2015/10/30

«O que a Grécia necessita para prosperar»



Edmund S. Phelps. Negócios. Tradução: André Tanque Jesus



«Alguns economistas ignoram a ideia moderna de que a prosperidade de um país depende da inovação e do empreendedorismo. Adoptam a visão mecanicista de que a prosperidade é uma questão de emprego e que o emprego é determinado pela "procura" - os gastos do governo, o consumo das famílias e a procura por investimento.

»Olhando para a Grécia, estes economistas defendem que a mudança da política orçamental para a "austeridade" - um sector público mais pequeno – levou a uma deficiência aguda na procura e, assim, a uma depressão. Mas esta argumentação tem uma leitura errada da história e exagera o poder da despesa Estado.

»Grande parte da redução do emprego na Grécia ocorreu antes dos drásticos cortes na despesa entre 2012 e 2014 – sem dúvida, graças à queda abrupta na confiança dentro do governo. Os gastos do Estado grego por trimestre subiram para um patamar de cerca de 13,5 mil milhões de euros no período entre 2009 e 2012, antes de cair para cerca de 9,6 biliões entre 2014 e 2015. No entanto, o número de empregados atingiu o pico de 4,5 milhões entre 2006 e 2009 e caiu para 3,6 milhões em 2012. No momento em que a Grécia começou a reduzir o seu orçamento, a taxa de desemprego - 9,6% da força de trabalho em 2009 - já tinha subido quase para o nível recente de 25,5%.

»Estes resultados contrariam a teoria de que "austeridade" trouxe a Grécia para sua situação actual. Indicam que a mudança na Grécia de 2008 a 2013, contra a elevada despesa, não é a razão para o actual desemprego em massa.

»Outra constatação põe em xeque se realmente a austeridade foi imposta à Grécia. É certo que a despesa do Estado tem caído, mas apenas para os níveis do passado: 9,6 biliões de euros no primeiro trimestre deste ano é superior ao registado em 2003. Assim, a premissa da austeridade parece estar errada. A Grécia não se afastou dos princípios orçamentais do passado. Regressou aos mesmos. Em vez de descrever os gastos do actual Governo como "austeros", seria mais correcto vê-los como o fim de anos de libertinagem orçamental, que culminou em 2013, quando o défice orçamental do Estado atingiu 12,3% do PIB e a dívida pública subiu para 175% do PIB.

»A "escola da procura" poderia responder que, independentemente de agora existir austeridade orçamental, o aumento da despesa do Estado (financiada, é claro, pela dívida) daria um impulso permanente ao emprego. Mas a experiência recente da Grécia sugere o contrário. O enorme aumento na despesa do Estado, a partir de 2006 até ao período de 2009 a 2013, produziu ganhos no emprego, mas não foram sustentados.

O enorme aumento na despesa do Estado, a partir de 2006 até ao período de 2009 a 2013, produziu ganhos no emprego, mas não foram sustentados.

»O ponto de discórdia real é que o Governo teria de emitir obrigações para financiar os seus gastos extraordinários. Assumindo um limite para a disposição dos investidores estrangeiros em comprar estas obrigações, os gregos teriam de comprá-las. Numa economia desequipada para o crescimento, a riqueza das famílias em relação aos salários iria afundar e a oferta de trabalho iria encolher, levando o emprego a contrair.

»Gastar mais não é, então, o remédio para a situação na Grécia, assim como gastar menos não foi a causa. Qual é o remédio, então? Nenhum montante de reestruturação da dívida, nem mesmo de perdão da dívida, será suficiente para alcançar a prosperidade (na forma de desemprego baixo e alta satisfação no trabalho). Essas medidas iriam apenas ajudar a Grécia a impulsionar a despesa do Estado. Assim, o estupidificante corporativismo da economia - clientelismo e nepotismo no sector público e interesses adquiridos e elites entrincheiradas no sector privado - ganharia um novo sopro de vida. A esquerda europeia poderia defendê-lo, mas dificilmente seria do interesse da Europa.

»O remédio deve situar-se na adopção de reformas estruturais adequadas. Quer ou não as reformas pretendidas pelos membros da Zona do Euro aumentem a probabilidade de que os seus empréstimos serão reembolsados, estes credores têm um interesse político e económico na sobrevivência e desenvolvimento da união monetária. Também devem estar prontos a ajudar a Grécia, no que toca aos custos para realizar as mudanças necessárias.

»Mas é a própria Grécia que deve assumir o controlo das suas reformas. E há sinais encorajadores de que o primeiro-ministro Alexis Tsipras está disposto a assumir essa causa. Mas vai precisar de compreender as reformas necessárias. A Grécia deve quebrar acordos e práticas corporativistas que obstruam qualquer inovação e empreendedorismo que possam emergir. Nutrir uma abundância de inovadores criativos e empreendedores vibrantes requer adoptar uma arrojada visão ??de criatividade e descoberta.»





A execução da inovaçao

2015/10/29

«Criada aplicação portuguesa que detecta emoções»



Portal Martim Moniz



«Além de detectar emoções, ainda sugere os espaços verdes que estejam mais próximos da pessoa. Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu uma aplicação, denominada Happy Hour, que permite que o telemóvel identifique o estado de espírito dos seus utilizadores.

»A aplicação, que já está em fase de protótipo, possibilita que o telemóvel identifique “estado de espírito dos seus utilizadores” e apresente “informação, em tempo real, sobre os espaços verdes de interesse mais próximos (como parques e jardins)”, afirmou a UC, através de um comunicado. Deste modo, promove “caminhadas e exercício físico como forma de melhorar a situação emocional de quem a utiliza.”

»A Happy Hour foi criada para o sistema operacional Android por uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, coordenada por Jorge Sá Silva.


»Investigação durou quatro anos

»Este projecto valeu a David Nunes, de 27 anos, o prémio “Jovem Investigador” (“Young Scientist Award”) na Conferência Internacional IEEE-I4CS – Inovação para Serviços Comunitários, que teve lugar recentemente na Alemanha. O estudante da UC revelou que o objectivo do desenvolvimento desta aplicação é “mudar o paradigma.”

Os investigadores utilizaram um algoritmo de aprendizagem para avaliar quatro estados emocionais pré-definidos: euforia, aborrecimento, calma e ansiedade.

»“As tecnologias devem compreender o ser humano e adaptar-se às suas necessidades e desejos” e embora seja “um desafio de enorme responsabilidade, o futuro passa por aqui”, salientou David Nunes. “Esta tecnologia resulta de quatro anos de investigação e passou por várias etapas. Primeiro, a equipa reuniu um conjunto de tecnologias e informação (camisola inteligente, telemóvel, informação sobre o estado do tempo, etc.) que lhe permitiu obter e processar toda a informação essencial para desenhar a aplicação”, revelou a UC.

»Depois disso, os investigadores utilizaram um algoritmo de aprendizagem para avaliar quatro estados emocionais pré-definidos: euforia, aborrecimento, calma e ansiedade. O estado de humor da pessoa é actualizado de hora a hora, alertando o utilizador nesse momento. A aplicação utiliza sensores do telemóvel para identificar, localizar e perceber o ambiente onde o indivíduo está inserido.»





Uma inovação

2015/10/28

«Jerónimo de Sousa defende que Novo Banco deve ser de controlo público»



Negócios



«O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu na terça-feira que o Novo Banco, cuja venda foi adiada, deve ser de controlo público, ficando ao serviço do desenvolvimento económico do país.

»"A opção certa, a que pode contribuir para o desenvolvimento económico do país, é colocar o Novo Banco sob controlo público e, a partir daí, colocá-lo ao serviço do desenvolvimento económico do país, nomeadamente no apoio às micro, pequenas e médias empresas e no apoio às famílias", referiu durante um comício na Maia, distrito do Porto, perante mais algumas centenas de militantes.

»O comunista salientou que a opção que serve os interesses de Portugal "não é entre vender por um valor mais ou menos próximo" dos 4.900 milhões de euros utilizados na recapitalização do Novo Banco.

»O Banco de Portugal interrompeu o procedimento de venda do Novo Banco e vai agora começar a preparar uma nova operação de alienação do banco, anunciou hoje o regulador em comunicado.

»"O Conselho de Administração do Banco de Portugal optou por interromper o processo de venda da participação do Fundo de Resolução no Novo Banco, iniciado em 2014, e concluir o procedimento em curso sem aceitar qualquer das três propostas vinculativas", adiantou a instituição liderada por Carlos Costa.

»Agora, segundo o mesmo comunicado, "é intenção do Banco de Portugal retomar o processo de venda depois de serem removidos os principais factores de incerteza relativos ao Novo Banco", um procedimento que, segundo fontes próximas do processo, deverá ser lançado no final de 2015 ou início de 2016, embora o 'timing' da nova operação esteja em aberto.

É intenção do Banco de Portugal retomar o processo de venda depois de serem removidos os principais factores de incerteza relativos ao Novo Banco.

»O Governo defendeu hoje que "era melhor" que o Novo Banco tivesse sido bem vendido agora, mas que o importante é que a alienação ocorra "de facto em boas condições", manifestando "total confiança" no Banco de Portugal.

»Jerónimo de Sousa realçou que Pedro Passos Coelho manifestou o seu acordo com o adiamento da venda do banco, "o contrário do que andou a defender até agora".

»"Perante o fracasso das negociações de venda do Novo Banco e a impossibilidade de esconder por mais tempo que a intervenção no BES é mais uma peça no escandaloso processo dirigido para fazer pagar aos trabalhadores e ao povo português os verdadeiros custos da especulação e da gestão danosa dos principais grupos financeiros, que sucessivos governos e reguladores alimentaram, vêm agora tentar salvar a face [Pedro Passos Coelho], com o argumento de que o importante é vender bem", disse.

»O líder do PCP dirigiu ainda críticas ao PS: "António Costa nada diz e até justifica o seu silêncio com a preocupação de não criar dificuldades ao negócio da venda. É isto que tem apenas a dizer aos portugueses o secretário-geral do PS, confirmando que o seu partido nada aprendeu com a situação do BPN que tanto custou ao povo português".

»Relativamente às eleições legislativas do próximo dia 4 de Outubro, Jerónimo de Sousa realçou que o "filme" e os "protagonistas" são sempre os mesmos. "Desde a entrada no euro quem não se lembra de Durão Barroso acusar António Guterres de deixar o país de tanga, depois veio Sócrates dizer que Durão Barroso fugiu porque deixou o país numa desgraça e depois veio o PSD/CDS-PP de Passos Coelho e Portas dizer que o PS arruinou o país e, agora, vem o PS dizer que PSD/CDS-PP deixaram o país de rastos", recordou.»





Um inovador

2015/10/27

«Administração Pública: Balanço Social “é uma inovação”»



A Nação



«O director-geral da Administração Pública, Gerson Soares, considera que o Balanço Social, que acaba de ser realizado, “é uma inovação”, porquanto, nos 40 anos de Cabo Verde independente, “nunca se fez um trabalho dessa envergadura e com esse nível de detalhamento”.

»Para esse dirigente, o Balanço Social é, nada mais, nada menos, mostrar a administração pública cabo-verdiana na sua vertente humana, tendo como perspectiva a sua componente quantitativa e qualitativa.


O Balanço Social é, nada mais, nada menos, mostrar a administração pública cabo-verdiana na sua vertente humana, tendo como perspectiva a sua componente quantitativa e qualitativa.

»“Pretendeu-se, com esse trabalho, dar um panorama tão aproximado quanto possível sobre a composição da máquina do Estado na sua dimensão humana, em termos de quantos somos, onde estamos, o que fazemos, qual é a nossa qualificação e os nossos salários”, destacou.

»Este Balanço Social, segundo Soares, é um instrumento de gestão previsional dos efectivos, porque, “com este trabalho, podemos prever quantos funcionários vão sair do sistema e, em consequência, os serviços vão se preparando para o contingente de efectivos”.

»“Permite, também, saber como é que estamos em termos de qualificação dos recursos humanos, na perspectiva de se definir um plano de qualificação lá onde se revelar conveniente”, frisa Soares.

»Para o director-geral da Administração Pública, o Balanço Social é, também, um indicador de transparência, porque “mostra como os recursos do Estado vêm sendo investidos, em termos de despesa com o pessoal”.»





Administração Pública e inovação

2015/10/26

Newsletter L&I, n.º 75 (2015-10-26)



Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«A inovação precisa estar presente em todas as dimensões de um negócio» [web] [intro]
«Cultura inovadora: como cultivá-la em seu negócio? Respondido por Ricardo Fasti» [web] [intro]
«Startup cria aplicativo que revoluciona a forma que pessoas encontram residência» [web] [intro]
«Recife é o Vale do Silício brasileiro» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

«Na ilha de Man, as bitcoins são cada vez mais reais» [web] [intro]
«Entrevista. Mário Centeno: “Nada é mais flexível do que um contrato a prazo”» [web] [intro]
«Ferramenta de Avaliação Versão inovação social 2.0» [web] [intro]
«Krugman volta a recorrer a Portugal para exemplificar efeitos negativos do Euro» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«Arrancan este jueves 'Los Jueves al Sol' de la UHU, un foro de emprendimiento social como motor de cambio» [web] [intro]
«Voluntariado Corporativo: una gran oportunidad» [web] [intro]
La estación experimental INIA Las Brujas celebró 50 años exhibiendo todo su potencial en investigación hortifrutícola, vitivinicultura, ganadería familiar, genética y biotecnología [web] [intro]
«Festival Internacional de Innovación Social (fiiS) te invita a comenzar el cambio» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«De la finance autrement à la finance pour les autres» [web] [intro]
«Movember invite les innovateurs sociaux à présenter des idées transformatrices»[web] [intro]
«L’“africapitalisme”, des solutions africaines aux enjeux africains» [web] [intro]
«Sinistré, le nord de la France refuse le souverainisme économique» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«SIGEF 2015, Opening New Horizons in Social Innovation» [web] [intro]
«Australian Innovation: Ideapod For Idea Sharing» [web] [intro]
«We are entering a new era of migration – and not just for people» [web] [intro]
«From the Ashoka Change Leaders: Working Towards Becoming an Ashoka Changemaker Campus» [web] [intro]

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Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2015/10/23

«Krugman volta a recorrer a Portugal para exemplificar efeitos negativos do Euro»



Liliana Borges. Negócios



«No seu mais recente texto publicado no blogue do New York Times, Paul Krugman defende que a mobilidade no trabalho "que é suposto ser uma coisa boa e um pré-requisito para a união monetária" é problemática e tem prejudicado as economias. No artigo, o economista norte-americano escolhe o exemplo português para alertar para os efeitos negativos que uma ineficaz mobilidade do factor trabalho pode causar a uma economia de moeda comum.

»Num texto que apelida de "pensamento europeu animador do dia", o professor de Economia recorre a uma noticia do Financial Times sobre a situação demográfica em Portugal para relembrar a "espiral de morte económica" que tem incentivado um elevado número de trabalhadores portugueses a emigrar.

»O Nobel da Economia refere ainda os baixos níveis de natalidade e os elevados impostos, prevendo um cenário "nada fácil" para um país que Krugman antevê que se tornará "numa nação de pessoas idosas sem recursos para tratar delas".

»Paul Krugman garante que as regiões económicas americanas são menos "vulneráveis", apesar de não terem uma integração orçamental perfeita, e fala do caso de Porto Rico. Recorrendo novamente à expressão "espiral da morte", Krugman aponta os elevados níveis de emigração e o "stress orçamental" como os principais problemas da actual crise económica que a ilha caribenha enfrenta, garantindo que, ainda assim, o sofrimento de Porto Rico (que entrou em bancarrota no final do mês de Julho) é inferior a Portugal.

O Nobel da Economia problematiza a flexibilidade no mercado de trabalho recorrendo à teoria da Área Monetária Óptima [em inglês Optimum Currency Area (OCA), uma área que corresponde a uma região geográfica com uma moeda comum a fim de maximizar a eficiência económica] e surge com três nomes: Robert Mundell, Ron McKinnon and Peter Kenen.

»O Nobel da Economia problematiza a flexibilidade no mercado de trabalho recorrendo à teoria da Área Monetária Óptima [em inglês Optimum Currency Area (OCA), uma área que corresponde a uma região geográfica com uma moeda comum a fim de maximizar a eficiência económica] e surge com três nomes: Robert Mundell, Ron McKinnon and Peter Kenen.

»Diz Krugman que todos eles assumiram, "realisticamente", que os salários e os preços são valores rígidos em cada país, pelo que fixar a taxa de câmbio ou adoptar moedas comuns impõe que se torne mais difícil ajustar "choques assimétricos" que podem prejudicar a economia de cada país relativamente às economias parceiras. "Estes custos têm de ser comparados com os benefícios de facilitar negócios além-fronteiras", sustenta.

»Neste artigo no blogue do New York Times, o economista norte-americano explica ainda as diferenças entre as visões dos economistas que aponta como especialistas da teoria da Área Monetária Óptima.

»Para Robert Mundel, também ele vencedor de um Nobel da Economia, a chave é a mobilidade laboral: se os trabalhadores se movimentarem de forma livre e ágil de regiões em fase de contracção para regiões em expansão, os choques assimétricos entre as regiões tornam-se um problema muito menor. Um dos argumentos que os eurocépticos norte-americanos costumavam usar para dizer que a Europa não seria capaz de se adaptar bem a uma moeda única era o do baixo nível de mobilidade no emprego, quando comparado com a prática entre Estados norte-americanos.

»McKinnon apresenta um critério diferente, baseado nas negociações das produções, requerendo ajustes de preço menores em economias muito abertas e defendendo mais transições a fim de aumentar os benefícios da moeda comum.

»Já Kenen, refere Krugman, argumenta que a integração orçamental, ou a falta dela, foi crucial e desempenhou um forte papel no equilíbrio entre regiões em fase de contracção, com o pagamento de taxas mais baixas e recebendo benefícios de regiões com melhores condições económicas.

»Krugman defende que "o que aprendemos é que a teoria de Kenen ultrapassa a de Mundell" e que, na ausência de uma integração orçamental, a mobilidade laboral deteriora qualquer união monetária, não a melhora.

»O economista conclui o artigo dizendo que "o Acto Único Europeu, que era suposto, entre outras coisas, preparar para uma moeda comum" poderá ter interferido na integração orçamental das economias, "criando todo um novo tipo de catástrofe".»





A execução da inovaçao

2015/10/22

«Ferramenta de Avaliação Versão inovação social 2.0»



Adrian Esteban. Blog Comunidade Seiton



«Social Venture Capital, nosso fundo para organizações de apoio dedicados ao desenvolvimento de soluções para a inovação social com base em ciência e tecnologia mostra abertura para expor seu novo livro de boas práticas de avaliação Organizações ferramenta dedicada às inovações tecnológicas Design Social.



»Ferramenta Foco:

»A versão 2.0 Ferramenta é usada pela social capital de risco como um instrumento inicial para detectar os seguintes aspectos:

»1.Capacidade instalada de organizações para desenvolver soluções para a inovação tecnológica sociais.

»2.Detectar se os produtos e serviços são as inovações sociais abertas e não uma adaptação do biene, serviços ou tecnologias existentes.

»3.Mínimo identificar práticas de gestão para garantir a aplicação adequada dos seus produtos e serviços na comunidade



»Ferramenta Utility:

»Se você é um empreendedor social ou representa uma organização que desenvolve soluções para a inovação social que requer a identificação de melhores práticas e fazer avançar um processo de processos de avaliação institucional, a ferramenta é útil. Se é uma criação de instituições de apoio ou empreendedorismo social e exige capacidades de detecção de organizações anteriores à entrega de recursos também pode ser útil.

»Baixe a descrição metodológica da ferramenta aqui.



»Você quer fazer a avaliação para a sua organização?

»Você pode escrever para o e info@mysocialventurecapital.org onde a equipe técnica pode fornecer informações sobre quaisquer pré-requisitos para aplicar a ferramenta.»





Uma inovação

2015/10/21

«Entrevista. Mário Centeno: “Nada é mais flexível do que um contrato a prazo”»



São José Almeida e Sérgio Aníbal. Público



«Aos 48 anos, Mário Centeno vai largar o Banco de Portugal e abraçar a política como independente. Foi o responsável pela coordenação do estudo macroeconómico que está na base do programa eleitoral do PS. Está disponível para ser ministro das Finanças e da Economia ou para ficar como deputado à Assembleia da República à qual é o oitavo candidato na lista do PS em Lisboa. Mas frisa que essa opção pertence a António Costa.

»Acredita que o programa do PS para recuperar a economia é viável e será aceite pela troika, já que o que os socialistas propõem são reais reformas estruturais, as quais o PSD e o CDS não fizeram em quatro anos.


»Entre a apresentação do cenário macroeconómico e agora decorreram negociações entre a zona euro e a Grécia que mostraram uma grande intransigência europeia em relação a políticas que fujam da linha da austeridade. Isso não altera em nada a forma como vêem o vosso programa ser passado à prática?

»Em absoluto. Aliás, a primeira frase que usei na apresentação do relatório foi que todos nós temos consciência que o caminho que temos de percorrer é estreito, que segue regras que não pomos em causa e que, ao não as pormos em causa, queremos tirar partido disso para tornar plena a cidadania europeia dos portugueses.


»Como é que pensam fazer isso, cumprindo as regras?

»Todas as medidas que colocamos no programa têm uma característica no seu conjunto: promovem a redução sustentada da despesa pública, uma redução sustentada da carga fiscal e, ao mesmo tempo, uma melhoria do défice, como é, aliás, desejo daquilo que consideramos ser as condições de crescimento da economia portuguesa. A carga fiscal sobre as empresas mas principalmente sobre as famílias é elevadíssima. Pensamos que tem de ser reduzida de forma sustentada, sem aventureirismos. E tudo está pensado, calendarizado e quantificado. O mesmo acontece do lado da despesa. A despesa cai em percentagem do PIB, mas ela recompõe-se, ganhando peso a despesa de capital e a despesa social.


»Mas o vosso programa parte muito do princípio de que os efeitos de estímulo da economia vão acabar por ter um impacto positivo posterior nas contas públicas, por força do crescimento económico. Ora, a Comissão Europeia, o FMI e vários governos europeus não têm sido sensíveis a esse tipo de argumentos. Vimos na Grécia, Itália, França.

»Sabe que estamos todos a aprender com estes processos — por exemplo, o programa adoptado em Portugal foi logo bastante diferente do programa grego, porque durante os meses entre o arranque dos dois programas se aprendeu imenso. Depois, a prática do programa irlandês também ensinou muito a toda a gente sobre o que é que a austeridade — e a definição estrita que foi dada à austeridade — pode significar para as economias. Depois, em Portugal, houve um ziguezaguear de política. Acho, aliás, um paradoxo total vir dizer que a coligação é a previsibilidade, porque, se olharmos para a estrutura e evolução da despesa e da receita ao longo destes anos, percebemos que não há ali qualquer previsibilidade. Relembro que o corte de parte do subsídio de Natal de 2011 resolvia os problemas orçamentais da economia portuguesa. Não resolveu. Que os cortes nas pensões iriam resolver o problema da sustentabilidade. Não resolveram. É preciso entender que este tipo de austeridade — que nós dizemos que é cega, porque é horizontal, não é selectiva e que tenta apenas cortar caminho para resolver um objectivo temporário — faz cair a actividade económica, gera desconfiança nas pessoas. Até ao ponto em que, muito por via externa (a política monetária não é a mesma que tínhamos em 2011 e ajudou muito todas as economias da zona euro principalmente as mais fragilizadas), houve uma estabilização da política que permitiu que Portugal e algumas economias da área do euro começassem a estabilizar primeiro e a crescer depois.


»A troika não é a mesma, mas ainda está bastante longe daquilo que está no programa do PS.

»Mas já lhe referi os indicadores: o programa do PS prevê uma queda da despesa pública em percentagem do PIB, prevê uma queda da receita fiscal em percentagem do PIB.


»E em relação a medidas concretas? Por exemplo, a redução temporária da TSU e a redução do IVA na restauração, que são exactamente o inverso daquilo foi agora exigido à Grécia. Não imagina as autoridades europeias a chegar a Portugal e a dizerem que estas medidas não são credíveis?

»Imagino que vamos ter conversas. Estamos a tê-las dentro do país, vamos ter de tê-las com os nossos parceiros, mas temos de ter em conta dois ou três factores em relação, por exemplo, às medidas que referiu. As medidas da taxa contributiva têm, na dimensão das empresas, uma componente de substituição que na nossa avaliação compensa praticamente na íntegra a perda de receita. É por isso que ela é feita gradualmente, precisamente porque nós temos consciência que conduzir a política económica do país não é um exercício de jogo informático experimental, mas definir uma linha de rumo e gradualmente permitir que os agentes económicos se ajustem, criando espaço fiscal, neste caso, para a realização de investimento e para a contratação de trabalhadores.


»E a TSU dos trabalhadores?

»Do lado dos trabalhadores, a medida é quase uma reforma estrutural. Ela é neutra, no sentido em que a redução hoje da taxa contributiva depois reverte, passado um determinado tempo e durante uma série de anos, numa redução das pensões. Os trabalhadores em termos líquidos ficam a ganhar, porque o estímulo que a medida traz à economia vai fazer subir os salários e o emprego.


»Tem um impacto orçamental imediato negativo.

»É uma medida que gera um gap de financiamento durante um certo período de tempo, isso é verdade, mas essa é a lógica de ter um Estado e de ter uma capacidade de gerir financeiramente uma economia, transferindo receitas e despesas de hoje para amanhã.


»A troika parece bastante mais preocupada com as receitas de hoje do que com as de amanhã.

»A troika está muito preocupada com o crescimento potencial da economia portuguesa. Se olhar para todos os relatórios do FMI e da OCDE, que não faz parte da troika, e para alguns relatórios da Comissão Europeia, vê um crescendo de preocupações com o crescimento estrutural da economia portuguesa.


»E vê-se também a expressão reformas estruturais.

»Esta medida é uma reforma estrutural e há outras medidas estruturais no nosso programa — questão que é totalmente ausente do programa da coligação. Ao contrário do nosso programa, que tem as reformas do mercado de trabalho. E tem as reformas da administração pública que não são o Roteiro de Reformas, a dois espaços e fonte 14, com que o Governos nos presenteou e depois não aplicou. Há medidas muito concretas de transformação estrutural da forma como funciona o Estado. Uma delas chamamos-lhe “centros de competência”, que é para ser aplicada gradualmente e pensada dentro da administração pública, não é para ser aplicada no dia 1 de Janeiro de 2016. Mas é uma alteração muito substantiva, que cria transversalidade nos serviços da administração pública e faz com que — e isto é um objectivo muito concreto — não se possa, cada vez mais, contratar serviços externos com a justificação de que a administração pública não tem valências suficientes. O estudo que foi feito recentemente sobre a sustentabilidade da Segurança Social foi contratado externamente, porque se argumentou que no Ministério da Segurança Social não havia condições técnicas. Sabemos todos quantos técnicos tem o ministério ao seu serviço e tivemos todos de pagar com os nossos impostos este estudo. Esta situação é gravíssima, porque desmotiva todos que trabalham na administração pública.


»O PS tem algum plano B para o caso de as autoridades europeias não aceitarem estes planos?

»As experiências que existem na Europa de ajustamento permitem-nos dizer que há vias alternativas de ajustamento e que a grande preocupação que nós temos de ter em Portugal, de uma vez por todas, é com as condições de crescimento estrutural da economia. Os estímulos que temos no nosso programa, da forma como estão faseados, são de dimensão muito reduzida, nunca superior, cada um deles individualmente, a 0,15% do PIB. Todas as medidas têm uma lógica e uma compensação — por exemplo, na parte social temos a criação da penalização da taxa de rotação excessiva, que é uma penalização da precarização das relações de trabalho que é algo que eu na minha investigação e no que é o meu pensamento sobre mercado de trabalho em Portugal associo de forma absolutamente clara à perda de capacidade produtiva da economia portuguesa. Outra é a questão das condições de recurso, propomos que as condições de recurso — estamos a falar sempre de prestações não contributivas — que estão fora do controlo do Estado, na sua aplicação, com mais de 4 mil milhões de euros, se somarmos todas, chegamos aos 5,7 mil milhões de euros. E deste bolo apenas parte delas são sujeitas a condição de recursos. E gera uma iniquidade na gestão dos fundos públicos enormíssima que não está presente no documento da coligação. O conjunto de medidas na área social tem um impacto orçamental nulo na legislatura. E isso é muito importante quando formos ter a discussão com a Comissão Europeia.


»Por que razão o PS não assume o problema da dívida e do seu pagamento como central no discurso político?

»O PS assume uma preocupação muito grande com as condições financeiras do país que não se cingem ao Estado, muito longe disso. Se há alguma coisa que podemos ter aprendido nesta crise, em particular com a que começou em 2007 nos EUA, é a linha muito ténue que separa a situação financeira do sector privado do sector público e a facilidade com que uma invade a outra. O programa que delineamos leva muito a sério as dificuldades que o país encontra para fazer face às suas obrigações dentro do que são as regras da área monetária onde nos encontramos — procura optimizar os instrumentos de política disponíveis.


»Mas sem falar no assunto.

»Fala-se muito disso. Quando dizemos que estamos em níveis históricos de incumprimento das famílias e que, portanto, é necessário garantir que as pessoas, as famílias e as empresas voltem a ter os instrumentos da decisão para enfrentar o cumprimento das suas obrigações, ninguém pode querer estipular como regra de negociação ou como forma de vida o não cumprimento das suas obrigações. O que temos de conseguir é, mais uma vez, a mesma questão para a Segurança Social, porque no fundo os cortes de pensões são um default, privado, interno. Essa ideia é de facto estranha ao programa em si, não achando que se deva desistir do país — cada vez que um português sai, deixa mais dívida para os que cá estão pagarem. O valor da dívida pública que tem de ser paga por todos nós em todos os anos que temos para trabalhar cresceu 30%.


»A dívida em 130% do PIB é pagável?

»Se a tivermos de pagar toda num ano, não. Se continuarmos as mesmas políticas que até aqui, que esvaziam demograficamente o país, que põem em causa o crescimento económico futuro, não é o 0,9% do ano passado e o 1,6% deste ano, porque entre o preço do petróleo, mais taxa de câmbio, mais taxa de juro, mais correcção monetária quase que justificamos esses valores, é o crescimento potencial da economia portuguesa.


»Como vai o PS tentar baixar o valor da dívida? A coligação diz no programa que em quatro anos a baixa para 107%.

»São muito mais optimistas do que nós, sem medidas. Esse é que é o paradoxo.


»Mas quais são as metas do PS?

»As metas que temos no documento é uma redução sustentada da dívida que acontece por duas vias — por geração de saldos primários positivos e por crescimento económico, ou seja, pelo crescimento do PIB nominal. A forma que temos mais eficaz de garantir o pagamento é criar as condições internas para crescer.


As metas que temos no documento é uma redução sustentada da dívida que acontece por duas vias — por geração de saldos primários positivos e por crescimento económico, ou seja, pelo crescimento do PIB nominal. A forma que temos mais eficaz de garantir o pagamento é criar as condições internas para crescer.

»Portanto, negociar mesmo que nos bastidores não é uma hipótese?

»A gestão da dívida passa por aproveitar todas as oportunidades que nos derem para garantir que ela é paga. Porque reestruturar pode ser simplesmente adiar o pagamento de juros, não há nenhuma pré-condição de que precisamos de um exercício dessa natureza para aplicar o nosso programa.


»Mas excluem que possa haver no futuro a renegociação da dívida?

»A posição da Europa face ao endividamento dos seus Estados tem-se alterado significativamente nos últimos anos e nós queremos uma posição responsável. E a posição responsável é dizer: nós temos aqui estas dificuldades, propomos estas medidas para crescer e para criar emprego. Acreditamos que apenas isso poderá no futuro garantir o pagamento da dívida e, portanto, queremos que confiem em nós.


»Face à negociação de reestruturação da dívida da Grécia, o Governo devia estar já a posicionar-se, pensando numa melhora das condições?

»Mas isso não é original neste processo da Grécia, porque foi uma constante nos quatro anos, o Governo não aproveitou nenhuma das aberturas que existiam ao longo do tempo para olhar para a economia portuguesa com um tom que não fosse “vivemos acima das nossas possibilidades e agora temos de pagar por isso”. A Irlanda também ao longo do programa de ajustamento negociou condições de pagamento muito favoráveis e fez finca-pé em relação a algumas das regras de ouro da política económica, o que o Governo português nunca fez. Nunca conseguiu nem defender os portugueses no sentido das suas dificuldades, nem assumir um modelo de desenvolvimento e de crescimento alternativo. O ziguezaguear de políticas foi constante.


»O programa do PS mantém o princípio do investimento de Estado como um dos motores da economia. Mas na prática só fala de fundos comunitários para esse investimento. Que formas alternativas de atrair investimento pode utilizar um governo do PS?

»Os fundos comunitários são uma parte importantíssima. Nos últimos anos vivemos de costas voltadas para eles. E as dificuldades, por exemplo, na constituição do Banco de Fomento são muito elucidativas da dificuldade de a coligação viver com essa forma absolutamente crucial nesta fase de apoio à economia portuguesa. Portanto, o co-financiamento através dos programas do Portugal 2020 é essencial. A sua utilização em termos orçamentais pode já de si fazer uma diferenciação entre o antes e o depois das eleições, se o próximo governo tiver uma atitude pró-activa na utilização dessas verbas. E vai necessitar, porque as regras europeias assim o ditam, de uma forte reacção do sector privado. E nós achamos isso muito bem. Também criamos um conjunto de novos mecanismos, como a optimização dos créditos fiscais — ou seja, a exploração de todas as dimensões de créditos fiscais. Há um conjunto de medidas sobre a ligação entre as universidades e as empresas, numa óptica de inovação que é essencial e requer a intervenção do Estado, porque a dimensão média das empresas em Portugal é muito pequena e os casos de sucesso que existem é de associativismo, ou seja, é necessário criar as condições.


»A revisão da legislação laboral e os novos contratos que propõem têm a finalidade específica de atrair investimento estrangeiro?

»Têm. É uma boa forma de colocar a questão. Não se promete nada a ninguém. Foi com esse objectivo que tentámos encontrar as melhores práticas europeias nessa área e que podem ser lidas no conjunto de relações laborais da Alemanha. O processo conciliatório para cessação de contrato de trabalho que nós propomos foi uma das peças das reformas de base na Alemanha no início deste século.


»Com Gerhard Schroeder.

»Exactamente. E foi também aplicado em Espanha e mais recentemente na reforma do mercado de trabalho que o Governo Renzi está a fazer em Itália. Uma das dimensões dessa reforma é precisamente a criação de um processo conciliatório de cessação do contrato de trabalho. Há idiossincrasias nacionais, a legislação italiana é assumidamente mais restritiva do que a portuguesa, nomeadamente nalgumas dimensões de readmissão do trabalhador e de indemnizações por despedimento, a espanhola tem outras características.


»A portuguesa está bastante facilitada.

»A portuguesa sofre de um problema que não conseguimos resolver, se não o atacarmos directamente — tem que ver com a utilização excessiva de contratos a prazo. Nós olhamos para a legislação laboral estes anos, é a minha interpretação, passando ao lado das suas verdadeiras restrições.


»Está a falar do precariado.

»Exactamente. É necessário simplificar a legislação neste sentido, permitir que para a mesma função na mesma empresa existam trabalhadores com vínculos contratuais distintos, acontece na maior parte das empresas em Portugal. Esta concorrência entre vínculos contratuais prejudica o funcionamento das empresas. As empresas recorrem a ela e tiram partido da flexibilidade que existe na lei. Nada é mais flexível do que um contrato a prazo. É impossível flexibilizar mais a lei portuguesa, porque um contrato a prazo é um acto administrativo de despedimento. É despedimento a prazo, ou seja, a prazo conhecido. Sabemos quando vai terminar. É preciso terminar com isso e deixar as empresas tomar decisões sobre salários e consolidar aquilo que são as relações laborais dentro das empresas, alargando a contratação colectiva, como é evidente. Também é essa a tónica do mercado de trabalho alemão — o mercado laboral alemão vive bastante associado à presença de comissões de trabalhadores, de sindicatos. É muito importante percebermos que é esse o caminho que queremos seguir, não é o caminho da flexibilização, que é totalmente errado, porque, volto a frisar, não há nada mais flexível do que um contrato a prazo.


»As regras que o PS propõe para as Obras Públicas — Conselho de Obras Públicas, aprovação parlamentar do plano das obras para a legislatura, etc. — vão dificultar a sua realização. Não é contraditório, por um lado, apostar nas obras públicas e querer moralizar, por outro, dificultá-las?

»São patamares diferentes. Quando falamos de investimento público, não é especialmente de grandes obras públicas. Estamos a falar de recuperação do património, das condições para garantir a sustentabilidade do turismo, que necessita de investimento de pequena dimensão, estamos a falar das questões de coordenação em termos de inovação e de ciência que requerem algum investimento, que o Estado faça papel de aglutinador junto das empresas e das universidades, que é o investimento que é já apoiado pelos programas de Portugal 2020.


»E as grandes obras de infra-estrutura só com estas regras muito fechadas.

»Exactamente e com calendarização plurianual muito clara para que o seu financiamento esteja assegurado à partida. E com co-responsabilização parlamentar.


»Estamos a falar com o futuro ministro das Finanças e da Economia?

»Tem de fazer essa pergunta a outra pessoa. Não sou eu que tenho de responder-lhe.


»O senhor está disponível para isso? Ao ter o papel central que tem tido no processo de elaboração do programa do PS, tem essa disponibilidade?

»Se a pergunta é sobre a disponibilidade, sem outro objectivo que não seja ser totalmente honesto consigo, a resposta é sim, mas não sou eu quem decide isso.


»Se António Costa for primeiro-ministro e não o convidar para o governo, está disponível para permanecer na Assembleia da República?

»O meu desafio agora é vencer as eleições com o PS, porque foi isso a que me disponibilizei. E vencer as eleições significa, no meu caso, ser eleito para a Assembleia da República. No dia 4 de Outubro espero que seja isso que aconteça. Não há pré-condição nenhuma sobre o que vai acontecer no dia 5. No dia 5 com imensa honra eu serei deputado. Esse é o desafio.


»Mas está disponível para tudo o que António Costa venha a solicitar-lhe?

»Sim.»





Um inovador

2015/10/20

«Na ilha de Man, as bitcoins são cada vez mais reais»



Carla Pedro. Negócios



«Na ilha de Man há gatos sem cauda e ovelhas com quatro cornos. Até a bandeira desta dependência da Coroa do Reino Unido é muito sui generis, já que a sua imagem é a de três pernas unidas em ventoinha. Conhecida como um paraíso fiscal, está a transformar-se no centro financeiro de uma moeda virtual, a bitcoin.

»A Ilha de Man, dependência da coroa britânica, é composta pela ilha principal, com o mesmo nome, e algumas ilhotas adjacentes, no Mar da Irlanda. É conhecida por ser um local paradisíaco, até mesmo a nível fiscal: não existe estrutura tributária, não cobra IRC e não sujeita ao pagamento de impostos as mais-valias nem os dividendos. E o IRS é menos de metade do que é aplicado no Reino Unido, não superando os 20%.

»A electricidade não falha, pelo que muitos centros de dados a escolhem para sedearem as suas operações. As tecnológicas também já descobriram Man, onde três décadas de contínua expansão económica as têm levado para aquela região. É lá que nascem muitas inovações nesse plano, como satélites e serviço de telemóveis, conforme relata a Bloomberg num trabalho sobre esta ilha.

»Há uma raça de gatos sem cauda (Manx cats), ovelhas muito peculiares, com quatro cornos (loaghtan Manx), e locomotivas a vapor perfeitamente preservadas – são da época Vitoriana. E há também, cada vez mais, bitcoins – uma moeda digital, completamente independente de qualquer banco ou governo central. Não é em todos os estabelecimentos comerciais que se pode pagar com esta moeda virtual, mas a sua aceitação é crescente.

»As start-ups que apostam nas bitcoins tendem a concentrar-se em locais onde está o capital de risco, como Londres, Nova Iorque e São Francisco. Por isso, sublinha a Bloomberg, a ilha de Man poderá parecer apenas uma pequena extensão quando se observa este pequeno protectorado britânico "que mais pode parecer uma cápsula do tempo do que a Terra do Amanhã". Ainda assim, tem chamado a atenção de muitas empresas e o próprio governo local quer fazer da ilha o principal "hub" para a tecnologia.

»Cerca de 25 start-ups que operam com moedas virtuais ou as "blockchains" [o registo acessível ao público e criptograficamente verificado de cada transacção feita com bitcoins] que as suportam já estão sedeadas na ilha de Man, que fica a apenas 70 minutos de Londres numa viagem de avião.

»Muitos dos recém-chegados são jovens programadores ou outros especialistas em tecnologias, provenientes dos EUA, Canadá e Brasil – que começaram por entrar na ilha para assumirem cargos na área do jogo online, sublinha a Bloomberg. "O PokerStars e o Full Tilt Poker [websites de jogo detidos pelo Rational Group] tornam a ilha tão importante para o póquer online como Las Vegas e Macau o são para os casinos", acrescenta a agência.

»Nick Williamson, por exemplo, deixou o Instituto de Tecnologia do Illinois para jogar póquer profissional. Em 2011, a PokerStars atraiu-o com um emprego na ilha de Man, na gestão de jogos, e não pensou duas vezes. Com 29 anos, conta à Bloomberg que se interessou pelas bitcoins pelo seu potencial de revolucionarem o póquer online, "podendo talvez um dia eliminar a necessidade de terceiros para gerirem o jogo e verificarem as apostas dos jogadores".

»Em Novembro de 2014, Williamson saiu da PokerStars e fundou a Pythia, uma start-up que fornece software que os clientes podem usar para criarem e gerirem as suas próprias "blockchains".



O Banco de Portugal acrescentava: "As moedas virtuais não são seguras. As entidades que emitem e comercializam ‘moedas virtuais’ não são reguladas nem supervisionadas por qualquer autoridade do sistema financeiro, nacional ou europeia". Os utilizadores suportam todo o risco, porque não existe garantia de que estas "moedas" sejam aceites na compra de bens ou serviços

»As advertências das autoridades reguladoras

»Mas nem tudo tem sido rosas na vida das bitcoins. As bolsas que negoceiam criptomoedas estão cada vez mais sob as atenções dos reguladores, sobretudo depois das perdas do equivalente a cerca de 355 milhões de euros na plataforma de negociação de moeda virtual MtGox – que levou à detenção, no passado mês de Agosto, do seu director-geral, Mark Karpeles.

»No caso da ilha de Man, essas plataformas de negociação têm de obedecer às exigências regulatórias em matéria de combate à lavagem de dinheiro. "Afastar práticas criminosas e proteger o consumidor é a nossa prioridade", explicou à Bloomberg um responsável do Departamento de Desenvolvimento Económico da ilha, Brian Donegan.

»Por cá, também já foram lançadas advertências. Em Outubro do ano passado, por ocasião do lançamento, em Lisboa, de uma caixa ATM de conversão de euros em bitcoins, o Banco de Portugal emitiu um comunicado a informar que esta ATM não está integrada no sistema de pagamentos português.

»"O Banco de Portugal relembra os consumidores dos riscos de utilização e de comercialização de ‘moedas virtuais’ como a bitcoin. Semelhantes alertas têm vindo a ser difundidos pelo Banco Central Europeu e pela Autoridade Bancária Europeia", referia o comunicado da entidade reguladora.

»E acrescentava: "As moedas virtuais não são seguras. As entidades que emitem e comercializam ‘moedas virtuais’ não são reguladas nem supervisionadas por qualquer autoridade do sistema financeiro, nacional ou europeia". Os utilizadores suportam todo o risco, porque não existe garantia de que estas "moedas" sejam aceites na compra de bens ou serviços. Em caso de desvalorização parcial ou total das "moedas virtuais", não existe um fundo que cubra eventuais perdas dos utilizadores, advertia a instituição liderada por Carlos Costa.

»Por outro lado, acrescentava, "o consumidor pode perder o seu dinheiro na plataforma de negociação e corre o risco de o dinheiro da sua carteira digital poder ser roubado. Também não existe qualquer protecção legal que garanta direitos de reembolso ao consumidor, como a que existe para as transferências convencionais". As transacções em "moeda virtual" podem ainda ser utilizadas indevidamente, em actividades criminosas, incluindo no branqueamento de capitais, concluía o comunicado.

»Em 2012, o Banco Central Europeu (BCE) também publicou um estudo sobre as moedas virtuais ("Virtual Currency Schemes") no qual alertava para os riscos associados às "moedas digitais", dada a inexistência de regulação, de supervisão e de superintendência relativamente a esta matéria.

»Por seu lado, em 2013, a Autoridade Bancária Europeia advertiu os consumidores para o risco de perderem todo o dinheiro investido em "moedas virtuais", por não existirem quaisquer mecanismos legais de reembolso deste tipo de fundos. Alertou ainda para a possibilidade de as transacções em "moeda virtual" poderem ser utilizadas indevidamente em actividades criminosas.


»Casa à venda em Portugal... em bitcoins

»Mas em Portugal, como no resto do mundo, são muitos os entusiastas desta moeda. Em Agosto passado, uma casa foi posta à venda, em Aveiro, com a possibilidade de ser paga em bitcoins. Foi vendida em Março deste ano, não em bitcoins, mas em euros.

»No entanto, o seu ex-proprietário, Pedro Cunha, que se assume um convicto "bitcoiner", diz que o processo de venda poderia ter sido mais célere se a transacção tivesse sido feita na moeda virtual.

»"A minha casa foi vendida em 31 de Março deste ano. O negócio foi feito da forma tradicional, embora tenha sido vendido a uma pessoa no Canadá. Demorou bastante a consumar-se pelo atraso que o envio de importâncias consideráveis tem pelas vias ‘normais’. Um claro exemplo de como uma moeda digital pode acelerar processos", comentou ao Negócios este primeiro proprietário a aventurar-se a receber em bitcoins.»





Administração Pública e inovação

2015/10/17

Newsletter L&I, n.º 74 (2015-10-19)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«Tecnologias Sociais de ensino e pesquisa concorrem ao Prêmio Fundação BB (Banco de Brasil)» [web] [intro]
«Desenvolvimento, indústria e emprego» [web] [intro]
«A financeirização da política social: o caso brasileiro» [web] [intro]
«Como será o CEO do futuro?» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

«A educadora indiana Kiran Sethi tem uma certeza: toda criança pode, e deve, mudar o mundo ao seu redor» [web] [intro]
«Uma estratégia de crescimento para a Europa» [web] [intro]
«Revolução tecnológica ameaça o futuro do emprego no Mundo» [web] [intro]
«Encontro ESRI 2015: a razão pela qual que a geografia vai dominar o mundo» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«Invertir en educación es el motor para el cambio social en América Latina: Microsoft» [web] [intro]
«¿Cómo debería ser la nueva economía del mundo?» [web] [intro]
«Tomando posiciones» [web] [intro]
«José Luis Martínez Guijarro, vicepresidente de Castilla-La Mancha: “No puede haber recuperación económica sin recuperación social”» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«Cheikh Bakhoum, Directeur Général de l’ADIE : “3 fournisseurs d'accès internet sont attendus sur le marché”» [web] [intro]
«Le Salon World Efficiency: des solutions pour les ressources et le climat [web] [intro]
«Chômage, croissance et principe de précaution» [web] [intro]
«Plan de développement 2016-2020: De la nostalgie économique» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«Delhi to host conference on "Competency Building for Excellence, Innovation and Social Change"» [web] [intro]
«The Evolution Of Japanese Startups: Innovation From The Ground Up» [web] [intro]
«Innovation is About People» [web] [intro]
«Social Innovation in Transport & Mobility» [web] [intro]

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2015/10/16

«Encontro ESRI 2015: a razão pela qual que a geografia vai dominar o mundo»



Ricardo Durand. PCGuia



«O 13º Encontro de Utilizadores ESRI Portugal (EUE) tem lugar hoje e amanhã na Culturgest em Lisboa. Na abertura do encontro, os directores da empresa explicaram de porque é que os sistemas de informação geográfica são, actualmente, um dos grandes factores de inovação e crescimento nas organizações.

»São estes precisamente os conceitos que fazem parte do lema da edição deste ano que recebe mais de 1200 inscrições, confirmou Vítor Lopes Dias, presidente do conselho de administração da ESRI Portugal. ‘SIG: Liderança, Inovação e Crescimento’ é, assim, a trave mestra do EUE 2015, uma edição que se destaca por ter um dia completamente dedicado aos workshops: são dez formações gratuitas que vão ter lugar amanhã, dia 8, também na Culturgest e onde os responsáveis da ESRI vão ficar a conhecer melhor as inovações da tecnologia ArcGIS.


»SENSORES E DRONES TRANSFORMARAM O MUNDO E O ACESSO À INFORMAÇÃO

»O EUE 2015 foi aberto pelo presidente do conselho de administração da ESRI Portugal, Vítor Lopes Dias, que lembrou a importância que os SIG têm hoje em dia na sociedade: "Estamos num tempo em que qualquer pessoa pode descobrir e partilhar informação geográfica em qualquer lugar". Os avanços tecnológicos permitiram, segundo o mesmo, que as pessoas acompanhem a evolução das aplicações geográficas em tempo real, com um acesso simples e prático que não depende do local ou do tipo de equipamento usado para aceder à informação.

»"Temos de estar bem conscientes de um facto: a tecnologia para compreender o mundo existe e está disponível sem limites, com garantias de alto nível em termos de hardware e software". Vítor Lopes Dias lembrou ainda que as mais recentes inovações tecnológicas como os drones de utilização comum, com câmaras HD, e os sensores que hoje conseguem medir tudo, "permitiram às pessoas e organizações analisar tudo o que se move e transforma".

»Esta transformação, especialmente no caso dos SIG, levou, segundo o CEO, a que as interacções entre os utilizadores ficassem ao nível das de uma rede social: "Estamos a criar uma partilha de informação geográfica nunca antes vista". Isto leva a um outro cenário que, para Vítor Lopes, é muito importante: "As funcionalidades dos SIG atingiram ponto de maturação, o que faz com que estes sistemas comecem a poder imitar a forma do pensamento humano".

»Com isto, os profissionais ficam perante uma realidade em que a transformação é disruptiva em termos conceptuais, mas não ao nível dos sistemas existentes. "Estes continuam e vão fazer parte integrante desta forma nova de conhecer o mundo", sublinha Vítor Lopes Dias.

»"Hoje temos um sistema de conhecimento transversal e baseado na descrição humana do mundo e cada vez vai ter um papel mais central no dia a dia. É um factor de crescimento para as organizações. Assim, cada um de nos vai poder contribuir cada vez mais para um mundo melhor", concluiu o CEO da ESRI Portugal.


"Hoje temos um sistema de conhecimento transversal e baseado na descrição humana do mundo e cada vez vai ter um papel mais central no dia a dia. É um factor de crescimento para as organizações. Assim, cada um de nos vai poder contribuir cada vez mais para um mundo melhor", concluiu o CEO da ESRI Portugal.

»"QUEREMOS SER UM CATALISADOR DA ECONOMIA PORTUGUESA"

» A ESRI é uma empresa que trabalha de perto com as Universidades e que promove o ingresso no mercado de trabalho. Esta ideia foi vincada por Rui Sabino, director executivo da empresa, que explicou o conceito da Academia GIS, uma plataforma de ensino e troca de conhecimentos que a ESRI promove várias vezes num ano.

»Com esta Academia, a empresa que puxar os alunos da Universidade para um ambiente profissional e partilhar experiências, conhecimentos e ideias. O objectivo é facilitar o contacto e o acesso dos jovens ao mercado de trabalho. Um dos programas com mais sucesso da Academia GIS é o Map Your Future, baseado nas ideias de ‘inovação’ e ‘empreendedorismo’: "Está no nosso ADN e define-nos como empresa. Sempre tivemos muito bem presentes estes dois conceitos". Rui Sabino explicou ainda que a criação da Academia teve por base a necessidade de a empresa "estar mais perto do talento e ouvir as novas ideias das pessoas".

»Em paralelo com a Academia GIS, a ESRI tem ainda um programa muito interessante para ajudar pequenas empresas na área dos sistemas de informação geográfica. "Lançámos o ESRI Start-Up Program que, durante três anos, apoia as empresas que têm ideias inovadoras". Com isto, Rui Sabino quer fazer com que a ESRI se torne num "catalizador da economia nacional". A Mapis e a Go Ready foram os exemplos dados pelo director executivo, duas empresas que têm soluçōes móveis de fácil acesso baseadas em mapping.


»"A NOSSA VISÃO PARA OS SIG? APLICAR GEOGRAFIA EM TODO O LADO!"

»Outra apresentação desta amanhã cujas informações devem ter preenchido os cadernos de notas de muitos dos participantes foi a do inglês Damian Spangrud, que ocupa o cargo de director soluções da ESRI Portugal. Com 22 anos de experiência no sector dos SIG, Spangrud explicou de que forma é que a empresa vai colmatar todas as necessidades dos utilizadores de sistemas de informação geográfica.

»"A nossa visão para os SIG é aplicar geografia em todo o lado, pois esta é a ciência de integração mais perfeita do mundo. Dá contexto e conteúdos. Os SIG potenciam a geografia para nos tornar mais inteligentes, e para melhorar a eficiência. Estamos a entrar numa era de iluminação geográfica e os SIG estão a acordar o mundo para a importância de geografia", disse Damian Spangrud, como entrada da sua keynote.

»O director soluções da ESRI Portugal acredita que as apps de mapas já são as preferidas dos utilizadores mobile e acredita que cada vez mais aplicações vão incluir informação georreferenciada no futuro.Com isto, será criado um "novo padrão a aparecer baseado no conteúdo, nas aplicações e na tecnologia".

»Um dos recursos destacado por Damian Spangrud foi o Web SIG, "uma grande transformação que liga todos os dispositivos através das apps". O acesso às capacidades do Web SIG têm, segundo mesmo, o "poder de transformar organizações". Isto é feito com a criação de ligações que cada vez são mais fortes entre empresas, escolas eo Estado, por exemplo. "Toda a gente adora mapas e apps que juntem o melhor das SIG. O desafio esta em lançar apps cativantes", ressalvou Spangrud.

»Outro tema em destaque na keynote do director soluções da ESRI Portugal foi a tecnologia arcGIS, uma plataforma web integrada que dá aos utilizadores capacidade de mapeamento, análise, gestão de dados e colaboração entre pessoas. Esta ferramenta apresenta informação mapeada sob forma de uma layer (camada) que se coloca em cima de um mapa já existente com o objectivo de criar uma espécie de “realidade aumentada” e potenciar a informação.

»"Há um atlas vivo do mundo com milhares de camadas. Mapeamento e visualização é o que traz os SIG à vida", sublinhou Damian Spangrud. O acrGis vem das respostas a muitas necessidades dos profissionais da área, como a aplicação da cartografia 3D aos mapas. Com isto é possível criar modelos de edifícios num local e viajar por cidades virtuais.

»Esta plataforma da ESRI é open source e compatível com vários formatos, standards e outro software aberto, uma aposta que a empresa se orgulha de fazer, até porque a contribuição de todos é vista como uma forma de inovar e criar mapas cada vez mais ricos: "Não podemos criar todas as apps e por isso damos oportunidade às pessoas para criaram as suas próprias soluções sem ser preciso escrever código".

»O arcGIS pode ser utilizado com sistema Linux e tem suporte optimizado para a plataforma Azure da Microsoft. Em breve, o sistema será melhorado para comportar big data analytics, geoJSON, Google Cloud, o motor de busca Bing e mais formatos OGC. A ESRI tema actualmente uma biblioteca com várias camadas e apps gratuitas de SIG, divididas por vários sectores. Aqui, podem ser encontrados mais de 400 templates gratuitos para download – a plataforma ultrapassou já as 500 mil descargas de software.

»Para o futuro, além das novidades de compatibilidade descritas em cima, Damian Spangrud deixa uma garantia, um desejo e uma certeza: "Todos os nossos lançamentos vão ser centrados na qualidade, na inovação e nas necessidades dos utilizadores. Queremos que a comunidade ajude a construir soluções de mapeamento geográfico. Os SIG são a plataforma para aplicar a geografia em todo o lado".»





A execução da inovaçao