exigidas na sua função, ou seja, que saiba melhor gerir as emoções, tenha consciência delas e aprenda a geri-las de forma a motivar a equipa. Isto traduz-se em maior produtividade, maior fidelização de clientes e um sem número de outras coisas positivas para a empresa e para o gestor”, explica. Regressa-se à estaca zero, ou seja, às emoções primárias. Neste caso, a outra: à alegria.»





Uma inovação