2015/07/24

«Chamada de Projetos ao Laboratório Ibero-Americano de Inovação Cidadã #LABiCBR»



Cidadania 2.0



«A iniciativa Inovação Cidadã da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) e o Ministério da Cultura do Brasil por meio da sua ação #RedeLabs da Secretaria de Políticas Culturais, com a colaboração do Medialab-Prado, abrem uma chamada para a inscrição de propostas de experimentação e inovação cidadã para pesquisa, desenvolvimento, documentação e/ou prototipagem para o Laboratório Ibero-Americano de Inovação Cidadã / Brasil (LABiCBR) que terá lugar do dia 15 ao 29 de novembro de 2015 na cidade de Rio de Janeiro, Brasil.

»Este laboratório, que é parte do processo de Inovação Cidadã articulado pela SEGIB, contará com o apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), a Fundação Ford/Ford Foundation, a Fundación Unidos en Red, o Laboratório Hacker da Câmara dos Deputados do Brasil, a Secretaria Geral da Presidência da República do Brasil e a Prefeitura de Rio de Janeiro.

»Serão selecionados 10 projetos a serem desenvolvidos por equipes de trabalho constituídas pelos proponentes e um grupo de até 10 colaboradores por projeto, com o apoio continuado de 3 mentores especializados e de mediadores convidados.»





A execução da inovaçao

2015/07/23

«Plataforma portuguesa leva ao mundo inteiro ideias simples e que ajudam a vida de muitas pessoas afetadas por doenças»



TVI24



«Uma plataforma portuguesa de partilha de ideias - algumas muito simples -, que simplificam a vida de pessoas afetadas por doenças, já chega a todo o mundo e distingue hoje seis das soluções que disponibiliza, desenvolvidas por doentes ou cuidadores.

»Em 16 meses, a plataforma portuguesa Patient Innovation (Doentes Inovadores) analisou e avaliou 300 inovações, vindas de 30 países, sendo os principais contribuidores oriundos dos Estados Unidos, de Portugal, do Reino Unido, da Austrália e do Brasil.

»Um dos seis distinguidos, entre os que conceberam essas três centenas de soluções, é a portuguesa Joaquina Teixeira, mãe de uma criança com Síndrome de Angelman, que afeta o desenvolvimento motor, que conseguiu fazer com que o seu filho começasse a andar, ao espalhar balões coloridos pela casa.

»O exemplo é citado por um dos responsáveis da plataforma, Pedro Oliveira, do Programa Avançado de Empreende­dorismo e Gestão da Inovação da Católica–Lisboa, que desenvolveu a Patient Innovation com a participação da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, do Massachusetts Institute of Technology - MIT Sloan School of Management e da Carnegie Melon University, dos Estados Unidos.

»Pedro Oliveira explicou à agência Lusa que, "quando é suposto estas crianças [com Síndrome de Angelman] começarem a andar, não têm massa muscular para o fazer". Joaquina Teixeira não conseguia, por isso, que o filho se levantasse, começasse a andar ou sequer a gatinhar e, numa festa, surpreendeu-se com o entusiasmo da criança com os balões coloridos cheios de hélio, que flutuavam no ar: saltava para apanhar as bolas de cores.

»Joaquina Teixeira adquiriu então muitos balões de diferentes cores, espalhou-os pela casa e, pouco tempo depois, o filho começou a andar, relata Pedro Oliveira, apontando este como um exemplo da simplicidade de algumas soluções encontradas na plataforma "online", lançada em fevereiro de 2014.

Joaquina Teixeira não conseguia que o filho se levantasse, começasse a andar ou sequer a gatinhar e, numa festa, surpreendeu-se com o entusiasmo da criança com os balões coloridos cheios de hélio, que flutuavam no ar: saltava para apanhar as bolas de cores. Joaquina adquiriu então muitos balões de diferentes cores, espalhou-os pela casa e, pouco tempo depois, o filho começou a andar.

»Entre os outros premiados na categoria de cuidadores está "uma senhora de Israel, que já fez 14 inovações - tem um filho com paralisia cerebral e fez umas sapatas grandes", que ficam presas a um adulto, permitindo à criança fazer o movimento de andar.

»Um artista norte-americano de teatro, também distinguido, produziu uma mão mecânica. A ideia chegou através da internet até um sul-africano que tinha perdido alguns dedos, num acidente na sua oficina. E a solução, mais barata do que uma prótese, já foi adotada por 1.500 pessoas de todo o mundo.

»Entre os doentes inovadores está também um cidadão britânico, engenheiro mecânico, com um problema na aorta, que desenhou um suporte para colocar à volta da artéria e conferir-lhe uma maior resistência, trabalhando em conjunto com os médicos, na solução que propunha. "Salvou a vida dele e de 52 outras pessoas que até hoje receberam o mesmo suporte aórtico", salientou Pedro Oliveira.

»"Uma jornalista norte-americana, que teve cancro da mama e fez mastectomia, desenvolveu uma 'tshirt' 'super sofisticada', para poder tomar banho depois da operação", prosseguiu o responsável da plataforma e professor da Universidade Católica, recordando ainda um canadiano com fibrose quística que concebeu uma máquina para limpar os pulmões.

»O sítio da plataforma na internet convida as pessoas a registar-se e a partilhar a solução que encontrou. A proposta é depois avaliada por uma equipa médica, liderada pela professora Helena Canhão, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, antes de ser aprovada e ficar disponível "online".

»A ideia surgiu quando "descobrimos que há uma quantidade enorme de doentes que fizeram soluções fantásticas para os ajudar" a lidar com as suas condições de vida, e "um enorme potencial nas coisas que faziam, mas não havia espaço para partilharem estas soluções", explicou Pedro Oliveira à Lusa.

»Depois, "começámos a ter apoios completamente inesperados e temos um conselho consultivo com dois prémios Nobel" - o Nobel da Medicina Richard Roberts e o da Quimica Aaron Ciechanover - e outros especialistas, nacionais e internacionais, como aquele cientista que "tem mais patentes" registadas em todo o mundo, realçou Pedro Oliveira.

»O projeto já foi destacado no âmbito do Harvard Health Acceleration Challenge, organização conjunta das faculdades de Medicina e de Economia e Negócios de Harvard, entre mais de 400 projetos a nível mundial.

»A entrega dos prémios aos seis distinguidos pela Patient Innovation, realiza-se hoje, em Lisboa, em associação com "a melhor conferência de inovação aberta e de utilizador do mundo", como destaca Pedro Oliveira, referindo-se à Open and User Innovation Society Meeting (OUI), a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian.

»A 13.ª edição da conferência, que habitualmente se realiza nas grandes universidades dos Estados Unidos, tem lugar em Portugal, pela primeira vez, e reúne cerca de 200 especialistas, académicos, representantes de empresas e investigadores de várias áreas do conhecimento, que vão do diretor de inovação da NASA, ao comissário europeu para a Investigação, a Ciência e a Inovação, Carlos Moedas.»





Uma inovação

2015/07/22

«Escola Portuense cria a primeira escola virtual de Língua Gestual»



Porto Canal e Associação de Surdos do Porto



«Há uma plataforma online que permite ajudar quem quer aprender ou aprofundar os conhecimentos na língua gestual. É a Escola Virtual de Língua Gestual e pertence à Associação de Surdos do Porto, a única no país e no mundo. O objectivo principal é quebrar barreiras entre surdos e ouvintes.»



«Sobre a Língua Gestual Portuguesa (LGP)

»A Língua Gestual Portuguesa (LGP) é um sistema de signos, arbitrário e convencional, um veículo de expressão utilizado pela comunidade surda. A LGP não é considerada uma língua oficial, mas um idioma que com o lançamento da EVLGP fica acessível e disponível a todos os interessados.

»Estima-se que as crianças surdas sofram um atraso de 5 a 7 anos no seu desenvolvimento cognitivo, pois muitos dos que contactam com elas não têm conhecimentos básicos de linguagem gestual.

Estima-se que as crianças surdas sofram um atraso de 5 a 7 anos no seu desenvolvimento cognitivo, pois muitos dos que contactam com elas não têm conhecimentos básicos de linguagem gestual.

»O lançamento da EVLGP visa exactamente estreitar os caminhos de comunicação entre o Mundo – Surdo e Ouvinte na procura de uma sociedade mais justa e inclusiva.

»A EVLGP está disponível no website http://www.lgpescolavirtual.pt [...]

»A EVLGP será pioneira em Portugal no ensino à distância de Língua Gestual Portuguesa, sendo também raras as experiências internacionais neste âmbito. Numa primeira fase os conteúdos disponibilizados serão de domínio básico, sendo o seu grau de dificuldade aumentado gradualmente até atingir níveis médios e avançados.

»A formação em Língua Gestual tem sido tradicionalmente presencial. A revolução na forma de organização do curso, abrindo a oportunidade de o realizar on-line, irá significar que um maior número de pessoas terão possibilidade de aprender LGP, ajudando assim a derrubar a maior barreira com que a Comunidade Surda Portuguesa se depara no dia-a-dia: a comunicação.

»O projecto pretende ser o início de um longo caminho na construção do ensino à distância em língua gestual.»





Um inovador

2015/07/21

«A Polónia deu autonomia às escolas e passou a estar ao lado dos melhores»



Samuel Silva (Texto, na Polónia), Enric Vives-Rubio (Fotos, na Polónia), Sibila Lind (Vídeo) e Cátia Mendonça (Infografia). Público. Artigo financiado no âmbito do projecto Público Mais



«Há 15 anos, Portugal e Polónia partilhavam um problema de insucesso escolar. Hoje, os alunos polacos estão entre os melhores do mundo nos domínios da Leitura, Ciências e Matemática. A autonomia regional e a liberdade dos professores para preparar aulas são apontados como alguns dos segredos.

»Passa pouco das 19h e ainda se sente no ar o calor do início de Verão solarengo que atingiu Varsóvia. Os Polit sentam-se à mesa para a última refeição de um dia que começou bem cedo. Antes de começarem a comer, Pawel, Emilia e os três filhos levantam-se em oração. São católicos, como quase 90% dos polacos. Quando terminarem a salada de queijo mozarela e tomate, vão começar a preparar-se para dormir. É preciso descansar cedo porque no dia seguinte, como de costume, a rotina familiar começa às 6h da manhã. Uma hora e meia depois, os dois rapazes mais velhos da família estarão a caminho de mais um dia de aulas. “A escola é boa e nota-se que os professores estão empenhados. Mas se calhar também temos sorte, porque os miúdos gostam de estudar”, conta Emília, 38 anos.

»Não será só uma questão de sorte desta família. Nos últimos 15 anos, a Polónia foi o país com maior progressão nos testes do Programme for International Student Assessment (PISA) aplicados pela Organização da Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) aos alunos de 15 anos. Aquele país melhorou consistentemente os seus resultados, quer entre os melhores alunos, quer entre aqueles com maiores dificuldades. Desta forma resolveu um problema de insucesso escolar que, antes da reforma, partilhava com Portugal – e que continua a ser uma debilidade transversal ao ensino português. Fruto dessa evolução, a Polónia passou a constar das listas ao lado dos melhores sistemas educativos do mundo. O casal Polit está consciente das mudanças introduzidas na Educação do país e que estão na base destes resultados. Pawel, 39 anos, lembra-se "muito bem de como eram as coisas" no seu tempo de escola: "Muito mau”.

»Pawel e Emilia nasceram em Lodz e mudaram-se para Varsóvia há 13 anos, ainda antes do nascimento do primeiro filho. Ele foi trabalhar numa seguradora multinacional, onde ganha um bom salário que “permite que seja o único a trabalhar na família”. Ela está em casa, organizando o dia-a-dia da família e dos três filhos. “Sou a responsável logística”, brinca. As duas crianças mais velhas, Marek, com 12 anos, e Wojtek, com 10, estão na escola. Kryzstof tem apenas 2 e está ainda aos cuidados da mãe. “O mais pequeno nasceu a 5 de Fevereiro, o mesmo dia de Cristiano Ronaldo e Neymar”, conta o maior dos três irmãos, num inglês quase perfeito, demonstrando a persistente vontade de desviar a conversa para o futebol.

»Marek está a terminar o que na Polónia se chama de primária (que corresponde ao 1.º e 2.º ciclo portugueses) numa escola do bairro onde vivem, Wlochy, um subúrbio de classe média, com prédios de quatro andares, pequenas vivendas e zonas comuns ajardinadas, onde há crianças a andar de bicicleta e a jogar à bola – a cerca de 11 quilómetros do centro de Varsóvia. Não seria assim se não tivesse acontecido a reforma do sistema educativo polaco de 1999, que todos os relatórios internacionais e os principais especialistas de educação do país apontam como responsável pelas melhorias da última década e meia. No anterior sistema, herdado do regime comunista, o rapaz ainda teria mais dois anos de escola primária pela frente. “Oito anos de ensino primário era demasiado longo. Eu já estava aborrecido. Até ao 6.º ano, tinha aprendido bastante. Nos dois anos seguintes, senti que já não havia nada para aprender”, recorda o pai.

»As mais evidentes mudanças no sistema educativo polaco são formais. Antes da revolução de 1989, o ensino dividia-se em apenas dois níveis. A primária, que durava oito anos, era seguida de quatro ou cinco anos de escola secundária, para quem pretendesse prosseguir estudos, ou um curso vocacional, de três anos, que preparava os estudantes para o trabalho na economia socialista. O sistema desenhado em 1999 organiza-se numa lógica de 6+3+3. A duração do 1.º ciclo foi diminuída em dois anos, tendo sido criado um nível intermédio, os “gimnazjum”, frequentados pelos alunos entre os 13 e os 16 anos.

As mais evidentes mudanças no sistema educativo polaco são formais. Antes da revolução de 1989, o ensino dividia-se em apenas dois níveis. O sistema desenhado em 1999 organiza-se numa lógica de 6+3+3. A duração do 1.º ciclo foi diminuída em dois anos, tendo sido criado um nível intermédio, os “gimnazjum”, frequentados pelos alunos entre os 13 e os 16 anos.

»Estas escolas tornaram-se um símbolo da reforma. Não apenas porque foram uma inovação, mas também porque permitiam alargar, na prática, a escolaridade básica dos oito anos da primária do antigo sistema para nove. Desse modo, a Polónia atrasou em um ano o momento em que os jovens têm que escolher o seu futuro, e assim ajudou a resolver aquele que era considerado um dos principais problemas do ensino antigo, o “síndrome do oitavo ano”, quando 80% da população abandonava o percurso académico, enveredando pelo ensino vocacional.

»“Foi uma verdadeira revolução no sistema. O Governo tinha a ambição de mudar tudo e, de facto, fizeram-no”, avalia o investigador da Universidade de Varsóvia Maciej Jakubowski, que, no início desta década, foi secretário de Estado da Educação. Os motivos para esta mudança radical eram, desde logo, ideológicos, explica o conselheiro sénior do Ministério da Educação polaco Jerzy Wisniewski: “A reforma foi uma ideia anti-comunista. O objectivo era tirar as coisas o mais depressa possível das mãos dos comunistas”.



»Responsabilidades repartidas

»A reforma do sistema educativo da Polónia de 1999 não pode ser desligada do período de transição do país para a economia capitalista então vivido. O mesmo Governo que transformou a organização das escolas do país foi também responsável por outras mudanças profundas, lançadas ao mesmo tempo, na saúde e no sistema de pensões. Na mesma altura, também foi reformulada a administração do Estado, que passou organizar-se em torno de 16 regiões administrativas.

»Esta medida acabou por revelar-se fundamental para o sucesso da nova organização educativa do país, que assentou, em grande medida, numa descentralização de competências para os níveis local e regional da administração e num reforço da autonomia das escolas. “Essa foi a questão central do nosso sucesso”, avalia Maciej Jakubowski, consciente de que esta forma de gestão do sistema educativo “é algo que não existe em Portugal”. “Todos os bons sistemas são baseados numa autonomia das escolas e dos professores muito forte. Se vocês querem ter sucesso, têm que fazer isso”, sugere.

»Ao contrário do que acontece em Portugal, o Ministério da Educação Nacional da Polónia não tem, por exemplo, responsabilidade na contratação de docentes ou na supervisão pedagógica do ensino. A nível central são definidas as regras fundamentais da política nacional, como o currículo básico, as regras de contratação dos professores ou o financiamento público do sistema. Todas as restantes responsabilidades estão bastante divididas pelos vários níveis de organização da administração públicas.

»As 16 províncias criadas em 1999 nomeiam um superintendente para a Educação, que é responsável pela supervisão pedagógica das escolas dessa região administrativa, ao passo que o governo regional assume questões como a formação contínua de professores ou os centros de recursos educativos, por exemplo. A gestão das escolas ao nível de infra-estruturas está nas mãos dos 379 distritos (no caso do ensino secundário) ou dos 2479 municípios polacos (escolas primárias e “gimnazjum”), fruto de um processo de descentralização que foi lançado a partir de 1991, de modo gradual, até estar completa a nova arquitectura do sistema, no ano 2000.

A gestão das escolas ao nível de infra-estruturas está nas mãos dos 379 distritos (no caso do ensino secundário) ou dos 2479 municípios polacos (escolas primárias e “gimnazjum”), fruto de um processo de descentralização que foi lançado a partir de 1991, de modo gradual, até estar completa a nova arquitectura do sistema, no ano 2000.

»A campainha do Liceu José Marti chama os alunos para o maior intervalo da manhã. O som é delicado. Em vez de um crepitar incessante do toque, ouve-se um “tlim” elegante, a baixos decibéis. Foi uma ideia de Zbigniew Slezakowski, que há 11 anos dirige esta escola bilingue espanhola, em Varsóvia. O dirigente é um defensor do modelo de autonomia da educação do país: “Não há ninguém que venha aqui apontar que temos que fazer isto ou aquilo”.

»“Temos um excelente nível de independência”, confirma Tomasz Majewski, responsável pela gestão do “gimnazjum” João Paulo II, em Brachnowo, uma aldeia de 500 habitantes – situada quase 250 km a noroeste da capital polaca. Numa escola rural como esta, os professores têm um salário 10% mais alto do que nas cidades. E essa é uma forma de os manter motivados e convencidos de que podem ajudar a mudar alguma coisa nas suas comunidades: “Uma aldeia tão pequena como esta não é muito aberta à mudança. Às vezes é preciso encontrar o balanço entre uma boa atmosfera e o poder de alterar alguma coisa”.

»Um dos aspectos mais valorizados pelos directores é a possibilidade de serem eles próprios a escolher os professores das suas escolas, através de um concurso público aberto. O procedimento segue, porém, regras definidas centralmente e muito restritivas. O Teacher's Chart (o equivalente ao Estatuto da Carreira Docente) polaco foi aprovado em 1982, ainda durante o regime socialista. Os seus direitos têm-se mantido salvaguardados, fruto do poder que os sindicatos mantêm na sociedade polaca. Os docentes da Polónia são os que menos tempo passam nas salas de aula na OCDE, com 18 horas de carga lectiva por semana – em Portugal, são mais quatro horas semanais. A lei define padrões comuns de vencimento e de qualificações para que um professor seja aceite numa escola pública. Mas, mesmo sem alteração legal, nos últimos dez anos, os salários dos docentes aumentaram 50%.

»A outra dimensão fundamental da autonomia que nos últimos anos foi conferida às escolas polacas está no nível dos programas das disciplinas. A reforma de 2009, que veio aprofundar as mudanças feitas dez anos antes, implementou o conceito do currículo básico, que estabelece os princípios gerais dos programas, mas dá às escolas ampla liberdade para desenvolverem as suas próprias abordagens das matérias, dentro desse quadro geral.

A reforma de 2009, que veio aprofundar as mudanças feitas dez anos antes, implementou o conceito do currículo básico, que estabelece os princípios gerais dos programas, mas dá às escolas ampla liberdade para desenvolverem as suas próprias abordagens das matérias, dentro desse quadro geral.

»Por exemplo, no programa nacional do 1.º ano é definido apenas que os estudantes devem saber ler no final desse ano. No mais, os professores podem escolher o melhor caminho para chegarem a essa meta. O novo currículo básico da Polónia é, por isso, um mundo muito diferente do que tem sido implementado em Portugal com as mudanças recentes nos programas das disciplinas. Por exemplo, as metasaprovadas para Português e Matemática do 1.º ciclo definem um total de 177 objectivos e 703 descritores de aprendizagem, definindo, entre outras coisas, que os alunos que atinjam uma velocidade de leitura de 90 palavras por minuto. A abordagem polaca, pelo contrário, centra-se mais nos resultados da aprendizagem.

»“Temos que seguir o programa nacional. Mas como escola temos uma grande influência na forma como se ensina e no tipo de matérias que são mais aprofundadas”, explica o director do “Gimnazjum” 43 de Varsóvia, Ryszard Raczynski. Os professores podem aplicar qualquer método de ensino entre os que são reconhecidos pelas pedagogias contemporâneas e são livres de desenvolver um programa próprio e, inclusive, escolher os livros escolares, dentro de uma lista previamente aprovada pela direcção da escola.



»Atenção mundial

»Foram estas mudanças estruturais que fizeram a Polónia escalar rapidamente posições nos rankings feitos a partir dos resultados de testes internacionais, afastando-se cada vez mais de Portugal. Antes da reforma polaca, os dois países estavam praticamente lado a lado nos resultados dos PISA. Em 2000, no ano do primeiro estudo da OCDE, que avaliou apenas as competências de leitura dos alunos de 15 anos, os dois países apareciam separados por pouco: Portugal era 27.º, com 470 pontos, a Polónia estava duas posições acima, com 479. Sendo certo que os dois países melhoraram desde então, a progressão polaca foi muito superior. Na última edição do teste internacional, publicada em 2012, os estudantes polacos conseguem 500 pontos, já acima da média da OCDE e estão na 10.ª posição do ranking na Leitura. Já Portugal (30.º) somou 489 pontos neste domínio.

»O insucesso escolar é uma marca transversal ao sistema educativo português, do básico ao ensino superior, e testes como os PISA são bem demonstrativos da fraca qualidade das aprendizagens dos estudantes nacionais que, apesar da melhoria dos últimos anos, continuam a aprender menos do que os outros alunos da OCDE. A Polónia conseguiu resolver este problema, ainda que nunca tenha tido altos níveis de dois dos indicadores que revelam o insucesso nacional: o abandono escolar e o número de chumbos. Em Portugal, 34,3% dos estudantes com 15 anos dizem ter repetido pelo menos um ano, na Polónia são 4,3%; a taxa de abandono precoce da educação é de 17,4% entre os estudantes portugueses e de 5,4% para os polacos.

O insucesso escolar é uma marca transversal ao sistema educativo português, do básico ao ensino superior. A Polónia conseguiu resolver este problema, ainda que nunca tenha tido altos níveis de dois dos indicadores que revelam o insucesso nacional: o abandono escolar e o número de chumbos. Em Portugal, 34,3% dos estudantes com 15 anos dizem ter repetido pelo menos um ano, na Polónia são 4,3%; a taxa de abandono precoce da educação é de 17,4% entre os estudantes portugueses e de 5,4% para os polacos.

»“É algo que vem do comunismo e é comum a toda a Europa de Leste. Toda a gente era obrigada a estudar 18 anos e não havia o hábito de deixar ninguém para trás”, explica o investigador da Universidade de Varsóvia Maciej Jakubowski. O problema era o impacto que esta prática tinha sobre as aprendizagens dos alunos. “Na minha escola primária diziam a alguns alunos: não tens que aprender Matemática, tu vais para o ensino profissional. E os professores não se importavam realmente com eles”, recorda.

»Não foi só na Leitura que os resultados dos estudantes polacos melhoraram. O comportamento tem sido consistente nos outros dois domínios analisados pela OCDE. Na Matemática, o desempenho dos jovens de 15 anos da Polónia passou de um score de 490 pontos, em 2003, para 518 em 2012 (estão agora no 13.º lugar do ranking) e nas Ciências a prestação subiu de 498 pontos para 526 (9.ª a nível mundial).

»Na aula de Física de uma das turmas do 2.º ano do IX Liceu de Varsóvia estão apenas 13 alunos. E não é porque tenha havido faltas. É sempre assim nas aulas práticas, onde a turma é dividida a meio para facilitar o trabalho do professor. O docente é Michal Rutkowski, que faz piadas e erra propositadamente os cálculos, para testar a atenção dos alunos. Nunca está de costas para os estudantes: em lugar de escrever num quadro tradicional, desenha um circuito elétrico num bloco quadriculado colocado sobre a sua secretária. O movimento é filmado por uma pequena câmara e depois projectado no quadro branco: “Assim posso sempre ver a reacção deles”.

»Maya, uma das alunas desta turma, fica surpreendia por ter mais um jornalista estrangeiro na sua sala. Nas semanas antes da visita do PÚBLICO, também tinham passado pela escola repórteres norte-americanos e letões, por exemplo. “Não faço ideia por que há tantos jornalistas interessados na Polónia”, confessa. Mas não tem dúvidas de que a qualidade do sistema de educação polaco é boa: “Temos professores excelentes e os meus colegas querem aprender tanto quanto eu e depois seguir para a universidade”.

»Duas colegas juntam-se à conversa. Dominika e Karolina concordam com a avaliação feita por Maya. Da escola em que andam, só têm mesmo uma queixa: “Parece um hospital”. Há cinco anos, esta secundária no centro de Varsóvia sofreu obras que a renovaram completamente, mas os corredores foram pintados de cinzento e as janelas das áreas comuns são exíguas. Dentro da sala, há bastante mais luz e Michal Rutkowski tem que correr as persianas para evitar que o sol ofusque completamente os alunos.

»Por causa do seu bom nível de inglês, o jovem professor, na casa dos 30 anos, costuma ser requisitado para acolher os visitantes internacionais. “A Polónia parece estar a tornar-se o sítio a visitar por quem se interessa pela Educação”, comenta. A “culpa” é dos resultados dos PISA e da forma como a OCDE tem elogiado as reformas polacas.

»“Nem todos concordamos que tivemos uma melhoria”, contesta, todavia, Rutkowski. O professor de Física não está seguro de que a melhoria da Polónia nos resultados dos PISA se deva a um verdadeiro incremento nos conhecimentos dos estudantes ou ao facto de os alunos terem “apenas ficado melhores a responder a testes”: “Os nosso estudantes estão a fazer muitos testes, por isso, talvez estejam melhores a fazer estas provas”.



»Contra a desconfiança, os números

»São críticas como esta que fazem com que, apesar da relevância internacional que os resultados da Educação polaca conseguiu granjear, a qualidade das escolas seja internamente muito discutida. Em ano de eleições (já houve presidenciais, em Maio, e haverá legislativas, em Outubro) o tema tem estado na agenda política, sobretudo por causa da vontade do partido conservador de inspiração católica Lei e Justiça (PiS) – ao qual pertence Andrezj Duda, eleito recentemente Presidente da Polónia – de voltar à organização do sistema de educação em apenas dois níveis, como nos tempos dos Comunismo. Desta forma, os “gimnazjum”, um dos símbolos da reforma de 1999, seriam liquidados, 16 anos depois da sua criação.

»“Seria um erro se isso acontecesse”, reage o especialista do Instituto de Investigação Educativa Mikolaj Herbst, para quem a reforma veio dar oportunidade a estudantes de origens mais desfavorecidas de fazerem melhores percursos escolares e entrarem nas universidades. “Isso teve um tremendo impacto nos resultados dos PISA”, sublinha.

»É nos resultados dos testes internacionais que o Governo polaco e os especialistas da área se têm baseado para defender os méritos das mudanças dos últimos 15 anos. Os testes PISA têm sido uma boa forma de seguir as reformas na Polónia. O primeiro grupo de alunos, avaliados pelo teste da OCDE em 2000, não tinha sido afectado pela reforma, que tinha sido desenhada no ano anterior e estava apenas a começar a ser implementada. O grupo de jovens avaliados em 2003 tinha começado a escola primária no antigo sistema, mas já tinha andado nos novos “gimnazjum”. Os alunos avaliados em 2009 e 2012 fizeram toda a sua vida escolar no novo sistema, sendo que estes últimos beneficiaram também da reforma curricular entretanto implementada.

»Ao longo dos últimos anos, a Polónia não só melhorou genericamente o desempenho dos estudantes polacos, como conseguiu reduzir as assimetrias do sistema. A Matemática, por exemplo, o país diminuiu a percentagem de estudantes com baixa performance de 22% para 14% e aumentou o total de estudantes de alta performance de 10% para 17% num período de nove anos. Ao mesmo tempo, reduziram-se as diferenças de desempenho entre as escolas, passando de uma das maiores dispersões de resultados da OCDE (ao nível da Alemanha), para uma das menores (próxima da que se regista nos países escandinavos). Ao mesmo tempo, foi diminuído o impacto da origem sócio-económica dos estudantes nos seus resultados.

»Para os especialistas, o aumento da equidade no sistema de educação está também relacionado com a introdução de exames nacionais no fim dos três ciclos de estudo, que serviu de contraponto à grande autonomia das escolas e dos professores, tendo sido capaz de manter padrões de exigência comuns para os mais de seis milhões de estudantes.

Para os especialistas, o aumento da equidade no sistema de educação está também relacionado com a introdução de exames nacionais no fim dos três ciclos de estudo, que serviu de contraponto à grande autonomia das escolas e dos professores, tendo sido capaz de manter padrões de exigência comuns para os mais de seis milhões de estudantes.

»Ainda assim, o sistema de avaliação do país é relativamente “soft”, nas palavras de Maciej Jakubowski: “Põe-se pressão social nos professores para fazerem bem o seu trabalho, mas evitamos algumas ideias loucas, como as que apareceram nos EUA, de punir os professores por maus resultados”.

»O primeiro exame nacional que os alunos enfrentam é no 6.º ano, no final do ensino primário. Esta prova não tem, porém, impacto no percurso académico dos estudantes, não influenciando a sua nota. Serve apenas de aferição ao seu nível de conhecimento, dando feedback das aprendizagens às famílias e aos professores. Três anos depois, no final do “gimnazjum”, o exame já tem um impacto mais determinante na vida dos estudantes, uma vez que o resultado, juntamente com as notas dos alunos, servirá de referência na candidatura ao ensino secundário – até ao “gimnazjum” os estudantes frequentam sempre a escola mais próxima da sua área de residência, mas concorrem às escolas secundária em função dos seus interesses, num modelo que se aproxima do acesso ao ensino superior.

»No final do ensino secundário geral, os alunos submetem-se ao último exame nacional, o “Matura”, instituído em 2005, e que serve como base para o ingresso no ensino superior – até então a candidatura era feita de forma diferenciada, em função da instituição em que os alunos pretendiam entrar.

»O ensino superior é outros dos sectores que foi substancialmente afectado por todas estas alterações. O número de diplomados aumentou muito na Polónia desde 1999 – 42% da população entre os 25 e 34 anos tem formação superior, acima da média da OCDE (40%) e bem longe do que acontece em Portugal (29% de diplomados).

»Durante a era comunista no país, dominava claramente a opção pelo ensino vocacional, para o qual seguiam 80% dos estudantes no final do ensino primário. Nos anos 1990, a Polónia tinha 11,1% da população dos 18-24 anos no ensino superior. A meio da década, ainda antes da reforma, já era o dobro. E hoje, mais de 50% dos jovens vão para as universidades: são entre 1,5 e dois milhões de estudantes em cada ano, alimentando as mais de 400 instituições de ensino superior do país.

»Para Mikolaj Herbst esta é a peça que falta para entendermos o sucesso polaco. A expansão das inscrições nas universidades alterou a forma como os estudantes perspectivavam o seu sucesso académico no ensino básico: “Em Educação, as expectativas e motivação podem fazer uma grande diferença”.»





Administração Pública e inovação

2015/07/20

«Newsletter L&I» (n.º 61, 2015-07-20)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«Plano de Inovação do TCE Ceará é lançado com palestra de Roberto Meizi Agune» [web] [intro]
«Cooperativismo no novo cenário tecnológico bancário» [web] [intro]
«A Inovação no Processo de Desenvolvimento de Produtos» [web] [intro]
«Empreender para quê?» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

«Projecto “A nossa escola cuia”: Angola poderá contar com escolas pré-fabricadas com tecnologia blockhaus» [web] [intro]
«Lições de uma Vida Com Sentido» [web] [intro]
«A PT no centro do mercado televisivo» [web] [intro]
«Departamentos TI das empresas portuguesas só dedicam 9 minutos por dia à inovação» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«Innovación pública y capital humano científico» [web] [intro]
«Diez características del innovador» [web] [intro]
«Uruguay destaca “su carácter innovador” durante cumbre entre Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC) y Unión Europea (UE)» [web] [intro]
«México y Francia firman 23 acuerdos de investigación e innovación» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«La Société Nationale des Chemins de fer Français muscle sa culture de la sécurité» [web] [intro]
«Namwali Serpell, zambienne, lauréate et généreuse» [web] [intro]
«Des chercheurs de Montpellier découvrent une bactérie "intelligente" pour détecter des maladies» [web] [intro]
«Démystifier la tradition» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«Wichita State is getting a $1 million federal grant for roads and water lines to support the first building at the new innovation campus» [web] [intro]
«Companies with boards full of white men are unlikely to be innovative» [web] [intro]
«Global Innovation Exchange: A new kind of investment in higher ed» [web] [intro]
«Nairobi Innovation Week» [web] [intro]

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2015/07/10

«Departamentos TI das empresas portuguesas só dedicam 9 minutos por dia à inovação»



SAPO



«Os departamentos de tecnologias da Informação das empresas portuguesas revelam-se dos mais pressionados da Europa e dos que menos inovam. 92% das empresas nem têm um programa de inovação.

»A existência de uma estratégia digital já é uma realidade em mais de dois terços da empresas portuguesas. Um novo estudo da Claranet sobre o estado da inovação em seis países europeus revela que 74% das empresas locais têm uma, mas o país sai pior na fotografia quando a análise se foca na existência de programas de inovação, que na maior parte das empresas portuguesas ainda não existe.

»Em média, na Europa, 36% das empresas têm um plano de inovação. Em Portugal 92% das organizações ainda não têm. No que se refere à existência de uma estratégia digital, os números apurados para Portugal também são os mais baixos entre os seis países avaliados.

»Os dados Claranet Research Report também mostram que as organizações em Portugal dedicam, em média, nove minutos diários à inovação. O resto do tempo é passado em questões administrativas, ou reagindo a problemas que vão surgindo. A despesa com TI no mercado português em 2014 não terá ido além dos 9 mil milhões de euros.

Os dados Claranet Research Report também mostram que as organizações em Portugal dedicam, em média, nove minutos diários à inovação. O resto do tempo é passado em questões administrativas, ou reagindo a problemas que vão surgindo. A despesa com TI no mercado português em 2014 não terá ido além dos 9 mil milhões de euros.

»Na Europa 84% das organizações acreditam numa mudança radical nas TI durante os próximos dois anos. Em Portugal o número de empresas com esta expectativa é mais reduzido e não vai além dos 61%.

»Espera-se que a emergência de fenómenos como a cloud tenha um impacto significativo nas organizações, nomeadamente no desenvolvimento in-house de aplicações, que até 2020 deverá cair 30%.

»Outro resultado em que os dados apurados para Portugal divergem dos números encontrados para o resto da Europa está no orçamento TI disponível para 2014. Em 75% das empresas da região aumentou. Em Portugal caiu em média 3% e este ano a expectativa também é de queda.

»Nos seis países analisados 75% das empresas viram o seu orçamento TI aumentar no ano passado, uma tendência que Portugal não seguiu, sendo mesmo o único país europeu do estudo onde o orçamento TI diminuiu em 2014 (em média 3%). Em 2015 espera-se que aconteça o mesmo.

»O estudo foi realizado a partir de 900 respostas de responsáveis TI europeus em seis países europeus. Em Portugal foram consultados 100 executivos.»





A execução da inovaçao

2015/07/09

«A PT no centro do mercado televisivo»



Nuno Santos: Diário de Notícias



«O turbilhão que envolveu a PT nos últimos meses alterou radicalmente a vida da empresa que conhecemos nos últimos anos nas suas muitas virtudes e (agora visíveis) defeitos. Falta, no entanto, conhecer em toda a sua extensão a dimensão da mudança porque essa mudança vai determinar, em boa medida, a forma como se vai organizar o audiovisual português, em particular a TV aberta, nos próximos anos. Sendo certo que nenhum dos operadores está dependente da Portugal Telecom, todos têm com a empresa relações empresariais demasiado fortes para poderem ser minimizadas.

»Para o consumidor, e esse é o ponto que me interessa, a PT através do Meo introduziu na ultima década uma nova dinâmica no acesso e consumo de televisão. Hoje não é nada conveniente dizer que o mérito dessa estratégia é de Zeinal Bava e da excecional equipa que o acompanhou porque é mais fácil ver os erros de Bava e atirar-lhe pedras, mas deve-se ao gestor (sem esquecer aqui o papel tutelar de Henrique Granadeiro) uma verdadeira revolução tecnológica, de abordagem ao mercado e da captação de clientes. O Meo foi, neste tempo, uma plataforma inovadora e, mesmo quando legitimamente outro modelo de gestão para a empresa que acabam de adquirir, os patrões da Altice não podem deixar de ter esse dado em conta.

»Sucede que o aparecimento e crescimento exponencial do Meo não se fez à conta da queda da ZON - hoje NOS, antes pelo contrário, porque esta manteve-se altamente competitiva quer nos preços, quer na oferta de conteúdos, quer na inovação tecnológica. Portugal é, aliás, um dos países do mundo onde a tecnologia associada à televisão paga está mais desenvolvida, e esse facto decorre da competição feroz entre as duas principais plataformas.

Portugal é, aliás, um dos países do mundo onde a tecnologia associada à televisão paga está mais desenvolvida, e esse facto decorre da competição feroz entre as duas principais plataformas.

»A questão da PT é mais sensível porque neste momento a área de televisão da empresa, como todas as outras, aguarda por orientações estratégicas, o que está a atrasar algumas decisões. Simultaneamente, existem receitas significativas dos operadores tradicionais, em particular da SIC, que estarão em cima da mesa para serem negociadas, e uma mudança, se for radical, pode ter impacto na vida dos operadores convencionais.

»Os próximos meses serão, pois, decisivos para encaixar as peças deste novo puzzle.


»Uma equipa

»Se é certo que a RTP escolheu para liderar a Direção de Programas (ou de Programação) um profissional sem currículo como Daniel Deusdado - e a ERC a esse facto nada disse -, a equipa que está agora a ser criada para gerir os conteúdos da televisão pública, que reúne profissionais da empresa como António José Martins ou Camilo Azevedo, a outros vindos do mercado como Virgílio Castelo ou José Navarro de Andrade, dá garantias. Um dos problemas do anterior diretor, Hugo Andrade, que fez um excelente trabalho, foi o facto de nunca o terem deixado criar uma equipa.


»Ato falhado

»Estando quase tudo dito sobre o ato falhado que foi a tentativa de criação de legislação que obrigasse os meios de comunicação a validar as suas opções editoriais - e o resto são eufemismos -, vale a pena deixar duas notas: estranho ver Inês de Medeiros envolvida neste processo, e o simples facto de o seu nome aparecer talvez mereça alguma reflexão sobre a tentativa séria de encontrar uma saída, porque, goste-se ou não da deputada do PS, ninguém a tem na conta de "censora". O outro ponto é este: continua em vigor uma lei de 1975. Quem resolve?»





Uma inovação

2015/07/08

«Lições de uma Vida Com Sentido»



Francisco Jaime Quesado, Presidente da ESPAP – Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública: Publico



«Diogo Vasconcelos soube como ninguém dar o seu melhor pelo projecto de um Portugal Inovador e Ambicioso e a honra dos que como eu fizeram parte do seu círculo de amigos mais próximos vai ficar para sempre na memória das coisas que vale sempre a pena recordar. Diogo Vasconcelos era uma pessoa com uma inteligência rara, uma visão única do futuro, que dedicou toda uma vida de conhecimento e sabedoria a interpretar a realidade dum país que amava e que sabia que não se conseguia encontrar com o futuro.

»Diogo Vasconcelos defendia fortemente uma “cultura empreendedora” para Portugal. A matriz comportamental da população socialmente activa do nosso país é avessa ao risco, à aposta na inovação e à partilha de uma cultura de dinâmica positiva. Importa por isso mobilizar as Capacidades Positivas de Criação de Riqueza. Fazer do Empreendedorismo a alavanca duma nova criação de valor que conte no mercado global dos produtos e serviços verdadeiramente transaccionáveis sempre foi uma das grandes ideias de Diogo Vasconcelos na sua batalha pela modernidade.

»Diogo Vasconcelos era um homem da Inovação. A falta de ambição e de um sentido de futuro, sem respeito pelos factores “tempo” e “qualidade” não era para Diogo Vasconcelos tolerável nos novos tempos globais. Segundo as suas sábias palavras, precisamos de novas ideias, de novas soluções, de projectar na sociedade o exercício da responsabilidade individual de forma aberta e participada. O Diogo era um homem onde a vontade de fazer coisas novas e diferentes corria à velocidade do som. Diogo Vasconcelos soube melhor do que ninguém interpretar o sentido do tempo e a importância de se ser diferente num mundo onde tudo é cada vez mais igual.

A falta de ambição e de um sentido de futuro, sem respeito pelos factores “tempo” e “qualidade” não era para Diogo Vasconcelos tolerável nos novos tempos globais.

»Diogo Vasconcelos era um homem da Sociedade do Conhecimento. A ausência da prática de uma “cultura de cooperação” tem-se revelado mortífera para a sobrevivência das organizações e também aqui Diogo Vasconcelos foi sempre muito claro. Na Sociedade do Conhecimento sobrevive quem consegue ter escala e participar, com valor, nas grandes Redes de Decisão. Num país pequeno, as Empresas, as Universidades, os Centros de Competência Políticos têm que protagonizar uma lógica de “cooperação positiva em competição” para evitar o desaparecimento. Por isso, importa potenciar e verdadeiramente reforçar uma “capacidade de cooperação” positiva, com dimensão estratégica capaz de se consolidar a médio prazo.

»Diogo Vasconcelos defendia que cabia às empresas o papel central na criação de riqueza e promoção duma cultura sustentada de geração de valor, numa lógica de articulação permanente com Universidades, Centros I&D e outros actores relevantes. São por isso as empresas essenciais na tarefa de endogeneização de activos de Capital Empreendedor com efeito social estruturante e a “leitura” da sua prática operativa deverá constituir um exercício de profunda exigência em termos de análise. Tendo sido as empresas um dos actores fortemente envolvidos nas dinâmicas de financiamento comunitário ao longo destes últimos trinta anos ressaltam indícios de défice de “capital empresarial” em muitos dos protagonistas envolvidos. Torna-se por isso imperativo apostar numa agenda de mudança.

»Diogo Vasconcelos foi a voz mais genial e inovadora de uma geração. Uma geração que não se resigna à passividade e que sempre pactuou pela ambição da diferença. Conheci o Diogo em plena vida universitária e partilhámos durante todos estes anos experiências e cumplicidades únicas. A vida do Diogo foi uma vida rápida mas com sentido. Todos nós nos podemos orgulhar de ter feito parte dela. Tenho muito orgulho em ter sido amigo do Diogo e de ter no seu exemplo um referencial único que faz neste tempo de crise e de incerteza dar algum sentido à vida.»





Um inovador

2015/07/07

«Projecto “A nossa escola cuia”: Angola poderá contar com escolas pré-fabricadas com tecnologia blockhaus»



ANGOP - Agência Angola Press



«O Ministério da Educação poderá optar pela edificação de escolas pré-fabricadas com tecnologia blockhaus (sistema construtivo ecológico e inovativo), cujo projecto foi apresentado hoje, terça-feira, em Luanda, pelo representante em Angola do grupo italiano ES-KO, Stefano Daperno.

»O projecto, denominado “A nossa escola cuia”, foi apresentado numa cerimónia assistida pelo ministro da Educação, Pinda Simão, na residência do embaixador da Itália em Angola, Giogio Di Pietrogiacomo, no âmbito da divulgação das actividades que ES-KO vem desenvolvendo no país, onde opera há mais de 30 anos.

»Em declarações à imprensa, no final da amostra de estruturas montadas em outros países, através de um ecrã e material físico (tipo de madeira utilizada na sua montagem), o ministro considerou o projecto bastante interessante, tendo em conta a rapidez na sua execução e outros factores ecológicos.

»“É uma questão de análise do custo e benefício que nos poderá levar a optar por um projecto destes”, admitiu o governante, acrescentando que o mesmo afigura-se uma solução para casos de urgência para acudir situações em áreas onde houver carência de escolas.

»Segundo Pinda Simão, os técnicos do Ministério da Educação irão analisar a informação para se tomar uma decisão, tendo se mostrado favorável em aderir essa tecnologia nos momentos em que for necessário.

»De acordo com explicações dadas pelo engenheiro do grupo ES-KO, um metro quadrado da estrutura custa cerca de 500 dólares e a montagem de uma sala de aulas, com 60 metros quadrados, pode ser feita em cinco dias, sendo a durabilidade de 30 anos.

»O grupo que nos últimos anos incrementou a gama de serviços de logística, iniciou a sua actividade na Europa em 1955, mediante ao envio de géneros alimentícios e outros produtos para empresas europeias que operavam em África, Médio Oriente e na América.

»Actualmente, a empresa está presente em mais de 20 países e fornece apoio às Missões de Paz das Nações Unidas destacadas no Sudão, no Sudão do Sul, na República Democrática do Congo, no Haiti, em Darfur, na Libéria, no Sahara Ocidental e no Líbano.»





Administração Pública e inovação

2015/07/06

«Newsletter L&I» (n.º 60, 2015-07-06)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«Unesco e EBC reúnem pesquisadores de comunicação pública em Brasília» [web] [intro]
«Vida de Ada Lovelace, primeira programadora da história, pode virar coleção da Lego» [web] [intro]
Cafeicultura brasileira investe em pesquisa e inovação. IX Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, com o tema central «Consórcio Pesquisa Café – Oportunidades e novos desafios» [web] [intro]
«Como o turismo pode se modificar com um óculos de papelão?» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

«Teatro D. Maria II fará das "tripas coração" para chegar ao público» [web] [intro]
«Presidente da Frelimo, Filipe Nyusi, quer uma juventude dinâmica e inovadora» [web] [intro]
«Inovação nos serviços móveis não pode estar desligada da sustentabilidade do negócio» [web] [intro]
«Mobile Forum Portugal aconteceu na APDC em parceria com a ACEPI e MMA» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«El proyecto piloto Innovation Startup Cádiz Camp reunirá tras el verano a jóvenes emprendedores de todo el país» [web] [intro]
«Daniel Epstein, fundador de Unreasonable Institute: "No puedes ser innovador desde un despacho"» [web] [intro]
«Cuba, primer país del mundo en eliminar la transmisión del VIH de madre a hijo» [web] [intro]
«Ejecutivos que se resisten al cambio entorpecen la innovación» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«Centre Vidéotron: trois architectes s'expriment» [web] [intro]
«Sébastien Deletaille prédit les crises alimentaires avec les données télécoms» [web] [intro]
«Une galerie de l'innovation à ciel ouvert au Bourget» [web] [intro]
«Les villes peuvent-elles sauver le monde?» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«1,000 leaders discuss public service innovation in Colombia» [web] [intro]
«Why we're celebrating innovative women and human robots» [web] [intro]
«EU science chief sets out proposals to boost innovation and research integrity» [web] [intro]
«CIOs: Adopt Social Media For Success, Now» [web] [intro]

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2015/07/03

«Mobile Forum Portugal aconteceu na APDC em parceria com a ACEPI e MMA»



APDC (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações)



«A mobilidade está na base de uma alteração de paradigma na sociedade e na economia. Perante um novo consumidor, cada vez mais digital e móvel, há novas respostas, novos negócios e novas empresas. Mas o potencial de transformação e de mudança é muito maior do que a realidade atual. Persistem entraves como a segurança e privacidade. Há que centrar no cliente e na criação de valor. Ofertas convergentes e qualidade das redes e dos serviços são as apostas dos operadores, a par da inovação nas ofertas para responder a novos padrões de consumo em permanente evolução. Neutralidade das redes, monetização das ofertas, novos modelos de negócio estiveram também em debate, sendo vistas como oportunidades e desafios. O Mobile Forum Portugal reuniu vários players da cadeia de valor para uma reflexão sobre o mobile.

»A APDC, a ACEPI e a MMA realizaram a 3ª edição do Mobile Forum Portugal. A iniciativa visou fazer um ponto de situação e traçar perspetivas sobre o negócio da mobilidade no mercado nacional. Mostrando, em paralelo, o que de melhor os players estão a fazer numa área que assume uma importância verdadeiramente estratégica na Economia Digital e que é hoje uma realidade para todos os utilizadores, sejam empresariais ou individuais. O tema de fundo foi "Breaking into the Future".

»Enquadrando o tema da mobilidade e a sua importância na sociedade e na economia, João Couto, membro da Direção da APDC, referiu na abertura da conferência que a indústria das TIC está a passar por "uma fase extraordinária de desenvolvimento", com o móvel a mudar tudo, tanto em termos pessoais como profissionais. E sendo esta uma realidade irreversível e crescentemente dominante, o potencial para as TIC é enorme com esta verdadeira "transformação digital". Um processo que implicará novos modelos de negócio para dar resposta a uma economia digital global e centrados no cliente e nos novos canais de interação. "Cabe-nos a nós, nas TIC, colocar de novo o setor na rota do crescimento. Temos que parar a destruição de valor dos últimos anos", concluiu.

»O mobile é cada vez mais, para João Matos Gomes, Responsável de Consulting Services da Capgemini Portugal, uma verdadeira e uma das mais importantes utilities. Na sua intervenção sobre "Mobile: Tendências e Principais Indicadores", considera que o móvel está a mudar dramaticamente o mundo, tendo possibilidade verdadeiramente transformacionais. E perante uma utilização cada vez mais intensiva do mobile, não tem dúvidas de que os operadores vão continuar a ser uma peça-chave perante as exigências de reforço da capacidade da rede e das necessidades de investimento num mercado onde o crescimento da adesão aos smartphones não tem paralelo. E vai continuar a crescer acentuadamente. Este é um negócio com áreas que já estão numa oferta madura, mas onde existe ainda um enorme potencial para fazer muito mais, sendo um verdadeiro "acelerador de mudanças de hábitos e de transformação de negócios", além de potenciar a criação de muitos outros. Tudo terá que se centrar cada vez mais em fornecer uma experiência de utilização".


»"Mobile: Novos Serviços e Soluções"

»E há cada vez mais exemplos de empresas e de serviços e soluções de sucesso assentes no mobile. Como ficou bem claro nesta sessão, onde foram apresentados vários casos e estratégias, que provam que o mobile veio criar novas e múltiplas oportunidades de negócio. E há todo um potencial de novas oportunidades por explorar, especialmente no mercado português, onde o processo ainda está apenas a começar. De acordo com Jean-François Gaudy, CIO da GFI, a mobilidade está muito ligada à inovação, sendo conceitos integrados. Mas há problemas que ainda é preciso resolver, como a questão fundamental da segurança e a sincronização de sistemas com o contexto do utilizador. Há ainda que desenvolver apps nativas que respondam às necessidades e expetativas dos clientes, uma estratégia desenvolvida pela GFI para permitir responder às necessidades de mercado e acrescentar valor. Nomeadamente trabalhar dados em tempo real, sincronizados, assim como comunicar integrando todos os dados.

»Também Joaquim Santos, CTO da Ericsson Portugal, defende que numa sociedade em rede, a mobilidade é um tema chave. Com a tecnologia acessível a todos, o que fomenta a inovação e a transformação, a realidade de mercado mostra que a adesão é cada vez maior. O que exige dos operadores uma maior capacidade de rede, cada vez mais valorizada pelo utilizador.

Com a tecnologia acessível a todos, o que fomenta a inovação e a transformação, a realidade de mercado mostra que a adesão é cada vez maior. O que exige dos operadores uma maior capacidade de rede, cada vez mais valorizada pelo utilizador.

»Paula Panarra, Diretora de Marketing/Operações da Microsoft Portugal, destacou os casos e experiências o mercado nacional, que se estão a multiplicar. Nomeadamente de pequenas empresas que já nascem globais, assentes em aplicações móveis [...]. Um desses exemplos é o da SIBS, que está a responder á crescente utilização dos smartphones e à mobilidade soluções de pagamentos online móveis que tragam ao cliente segurança, conveniência e conforto.

»Como refere Teresa Mesquita, Diretora Departamento de Gestão de Produto da SIBS, a oferta do MB Way é de um multibanco no telemóvel, que pode ser utilizado para comprar online, introduzindo um novo conceito de pagamento que facilita a vida das pessoas.

»No debate que se seguiu, moderado por Fátima Caçador, ficou claro que há no mercado nacional muito potencial para ter pequenas empresas de tecnologia com negócios globais. E que as gerações mais novas preferem cada vez mais este tipo de soluções. No entanto, este é um processo onde ainda há bastante por fazer, nomeadamente ao nível das organizações, onde a adoção de soluções internas de mobilidade requer uma alteração nas formas de trabalho que por vezes é difícil. Subsistem ainda problemas em torno da privacidade e segurança. Sendo o nosso país inovador, há que apostar numa costumer experience melhorada das aplicações para promover a sua utilização.


»"Mobile em Portugal: onde estamos e para onde vamos?"

»Fazer um ponto de situação do mobile em Portugal e traçar perspetivas foi o objetivo desta sessão, que reuniu os três operadores convergentes de comunicações nacionais e o maior vendedor mundial e nacional de smartphones, a Samsung. Tiago Flores, Diretor de Marketing de Produto da subsidiária nacional da fabricante considera que a mobilidade é uma "oportunidade nunca antes vista" mas também um desafio, numa mudança que está a ser liderada pelo consumidor. Especialmente o consumidor da geração millenium. É nele que as empresas têm que estar focadas, respondendo a tendências como a convergência entre o pessoal e o profissional e às crescentes exigências de segurança, privacidade e gestão do equipamento. E o potencial dos smartphones ainda é enorme em termos de novas soluções e aplicações.

»Passar do negócio móvel para o mundo da convergência foi o desafio da Vodafone, de forma a responder a novas necessidade e padrões de consumo. "Estamos focados no cliente e nas suas necessidades. É essa a prioridade: responder ao que o mercado exige", garante António Margato, Consumer Marketing Director da Vodafone Portugal. Com o investimento na rede fixa e na rede móvel, da ordem dos 500 milhões de euros, a empresa pretende "dar a melhor qualidade de serviço, onde quer que seja, independentemente da tecnologia", assim como desenvolver novas ofertas para novos padrões de consumo, como a integração de dados nos pacotes de ofertas e de novos conteúdos.

»A estratégia da NOS não é diferente. Passa pela aposta na convergência para ganhar mercado, alavancando-se nos seus ativos. Para Duarte Sousa Lopes, Diretor responsável pelo negócio Móvel, há ainda muito a fazer no segmento pessoal na simplificação das ofertas e em integrar o acesso a dados. Com a aposta na qualidade da experiência e uma oferta cada vez mais integrada. Na PT Portugal/Meo, a alteração acionista não veio alterar a abordagem de mercado. "Em Portugal temos qualidade de serviço acima da média. Somos um país de charneira em termos de cobertura", destaca João Epifânio, o Diretor responsável pelo negócio Móvel do grupo agora controlado pela Altice. Sendo que todos os concorrentes partilham as mesmas metas na convergência, uma tendência que é europeia e que deverá ser a regra em todo o lado em breve, ela "traz sinergias para o cliente e redução de preço. Há uma logica de desconto de quantidade que consumidores percebem". Para este responsável, "temos um ecossistema muito competente e inovador no nosso país que vai continuar a trazer melhores serviços ao mercado".

Em Portugal temos qualidade de serviço acima da média. Somos um país de charneira em termos de cobertura.

»No debate que se seguiu, moderado por Francisco Maria Balsemão, Vice-Presidente da ACEPI, ficou claro que as aplicações e conteúdos a desenvolver têm que ser cada vez mais multi-screen. Que, em conjunto com o vídeo e a convergência, são tendências inevitáveis. Um dos desafios atuais, para responder ao crescimento exponencial do consumo de dados móveis, é o de encontrar o modelo de negócio certo para monetizar essa oferta. É preciso apostar em mais do que a mera passagem de dados pela rede dos operadores, recorrendo nomeadamente a parcerias com produtores de conteúdos e pela disponibilização de serviços com conveniência e simplicidade. Há que garantir a sustentabilidade do negócio, com um pricing razoável que justifique os investimentos e que crie valor para o cliente, travando-se a tendência de queda de receitas a que se tem vindo a assistir.

»A neutralidade das redes foi outro tema em destaque. Considerando que os OTT's, com as suas ofertas, tornaram ainda mais relevante a mobilidade, os participantes destacaram no entanto que há uma apropriação muito desproporcional dos players da Internet das redes. Defendem, por isso, que há que discutir o tema da neutralidade das redes. Se esta é uma condição crítica de desenvolvimento socioeconómico, não poderá ser implementada uma neutralidade absoluta. Os operadores têm que ter a possibilidade de diferenciar os serviços ao cliente final em função do que é disponibilizado. Com segmentação de ofertas de acesso. E os responsáveis da Vodafone, NOS e PT Portugal fizeram mesmo uma autocritica à estratégia que têm vindo a desenvolver de darem mais serviços e inovação a preços mais baixos, destruindo valor. Num setor onde tudo muda muito rapidamente, há que pensar novos modelos de negócio e estar sempre preparado para a mudança a alta velocidade. A Internet das coisas foi outro tema onde consideraram que há um enorme potencial de novas oportunidades, tanto no segmento empresarial como do consumo. Embora neste a evolução se preveja muito mais lenta.»





A execução da inovaçao