2016/01/29

«Eduardo Catroga: Cinco grandes desafios para a economia portuguesa»



Económico



«Destacam-se cinco grandes desafios interligados:

»(i) sustentabilidade das contas públicas;

»(ii) consolidação do equilíbrio externo;

»(iii) fortalecimento do financiamento à economia em condições adequadas;

»(iv) dinamização do investimento produtivo;

»(v) progresso nas medidas estruturais indutoras da melhoria da produtividade, competitividade e emprego, e do crescimento potencial.


»Na área das finanças públicas é decisivo para a sua sustentabilidade a prazo, o progresso na melhoria do saldo corrente primário (antes do pagamento de juros da dívida pública). Recorde-se que este atingiu -8,2% do PIB em 2010, que foi negativo entre 1997 e 2012, e que só entrou em terreno positivo nos dois últimos anos. A saúde financeira do país a prazo exige um não retrocesso neste indicador chave. Neste momento, sabe-se apenas que o Governo projeta para 2016 um défice público global de 2,8% do PIB (contra 1,8%, constante do Programa de Estabilidade e Crescimento apresentado a Bruxelas pelo governo anterior), e um enunciado de medidas avulsas com impacto nas receitas e nas despesas do Estado.

»Não é, pois, ainda possível uma avaliação completa do programa orçamental para 2016. Mas, em geral, afigura-se-nos que o objetivo do défice público para 2016 deveria ser fixado à volta de 2% e não próximo dos 3%. É uma questão de prudência e risco, para não ficarmos sob a alçada do Procedimento de Défices Excessivos da União Europeia. A gestão de um objetivo tão próximo do limiar de risco (3%) é sempre passível de desvios nos pressupostos orçamentais fundamentais. E há também que ter consciência que, quanto mais nos atrasarmos no caminho para o equilíbrio orçamental e para a sustentabilidade da dívida pública, mais prolongado será o período do ajustamento necessário. Tal como se nos atrasarmos no processo de redução da despesa pública estrutural, ainda situada a um nível excessivo. Nível excessivo, sim, em função da riqueza do país, do esgotamento da capacidade contributiva e também do potencial de receitas extraordinárias. Fontes de financiamento foram utilizadas, desmesuradamente, no período 1996-2010. Anos em que se criaram as raízes do “cancro silencioso”, que foi minando a competitividade e o potencial de crescimento da economia portuguesa.

»Quanto ao equilíbrio das contas externas, entretanto conseguido, importa continuar o esforço em 2016. Para tanto, é crucial a continuação do bom comportamento das exportações (em percentagem do PIB, diversificação dos mercados, valor acrescentado nacional) e a criação de condições para um crescimento controlado das importações.

»Numa pequena economia aberta ao exterior como a portuguesa, o perfil saudável de consolidação de um processo de retoma deve ter como ‘drivers’, primeiro, as exportações, depois o investimento e, só no fim, o aumento do consumo. Esta é uma lição evidenciada pela história económica. E que parece esquecida no cenário macroeconómico preliminar do Governo para 2016. A inversão das prioridades dos “motores” poderá trazer “fogachos” de crescimento a curto prazo, mas não será saudável a médio e longo prazo.

»Quanto ao desafio do fortalecimento do financiamento à economia em condições adequadas em 2016, importa: (i) resolver os “casos” bancários pendentes, clarificando as estruturas acionistas e as estratégias de relançamento das instituições; (ii) implementar adequadamente a União Bancária Europeia; (iii) melhorar a qualidade da regulação e da supervisão, colmatando “falhas de Estado” e “falhas de mercado”; (iv) criar condições para o reforço da tendência de melhoria da poupança nacional bruta (famílias, empresas e Estado) e para um novo impulso do mercado de capitais; (v) acelerar a aprovação dos projetos empresariais no quadro do programa PORTUGAL 2020, com recursos dos programas da União Europeia, impulsionando a competitividade, o investimento e a inovação; (vi) lançar medidas que possam ajudar no reforço da estrutura financeira das empresas.

»Neste momento, veem-se nestes domínios alguns sinais positivos. Mas a variável chave para um financiamento adequado da economia será a melhoria do ‘rating’ da República Portuguesa. O movimento positivo está em curso, as agências de notação referem perspetivas positivas de evolução, sendo fundamental em 2016 progredir no processo de recuperação económica e financeira.

»A política monetária de alívio quantitativo (“QE”) do Banco Central Europeu (BCE) continuará em 2016. Na atual conjuntura é importante que as taxas de juro se mantenham baixas, ajudando o Estado, as famílias e as empresas. O objetivo oficial do BCE é fazer caminhar a taxa de inflação para um valor próximo dos 2%. Mas o “QE” tem um efeito eventualmente ainda mais poderoso: representa, de facto, uma suavização do peso da dívida pública. Por três razões: primeiro, através da sua monetização; segundo, pelo impacto da redução das taxas de juro; terceiro, pelo imposto de “senhoriagem” ou inflacionista, implícito na criação de moeda.

»A história económica – o grande campo de experimentação da ciência económica – evidencia-nos que a política monetária pode ser um instrumento útil na reativação económica conjuntural, mas que o seu uso abusivo tem o risco de andarmos de “bolha” em “bolha” no preço dos ativos, pondo em causa a sustentabilidade do crescimento a médio e longo prazo.

»Assim, em 2016, o Governo português – tal como o dos demais países altamente endividados – deveria aproveitar a situação excecional de taxas de juro anormalmente baixas para uma atuação firme na redução da excessiva despesa pública primária, e na melhoria do saldo primário orçamental.

»O desafio da dinamização do investimento produtivo exige confiança dos investidores. O investimento nacional e estrangeiro e a captação de poupança, interna e externa, não medram em contextos de instabilidade política ou económica.

O desafio da dinamização do investimento produtivo exige confiança dos investidores. O investimento nacional e estrangeiro e a captação de poupança, interna e externa, não medram em contextos de instabilidade política ou económica.

»O impulso em 2016 do investimento empresarial nos setores determinantes da nossa competitividade externa (os expostos à concorrência internacional), a par de um seletivo investimento público reprodutivo, é fundamental para a retoma sustentada da economia.

»Nos últimos anos têm-se observado sinais muito positivos na evolução da estrutura produtiva do país em todos os setores.

»Para 2016 impõe-se o reforço do estímulo ao desenvolvimento de estratégias competitivas empresariais, viradas para a diferenciação, inovação e internacionalização.

»No domínio do desafio das ações estruturais - vitais para o crescimento potencial pelo seu impacto a prazo na produtividade e competitividade –, importa dar em 2016 passos à frente e não atrás. Por exemplo, na flexibilização da legislação laboral; no sistema de justiça e no combate à corrupção; na reestruturação do setor empresarial do Estado, nomeadamente na eliminação do “cancro” que representa para a eficiência económica e para os contribuintes o sector público dos transportes; nas exigências de melhoria da qualidade do sistema de ensino, incluindo o ensino técnico-profissional; no aprofundamento da reestruturação da despesa pública, em volume e qualidade, simplificando as funções do Estado, flexibilizando e otimizando os processos, as macro e microestruturas do aparelho administrativo das Administrações Públicas, e não cedendo às reivindicações das corporações.

»Neste momento, ainda não é possível avaliar com objetividade o programa do atual Governo no domínio das medidas estruturais. Existem, no entanto, em relação a algumas áreas críticas, sinais preocupantes de regressão reformadora. E é neste domínio que vejo o maior risco do atual governo minoritário do PS, com apoio parlamentar, condicionado, por parte dos partidos à sua esquerda. Estes são, no seu ADN, contrários à globalização, ao projeto da União Europeia e ao euro.

»Logo, não serão parceiros na aprovação e implementação das reformas políticas, económicas e sociais que o país carece para ser um país ganhador no quadro da globalização competitiva. Existe o risco de desenvolvimento de “cancro silencioso”, como noutros períodos de inação estrutural.

»A globalização, a União Europeia e o euro são realidades incontornáveis. E as nossas políticas públicas e empresariais têm que atender a esta realidade e não ser influenciadas por critérios ideológicos retrógrados. Só assim seremos vencedores na economia europeia e na economia global. São essas também as lições da nossa história económica. Portugal só convergiu com a Europa, e foi vencedor das oportunidades do mercado global, quando soube criar estabilidade política, coerência na execução da política económica e sustentabilidade das contas públicas e das contas externas. E quando teve vontade reformadora no quadro do modelo político-económico de economia de mercado. Face à natureza dos parceiros parlamentares do PS, receiam-se retrocessos neste objetivo.

»Mas há que ter esperança nas boas intenções manifestadas pelo Governo, com alguns elementos de qualidade, na eficácia da supervisão ativa interna e externa (‘troika’, agências de ‘rating’, BCE e UE) e, sobretudo, na boa capacidade dos portugueses.»





A execução da inovaçao

2016/01/28

«Gonçalo, a cadeira onde toda a gente já se sentou»



Cristiana Borges. Observador On Time. Texto editado por Ana Dias Ferreira



«A Gonçalo é constituída por quatro peças fundamentais: dois tubos, um encosto e um assento. A cadeira foi salva de deixar de ser fabricada mas hoje não há ninguém que queira aprender a fazê-la.

»O portão de ferro pintado de verde-escuro está aberto. O movimento é raro na rua, mas até para os poucos que passam é difícil perceber o segredo que escondem os 600 metros quadrados do edifício branco. Lá dentro, ao som da música moderna que sai do rádio, sobrepõese o barulho das máquinas e ferramentas antigas. “O comprimento tem de ficar certo”, diz Manuel Caldas a um dos trabalhadores.

»Há uma medida que ficou mais curta que a padrão. “A diferença pode estar no tubo?”, questiona um empregado, que começou a trabalhar na fábrica há dois dias. “É de certeza. Se o tubo anterior não fechou tanto, só pode ser isso”, responde a experiência do patrão.

»E continua com as indicações: “Se aparecerem mais tubos assim, vamos ter de retificar.”

»O relógio marca 10h15, mas o dia na fábrica de móveis metálicos começa às 8h30 da manhã. Ao longo da linha de montagem da Arcalo estão, para além de Manuel Caldas, três trabalhadores. Ao fundo, no armazém, outros dois embrulham as encomendas. É assim todos os dias na Rua do Desembargador, aldeia de Vale da Pinta, concelho do Cartaxo. “Temos poucos trabalhadores mas só temos um produto, cinco pessoas fazem o trabalho que é necessário”, diz o industrial.

»Há cinco anos, Manuel Caldas decidiu fazer um único artigo em exclusivo. Encontramo-lo fundamentalmente em esplanadas mas a fábrica também já o produziu para interiores.

»A Arcalo dá, diariamente, continuidade a um ícone do design português: a cadeira Gonçalo. Uma cadeira de ferro composta por quatro peças fundamentais: dois tubos, um encosto e um assento. O primeiro tubo define as duas pernas traseiras, o apoio para os braços e o contorno superior do encosto, o outro compõe as duas pernas dianteiras e o contorno do assento.

»O encosto é curvo e ligeiramente inclinado, e o assento, também levemente inclinado, tem a frente curvada.

»Apesar das suas linhas visivelmente simples, a confeção da cadeira é complexa. Manuel Caldas desvenda o processo: “A primeira coisa a fazer é cortar os dois tubos de ferro com um serrote mecânico.” A medida, essa, não a revela, mas o tubo que compõe as pernas traseiras é o maior.

»Depois de serem cortados, vão para a máquina de curvar tubo. “É este o primeiro ciclo”, explica. Paralelamente, o assento e o encosto, também de ferro, são cortados numa guilhotina.

»Depois são prensados, um processo que lhes confere a inclinação e a curvatura. Às quatro peças base juntamse, ainda, duas barras que suportam o assento.

»O próximo passo é a soldadura. Aqui, o esqueleto é unido. Numa primeira fase, os tubos e os suportes são colocados num gabari de geometria, uma peça de ferro feita artesanalmente por Manuel Caldas, que torna as cadeiras todas iguais. Junto a estes componentes da cadeira coloca-se um talão de ligação de cada um dos lados do assento para que os dois tubos não sejam diretamente unidos. Há, ainda, uma segunda operação onde se colocam e soldam o encosto e o assento. Uma vez soldadas, as cadeiras são desempenadas e retificadas. Aqui “algumas acabam por ir para a sucata uma vez que já não têm aproveitamento possível”, conta o industrial.

»A última fase, antes de serem entregues ao cliente, é a pintura. Mas primeiro as cadeiras levam um tratamento que Manuel Caldas prefere manter em segredo. A finalidade é proteger o ferro da ferrugem. “Dependendo do uso, há sítios que as mantêm há 15 anos”, revela. Depois de tratadas com a fórmula secreta da Arcalo, aí sim, são coloridas com um sistema de pintura eletrostático, uma coloração em pó. Num forno, entre os 190 e os 200 graus, as cadeiras são cozidas aproximadamente durante 45 minutos. “Todas as cores que o cliente quiser estão disponíveis”, diz o proprietário, mas a cor que mais gosta de lhes vestir é o vermelho, “por motivos clubistas”. Antes de serem embaladas e devidamente isoladas, ao assento juntam-se três pequenas borrachas pretas. “Uma em cada lado e outra na parte traseira”, explica Manuel Caldas.

»Conhecidos os ingredientes e explicada a receita, o resultado são 73 centímetros de altura e 55 de largura, um assento com 43 centímetros de altura e uma profundidade de 38 que compõem a cadeira de esplanada mais famosa de Portugal. Apesar de a sua maior expressão ser na grande Lisboa, a cadeira Gonçalo pode ser facilmente encontrada de norte a sul do país. Do Cartaxo também já saíram cadeiras para “Holanda, Áustria, Espanha, Bélgica, Alemanha”. Em França, por exemplo, encontramos a Gonçalo na Ópera parisiense.

»Nem sempre a cadeira foi produzida no Cartaxo. A peça terá nascido entre os anos 30 e 40, no número 16 da Rua Alegre, em Algés, a primeira casa da Arcalo. Produzida pelas mãos do mestre serralheiro Gonçalo Rodrigues dos Santos, na década de 40, a cadeira já podia ser encontrada na esplanada do Café Lisboa, na Avenida da Liberdade. Ainda assim, o modelo original apenas viria a ser registado nos anos 50, com o nome de cadeira modelo 7, pelo seu criador.

»Manuel Caldas, de 67 anos, é o atual dono da fábrica. Nasceu na mesma rua da cadeira. “Todos os dias passava à porta da Arcalo”, relembra. O encarregado, Serafim, e outros trabalhadores eram seus conhecidos desde miúdos e com 17 anos começou a trabalhar na empresa. “Eu trabalhava no comércio, mas de vez em quando gostava de trocar e lá saltava para o ferro”, conta.

»Depois de um período emigrado na Alemanha, regressou a Portugal e apercebeu-se que a Arcalo estava para fechar. O tempo fez com que o negócio esmorecesse mas o antigo empregado da fábrica quis recuperá-lo. “Achei que a fábrica merecia mais respeito e continuidade”, explica. Na altura, Gonçalo Rodrigues dos Santos já tinha falecido e nem os filhos nem o encarregado estavam nessa disposição. “Eu arrisquei”, lembra Manuel Caldas. O filho do mestre Gonçalo aceitou a proposta, corria o ano de 1994. “Achei que era uma parvoíce acabar com a empresa e apostei na cadeira.”

Depois de um período emigrado na Alemanha, regressou a Portugal e apercebeu-se que a Arcalo estava para fechar. O tempo fez com que o negócio esmorecesse mas o antigo empregado da fábrica quis recuperá-lo. “Achei que a fábrica merecia mais respeito e continuidade”, explica. Na altura, Gonçalo Rodrigues dos Santos já tinha falecido e nem os filhos nem o encarregado estavam nessa disposição. “Eu arrisquei”, lembra Manuel Caldas.

»Em 1995, Manuel Caldas apresentou ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), um pedido de registo da Arcalo como marca, mas só em 1997 ele foi concedido. Desde aí, a fábrica é reconhecida como marca nacional de móveis metálicos. Ainda em 1995, o proprietário viu o design da sua cadeira ser também registado como modelo industrial nacional. “Cadeira destinada a esplanadas e outros recintos abertos ou fechados”, lê-se na epígrafe do processo disponível na base de dados do INPI. O resumo é simples: “cadeira conjunto de linhas geométricas, ângulos no encosto, pernas e assento”.

»Em homenagem ao homem que lhe deu vida, Caldas batizou-a Gonçalo. “Entendi que esta tinha de ter um nome para ser uma senhora cadeira, senão seria só mais uma”, diz. Em 1995, o industrial fez um último pedido que consistia em registar a Gonçalo enquanto marca nacional. Dois anos mais tarde, o requerido viria a ser aprovado pelo INPI e, por isso, Manuel Caldas afirma: “A cadeira Gonçalo é só nossa, embora toda a gente chame Gonçalo a todas as outras e elas não o sejam.”

»Com quatro anos a comandar os destinos da marca, surgiu o maior desafio da história da Arcalo: equipar todo o recinto da EXPO 98. “Em Algés não havia capacidade”, recorda Manuel Caldas. Para fazer as 9.000 cadeiras que tinham sido encomendadas, a fábrica foi obrigada a mudar-se para Torres Vedras. “Demorou três meses a fazer”, conta o industrial. A visibilidade da EXPO trouxe mais procura pelo artigo. “Na altura todos beneficiaram, até a concorrência.”O tempo que teima em trazer o esquecimento

»Em 2000, a Arcalo conheceu a sua atual morada. “Mudámo-nos para o Cartaxo porque o espaço era agradável e as rendas mais baixas.” Aos 67 anos e há 21 a gerir a empresa, Manuel teme pelo futuro. “Já não tenho mais 30 anos pela frente.” A sua preocupação atual é a de arranjar alguém que o possa substituir, mas a tarefa não tem sido fácil. “Aqui é como encontrar uma agulha num palheiro. Nesta juventude é muito difícil arranjar alguém.” Mesmo não pondo de lado quem não sabe do ofício, “não há ninguém que o queira aprender”, diz.

»Nenhum dos dois filhos, conta Manuel Caldas, quis pegar no negócio. Alexandre “seguiu o ramo mas não fabrica, apenas compra e vende, optou por trabalhar por conta dele”. Sofia também preferiu procurar outro tipo de trabalho. “Quero ver se antes de fechar os olhos entrego isto a alguém capaz de continuar”, desabafa. Propostas já surgiram, mas estrangeiras, e Manuel Caldas não as aceitou. “Gostava de deixar isto nas mãos de um português, porque a cadeira é portuguesa.”

»Por agora, e até conseguir, Manuel Caldas não pensa em parar. “Sou feliz no que faço porque isto é criativo, o que mais gosto de fazer é criar.” Em tempos foi convidado para fazer cadeiras de café para outros fabricantes mas nunca aceitou. “Só faço aquilo que quero, que é o meu modelo.” Pegar na cadeira Gonçalo e, inspirado nela, dar-lhe outros moldes é que o industrial mais gosta. “A cabeça está sempre a pensar.”

»Há 20 anos produziu, pela primeira vez, a mesma cadeira numa versão para crianças. O ano passado desenvolveu a Gonçalo em madeira maciça curvada, uma peça que Manuel Caldas considera difícil fazer. “Ainda não estou pronto para a vender porque não tenho preparada a linha de produção.” No final do ano passado voltou a reinventar. “Olhei para a cadeira e lembrei-me de lhe esticar as pernas.” É a mais recente inovação da fábrica, a Gonçalo em chaise longue. Num curto período de tempo já a vendeu para a piscina de um hotel lisboeta, coisa que nunca pensou.

»Manuel Caldas esteve o dia todo na fábrica, mas nem sempre é assim. Passa vários dias fora a entregar as encomendas. Durante essas viagens e enquanto conduz, conta que, de vez em quando, olha para o lado e identifica sempre as cadeiras da Arcalo. “Conheço-as à distância. Mesmo no meio de muitos, conhecemos sempre os nossos filhos.”»





Uma inovação

2016/01/27

Orlando Alves, presidente da Câmara Municipal de Montalegre: memórias da Feira do Fumeiro



Município de Montalegre. Gabinete de Imprensa



«Para muitos foi um visionário. O atual presidente da Câmara de Montalegre é considerado o "pai" da Feira do Fumeiro. Uma "galinha de ovos de ouro" que colocou Montalegre, há um quarto de século, no mapa da procura e da atração turística.

»Orlando Alves lembra como tudo começou. Um caminho iniciado com pedras mas que cedo conquistou o tapete das luzes.

»Entre tantas curiosidades, fica a confissão que a "rainha do fumeiro" foi oferecida à oposição e que esta não a quis. Chegado ao poder, o autarca só teve que agarrar a ideia e fazer nascer o maior evento algum dia idealizado no concelho.


»Gabinete de Imprensa (GI) - Como apareceu a Feira do Fumeiro em Montalegre?

»Presidente - Fui durante dois ou três mandatos vereador da oposição. Na altura faziase aqui a AGRO BARROSO. Era uma manifestação da nossa força, do nosso barrosismo mas era, sobretudo, uma exposição de tratores e pouco mais. Já nessa altura eu sentia que se podia caminhar no sentido de vincar a matriz rural e cultural das terras de Barroso. Nesse sentido, e estando na oposição, dei esta ideia para que se fizesse uma grande realização à volta do presunto e do fumeiro. Nessa altura, a ideia não foi aceite.

»Quando cheguei à Câmara, em articulação com o restante executivo, o Dr. Pires e o professor Fernando, entendemos avançar. Preparámo-la com um ano de antecedência. Andamos pelas aldeias.... nós, o padre Fontes, a Dr.ª Irene, o João Ribeiro, para sensibilizarmos as pessoas a produzirem mais um animal do que era uso lá em casa e que o direcionassem para algo que a Câmara estava a preparar e de que iriam gostar. Foi assim que conseguimos que participassem pouco mais que uma dúzia de produtores. Devo dizer que acreditaram com alguma desconfiança.

»A primeira edição aconteceu em 1992 numa das garagens da Zona Agrária. Desde aí tem vindo sempre a crescer e agora é esta grande realização que faz inveja a muita gente. Temos que saber manter-lhe o nível.


»GI - É sabido pela memória, que o agricultor barrosão era avesso a vender o que a casa produzia. O que lhe foi dito quando foi desafiado a vender?

»Presidente – Olhe... as pessoas riam-se da proposta. Não acreditavam nela mas assumiram um compromisso. Ao jeito barrosão, que dá a palavra e vale como uma escritura, quem se comprometeu connosco não falhou. Ao longo do ano fomos fazendo um acompanhamento. Também soubemos estar presentes na hora da matança para relembrá-los do nosso intuito. Tinha que haver uma grande relação de confiança da nossa parte. Os barrosões estavam habituados a produzir para consumo próprio e viam até com desdém e pouco gratificante, vender o que a casa dá. Conseguimos vencer todas essas lutas e acabamos por ser bem-sucedidos.


»GI - Colocada no terreno, que impressão começou a ter dos primeiros visitantes da Feira do Fumeiro? Ficou logo com a ideia de que era um filão com margem de crescimento?

»Presidente - Fiquei logo convencido disso. No segundo dia, da primeira realização, já não havia fumeiro. Já nessa altura tínhamos feito uma grande campanha de publicitação do evento. No terceiro dia, tivemos que nos mobilizar. Fomos pelas aldeias comprar fumeiro para vendermos e, desse modo, conseguimos manter o produto até ao último minuto da feira. Houve momentos em que praticamente já não havia produto.


»GI - A comunicação social começou logo a dar nota positiva ao evento?

»Presidente - Muito pelo contrário. Por exemplo, o conhecido jornal Público, na segunda-feira seguinte, publicou uma página que tinha como titulo "alheiras azedas e presunto rançoso". Foi uma situação que nos deixou inquietos mas convencidos de que estávamos perante uma situação de exagero absoluto por parte do jornalista que aqui tinha estado. Viu no aspeto bolorento que os presuntos têm, que é muito saudável, o adjetivo rançoso e sobre a alheira ouviu algum comentário que lhe serviu para atribuir este título injusto. Depois disto, devo dizer que na segunda edição do certame (1993) já foi a comunicação social quem muito contribui para o sucesso.

»Agradeço ao meu amigo Rui Dias José, jornalista da rádio Antena 1, acompanhado do entendido crítico de gastronomia, José Quitério. Estiveram com a emissão a partir daqui durante toda a feira. Muito contribuíram para que colocássemos este certame no trilho certo, para o auto reconhecimento de que podíamos continuar e de que o nosso trabalho está correto e estava a ser aceite.


»GI - É por esse reconhecimento que a Câmara Municipal de Montalegre mantém, ainda hoje, o formato de apresentar este evento no Porto e em Braga?

»Presidente - Sem dúvida. Recordo que logo na segunda edição a publicitação aconteceu na Cooperativa Árvore, no Porto. Nesse ano, os jornalistas vieram num autocarro que permaneceu aqui o fim-de-semana. A partir dessa altura mantemos uma relação simpática e produtiva com a comunicação social. Se eles não vêm cá temos que lá ir nós e é isso que vamos continuar a fazer para que passem a mensagem.


»GI - Pulamos para outro patamar da Feira do Fumeiro. Sai da Zona Agrária e passa a realizar-se no já extinto pavilhão desportivo (onde atualmente existe, em área superior, o Pavilhão Multiusos). Foi o crescimento da feira que obrigou a Câmara a reenquadrar o certame?

»Presidente - Verdade! A feira cresceu sempre mais do que nós projetamos. Foi a afluência do público a puxar por nós. Pelo menos em duas edições decorreu nesse pavilhão e era dividida ao meio. Havia umas escadas para a parte superior onde o público assistia. A partir do quinto ano, passou a ocupar todo o pavilhão desportivo. Entre outras novidades, passamos a ter uma cozinha regional no topo Norte. Aqui reconheço o mérito ao funcionário João Ribeiro - que arquiteta a estrutura todas as edições - que colocou, com a colaboração de todos os funcionários municipais, sempre imagens bonitas e vistosas...


»GI - Eis que surge a decisão de construir o Parque de Exposições e Feiras de Montalegre. Pelo meio, a Feira do Fumeiro é transferida para a Zona Industrial. Aqui já sentem a romaria do evento...

»Presidente - Na verdade, continuava tudo a ser muito pequeno. Foi dessa forma que fomos para a Zona Industrial onde estivemos mais alguns anos. Entretanto, avançamos para a construção do Pavilhão Multiusos onde a Feira do Fumeiro é realizada desde há dez anos. Uma estrutura com toda a dignidade para acolher este e outros eventos. São instalações mais do que suficientes e do agrado de todos.


»GI - Em 2002 a organização, que até então era exclusiva da Câmara Municipal de Montalegre, passa a integrar a Associação de Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã. Porquê esta alteração no modelo organizativo?

»Presidente - Decorreu da necessidade de autonomização dos produtores. Era importante que ganhassem consciência de que tudo estava nas suas mãos. Porém, ainda hoje este desígnio não foi conseguido. Ainda sinto esta dependência que não é salutar. Pelo meio, quisemos ainda criar a Confraria do Fumeiro de Barroso que acabou por não se concretizar.

»É importante que os dirigentes da associação incutam nos seus associados a necessidade de se aperfeiçoarem e modernizarem no fabrico de fumeiro. A Câmara nunca se desvinculará do evento e estaremos cá para apoiar. No entanto, gostávamos de ver uma versão de maior empresarialização dos produtores, em grupo ou individualmente. Há apoios financeiros para isso.


Gostávamos de ver uma versão de maior empresarialização dos produtores, em grupo ou individualmente. Há apoios financeiros para isso.

»GI - Os barrosões têm consciência do que representa a Feira do Fumeiro para o concelho?

»Presidente - Penso que sim. Sobretudo os emigrantes. Tenho um feedback extraordinário. Muitos vieram passar o Natal mas já têm viagem marcada para virem à feira. Já é um ritual anual. É simpático ver que credibilizam e dão valor a estas realizações. Os residentes também sabem a extraordinária relevância que tem para o desenvolvimento económico e social da nossa terra. Sentem isso na afluência e nos preparativos. Já se habituaram a ver a nossa feira como uma grande manifestação cultural e económica, estando muito ao nível daquilo que as pessoas ambicionam para a sua terra.


»GI - Na última edição da Feira do Fumeiro os números falam em 100 mil visitantes. Acha que atingiu o máximo?

»Presidente - Penso que sim. Acho que já não tem muito mais para onde crescer. O que equaciono é que podem vir mais pessoas pelo charme, pelo encanto, pela sedução da paisagem da terra e pelo caráter da nossa gente. Temos a primazia de viver numa terra tão bonita que até nos esquecemos dessa beleza. Quem vem fica sempre com vontade de voltar. É tudo isto que faz com que a terra e as iniciativas tenham sucesso.


»GI - Fica surpreendido com os vídeos promocionais da Feira do Fumeiro serem virais nas redes sociais em muito pouco tempo?

»Presidente - Não fico nada surpreendido. Todos os anos as redes sociais aguardam que haja uma nova promoção nossa. Também aí está um investimento da Câmara. Não há melhor forma de promover um evento.


»GI - O certame já superou todos os cenários: chuva, neve, sol, crise...este ano prevê novo sucesso?

»Presidente - Absolutamente! Há uma apetência muito grande pelo "cheirinho" que sai de Montalegre para todo o Mundo com reflexo nos visitantes. Este ano, à semelhança de anos anteriores, vão entupir todo o espaço.


»GI - Este ano a Feira do Fumeiro vai ao encontro de um número mágico: 25. Existe algo de especial no programa do evento?

»Presidente - A inovação a cada ano é um dos segredos do êxito da Feira do Fumeiro. Todos os anos renovamos um bocadinho. Este ano temos um programa recheado de novidades interessantes para que estes 25 anos sejam celebrados de forma festiva e exuberante. Temos que manter e consolidar o certame para seguir em direção às "bodas de ouro".

»Vamos ter excelentes novidades no espaço exterior à feira, na zona destinada à restauração, onde espero que haja muita adesão. No sábado, voltamos a ter entre nós a RTP1 com muita animação. Num espaço exterior de degustação, vão estar três Chefs da culinária nacional. Vamos reeditar o concurso da melhor alheira e da melhor chouriça, com prémios atrativos. É o nosso reconhecimento para com os nossos produtores.


»GI - Que personalidades irão visitar a Feira do Fumeiro?

»Presidente - Estamos a tentar trazer pessoas da área da governação que colaborem connosco na promoção do território e na celebração destes 25 anos. Teremos gente importante do poder político nacional.


»GI - Quanto vai gastar nesta Feira do Fumeiro?

»Presidente - O mesmo do ano anterior. 100 mil euros. Como sabe, estamos há muito tempo em contenção. Acabamos o ano de 2015 com tudo pago. Não houve uma única fatura que ficasse por pagar. Transitamos de ano com um saldo de 550.000 euros.

»Tudo isto é fruto do espirito de cooperação entre o executivo e os funcionários municipais e, também, da compreensão dos barrosões. O dinheiro da Câmara é de todos nós e tem que ser "espremidinho" para que possa chegar para tudo. Procuramos sempre iluminar o caminho daqueles jovens que tentam ficar na terra e desenvolver uma atividade. O nosso futuro passa pelo setor primário. Temos que desenvolver a agricultura, a pecuária e as florestas. É isto que temos vindo a fazer neste mandato.


»GI - O que ainda não se disse sobre a Feira do Fumeiro?

»Presidente - Penso que não seja preciso dizer muito mais do que o que temos vindo a dizer ao longo dos anos. Mas há uma coisa que deve dizer-se: foi a partir da realização da Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso que nos vários municípios do país se desenvolveram iniciativas similares. Isso é uma "medalha" que nós temos para exibir. Queria ainda prestar o meu reconhecimento a todos os produtores e dizer-lhes que foram os grandes obreiros deste monumento que temos para apresentar a todo o país. Quero também prestar a minha homenagem aos agentes económicos, profissionais da hotelaria, que têm estado à altura de dar a imagem positiva que temos passado. De referir que na primeira edição tínhamos apenas uma ou outra pensão. Estamos ufanos e orgulhosos de todas as iniciativas que temos desenvolvido ao longo destes 25 anos, todas coroadas de muito e muito sucesso.»





Um inovador

2016/01/26

«Henrique Neto: Portugal tem uma "dependência da União Europeia doentia"»



Público



«O candidato presidencial Henrique Neto considerou este domingo que o país tem uma "dependência da União Europeia doentia", durante um almoço de campanha com apoiantes do núcleo de Leiria e Marinha Grande. "Temos uma dependência da União Europeia doentia. Apesar dos governos todos dizerem que querem bater o pé à União Europeia, quando chega a altura certa de baterem o pé não o fazem", referiu o candidato presidencial. Henrique Neto deixou no ar a pergunta sobre a razão do país estar a "empobrecer há 20 anos" e a "estagnar economicamente há 15 anos". "Temos uma certa situação disfuncional na nossa vida colectiva. Temos portugueses que trabalham, que se esforçam, que impulsionam a economia, que tomam conta do seu semelhante, que se substituem ao Estado. Temos as condições necessárias para não sermos um país tão dependente do exterior e além de tudo o mais somos apenas dez milhões de pessoas: uma cidade", acrescentou.

»Mas voltou a questionar: "Por que raio, com dez milhões de pessoas, com tanta gente boa, tanta inovação e iniciativa empresarial não conseguimos ter um país melhor?" Henrique Neto disse ainda que de acordo com "uns números" que esteve a ver, "Portugal é o sexto país com maior endividamento do mundo e é o sétimo país com os maiores impostos do mundo".

»Constatando que a Finlândia, Suécia e Dinamarca têm mais impostos, Henrique Neto afirmou que "se compararmos os serviços que eles têm ou que pagam, com os serviços que nós temos, se calhar até somos mesmo os primeiros em mau serviço na relação da qualidade preço". Henrique Neto criticou ainda que o país viva em "campanha eleitoral permanente". "Nos países normais há um mês para a campanha eleitoral, que começa e acaba e as pessoas depois vão tratar da vida. Quem ganhou as eleições vai governar e quem ficou na oposição critica, mas racionalmente. Não chamam nomes, não se atacam, não destroem." Mas, em Portugal, segundo Henrique Neto, a "Assembleia da República é uma batalha permanente de campanha eleitoral".

Por que raio, com dez milhões de pessoas, com tanta gente boa, tanta inovação e iniciativa empresarial não conseguimos ter um país melhor?

»Considerando que o problema do país é o "sistema político", o candidato criticou ainda as alterações recentes na Educação.

»"Como é que é possível que, três ou quatro dias depois de um governo tomar posse, se comece a alterar à pressa e sem explicação racional o que o governo anterior fez, sabendo antecipadamente que o governo anterior quando retomar o poder vai alterar o que estes fizeram. Assim estamos a destruir o país", acusou.

»Durante o discurso, Henrique Neto revelou ter recebido um "texto escrito pelo presidente do Banif", que "a ser verdade, é a continuaçãoipsis verbis da governação de José Sócrates: promiscuidade entre os negócios e a política".

»Dizendo que, apesar de ser optimista, tem dificuldade de o ser, o candidato afirmou que há "uma esperança retardada de que alguma coisa mude com o próximo Presidente da República, desde que tenha a coragem, a sabedoria e integridade de fazer as mudanças que o país precisa". Caso contrário, Henrique Neto alertou que se irá "continuar a ter aquilo" que a sua candidatura calculou, "que é a destruição de riqueza".

»"A nossa candidatura calculou que nos últimos 15 anos foram destruídos entre 150 e 200 milhões de euros, que era o dinheiro que precisávamos para não ter uma dívida como temos", rematou.

»Henrique Neto dedicou o dia de hoje ao distrito de Leiria. De manhã esteve no mercado do Levante de Pataias, no concelho de Alcobaça. Depois do almoço, na Marinha Grande, passou por São Pedro de Moel, no mesmo concelho, seguindo para a Nazaré.»





Administração Pública e inovação

2016/01/25

Newsletter L&I, n.º 88 (2016-01-25)



n.º 88 (2016-01-25)


Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

«Primeira reunião dos coordenadores da Cúpula do G20 em 2016 inaugurada
em Beijing» ( ► )
«Laércio Cosentino: “A transformação do usuário de software”» ( ► )
«João Baptista Vilhena: “Liderar para servir ou ser servido?”» ( ► )
«Game Online da Ford ganha prêmio de inovação» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«Capacidade de inovação» ( ► )
«Adriano Campos: “Os filantrocapitalistas vão salvar o mundo?”» ( ► )
«Ehang 184. O drone com lugar para um passageiro» ( ► )
«Coral Luísa Todi elege hoje órgãos sociais para o próximo triénio» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

«El gobernador Domingo Peppo apoyó el desarrollo de un “drone” para fumigaciones en campos» ( ► )
«Francesco Paolo Fulci: “Michelle Ferrero dejó como legado cientos de productos para desarrollar”» ( ► )
«José Rivera Mejía (Instituto Tecnológico de Chihuahua): “La llave que falta es el impulso a la educación e innovación”» ( ► )
«El parón político frena el avance de la economía colaborativa» ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

«Thibaut de Jaegher: “L'ordre et le déviant”» ( ► )
«TimeOne, le nouveau géant français des marketing services» ( ► )
«Pourquoi le Mirage 2000 garde toute sa place dans l'armée de l'air» ( ► )
«Une nouvelle thérapie pour vaincre la leucémie myéloïde chronique» ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

«Mehlville moves to open innovative project-based elementary school» ( ► )
«Department of the Australian Prime Minister and Cabinet (PM&C):Turnbull announces Heather Smith will lead communications department» ( ► )
«Banks face recruitment challenges as fintech startups snag talent» ( ► )
«Top city universities falling behind on indigenous enrolment» ( ► )

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2016/01/22

«Coral Luísa Todi elege hoje órgãos sociais para o próximo triénio»



Setúbal na Rede



«O Coral Luísa Todi vai ficar hoje a conhecer os novos órgãos sociais para o próximo triénio, depois de apurado o resultado das eleições que serão discutidas por duas listas: Rui águas (lista B) e Luís Fernandes (lista A) são os candidatos à presidência da direção. O acto eleitoral decorre na sede do Coral entre as 16 e as

»Rui Águas apresentou oficialmente a lista B, que tem como lema “Uma Alternativa, Nova Atitude”, na segunda-feira, no auditório do INATEL. Os candidatos aos órgãos sociais reforçaram a necessidade de uma mudança no rumo da instituição cultural, tecendo duras críticas à “gestão ruinosa” que Luís Fernandes – candidato adversário – alegadamente praticou nos últimos 40 anos.

»Raul Melo, candidato a presidente da Mesa da Assembleia Geral, começou por dizer na sessão pública que se “impõe uma reflexão sobre se a melhor forma de dinamizar uma instituição cultural é a persistência de um só e mesmo elemento na gestão continuada, de forma fechada e obscura”, referindo-se ao mandato que

»Luís Fernandes protagonizou à frente do Coral nas últimas décadas. Os membros da lista são unânimes em questionar a recandidatura que apresentou depois da sua demissão em Outubro passado, tendo permanecido na comissão de gestão corrente do Coral, e rejeitam assim mais três anos de “prepotência e autoritarismo”.

»“O período eleitoral decorreu com o propósito vincado de coincidir com a época natalícia, tendo em vista reduzir o impacto das eleições, a discussão de propostas alternativas, e desse modo, desmobilizar os associados”, contextualizou Rui Águas.

»No seu entender, a falta de um regulamento eleitoral e a convocação de eleições para 7 de Dezembro, com um prazo reduzido para apresentação das candidaturas, tornaram o acto eleitoral um “faz de conta”.

»“A Direcção ou o seu presidente podem contribuir para o prestígio do Coral, bem como a história constitui o seu alicerce, mas a essência da instituição são os coralistas”, frisou, perante cerca de 80 pessoas na assistência.

»Manuela Palma Rodrigues, sócia há 33 anos e candidata à vice-presidência da Direcção, alertou também para a “desmotivação” vivida entre os coralistas, alvo de uma “desconsideração desconcertante, quando são estes que, hoje e sempre, têm mantido o Coral Luísa Todi em funcionamento”, pagando por ano cerca de 60 euros, mais do que os outros sócios, além de assegurarem todas as deslocações e alojamentos quando necessário. “O Coral tem vivido fechado em si mesmo recordando um passado remoto com cheiro a mofo, mas tem de continuar a ser o símbolo que nos habituámos a aplaudir nesta cidade”, rematou.

»“Esta é uma candidatura reforçada pela legitimidade da sua origem, pois 11 dos 16 candidatos são coralistas do Coral Luísa Todi”. Rui Águas relembrou que os objectivos principais da candidatura são renovar o Coral como ex-líbris da cidade, criar condições para o seu auto-financiamento, criar uma academia de voz, um coro de câmara e aproximar a instituição da comunidade escolar. A apresentação da lista “Uma Alternativa, Nova Atitude” terminou com um espectáculo musical em que participaram a cantora lírica Ângela Silva e o tenor Marcos Santos, o cantor Ivo Soares, a fadista Deolinda de Jesus e o Quinteto Jazz de Setúbal.



Rui Águas relembrou que os objectivos principais da candidatura são renovar o Coral como ex-líbris da cidade, criar condições para o seu auto-financiamento, criar uma academia de voz, um coro de câmara e aproximar a instituição da comunidade escolar.

»Continuidade com inovação

»Já a lista A, liderada por Luís Fernandes, aponta como objectivo o fortalecimento das relações entre o Coral e a Cidade, mantendo e reforçando a sua condição de instituição cultural e artística de referência ao serviço da Setúbal e da região.

»“Como princípios de acção, pretendemos que ela se desenvolva em três vertentes: manter a tradição, garantir a sustentabilidade e fomentar a inovação”, refere a candidatura encabeçada por Luís Fernandes.

»A lista A aposta em manter a tradição, “dando continuidade ao Coral Luísa Todi que tem pautado a sua actividade pela qualidade artística, sem perder a sua característica de agrupamento amador e eclético mas com preocupações na escolha criteriosa do seu repertório e na preparação dada pela direcção artística”.

»“Caminhar para a auto sustentabilidade económica e financeira, no curto ou médio prazo e apostar claramente numa renovação geracional através dos Coros e do Conservatório de Artes do Coral Luísa Todi” são as duas vertentes, que, de acordo com a candidatura de Luís Fernandes, defendem a sustentabilidade do Coral.

»Assim, garantir a prestação de novos serviços, a rentabilização do património, a rentabilização dos concertos dos Coros e investir fortemente na angariação de mecenato cultural são objectivos propostos, bem como garantir a renovação geracional, impulsionando os Coros jovens da Instituição, renovando o Coro Adulto e tornando o Conservatório de Artes do Coral Luísa Todi uma Escola de Ensino Artístico Especializado (musical e outros) de qualidade reconhecida, na formação de artistas e de público.

»O último princípio de acção, ou seja fomentar a inovação, passa pela criação e desenvolvimento de projectos de formação “vocacionados para o ensino artístico, nas suas diversas vertentes, ligados ao Conservatório de Artes do Coral Luísa Todi e oferecendo novos serviços e actividades no campo artístico, cultural e recreativo que potenciem novas valências e novos públicos em estreita ligação com as instituições e empresas da cidade e região”.»





A execução da inovaçao

2016/01/21

«Ehang 184. O drone com lugar para um passageiro»



Expresso



«O primeiro drone capaz de transportar um passageiro foi apresentado, na quarta-feira, em Las Vegas. A empresa chinesa Ehang Inc, com sede na cidade de Guangzhou, deu a conhecer a inovação tecnológica na convenção da CES 2016 - a maior feira de tecnologia de consumo do mundo.

»Chama-se Ehang 184 e assemelha-se a um pequeno helicóptero. Quais são as diferenças? O drone tem quatro hélices paralelas ao chão e é totalmente eletrónico, sendo controlado através de um tablet.

»Consegue voar durante 23 minutos e a bateria pode ser completamente carregada em duas horas. Foi concebido para transportar uma pessoa, até ao peso máximo de 100 kg. Segundo a empresa, a velocidade máxima é de 100 km/h e a altitude máxima de 3,5 km, tendo sido desenhado para voar entre os 300 e os 500 metros.

»A cabine tem ar condicionado e até uma luz de leitura, existindo ainda espaço disponível para uma pequena mochila.


O drone consegue voar durante 23 minutos e a bateria pode ser completamente carregada em duas horas. Foi concebido para transportar uma pessoa, até ao peso máximo de 100 kg. A velocidade máxima é de 100 km/h e a altitude máxima de 3,5 km, tendo sido desenhado para voar entre os 300 e os 500 metros.

»Antes de iniciar a viagem, o passageiro precisa definir o plano de voo. Depois, apenas é necessário dar dois comandos: “descolar” e “aterrar”, através de um simples clique no tablet.

»O diretor financeiro e co-fundador da Ehang, Shang Hsiao, confessou ao “The Guardian” a vontade da empresa em colocar o aparelho no mercado ainda este ano, por um valor entre os 200 e os 300 mil dólares (entre os 186 e os 279 mil euros).

»Contudo, Hsiao reconhece as dificuldades, sendo que as determinações legais sobre a utilização de drones para transporte de passageiros é algo ainda não regulamentado.

»“O mundo nunca teve nada assim”, admitiu.

»Para garantir uma maior segurança durante a viagem, a empresa está a planear criar um centro de controlo remoto, que tenha a capacidade de dirigir o drone à distância, caso se verifique algum problema, uma vez que o passageiro não tem comandos disponíveis para pilotar o veículo.

»O diretor de marketing da empresa, Derrick Xiong, assegurou também que o aparelho foi testado mais de 100 vezes, na maioria das vezes com uma pessoa a bordo.»





Uma inovação

2016/01/20

«Adriano Campos: “Os filantrocapitalistas vão salvar o mundo?”»



Esquerda.net



«As estimativas variam entre 225% a 356% do PIB mundial. A gigantesca proporção do setor financeiro, assim como a sua composição, refletem as transformações do capitalismo mundial na última década: desde o ano 2000, o valor dos títulos de dívida pública emitidos pelo Estados quase que triplicou, sendo notória a crescente falta de investimento na economia real. A consequência é uma polarização social crescente, cujos sinais estão à nossa disposição: enquanto a Forbes celebra os 30 melhores gestores globais com menos de 30 anos, os números da OIT confirmam o direito ao trabalho como uma miragem para toda uma geração de novos trabalhadores.

»Ao longo da história, nem à boleia do Deloren conduzido por Marty Mcfly (Regresso ao Futuro) conseguiríamos recuar a um mundo com uma concentração de renda tão alta como a de hoje - apenas comparável à realidade descrita nos romances de Charles Dickens ou Victor Hugo.

»Mas em meio à catástrofe provocada por este sistema predatório, ouvimos, com cada vez mais frequência, vozes improváveis convocando a uma militância pela alteração do paradigma.


»Da Fundação Gates ao Senhor Facebook

»O primeiro aviso veio de Warren Buffet, em 2006, ao afirmar que "Há uma luta de classes, certo, mas é a minha classe que está a ganhar". Nesse mesmo ano, o magnata da finança tentou equilibrar a balança ao doar 85% da sua fortuna a cinco fundações, entre as quais a fundação Bill e Melinda Gates. Criada em 1997, a maior fundação filantrópica do mundo, que gere um valor equivalente ao PIB da Lituânia, tem-se destacado pelo combate a doenças, como a malária e a tuberculose, e pelo incentivo à escolarização de crianças pobres nos E.U.A. Os prémios internacionais pela ação meritória multiplicam-se enquanto Melinda Gates figura em todas as listas de mulheres mais influentes do planeta. Mas a filantropia praticada pelo casal Gates e por Buffet é bem diferente da tradicional caridade levada a cabo por outros milionários no passado (Rockefeller, Carnegie, Ford). Como refere Nicole Aschoff , editora da revista Jacobin, o "filantrocapitalismo" dos Gates é muito mais ambicioso, "pois procura disciplinar as forças do capitalismo que os fizeram fabulosamente ricos e assim ajudar o resto do planeta. Os filantrocapitalistas pensam que soluções lucrativas para os problemas sociais são mais eficientes, pois dão ao capital privado uma razão para se importarem."

»Um exemplo ilustrativo desta visão é o desenvolvimento de vacinas para os países pobres, fortemente impulsionado pela Fundação Gates nos últimos anos. Ao contrário do que muitos possam imaginar, não se trata de ajudar diretamente estes Estados a desenvolver os seus recursos farmacêuticos, garantindo serviços nacionais de saúde com qualidade. Como resume Melinda Gates , "Se conseguirmos estimular as companhias farmacêuticas a criar vacinas através de parcerias público-privadas. Se conseguirmos garantir-lhes um mercado de milhões de crianças que usem essas vacinas. Se conseguirmos esse comprometimento com o mercado, sabendo que haverá uma procura garantida, nós podemos incentiválos com os dólares necessários para de facto criarem essas vacinas". Uma fórmula elucidativa para um ativismo desinteressado: enquanto a pobreza e o atraso causadores de muitas destas doenças permanecerem, o pragmatismo do mercado e dos dólares podem ajudar a atenuar o problema.

»Recentemente, Mark Zuckerberg juntou-se ao clube dos filantrocapitalistas, anunciando a doação de 99% da sua fortuna. No caso, as ações do Facebook irão, não para uma fundação, mas para uma companhia LLC (empresa de sociedade limitada), o que permitirá a Zuckerberg manter operações de venda e investimento pagando menos impostos. À semelhança de Bill Gates - criticado por ter criado a sua fundação no auge do processo antitrust contra a Microsoft nos E.U.A - Zuckerberg foi acusado de usar este mecanismo como autopromoção da sua imagem. Esse fator poderá desempenhar uma importância considerável na ação individual destes multimilionários, mas o fortalecimento do filatrocapitalismo representa uma alteração mais profunda do sistema, que não devemos ignorar.


»Mercado disciplinado ou totalitarismo financeiro?

»A existência de Organizações Não Governamentais (ONG) e o alargamento da sociedade civil na provisão das necessidades sociais não é uma novidade na história do capitalismo. Como referem Matthew Bishop e Michael Green , o crescimento da filantropia parece estar associado a todos os períodos em que o crescimento massivo da riqueza é acompanhado pelo aumento das desigualdades sociais. Uma válvula de escape que protege o sistema de pressões sociais e políticas. O que constitui a novidade é, por um lado, a dimensão atual destas organizações - a Amnistia Internacional, por exemplo, tem um orçamento anual superior ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU - e, por outro, o facto destas se expandirem num contexto de crescimento medíocre da economia nas últimas décadas.

Como referem Matthew Bishop e Michael Green , o crescimento da filantropia parece estar associado a todos os períodos em que o crescimento massivo da riqueza é acompanhado pelo aumento das desigualdades sociais. Uma válvula de escape que protege o sistema de pressões sociais e políticas. O que constitui a novidade é, por um lado, a dimensão atual destas organizações - a Amnistia Internacional, por exemplo, tem um orçamento anual superior ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU - e, por outro, o facto destas se expandirem num contexto de crescimento medíocre da economia nas últimas décadas.

»A explicação para esta dinâmica, refere Phil McMichael, reside no esgotamento do modelo de desenvolvimento nacional implementado por muitos países subdesenvolvidos, assente na soberania económica e na libertação da dependência externa, que deu lugar, a partir da década de 80, ao "projeto de globalização", promotor dos processos de privatização e de redução dos serviços públicos.

»Este giro abriu as portas à filantropia institucional e transferiu poderes soberanos para redes e organizações internacionais que não estão submetidas a um escrutínio democrático.

»Quando até o Estado Chinês, tradicionalmente avesso à caridade social, se prepara para facilitar uma filantropia livre de impostos , percebemos a dimensão do fenómeno. E pese embora os avanços efetivos de alguns destes empreendimentos, a ação dos filantrocapitalistas pode não estar assim tão distante das práticas que alimentam a finança global.

»Segundo Max Haiven, uma das características do "totalitarismo financeiro" em que vivemos é a captura das subjetividades e a reprodução de práticas sociais submetidas à especulação. Assim acontece com a quotização coletivas dos salários para a segurança social, cujo valor final, em cada vez mais países, termina a ser jogado em bolsa, ou com a escolarização, não mais apresentada como um bem coletivo ao serviço do conhecimento comum mas como um ativo pessoal necessário a quem queira prevalecer no mercado de trabalho, mesmo que adquirido às custas de pesados empréstimos bancários.

»Em 2010, não por acaso, Mark Zuckerberg, Oprah Winfrey e o Governador republicano de Nova Jersey juntaram-se para promover um modelo inovador nas escolas públicas de Newark. O plano, generosamente financiado em 100 milhões de dólares por Zuckerberg, previa a introdução de métodos empresariais no ensino, desde uma avaliação agressiva dos professores, a cooptação de gestores externos sem ligação à comunidade e a hostilização dos sindicatos. Cinco anos depois, o projeto é um rotundo fracasso, com resultados dececionantes e uma desorganização geral da rede pública de ensino da cidade. Este exemplo demonstra o perigo de submeter a esfera pública ao capital privado, dando-lhe, ainda para mais, um poder de gestão e decisão na condução dos serviços que devem estar à disposição de todos.

»Em Portugal, o apreço da direita pelo mercado eleitoral das IPSS garantiu, nos últimos anos, um retorno em força da caridadezinha institucional, pelo que a expressão deste filantrocapitalismo revigorado e interventivo fica reduzida ao esforço ideológico da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) e às suas ramificações nos meios de comunicação (como é o exemplo do Observador), o que já não é coisa pouca.

»O problema, aqui como lá fora, é que a ideia de um mercado norteado pelo lucro (pois há, com certeza, mercados não capitalistas) e disciplinado pela força de beneméritos milionários, em que o cidadão se transforma num cliente exigente e participativo, só faz sentido se esquecermos que na origem de muitos problemas sociais estão os meios pelos quais estas fortunas foram acumuladas. A FFMS teria a capacidade financeira de ditar políticas e programas ideológicos caso o seu patrono, o dono do Pingo Doce, fosse obrigado a pagar os impostos em Portugal (e não na Holanda) e a praticar salários decentes?

»Os filantrocapitalistas parecem ter vindo para ficar, com toda a sua influência e exuberância, com o seu elogio do mercado e o encantamento da sua riqueza pessoal como legitimidade para uma ação política pragmática. São parte do problema.»





Um inovador

2016/01/19

«Capacidade de inovação»



Jornal de Angola. Editorial.



«As crises quando surgem obrigam a uma avaliação correcta das suas causas e consequências e exigem a tomada de medidas adaptadas aos seus efeitos. Desde finais de 2008, quando rebentou a bolha imobiliária nos Estados Unidos e Wall Street se afundou, o espectro da crise vem pairando sobre a economia angolana. Ninguém esperava que quatro anos depois o preço do barril de petróleo no mercado internacional caísse de forma tão acentuada e acabasse por afectar o ciclo de crescimento das economias de países emergentes, entre as quais a de Angola.

»Com menos receitas provenientes da mesma quantidade de petróleo exportada, a maior fonte de financiamento da despesa nacional, com o esforço de diversificação económica já em curso mas ainda a meio-gás, o Executivo teve que fazer uma revisão no seu programa de investimentos,adiando alguns programas e explorando novos instrumentos financeiros disponíveis no mercado interno e externo, entre os quais os títulos de dívida.

»Ao mesmo tempo foi dinamizada, com redobrado vigor e envolvimento dos gestores, a política de incentivo à iniciativa de capitais privados, com uma reforma da legislação sobre o investimento privado que encoraja os empresários nacionais e estrangeiros interessados em apostar na diversificação do sector produtivo e das exportações nacionais, com uma reforma tributária virada para a eficácia e o rigor na cobrança dos impostos, com o estímulo aoempreendedorismo angolano e com umforte apelo à poupança e ao combate ao esbanjamento.

»A razão das mudanças que se verificam na vida económica nacional teve origens exógenas, mas apela à aplicação de medidas internas. As medidas aprovadas pelo Executivo representam uma maneira mais avançada e inclusiva de pensar a actividade económica e empresarial e alavancar o desenvolvimento do país.


A razão das mudanças que se verificam na vida económica nacional teve origens exógenas, mas apela à aplicação de medidas internas.

»A entrada no novo ano com o anúncio de ajustes nos preços dos combustíveis e nas tarifas de electricidade e de água potável revela a determinação do Executivo angolano em continuar a atacar com moderação os efeitos negativos da crise vinda de fora e de reposicionar o país no caminho da estabilidade, do crescimento e do desenvolvimento. Um preço demasiado alto do barril de petróleo no mercado internacional promoviaa mentalidade irracional da “petro-dependência” e enfraquecia o empenho necessário na diversificação económica.

»Os preços baixos dos combustíveis, da energia eléctrica e da água no mercado interno são um estímulo ao consumo exagerado, ao desperdício, ao lucro com o contrabando para países onde ele é mais caro, à imigração ilegal e ao crescimento de frotas automóveis não totalmente rentabilizadas. Beneficiam mais aqueles que têm mais rendimentos.

»Os ajustes efectuados nos preços desses bens e mercadorias estão dentro da margem de capacidade de consumo e acabam com o facilitismo no acesso descontrolado aos recursos públicos e promovem um maior sentido de responsabilidade na gestão dos meios postos à disposição dos organismos, instituições, empresas e famílias.

»As empresas, em particular, são chamadas em momentos menos bons a cortar nos custos de produção supérfluos e a incidirem a sua atenção naquilo que representa realmente o serviço prioritário que devem prestar ao público e ao consumidor. Não é difícil notar que algumas unidades empresariais ainda fazem o inverso, mantendo as despesas de prestígio e cortando na sua missão para com as populações que têm o dever de servir. Mantendo a mesma qualidade do serviço, aos gestores das empresas é exigido que procedam ao desenvolvimento da poupança e do uso parcimonioso dos recursos, e em simultâneo que, através da inovação e da criatividade, potenciem a capacidade instalada e não aproveitada por causa das alterações no mercado para lançarem e oferecerem novos produtos e serviços.

»O estado de degradação em que se encontram algumas das estradas reabilitadas em período de paz em Angola, e que estão ao abandono por “falta de verba”, são um exemplo de como se podem abrir oportunidades de negócios para a iniciativa de capitais privados nesse ramo. A concessão dessas vias a operadores privados que recebam o encargo de fazerem a sua manutenção e conservação ao longo de um determinado prazo alargado e renovável, explorando todas as possibilidades de negócios que existem ao longo dessas vias, por onde transitam milhares de pessoas e transportes, é uma alternativa não descartável, em comparação com a entrega da totalidade da gestão dessa enorme rede rodoviária nacional apenas ao Estado.

»A utilização racional dos recursos, a poupança, a criatividade e a inovação são as aptidões exigidas ao bom gestor em tempo de maiores dificuldades. São também uma condição de sobrevivência no grande mercado da concorrência. Mas são, acima de tudo, um contributo valioso para a diversificação da produção e da oferta de produtos e serviços aos cidadãos e um impulso ao progresso da Nação.»





Administração Pública e inovação

2016/01/18

Newsletter L&I, n.º 86-87 (2016-01-18)



n.º 86-87 (2016-01-18)


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The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

«Sergio Luiz Gargioni: “Nova lei vai acelerar a inovação e a pesquisa
no Brasil”» ( ► )
«A Próxima Grande Revolução Não Será Tecnológica...» ( ► )
«A tecnologia que vai mudar a sua vida em 2016» ( ► )
«Inovação em serviços» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«China elaborará mais esquemas de reforma financeira regional» ( ► )
«Bosch Portugal recebe Prémio Produto-Inovação COTEC-NORS» ( ► )
«Inovação farmacêutica e a oportunidade de saber gerir» ( ► )
«Repovoamento do peixe carapau» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

«Luis Sanz Menéndez: “La Agencia Estatal de Investigación: ¿Son galgos o podencos?”» ( ► )
«Cellex, el secreto mejor guardado de la ciencia catalana» ( ► )
«Apps para pacientes y plataformas, entre las apuestas de Murcia
por la e-Health» ( ► )
«Las instituciones vascas invertirán 446 millones de euros en actividades de I+D+i en 2016» ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

«Web-radio, robot: les profs innovent et le montrent à Paris» ( ► )
«Trois manières de piloter l’innovation» ( ► )
«Pour entreprendre à l'étranger, la Silicon Valley reste le Graal
pour le high-tech» ( ► )
«Séverine Leboucher: “Entrepreneuriat social: sept façons de trouver
des financements”» ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

«Driving Innovation through Diversity & Inclusion – Panel Discussion» ( ► )
«One venture capitalist's predictions for 2016» ( ► )
«Five key trends driving 2016 technology for older adults» ( ► )
«CES 2016: Expect smart homes, smart cars and a Volkswagen
electric vehicle» ( ► )

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2016/01/15

«Repovoamento do peixe carapau»



Jornal de Angola. Domingos dos Santos



«As obras de construção do Centro de Maricultura em Luanda iniciam já no próximo ano para a implementação do projecto de repovoamento do carapau, anunciou ontem a ministra das Pescas.

»Victória de Barros Neto, que falava no acto de cumprimentos de fim de ano no Ministério das Pescas, disse que o centro de maricultura é construído em parceria com a Coreia do Sul.

»“Está previsto também a construção de um novo centro de larvicultura, no Cuando Cubango, a implementação de um pólo de aquacultura no Cuanza Norte e Cuanza Sul e a construção de fábrica de ração em Malanje”, um entreposto frigorífico e uma ponte cais de grande dimensão e a reabilitação de fábricas de conservas, farinha de peixe e de congelação no município do Tômbwa, no Namibe.

»No balanço do ano de 2015, Victória de Barros Neto disse terem sido produzidas mais de 363 mil toneladas de pescado diverso pela pesca marítima industrial, semi-industrial e artesanal até ao terceiro trimestre. “A aquacultura registou, até Setembro, uma produção de 540 toneladas de pescado”, disse a governante, que garantiu continuar a trabalhar no sentido de dinamizar e fazer crescer o sector, em parceria com o sector privado nacional e estrangeiro.

Está previsto também a construção de um novo centro de larvicultura, no Cuando Cubango, a implementação de um pólo de aquacultura no Cuanza Norte e Cuanza Sul e a construção de fábrica de ração em Malanje.

»A ministra considerou o ano de 2015 como positivo, visto terem sido cumpridos os programas e projectos previstos, consubstanciados na implementação de políticas de recuperação e protecção dos recursos pesqueiros, reorganização de toda a cadeia produtiva, criação de novos postos de trabalho, transferência de tecnologias e inovação tecnológica, com o objectivo de diversificar a gama de produtos pesqueiros e aumentar a sua qualidade.

»A secretária de Estado das Pescas, Maria Antónia Nelumba, procedeu terça-feira ao lançamento, em Cacuaco, do Programa de Crédito Agrícola Extensivo ao Sector das Pescas e Aquacultura para aumentar os níveis de captura de pescado no país, fixados em cerca de 120 mil toneladas na pesca artesanal marítima e 36 mil na pesca continental.

»O Crédito Agrícola Extensivo ao Sector das Pescas e Aquacultura, disse, surge depois de o Executivo ter aprovado emendas para a inclusão do subsector da pesca artesanal neste programa, redefinido o papel dos comités locais de pilotagem e a concessão de garantias pelo Ministério das Finanças aos bancos credores. Maria Antónia Nelumba anunciou a implementação do programa, numa primeira fase, em 36 municípios já identificados nas províncias do litoral e do interior, onde as actividades de pesca registam um potencial de maior produção e beneficia pescadores agrupados em cooperativas, a fim de potenciar as suas actividades.»





A execução da inovaçao