2015/06/30

«Teatro D. Maria II fará das "tripas coração" para chegar ao público»



Maria João Costa :Rádio Renascença



«Nova temporada arranca a 11 de Setembro com um programa a que o novo director artístico chamou "entrada livre", porque os bilhetes são gratuitos e porque ir ao teatro “é um gesto de liberdade”.

»O Teatro Nacional D. Maria II apresentou esta segunda-feira a nova temporada, a primeira do novo director artístico Tiago Rodrigues.

»Entre colaborações com a Companhia Nacional de Bailado (CNB), o Teatro Nacional de São Carlos, foi anunciada uma aposta na dramaturgia em português com 21 novos espectáculos.

»Para o biénio 2015/2016, o Teatro Nacional D. Maria II vai também apostar em levar as artes do palco a outras cidades portuguesas.

»A temporada arranca a 11 de Setembro com um programa a que o novo director artístico, Tiago Rodrigues, chamou "entrada livre", porque os bilhetes são gratuitos e ir ao teatro “é um gesto de liberdade”.

»Tiago Rodrigues que substituiu em Outubro João Mota à frente do Teatro Nacional D. Maria II quer imprimir sangue novo num teatro que comemora 170 anos em 2016.

A temporada arranca a 11 de Setembro com um programa a que o novo director artístico, Tiago Rodrigues, chamou "entrada livre", porque os bilhetes são gratuitos e ir ao teatro “é um gesto de liberdade”.

»“Faremos das tripas coração para ser uma casa do teatro, uma casa aberta, presente em todo o país e para lá das nossas fronteiras, ocupada da infância, da juventude e das escolas, empenhada na pesquisa e na inovação, atenta à vida pública e capaz de contribuir para a felicidade dos portugueses.”

»Dinâmica foi o que o secretário de Estado da Cultura pediu a Tiago Rodrigues, mas perante a nova temporada Jorge Barreto Xavier aconselha uma passagem pela farmácia.

»“A programação apresentada é de um fôlego imenso. Eu acho que vão ser precisos alguns comprimidos na administração e na direcção artística para a cumprir, porque é de uma intensidade muito grande”, disse o governante.


»Clássicos para reflectir sobre o poder

»A temporada arranca em plena campanha para as legislativas e ao palco do Teatro Nacional D. Maria II vão subir três tragédias gregas que reflectem sobre o poder: "Ifigénia", "Agamémnon" e "Electra".

»Depois sobe à cena "Ricardo III, de William Shakespeare. O dramaturgo britânico regressa a 29 de Abril com “Romeu e Julieta”, numa das anunciadas colaborações do teatro com a Companhia Nacional de Bailado e o coreógrafo Rui Horta, que a linguagem da dança e do teatro vão dar as mãos.

»As colaborações alargam-se também ao Teatro Nacional de São Carlos pela primeira, vez com “Canto da Europa”, escrita por Jacinto Lucas Pires. A peça será uma das 21 que o D. Maria II levar à cena na sua aposta em criações em português, entre as quais também se incluem "Primeira infância: um fabulário", de Ana Gil, Nuno Leão e Maria Rita Moura; e "Entraria nesta sala...", de Ricardo Neves-Neves.

»Abertura é uma das palavras que Tiago Rodrigues repete quando fala desta temporada e essa abertura passa pela ida do D. Maria a outras paragens do país. Os espectáculos "Ifigénia", "Agamémnon" e "Electra", por exemplo, vão ser levados a Viseu e ao Porto.

»A nova temporada inclui teatro para adolescentes numa busca por um novo público, indica Tiago Rodrigues, e contempla ainda, entre outras coisas, a comemoração dos 170 anos do Teatro Nacional D. Maria II, que acontecerá a 13 de Abril, com espectáculos, exposições, lançamentos de livros e outras actividades.»





Administração Pública e inovação

2015/06/29

«Newsletter L&I» (n.º 59, 2015-06-29)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«CCT faz audiência para discutir marco legal para conhecimento e inovação» [web] [intro]
Cinco pequenos negócios entre os dez vencedores do Prêmio Nacional de Inovação 2015, instituído pelo Sebrae e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) [web] [intro]
«Direitos políticos das mulheres: resistência brasileira» [web] [intro]
«Parques tecnológicos compartilhados são a nova aposta da parceria Brasil-China» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

«BICMinho e AID dão prioridade à inovação no design com o apoio do Governo» [web] [intro]
«Empresas portuguesas destacam-se em feira tecnológica no México» [web] [intro]
«Empresa nacional lança veículo de combate a incêndio inovador com nome “Lusitano”» [web] [intro]
«Informalidade em África pode ser oportunidade para o desenvolvimento, considera Carlos Lopes» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«Los agentes sociales piden más apoyo a las empresas» [web] [intro]
«¿Qué motiva a los empleados más innovadores?» [web] [intro]
«Experiencia culinaria en la octava planta» [web] [intro]
«El nuevo modelo logístico global Physical Internet en París» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«L’innovation territoriale, sur un fil d’équilibriste» [web] [intro]
«"Je veux que Solvay mérite un Nobel", l’innovation vue par Patrick Maestro, médaille de l'innovation 2015 du CNRS» [web] [intro]
«Conférence-débat publique: L’innovation, un état d’esprit» [web] [intro]
«Le gouvernement présente sa stratégie numérique pour la France» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«China supports start-ups & public innovation» [web] [intro]
«Terry Funk Shares His Memories And Thoughts On Dusty Rhodes. Talks Dusty's Relationship With Vince McMahon» [web] [intro]
«Africa’s tech innovation ecosystem: The Missing Middle» [web] [intro]
«EU regional innovation must unite public, private and third sectors» [web] [intro]

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2015/06/26

«Informalidade em África pode ser oportunidade para o desenvolvimento, considera Carlos Lopes»



Diário Digital



«O secretário-executivo da Comissão Económica para África das Nações Unidas, Carlos Lopes, sugeriu hoje que a informalidade típica de África pode ser transformada numa oportunidade de desenvolvimento para a educação e para a economia.

»“O muito criticado setor informal de África pode ser canalizado para uma atividade lucrativa para aumentar o potencial do continente”, disse o responsável durante uma intervenção nas Conferências do Estoril, acrescentando que “é preciso reconhecer que este setor informal largamente reconhecido é uma fonte de alimento para as inovações e para os empreendedores resilientes que podem literalmente transformar o lixo em tesouros”.

»Para Carlos Lopes, os “'tecnologistas' desta economia informal representam uma enorme fonte de talento local que a África tem de aproveitar no seu processo de industrialização”.

»A informalidade, de resto, foi um dos tópicos do discurso sobre 'O impacto das novas tecnologias na forma como percecionamos a educação', no qual lembrou que um dos maiores empreendedores do século XXI, Steve Jobs, não concluiu a formação universitária, e que a Google tem 14% de empregados que nunca foram à universidade.

»“Como o exemplo da Google mostra, dar-se bem na universidade e ter notas altas não tem uma correlação mensurável com ser um trabalhador, administrador ou inovador eficaz”, considerou Carlos Lopes, sugerindo que essa pode ser “a chave de África para lidar com o desemprego jovem”.»





A execução da inovaçao

2015/06/25

«Empresa nacional lança veículo de combate a incêndio inovador com nome “Lusitano”»



Revista PORT.COM



«A empresa que lidera o fabrico nacional de veículos de combate a incêndio e que exporta quase 61% dessa produção vai apresentar em maio um protótipo com que espera revolucionar o mercado mundial de viaturas de socorro para aeroportos.

»Concebido pela empresa Jacinto, cuja fábrica ocupa 18.000 quadrados em Esmoriz, no concelho de Ovar, o novo carro para bombeiros chama-se “Lusitano”, mede 10 metros de comprimento e tem capacidade para 7.000 litros de água, 850 quilos de espuma e 250 de pó químico.

»“Só existem sete ou oito empresas no mundo a construir estes carros e eles têm sempre três metros de largura, pelo que só podem circular em aeroportos”, declara à Lusa o diretor-geral da empresa, Jacinto Oliveira (Filho).

Só existem sete ou oito empresas no mundo a construir estes carros e eles têm sempre três metros de largura, pelo que só podem circular em aeroportos.

“A inovação do nosso protótipo é que só tem dois metros e meio de frente, o que significa que também vai poder ser utilizado nas rodovias civis”, adianta.

»Embora o preço final de cada Lusitano esteja estimado em cerca de 600.000 euros, a sua versatilidade representará assim “uma poupança expressiva” para diferentes entidades da Proteção Civil, já que o mesmo carro que é usado em aeroportos e aeródromos passará também a poder combater incêndios urbanos, industriais ou florestais.

»Pronto para a fase de testes em maio e para início de comercialização em junho, o Lusitano conferirá assim à Jacinto “vantagens enormes em relação à concorrência”.

»As expetativas de procura mais imediatas concentram-se em África, onde “os carros de combate a incêndios em aeroportos já são usados noutros fogos, circulando nas vias normais”.»





Uma inovação

2015/06/24

«Empresas portuguesas destacam-se em feira tecnológica no México»



Notícias ao Minuto



«As empresas portuguesas vão ocupar o maior espaço de exposição da Virtual Educa, a grande feira de tecnologias de educação da América Latina que começa segunda-feira, no México, disse à Lusa fonte da comitiva nacional.

»As empresas vão exibir, em Guadalajara, um "ambiente escolar" e "todos os produtos e aplicações que têm para oferecer ao mercado mundial", acrescentou.

»A representação nacional conta ser apreciada por especialistas e representantes de governos de vários continentes que costumam visitar aquele tipo de certames.

»A "Virtual Educa" foi estabelecida em 2011 pela Organização dos Estados Americanos, como uma iniciativa de cooperação multilateral, no âmbito da educação, inovação, competitividade e desenvolvimento.

»Pedro Nuno Neto, coordenador do "Portugal Connect", projeto de promoção das empresas tecnológicas portuguesas no México, liderado pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana, sublinhou hoje, em declarações à Lusa, que "Portugal é líder em inovação educativa". Assinalou também que "as empresas portuguesas do setor têm recebido algumas das maiores encomendas mundiais para fornecer sistemas de ensino de vários continentes".

»Pedro Nuno Neto chamou à atenção, por outro lado, que "as tecnológicas portuguesas, cada uma com a sua inovação, foram construindo um ecossistema educativo que agrega múltiplas competências".

»"Este ecossistema tem a capacidade de transferir conhecimento através de soluções que revolucionam tecnologicamente o ensino e a aprendizagem", anotou.

Este ecossistema tem a capacidade de transferir conhecimento através de soluções que revolucionam tecnologicamente o ensino e a aprendizagem.

»O coordenador do Portugal Connect acrescentou que "este ecossistema educativo será uma das vedetas da Virtual Educa e irá interessar a muitos países de várias regiões do mundo".

»Como exemplo, apontou o caso da "JP - Inspiring Knowledge", empresa portuguesa que, em parceria com uma tecnológica mexicana, vai fornecer 960.000 novos computadores ao sistema educativo mexicano.

»O espaço expositivo da comitiva empresarial de Portugal naquele certame terá, disse, "um grande destaque", dividido em duas áreas. A primeira será o designado Pavilhão de Portugal, envolvendo produtos e aplicações de várias empresas nacionais.

»A segunda área, desenvolvida pela JP - Inspiring Knowledge, comportará um ambiente escolar preparado para o mercado do México. O espaço será posteriormente doado ao Governo daquele país, no âmbito da campanha "Nenhuma criança sem escola, nenhuma escola sem conectividade nas Américas".

»A empresa portuguesa prevê doar um total de 100 escolas, distribuídas por sete países: Peru, Bolívia, Brasil, México, El Salvador, Equador e Haiti.»





Um inovador

2015/06/23

«BICMinho e AID dão prioridade à inovação no design com o apoio do Governo»



Correio do Minho



«A Administração Pública manifesta todo o interesse em desenvolver projetos conjuntos com a AID - Associação para a Inovação pelo Design no âmbito do Portugal 2020. Juntos, a AID e o BICMINHO, vão mostrar que há capacidade de criar e inovar os serviços da Administração Pública numa lógica de ligação ao utilizador final.

»Em fase de implementação ainda, mas com objetivos bem definidos, a AID quer contribuir para que Portugal seja um país de criação e inovação através do design. A AID tem já o apoio da Administração Pública, que manifestou todo o interesse em desenvolver projetos conjuntos no âmbito do Portugal 2020. A meta a atingir passa por lançar três projetos demonstrativos de “service design”, no contexto da administração pública. Paralelamente, com o início deste projeto, Portugal pode integrar várias iniciativas europeias em curso e assim contribuir e beneficiar das experiências e aprendizagens existentes, contribuindo por outro lado para o desenvolvimento económico do país.

»O primeiro passo deu-se com o I Seminário Internacional “Contributo do Design para a Modernização dos Serviços Públicos Portugueses”, que aconteceu hoje, no Palácio da Foz, em Lisboa e que contou com a presença do Secretário de Estado para a Modernização Administrativa, Joaquim Cardoso da Costa, e do CEO do BICMINHO, membro fundador da AID, Nuno Gomes. A AID pretende ser pioneira ao promover a criação de condições para que seja possível iniciar um conjunto de projetos de aplicação de inovação pelo design. “Temos de aproveitar o Portugal 2020 para apoiar com sucesso o desenvolvimento destes projetos, para que sejam histórias de sucesso e apresentados a nível internacional como exemplos de referência. Juntos podemos e devemos mostrar que o design é muito mais do que apenas estética e funcionalidade”, mencionou Nuno Gomes acreditando “que estamos perante uma oportunidade única para fazer com que o Estado português seja mais eficiente”.

Temos de aproveitar o Portugal 2020 para apoiar com sucesso o desenvolvimento destes projetos, para que sejam histórias de sucesso e apresentados a nível internacional como exemplos de referência. Juntos podemos e devemos mostrar que o design é muito mais do que apenas estética e funcionalidade.

»Recentemente foi aprovado o Action Plan for Design-Driven Innovation, pela Comissão Europeia, sendo lançado o projeto Design for Europe, que tem vindo a identificar exemplos e boas práticas a nível europeu de utilização do design no contexto de processos de modernização dos serviços públicos. E este seminário demonstrou isso mesmo, contribuindo para tal a participação de oradores internacionais, representantes de órgãos de referência na área do design: PeiChin Tay, gestora do projeto Design for Europe / Design Council UK, Jane Oblikas, CEO do Estonian Design Centre/ iniciativa Design for Europe, Helle Winding, VIA School of Business, Technology & Creative Industries (Dinamarca), e Pedro Janeiro, coordenador da Equipa de Business Design da Novabase. Juntos defendem a aposta na inovação pelo design dos Serviços Públicos. Um dos casos de sucesso foi demonstrado por PeiChin Tay que mostrou como é possível, através do design dos serviços, perceber o sistema de saúde nos hospitais do Reino Unido.

»No caso português, Pedro Janeiro, debruçou-se nos serviços dos tribunais, dando exemplos do portal do juíz e do hardware adicional para uma leitura do código de barras das sentenças.

»“Quando se expõem os problemas descobrimos que não há uma solução mágica, mas o design ajuda na produtividade”, disse o coordenador da Equipa de Business Design da Novabase.

»“O design e a inovação pelo design, vai permitir tornar os serviços e produtos mais eficientes e eficazes, colocando as pessoas, as suas necessidades e os seus comportamentos no centro de todo o processo de criação e desenvolvimento do produto, permitindo muitas vezes que o indivíduo seja o co-criador”, afirmou o representante da AID, Nuno Gomes.

»Nos últimos anos, o design, através das suas metodologias e formas de pensar, tem sido aplicado com sucesso na melhoria e conceção de serviços públicos e Portugal tem dado passos seguros nesta modernização, como é o caso da Loja do Cidadão. “É um exemplo de transformação, eficácia e simplicidade”, afirmou o Secretário de Estado, justificando que “o design contribui para a afirmação de uma marca. O design é por isso uma a aposta segura e no âmbito da estratégia de desenvolvimento económico do Portugal 2020 queremos contribuir para o seu sucesso.”

»A AID será o parceiro de empresas e instituições, dinamizando projetos e iniciativas de inovação pelo design, capazes de induzir transformações benéficas para os indivíduos, para as próprias empresas, instituições, clientes e outros stakeholdres. “É determinante para a competitividade de um país e da sua economia ter um Estado e Serviços Públicos, capazes de servir bem os cidadãos, capazes de inspirar a mudança e a inovação e servir de exemplo e de caso de sucesso”, refere Nuno Gomes.

»Portugal terá assim a possibilidade de ser percecionado como um país que tem um elevado ‘saber fazer’, mas também como um país com elevada capacidade para criar e inovar em termos de produtos, serviços e soluções. Será possível aumentar o valor acrescentado da produção nacional e contribuir para associar à imagem do país a noção de qualidade e inovação.

»A associação terá a sua sede na região Norte de Portugal, uma presença permanente em Lisboa, mas assumindo uma ambição nacional.»





Administração Pública e inovação

2015/06/22

«Newsletter L&I» (n.º 58, 2015-06-22)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«Projeto Curitiba Ecoelétrico evita emissão de 6,6 toneladas de CO2 com veículos Renault Zero Emissão» [web] [intro]
«Colégio de BH cria projeto para estimular alunos gerir os próprios negócios» [web] [intro]
«Óculos para cego criado por brasileiros ganha prêmio internacional de inovação» [web] [intro]
«Você tem uma grande ideia? E daí?» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

«Fibrenamics: Nova plataforma para promover inovação à base de fibras apresentada em Guimarães» [web] [intro]
«Há mais empreendedores, mas poucos valorizam a ciência» [web] [intro]
«A ópera de dois músicos na produção biológica de goji fresco» [web] [intro]
«Internet das Coisas: europeus e americanos estão em guerra» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«El BOE publica los requisitos para ser una pyme innovadora» [web] [intro]
«La perseverancia, la innovación y la fe son las claves del éxito» [web] [intro]
«Eurofins lanza innovadora tecnología de chip de ADN que permite la identificación de 21 especies animales en la alimentación humana y animal» [web] [intro]
«El director de museo que reivindica la ingeniería: "El hombre ha inventado casi todo lo que le rodea". Ioannis Miaoulis, presidente y director del Museo de Ciencia de Boston» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«Bpifrance déploie son Salon de l’entreprise dédié à l’innovation» [web] [intro]
«Ikimo9, la start up qui veut révolutionner l'immobilier» [web] [intro]
«Les mégadonnées exigent une vision innovatrice des droits» [web] [intro]
«Vague de surf urbaine au centre-ville de Sherbrooke: grand gagnant de La bonne IDée» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«Limits of public sector innovation» [web] [intro]
«From zeal to appeal: inspiring stories of 20 Indian innovators» [web] [intro]
«Under the 'Hood: How Tech Is Transforming Goose Island» [web] [intro]
«Introducing The Bridge, The Innovation Hub Of New York City's $2 Billion Tech Campus» [web] [intro]

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2015/06/19

«Internet das Coisas: europeus e americanos estão em guerra»



Hugo Séneca: Exame Informática



«Pedro Maló, professor da Universidade Nova de Lisboa e líder do recém-criado “braço” português da Aliança para a Inovação da Internet das Coisas (AIIOT), nada tem contra os americanos, mas lembra que os dois lados do oceano Atlântico estão numa concorrência aberta: “A cada hora que passa, estamos a perder terreno para os americanos”.

»Começou com os computadores, passou para os telemóveis e já chegou aos carros e televisores. O futuro da Internet passa pelas coisas. Por todas as coisas, como repetiram por mais de uma vez os vários investigadores e peritos internacionais que discursaram no Internet Week de Lisboa, que se realizou a 16 e 17 de junho. Pedro Maló dá o exemplo do contrarrelógio em curso: “Com o lançamento de um smartwatch, a Apple lançou um health kit, que permite recolher informação em larga escala dos consumidores. Futuramente, há de lançar um home kit. E aí acabou. Também as casas dos consumidores passam a ser da Apple”.

»A Comissão Europeia já está a par desta corrida intercontinental. Estimativas como a da IDC apontam para que, em 2020, o mercado das coisas conectadas valha mais de mil biliões de euros na Europa. Para a indústria europeia chegou a hora de tomar as medidas necessárias para ganhar a maior fatia possível do investimento que empresas e consumidores vão fazer nos tempos mais próximos. Como é que isso pode ser feito? Thibaud Kleiner, perito da Direção Geral Connect da Comissão Europeia, que tem liderado a pasta da Internet das Coisas, lembra que as marcas de automóveis, os fabricantes de eletrodomésticos e os operadores de telecomunicações europeus podem ter uma importante palavra a dizer no futuro.

»No que toca a iniciativas políticas, o perito da Comissão Europeia destaca o investimento de 100 milhões de euros que a Comissão Europeia vai disponibilizar para seis projetos de teste de longa escala. Os seis grandes projetos, que deverão agregar empresas, laboratórios, governos e municípios deverão começar a ser implementados no início de 2017. Cidades inteligentes, wearables, agricultura inteligente, transportes, ambiente e gestão de água, saúde e terceira idade são as seis áreas em que os seis projetos devem incidir (a escolha das áreas de atuação ainda não está concluída).

»Até lá muita coisa terá de ser definida. Ovidiu Vermesan, cientista-chefe que coordena o Grupo de Investigação Europeu da Internet das Coisas (IERC) alerta: “É um dos paradigmas tecnológicos mais complexos que aí vêm”.


»O sistema dos sistemas

»Vermesan ilustra a complexidade do futuro “sistema que integra muitos outros sistemas” numa única página de Powerpoint. Nessa página, vê-se uma árvore com múltiplos frutos, uma nuvem que ilustra a cloud e as raízes que suportam essa árvore. Sobre este desenho surgem os nomes dos múltiplos componentes que dão forma a uma rede de coisas: edge cloud, plataformas, middleware, software, gateways, redes, armazenamento, cloud, sensores, identidade, automação… e muitas outras denominações que representam as várias “frentes de batalha” em que as marcas europeias e americanas (e coreanas e chinesas) se estão a “mexer”.

»Como é que todas estas tecnologias se vão concertar? Vermesan não tem a solução, apenas aponta as lacunas que terão de ser sanadas nos tempos mais próximos: “Há várias organizações interessadas em criar um standard de arquitetura tecnológica para a Internet das Coisas (IoT). E era importante que se criasse esse standard”.

»Os standards são conhecidos por conseguirem juntar a complexidade típica de um processo negocial entre grandes empresas com a complexidade típica de um processo político. O que significa que o resultado final será sempre demorado – e até pode ser infrutífero e não se compadecer as expectativas de marcas americanas como a Nest (termóstatos), a Apple (smartwatches) ou a Cisco (redes), ou empresas europeias como a BMW (e os seus carros conectados), a Sigfox (com as redes das coisas), ou a Bosch (eletrodomésticos e componentes de automóveis). Todas estas marcas e muitas outras mais já começaram a desbravar o novo mercado das coisas que comunicam – e todas elas estarão pouco dispostas a ceder terreno no que toca às tecnologias e arquiteturas que deverão prevalecer como referências.


»Falta de uniformidade

»Outro exemplo das diferentes velocidades da IoT: as normas da quinta geração de telemóveis (5G) ainda não estão fechadas, mas há quem não hesite em apontar a futura tecnologia como o principal suporte das futuras redes das coisas. Jan Holler, investigador Principal dos Laboratórios da Ericsson, acredita que a 5G pode almejar a tornar-se a rede que garante a densidade necessária para comunicar com milhares de milhões de dispositivos. Sobre o protocolo a adotar, não tem dúvidas de que o conhecido TPC/IP será o mais indicado para evitar a fragmentação prevista num segmento em que os sensores reduzem para um terço do tamanho a cada triénio, recorrem a baterias que duram mais de 10 anos, e necessitam de comunicações de muito baixa latência.

»“Hoje, por cada dispositivo tem de se criar uma app e nenhuma dessas apps é interoperável”, atira Jan Holler.

»Por muito boas que sejam as intenções de homens de negócios e políticos, dificilmente será definido um único standard mundial. Pelo que há quem já esteja a trabalhar com o objetivo de marcar uma posição para o futuro. O Fiware Mundus é um dos exemplos do esforço que a UE tem feito para influenciar as decisões que serão tomadas no futuro. Além de um conjunto de interfaces de aplicações que podem ser usadas livremente em sem custo para conectar múltiplas famílias de dispositivos e criar novas aplicações, a iniciativa conta ainda nove centros de inovação instalados em várias grandes cidades da Europa e 16 aceleradoras de negócios e startups (uma das aceleradoras, a Soul-fi, é liderada pelo Instituto Pedro Nunes, de Coimbra).

Muito boas que sejam as intenções de homens de negócios e políticos, dificilmente será definido um único standard mundial. Pelo que há quem já esteja a trabalhar com o objetivo de marcar uma posição para o futuro.

»Com um budget total de 80 milhões de euros, a Fiware Mundus conta poder dar um empurrão a vários produtos na área da saúde, da energia, dos transportes, da agricultura, da educação e de muitos outros setores que poderão vir a beneficiar de aplicações que extraem informação de múltiplos dispositivos e permitem criar serviços classificados como “inteligentes”, que tiram partido da automação.


»As nanocoisas

»Jose Gonzalez, representante do Fiware Mundus, recorda as estimativas que apontam para um total de 50 mil milhões de dispositivos conectados por volta de 2020. A estimativa ilustra apenas parte do universo tecnológico que começou a tomar forma: “Vamos ter objetos virtuais, gateways virtuais, máquinas com capacidade de aprendizagem e computação cognitiva”, refere Jose Gonzalez, lembrando que muitas destas evoluções estão ainda em estado de rascunho, apesar de quase todas terem como propósito uma crescente automação.

»Quem ache que é futurismo a mais, que fale com Pedro Marrón, coordenador da iniciativa de investigação Smart Action – e cedo deverá descobrir que a rede das coisas também pode abarcar as nanocoisas, ou melhor, os minúsculos objetos, que são invisíveis a olho nu e que eventualmente poderão encontrar-se dentro do corpo humano. Além das previsões que apontam para o aparecimento de aplicações que variam consoante o contexto e das interfaces entre computadores e cérebro humano, o líder da Smart Action atenta para os desafios que terão de ser superados na segurança e na privacidade. “Vai ser necessário desenvolver novos materiais. Ainda vai levar tempo”, acrescenta.

»A uma escala maior e com um prazo mais de espera mais curto, Pedro Maló recorda que iniciativas como a Loures Inova, que envolve o município saloio e o Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL) e mais 15 entidades, deverão começar a trabalhar em breve nos primeiros ensaios com redes das coisas. Na margem sul, há mais um outro projeto que merece destaque por pretender usar a IoT na monitorização da qualidade das águas urbanas – e que junta o SMAS de Almada, a Uninova, e a empresa Unparallel. São apenas dois projetos que comprovam que, em Portugal, também a nova revolução tecnológica já começou a produzir efeito. Outros como a rede veicular da Veniam, no Porto, não tardarão a dar que falar.

»Pedro Maló não gosta de excessos de euforia: “há quem pense que a Internet das Coisas vai resolver todos os problemas do mundo, mas vai chegar o tempo em que se vai descobrir que apenas resolve muitos dos problemas do mundo”. E conclui com um exemplo: “Hoje, fala-se de trocar as chaves e as fechaduras tradicionais por sistemas eletrónicos. Eu nunca usarei uma fechadura eletrónica. Basta uma falha na eletricidade para termos um problema a abrir a porta de casa”.»





A execução da inovaçao

2015/06/18

«A ópera de dois músicos na produção biológica de goji fresco»



Raquel Pinto: Expresso



«Teatro Nacional São Carlos, Gulbenkian, Orquestra Metropolitana. Palcos pisados por João Moura, cantor lírico de profissão, 40 anos, que nos últimos dez anos viveu intensamente a ópera. Hoje, define-se como um "agricantor".

»Corria o ano de 2012, numa fase “muito boa da carreira”, quis o destino que a temporada de Cosí fan tutte, de Mozart, fosse cancelada para o ano seguinte por causa dos cortes na cultura. Sem emprego e com três filhos viu-se obrigado a procurar outras opões.

»A mulher Joana, 36 anos, toca viola de arco e ensina no Conservatório Regional de Setúbal. Já viviam a sul da capital, numa “quintinha” arrendada no Poceirão, contagiado pelo desejo dela. “A menina da cidade, que sempre viveu em Campo de Ourique, era apaixonada pela natureza”, revela João Moura. A si, o campo não lhe era desconhecido. Cresceu entre as vinhas do avô em Rio de Moinhos, Penafiel. A música, surgida por hábito familiar em serões de domingo, levou-o ao coro da igreja e tornou-se numa adrenalina. Fez o curso na Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo no Porto, passou por Barcelona dois anos, regressou e, em 2006, mudou-se em definitivo para Lisboa.


»Investimento de 160 mil euros

»A desilusão com o meio artístico inundou durante algum tempo João Moura que, entretanto, tinha iniciado um doutoramento em Artes Formativas. Sabia que voltar a dar aulas não o iria preencher. Foi quando olhou para o que tinham à frente – os animais, a horta e os pomares - e questionou se esta poderia ser a alternativa. “A agricultura surgiu como opção porque dependia praticamente de mim, dos meus braços, das minhas mãos. Não estou dependente de alguém que decida que precisa de um músico”, justifica.

»Investigaram como poderiam ter uma exploração moderna, com produtos diferentes, e fazer do modo biológico um sustento. Viram a produção de cogumelos em tronco e perceberam que necessitavam de outro espaço, ao mesmo tempo que surgiu a ideia de plantar goji, o fruto originário das montanhas do Tibete, que tem sido apresentado como um milagroso antienvelhecimento, pelo poder antioxidante e aminoácidos.

A agricultura surgiu como opção porque dependia praticamente de mim, dos meus braços, das minhas mãos. Não estou dependente de alguém que decida que precisa de um músico.

»Foram ver terrenos e renderam-se a uma antiga suinicultura soterrada por silvas. “Adorei aquele caminho no desconhecido quando lá fomos a primeira vez”. Deram-lhe o nome de Quinta dos Mochos. Fica a uma hora de Lisboa, em Pegões, no Montijo, num projeto agrícola de quase 160 mil euros, financiado por fundos comunitários em 60%. Receberam 40 mil euros de prémio jovem agricultor. A exploração tem 8 hectares, mais 2000 metros de área coberta de antigas pocilgas. Além de exploração, é ali que vivem, têm o escritório, os armazéns, a loja e pensam implementar turismo rural.


»Goji fresco dura entre 10 a 15 dias

»São pioneiros na produção certificada biológica de goji fresco em solo nacional. Ao todo têm 12000 plantas. No final deste mês contam ter mais 8000 colocadas. Também desidratam o goji, aliás uma condição imposta para a viabilidade do projeto, já que esta era a única forma como se apresentava no mercado português. As ideias entre o casal fervilham. O desafio a uma panificadora resultou numa broa de milho com goji que pode ser adquirida no site da quinta ou mercearias, fazendo já parte do cardápio de alguns restaurantes da zona que alinharam com a mais recente "maluqueira" como descreve João Moura, bem disposto.

»“Já estamos com muitas encomendas de goji fresco. Começamos a partir da próxima semana”, garante. O fruto tem despertado interesse e até visitas ao espaço. O goji fresco dura 10 a 15 dias mantido no frio. A apanha dura de junho a setembro, sendo a parte mais cara da produção. São precisas cerca de dez pessoas por hectare, todos o os dias, durante três meses, a apanhar baga a baga. "É um arbustro que dá todos os dias".

»Este ano, a produção ainda vai ser limitada. João Moura garante que isso não é problema. Vão agora iniciar um teste de mercado através da parceria com um produtor no sul de Espanha, que diz ser o maior de goji fresco na Europa, para a representação exclusiva da fruta deles em Portugal.

»Já criaram três postos de trabalho na quinta e ali está prestes a arrancar um projeto de investigação científica em parceria com a faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e uma consultora agrícola. "Temos todo o interesse em fazer a análise às suas propriedades, perceber como é que a planta reage aqui na Europa e qual é a melhor forma de a produzirmos", explica, tendo em mente aplicações na cosmética e farmacêutica.

»O empresário e empreendedor quer estar na linha da frente e acredita que o futuro passa pela organização de produtores. A caminho já está a ser concertada uma plataforma. Ainda não tem nome, mas são já dez os interessados em avançar. Se a união resultar, estima-se uma área de 70 hectares, que daqui a quatro anos poderá atingir as 1000 toneladas anuais.

»Entretanto, João Moura vai cantando na Quinta dos Mochos, feliz da vida.»





Uma inovação

2015/06/17

«Há mais empreendedores, mas poucos valorizam a ciência»



Catia Mateus: Expresso



«A valorização económica do conhecimento produzido pelas instituições científicas e tecnológicas portuguesas permanece insuficiente e muitos dos projetos desenvolvidos em solo nacional não chegam a sair da gaveta, com o número de patentes nacionais a fixar-se nos 0,6%, muito abaixo da média europeia (3,3%), por cada milhar de milhão de PIB. A conclusão resulta do Estudo Internacional de Empreendedorismo, realizado pela Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) em parceria com a consultora B’TEN, inserido no Projeto Inovação Portugal. O documento, divulgado esta terça-feira no Porto, no âmbito das comemorações dos 18 anos da Academia dos Empreendedores, a estrutura de formação da ANJE, revela falhas na orientação prática da investigação conduzida em Portugal e na abertura das empresas a utilizar a ciência ao serviço da resolução de problemas.

»“As universidades orientam uma parte significativa do seu esforço para questões com pouca aplicação prática e as empresas não utilizam o conhecimento científico produzido para resolver problemas, nem valorizam economicamente o esforço intelectual”, elenca Rafael Alves Rocha, diretor de comunicação da ANJE, que não tem dúvidas em afirmar que “dizer-se que Portugal investe pouco na inovação é uma falácia. Portugal está dentro da média da europeia nesta matéria. O problema reside na aplicação prática da inovação produzida e no facto de muita da investigação não chegar a sair da gaveta”.


As universidades orientam uma parte significativa do seu esforço para questões com pouca aplicação prática e as empresas não utilizam o conhecimento científico produzido para resolver problemas, nem valorizam economicamente o esforço intelectual.

»Patentes nacionais longe da média europeia Segundo o estudo, em percentagem do PIB, o gasto das empresas portuguesas em investigação e desenvolvimento (I&D) é de 0,7%, as despesas públicas em I&D representam 0,68% e os rendimentos resultantes de licenças e patentes do exterior ficam-se pelos 0,02%, fixando a intensidade de I&D em apenas 1,5% do PIB. Relativamente a pedidos de patentes por cada milhar de milhão de PIB, Portugal situa-se nos 0,6%, quando a média na UE é de 3,3%.

»“Uma boa parte do sucesso do processo de crescimento das startups está relacionada com a capacidade de captar recursos financeiros, técnicos e humanos. Por isso, o estudo considera que o aumento do capital disponível para investimento é crucial para uma cultura de valorização do risco, na medida em que fundos de pequena dimensão dão origem a carteiras pouco recetivas às propostas disruptivas, que podem ser mais arriscadas mas também game changers”, explica. A título de exemplo, refira-se que o investimento de capital de risco em startups está em Portugal muito abaixo dos 5% do PIB.

»O estudo aponta como essencial o reforço do investimento em projetos escaláveis e com uma forte orientação internacional. “Estes são os casos que todos os agentes do sistema financeiro de apoio ao empreendedorismo procuram, mas poucos são os operadores com capacidade para acompanhar segundas e terceiras rondas de investimento”, aponta o estudo, enfatizando a necessidade de criar uma nova cultura de análise de viabilidade de projetos empreendedores.

»O documento, que se sustenta num conjunto de 24 working papers de académicos, elaborados por investigadores da Universidade do Minho e da Universidade do Porto, especialistas em transferência de conhecimento em diversas áreas de atividade, aponta para a necessidade urgente de aproximar as empresas aos centros de conhecimento. No estudo reconhece-se o investimento nacional realizado, nos últimos anos, na criação de infraestruturas para acolhimento de iniciativas empresariais (de iniciativa pública e privada), hoje traduzido num vasto leque de incubadoras, espaços de coworking, centros de transferência de tecnologia e parques tecnológicos. “Falta agora acompanhar este enorme salto que foi dado em equipamentos com um esforço complementar na sua capacidade de gestão”, enfatiza Rafael Rocha.

»Para o responsável, “os estudos de caso efetuados no âmbito desta análise evidenciam como o retorno do investimento é multiplicado sempre que as competências de gestão permitem criar uma atmosfera empreendedora numa infraestrutura de incubação, ou seja, a taxa de sobrevivência das empresas, os postos de trabalho criados, os volumes de investimento captados aumentam significativamente”. Acrescenta Rafael Rocha que “depois de nos últimos anos se ter feito um esforço reconhecidamente bem-sucedido na formação de pessoas com graus académicos de mestrado e doutoramento e da entrada de recursos muito valorizados na carreira de investigação, é agora tempo de estimular o encontro entre ciência e tecnologia com capacidade empresarial para inovar”.»





Um inovador

2015/06/16

«Fibrenamics: Nova plataforma para promover inovação à base de fibras apresentada em Guimarães»



Daniel @NL: Notícias Locais



«Funcionalidades inovadoras e uma renovada filosofia de trabalho de cooperação entre os diversos parceiros que integram a extensa rede Fibrenamics, da Universidade do Minho, fazem parte da nova plataforma internacional apresentada este sábado, 06 de junho, nas instalações do Instituto de Design de Guimarães, na Zona de Couros.

»Atualmente com mais de 200 parceiros, que interagem no sentido de gerar ideias, desenvolver projetos e fomentar inovação, esta plataforma tem como missão inicial divulgar ciência, evoluindo no sentido de estabelecer uma estreita ligação entre empresas e universidades, de modo a criar inovação em materiais com base em fibras.

»"É fundamental, nos dias de hoje, promover a transferência de conhecimento para as nossas empresas, com empenhamento e envolvência, reforçando o ecossistema da inovação, em parceria com a Universidade do Minho. O projeto Fibrenamics continuará a constituir um exemplo de cooperação e competitividade, envolvendo empresários e empresas que sabem absorver o conhecimento da nossa Universidade", considerou Domingos Bragança, Presidente do Município, na sessão pública de apresentação.

»Há três anos no mercado, esta ferramenta digital tem permitido o desenvolvimento de novos produtos, criando um elo de ligação entre a comunidade académica e o tecido empresarial. "O objetivo, nesta fase, é tornar a plataforma num instrumento efetivo para as universidades e as empresas cooperarem, no sentido de desenvolverem produtos inovadores, com valor acrescentado", referiu Raul Fangueiro, coordenador do Fibrenamics.

»Durante a sessão, foi assinado um protocolo de cooperação entre a Universidade do Minho e a Polícia de Segurança Pública, bem como Memorandos de Intenções entre a Fibrenamics/UMinho e a Plataforma de Indústrias de Defesa Nacionais e o Centro para a Valorização de Resíduos. Entre outros objetivos, o acordo visou promover a execução de atividades de intercâmbio.»





Administração Pública e inovação

2015/06/15

«Newsletter L&I» (n.º 57, 2015-06-15)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«Relações comerciais com o Governo. Em tempos de desconfiança ainda existem caminhos para trabalhar para os orgãos públicos» [web] [intro]
«Entrevista: Inovação é sobre pessoas, diz Dov Moran, criador do Pen Drive» [web] [intro]
«Seminário “Reflexões e desafios a uma cultura de Inovação na Amazônia” acontece no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi» [web] [intro]
«Aqui, a gente dá o osso maior do que o cara pode roer. E vê se ele consegue» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

«Passos Coelho quer envolver autarquias na manutenção do património público» [web] [intro]
«Flying Sharks: Empresa portuguesa fornece peixes a aquários de todo o mundo» [web] [intro]
«Revestimento inovador reduz probabilidade de infecções e rejeição de próteses» [web] [intro]
«Os lisboetas sonham, a câmara quer. E a obra, nasce?» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«El modelo quebequés se debate en Zaragoza» [web] [intro]
«Luis Roberto Saravia: Innovador y futurista» [web] [intro]
«Crean un innovador programa para detectar y erradicar el acoso escolar» [web] [intro]
«Las empresas que convierten a sus empleados en emprendedores internos tienen mayor capacidad de innovación» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«Innovation africaine: quand les start-up EdTech changent la donne éducative» [web] [intro]
«Un jeune innovateur belge repéré par le prestigieux magazine américain MIT: voici comment Thibaut utilise l'informatique pour "soigner mieux"» [web] [intro]
«La Fédération de l'UPA de la Mauricie travaille à la mise en place d'un projet innovateur axé sur le séchage écologique des grains» [web] [intro]
«Orange lance le Prix de l’Entrepreneur Social en Afrique, avec une nouveauté cette année» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«Public lands need innovation in management not necessarily new owners» [web] [intro]
«You Need an Innovation Strategy» [web] [intro]
«Wichita innovator’s Kickstarter project comes to fruition» [web] [intro]
«What can businesses do to make innovation happen?» [web] [intro]

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2015/06/12

«Os lisboetas sonham, a câmara quer. E a obra, nasce?»



João Pedro Pincha: Observador



«A dado momento nos anos 80, alguém na Câmara Municipal de Lisboa decidiu que o Rio Seco, na zona da Ajuda, era um bom sítio para depositar os candeeiros estragados e velhos de toda a cidade. Durante a noite, as patrulhas faziam um périplo por Lisboa, recolhiam todos os candeeiros partidos e iam largá-los ali, naquela cratera invulgar para uma cidade, onde um dia correu um rio. O vai e vem noturno manteve-se durante anos e não deixava dormir muitos dos habitantes dos prédios mais próximos, que um dia decidiram que ali não era sítio para candeeiros, antes para um parque urbano.

»Começou por ser feito um polidesportivo e um pequeno jardim. Depois, em 2008, a autarquia criou o Orçamento Participativo, convidou os lisboetas a proporem ideias para a cidade e 125 fregueses da Ajuda chegaram-se à frente para tornar a segunda fase do Parque Urbano do Rio Seco uma realidade. A população “estava muito convicta de que era necessária aqui uma grande alteração”, pois a “zona estava muito abandonada, era muito mal frequentada, era uma lixeira”, explica José António Videira, presidente socialista da junta de freguesia da Ajuda, enquanto olha para as obras da quarta fase do parque, a decorrerem neste momento. O Parque Urbano do Rio Seco chegou ao Orçamento Participativo de Lisboa (OPLx) em 2008 e voltou em 2010 e 2011, também com propostas vencedoras (a terceira e quarta fases), fazendo deste projeto um autêntico filho da participação dos lisboetas.

»A ideia do OPLx é simples: qualquer pessoa pode propor o que lhe apetecer para a cidade. Pode ser mesmo qualquer coisa, desde grandes obras de urbanismo à abertura de um maid-café que ofereça “fofura e relaxamento” aos frequentadores. Se a ideia é simples, a concretização nem sempre o é. Nas sete edições já promovidas foram aprovados 73 projetos, mas muitos ainda não saíram do papel. Noutros casos, o prazo dado para a conclusão dos projetos foi largamente ultrapassado. Tome-se como exemplo a quarta fase do Rio Seco: vencedor da edição de 2011 e com um prazo de execução de 24 meses, ainda hoje está a ser construído e as obras não estão perto do fim.

»José António Videira está ansioso para ver o parque urbano finalmente pronto, cicatrizando assim uma ferida aberta na Ajuda há anos. A zona onde decorrem hoje as obras fica perto do Bairro 2 de Maio e estava longe de ser das mais apetecíveis de Lisboa. “Esta área estava invadida por utilizações ilegais de pessoas que tinham aqui animais e hortas”, diz o autarca. Ali havia pombos, cavalos, bezerros e lixo lado a lado com legumes. “Teve de haver uma negociação com os moradores do bairro no sentido de se verificar quais os pombais que deveriam ser mantidos para o futuro” e quantos cavalos realmente havia, para se construir uma cavalariça. Tudo isto demorou tempo. “Tinha de haver uma maior sensibilidade de tratamento. Demorou, mas poderia dizer que é aceitável. É aceitável dada a complexidade daquilo que estava aqui envolvido”, afirma.


»Um “processo lentíssimo”

»Quem não compreende porque é que ainda não há um parque infantil na Quinta da Luz é o presidente da junta de freguesia de Carnide. Esta proposta foi uma das vencedoras do OPLx de 2012 e, no terreno, ainda nada. “Como é que projetos aprovados desde 2012 não estão ainda implementados? É um parque infantil, não é assim nada…” A incredulidade de Fábio Martins Sousa reflete-se na frase que deixa por acabar. Para o autarca comunista – o único da cidade -, é incompreensível que a autarquia demore tanto tempo. “As respostas são muito lentas e muito difíceis de obter”, diz, lamentando que não haja uma participação maior das diferentes instituições da cidade. “Devia haver um presta-contas mensal. Não estou a dizer que a câmara tivesse de vir cá, mas que houvesse uma informação escrita sobre isso”, propõe.

»Carnide tem três propostas do OPLx à espera de serem implementadas, mas não está como Belém ou o Parque das Nações, que nunca receberam um único cêntimo do Orçamento Participativo. Na freguesia agora presidida por Fábio Sousa, a primeira proposta aprovada foi a requalificação do Largo do Coreto, em 2009. As obras só terminaram em agosto de 2013. Onde antes havia um solitário coreto rodeado de alcatrão usado como estacionamento de automóveis, hoje há uma praça pedonal com árvores, esplanadas e arraiais populares. “Nós gostamos muito do resultado final, sem dúvida alguma que foi um ganho significativo [face] àquilo que era o espaço antigamente”, diz o jovem presidente. Para os cafés e restaurantes foi bom porque puderam montar esplanadas, para os proprietários também porque os incentivou a recuperarem casas que estavam a cair, e até para a ficção nacional houve benefícios. “Neste momento está a ser gravada a novela da SIC ‘Poderosas'” neste largo.

»Nem tudo são rosas, no entanto. Quando Carnide ganhou um centro histórico renovado, perdeu os lugares de estacionamento. Mesmo ainda antes de as obras no largo começarem, já freguesia e câmara sabiam que, paralelamente, tinha de se arranjar uma alternativa para os muitos carros que ali desaguam. “Os nossos restaurantes são muito conhecidos e vem gente de toda a cidade e até de fora da cidade para jantar e almoçar em Carnide”, explica Fábio. O autarca quer criar um parque de estacionamento não muito longe do largo, um projeto que nada tem a ver com o Orçamento Participativo mas que devia ter sido feito em articulação com as obras junto ao coreto. “Estamos em negociações com a câmara, num processo lentíssimo, a câmara é muito lenta a dar respostas aos problemas das pessoas”, queixa-se.

»O que não parece ter justificação, pelo menos na opinião de Fábio Sousa, é o projeto da Azinhaga das Carmelitas, vencedor do OPLx de 2014, ainda não ter saído da estaca zero. “Ainda nem sequer houve uma reunião participada, ainda nem foi atribuída uma equipa de projeto nem nada”, diz o autarca, que alega urgência nesta obra. O motivo é o mesmo: problemas de estacionamento. A Azinhaga das Carmelitas é uma rua que começa estreita e acaba estreita, alargando no meio, o que propicia o parqueamento desordenado. Acima de tudo, pretende-se criar passeios e alargar a via, mas o presidente da junta não vê isso a acontecer brevemente. “O processo é burocrático, é moroso e devia ser mais ágil”, remata.


»Notoriedade do OPLx tem vindo a aumentar

»Muitos dos projetos vencedores do Orçamento Participativo de Lisboa não são implementados sem que seja feita uma articulação com outras propostas e com a área em que se inserem. Há muitas “questões burocráticas” que impedem avanços mais rápidos, admite Valter Ferreira, responsável da autarquia pelo OPLx. Valter foi convidado a dar uma palestra na Leading Cities – uma plataforma internacional que procura soluções para os problemas das cidades – e falou da experiência do Orçamento Participativo. De 2008 a 2014, este instrumento de gestão da cidade foi mudando em várias coisas: o número de votos aumentou sempre, o número de propostas teve oscilações (o mais alto, 927, foi em 2010), o número de vencedores também nunca foi igual. A maior alteração nestes anos foi, no entanto, o dinheiro disponível. Até 2012, a câmara disponibilizava 5 milhões de euros e não impunha limites ao que cada projeto podia custar. A partir daí, o dinheiro passou a ser metade (2,5 milhões) e as propostas dividiram-se entre as que custam até 150 mil e as que custam até 500 mil euros.

»A proposta de “construção de pistas cicláveis” teve sorte. Foi apresentada em 2009, ganhou, custou 2,7 milhões e um ano depois já havia ciclovias um pouco por toda a cidade. Nos anos de OPLx, as propostas relativas ao ciclismo têm sido das mais apresentadas. Se várias delas chegaram a bom porto, outras tantas ainda estão na gaveta. É o caso do “alargamento das faixas BUS, permitindo a circulação de bicicletas” e das “escadas amigas das bicicletas”. Ambas tiveram o apoio da MUBi (Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta), que desespera por ver resultados. “Veja bem, estamos em 2015″, comenta João Pimentel, da direção da MUBi, contando os anos desde que tudo isto foi aprovado. O alargamento das faixas BUS é de 2009, as escadas de 2013. E até agora, nada.

»“A câmara defrauda os cidadãos que votam no Orçamento Participativo”, afirma João Pimentel, que a título pessoal perguntou à autarquia, “há cerca de dois meses”, em que pé estavam. “Está em processo”, foi a resposta da câmara, que já não presta contas sobre o avanço destas propostas “há muito tempo”, diz o dirigente, para quem a atitude da autarquia é incompreensível. João Pimentel dá o exemplo do Porto, onde a câmara autorizou os motociclos a circularem nas faixas reservadas aos transportes públicos logo a seguir à última alteração ao Código da Estrada, no início de 2014. Do outro lado da moeda há o exemplo de Oeiras, cujos moradores aprovaram um projeto de ciclovia para a Marginal no Orçamento Participativo (2308 votos) e a câmara recusa-se a implementá-lo.

»Uma das conclusões do relatório da Leading Cities, que vai ser lançado este mês, é precisamente a de que “os cidadãos são impacientes por resultados”, o que os presidentes de junta sentem na pele, porque é a eles que a população exige contas. “As pessoas têm muitas ideias, mas querem ver concluídos os projetos que ganharam”, afirma José António Videira. “Acabam por esmorecer, porque dizem ‘ah já ganhámos quatro, mas há aqui dois…um não está terminado, um está em vias de ser resolvido. Porque é que a gente se vai mobilizar para um quinto ou um sexto?’” O sentimento é partilhado por João Pimentel, que admite estar “um bocado escaldado” e já não ter grande vontade de apresentar novas propostas ao OPLx. “Em princípio, é algo nobre” dar aos cidadãos a possibilidade de escolherem onde querem que o dinheiro de todos seja investido, diz. Mas “assim não faz sentido, até é contraproducente”, argumenta.

»Valter Ferreira aceita as críticas, mas diz também que tem uma interpretação própria de quando começam a contar os prazos previstos. Para os votantes pode ser o momento em que uma proposta é declarada vencedora, mas para a câmara o tempo só começa a contar quando se começa, de facto, a fazer algum trabalho. O chefe da Divisão de Inovação Organizacional e Participação da autarquia garante que as faixas BUS avançam ainda este ano, tal como o projeto que visa acabar com as barreiras arquitectónicas a deficientes em cadeiras de rodas entre o Marquês de Pombal e Entrecampos (aprovado em 2012). E ainda o Cinema Europa, que vem do OPLx de 2009.


»Vantagens e riscos de um processo participativo

»O Orçamento Participativo de Lisboa foi um projeto lançado pelo executivo de António Costa, embora a ideia tenha partido de baixo, dos serviços da câmara. O agora candidato socialista a primeiro-ministro quer levar o mesmo conceito para o Orçamento do Estado, pondo os cidadãos a pensar e a decidir o que deve o país fazer a parte do dinheiro que tem.

»Nas mais de 1.500 cidades em que estão implementados no mundo inteiro, os orçamentos participativos podem ser instrumentos de gestão com um real impacto. Lisboa, por exemplo, já ganhou ciclovias, um corredor verde entre o Parque Eduardo VII e Monsanto, uma casa para os animais, a incubadora de empresas Startup Lisboa, um novo ordenamento urbanístico na Alameda da Cidade Universitária, a dinamização cultural da Mouraria e, mais recentemente, um centro de inovação no mesmo bairro. Além disso, apesar de criticar a lentidão do processo, Fábio Martins Sousa reconhece que as obras no Largo do Coreto melhoraram a freguesia de Carnide. Tanto assim é que, este ano, está a mobilizar os moradores para votarem num projeto de requalificação de algumas ruas adjacentes ao largo.

»A experiência de abrir os orçamentos de um Estado à participação da população não é muito comum. O Brasil fá-lo, mas é caso raro, porque os constrangimentos que se verificam numa cidade são multiplicados num país. As freguesias de Ajuda e Carnide, por exemplo, não são das mais populosas de Lisboa, tal como não são das mais ricas, o que, segundo os autarcas que as lideram, as prejudica face às restantes. “A gestão do processo, na nossa opinião, não é das melhores, porque está feito para as massas, para quem realmente se consegue mobilizar e votar”, afirma Fábio Sousa, para quem “nunca na vida o centro histórico tinha conseguido os votos” necessários “se não tivesse sido toda a freguesia” a mexer-se. Também na Ajuda, o primeiro projeto para o Rio Seco obteve 125 votos e venceu, beneficiando do facto de o OPLx não ser, na altura, muito conhecido. Na edição de 2014, o projeto vencedor com menos votação teve o apoio de 393 pessoas, enquanto o mais apoiado teve perto de cinco mil votos.


Apesar de criticar a lentidão do processo, este ano, Fábio Martins Sousa está a mobilizar os moradores para votarem num projeto de requalificação de algumas ruas adjacentes ao largo.

»Cinema Europa quase a avançar

»Manuel de Queiroz sabe bem o que é ter de se mexer para que um projeto levado ao Orçamento Participativo seja vencedor. Em 2009, ele e outros membros do grupo SOS Cinema Europa, vendo que já não seria possível salvar o edifício que durante anos tinha sido a casa da sétima arte em Campo de Ourique, propuseram à câmara que ficasse com o rés-do-chão do futuro prédio para ali fazer um equipamento cultural. “Houve um esforço grande em contactos pessoais”, lembra Manuel, que andou em “brigadas de rua a explicar às pessoas o que estava em causa” e, assim, conseguiu convencer 475 vizinhos a votar. Antes, num abaixo-assinado destinado a salvar o prédio, haviam conseguido entre duas mil e três mil assinaturas.

»Esse projeto vai finalmente andar para a frente nos próximos meses. O edifício está quase pronto, o projeto para o centro cultural está a ser ultimado e Pedro Cegonho espera que as obras comecem em janeiro de 2016, para que pouco depois já se possa usar aquele rés-do-chão como biblioteca, auditório e casa das artes do bairro. O autarca de Campo de Ourique acredita que este é um equipamento que “faz muito sentido” naquele bairro, porque há movimentos culturais dispersos por ali que até agora não tinham um espaço comum onde convergir. “Ver as coisas a acontecer é uma satisfação muito grande”, diz. Manuel de Queiroz concorda: “Estamos numa expectativa enorme para ver isto aberto”.


»Salvar a cidade da inacessibilidade

»Um outro projeto que Valter Ferreira garantiu ao Observador estar prestes a aparecer no terreno é o Lisboa Acessível, proposta que visa eliminar todas as barreiras arquitectónicas com que as pessoas em cadeira de rodas se deparam entre o Marquês de Pombal e Entrecampos. Ou seja, as 81 passadeiras e as 16 paragens de autocarro deste eixo vão ser adaptadas, bem como tudo o que é obstáulo (pilaretes e mupis) vai desaparecer. Segundo o Decreto-Lei 163/2006, que regula as acessibilidades de espaços públicos, estas alterações deviam ocorrer num prazo máximo de 10 anos, ou seja, até 2016. Lisboa vai fazê-lo neste pequeno trecho da cidade, a pedido dos cidadãos.

»Em 2012, a Associação Salvador e outras oito organizações que lutam pelos direitos dos cidadãos com mobilidade condicionada apresentaram esta proposta ao Orçamento Participativo. Recebeu 2079 votos e tinha um prazo de execução de 18 meses. “O projeto integra uma zona onde estão a ser estudadas alterações ao tráfego e tudo tem que estar em sintonia. Esta é a justificação da câmara para o atraso na obra”, explica Mariana Lopes da Costa, diretora-geral da Associação Salvador, que diz estar à espera de um contacto que a autarquia prometeu fazer há cerca de dois meses.

»Desde que esta proposta venceu o OPLx, os serviços da câmara têm estado a perceber exatamente quais são as barreiras arquitectónicas daquele eixo. Ao mesmo tempo, queixa-se Mariana, que lembra o decreto-Lei de 2006, “continuam a abrir novos espaços que não cumprem a lei das acessibilidades e que não sabemos como passam nas fiscalizações”. Isto, conjugado com o tempo que já decorreu desde 2012, levou a Associação Salvador a nunca mais ter concorrido ao OPLx. “Ideias para melhorar a cidade para a tornar mais inclusiva não nos faltam”, afirma Mariana Lopes da Costa. No entanto, a responsável sublinha também que “é inconcebível uma obrigação que deveria ser do Estado e câmaras municipais ter que ser submetida a votos num orçamento participativo e, mesmo depois de ser uma das vencedoras e dever estar concluída em maio de 2014, ter passado mais de um ano e ainda não ter sido lançado o concurso público para começar a obra”.

»Tal como com o Cinema Europa, com os projetos já aprovados para Carnide e com a quarta fase do Rio Seco, a Associação Salvador considera que estes atrasos contribuem para ” descredibilizar a câmara e o Orçamento Participativo”, o que desvirtua aquilo que é considerado globalmente como um instrumento que traz mais transparência e democracia à gestão autárquica.

»Enquanto o cinema não abre, as passadeiras não são adaptadas, o parque infantil da Quinta da Luz não aparece e outros projetos aguardam para saltar do papel para a realidade, a edição do Orçamento Participativo de Lisboa de 2015 continua. Até este domingo é a fase em que pode apresentar as propostas que entender. Segue-se uma avaliação por parte da câmara e, mais tarde, a votação do público.»





A execução da inovaçao