2015/05/29

«Ciências sociais e humanidades: uma estratégia pouco inteligente»



João Costa, Professor catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e presidente do Conselho Científico das Ciências Sociais e Humanidades da Fundação para a Ciência e a Tecnologia: Público.



«É triste e tacanho que não se perceba que, numa democracia ainda recente, o contributo das ciências sociais e das humanidades ainda não seja percebido como absolutamente prioritário para o desenvolvimento da economia e para a qualificação e valorização da população.

»Todos os indicadores de produtividade e desempenho científico mostram que, nas últimas décadas, a comunidade científica atingiu níveis notáveis de produção em publicações, qualificações e internacionalização. A corrida está longe de estar ganha e o investimento deve continuar, mas os números são impressionantes, sobretudo tendo em conta que, em alguns domínios científicos, a investigação em Portugal só se começou realmente a desenvolver nos últimos 40 anos. Em algumas das áreas das ciências sociais e das humanidades, simplesmente não havia qualquer instrumento de financiamento e, em muitas situações, o contexto político não admitia que houvesse investigação. Por este mesmo motivo, é impressionante como, em apenas 40 anos, houve grupos de investigadores que conseguiram atingir níveis de produção, impacto e reconhecimento entre pares que os colocaram entre os melhores a nível mundial.

»Dois fatores foram cruciais para estes resultados: confiança no sistema e investimento. A questão do investimento e financiamento é óbvia. Nada cresce sem investimento.

»A confiança traduz-se, desde logo, em depositar na comunidade científica a responsabilidade de identificar os temas que definem a agenda de investigação. É aos investigadores, porque são os especialistas nas áreas e porque é neles que a própria sociedade investe no cumprimento desta missão, que compete olhar para o mundo e perceber quais são as questões relevantes. Formular as perguntas é o ponto de partida crucial para que a ciência tenha sucesso. Se as perguntas forem impostas por outros, externos à própria comunidade científica, todo o trabalho científico pode estar a ser desvirtuado e corre o risco de ser pervertido. Durante anos, os cientistas sociais e os investigadores em humanidades tiveram a liberdade de colocar as questões relevantes e definir a agenda de investigação, sendo a relevância e pertinência dessas questões avaliada por pares. Por isso mesmo, essas áreas progrediram.

Durante anos, os cientistas sociais e os investigadores em humanidades tiveram a liberdade de colocar as questões relevantes e definir a agenda de investigação, sendo a relevância e pertinência dessas questões avaliada por pares. Por isso mesmo, essas áreas progrediram.

»Este paradigma corre o risco de se alterar radicalmente. Em vários países da Europa, aprovam-se as chamadas Smart Specialization Strategies, Estratégias de Especialização Inteligentes, que identificam temas prioritários para uma agenda de investigação com o propósito de servir diretamente o crescimento das economias. De acordo com estas estratégias, os temas de projetos de investigação devem estar alinhados com os temas prioritários que forem definidos e que supostamente contribuírem para o desenvolvimento da economia dos países, como se não fosse verdade que grande parte dos contributos da ciência e tecnologia atuais existem porque surgiram e amadureceram sem impacto imediato durante anos.

»Claro que Portugal não hesitou em definir a sua Estratégia de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente (ENEI), num extenso documento que, em linha com esta política europeia, submete a investigação científica a desígnios meramente economicistas e elimina a investigação fundamental do elenco prioritário.

»Há um conjunto de falsos argumentos associados a estas estratégias, que vale a pena discutir e sobre os quais não me alongarei. O fundamental tem a ver com o alegado e estafado impacto do investimento em ciência no desenvolvimento da economia. Sabemos, no entanto, que alguns dos países em que esse impacto é maior até são os que continuam a ter maior financiamento em investigação fundamental (Estados Unidos e Alemanha) e programas de financiamento em que a demonstração de impacto não é necessária, nomeadamente na área das ciências sociais e das humanidades.

»Também sabemos que Portugal prontamente elaborou a ENEI, como bom discípulo europeu, para poder aceder a fundos para a investigação (em vez de ter um papel ativo na discussão de alguma orientação desastrosa que tem sido dada à ciência na Europa). Mas ao fazê-lo, os autores da ENEI portuguesa simplesmente anularam as ciências sociais e as humanidades. Este domínio não tem qualquer expressão na estratégia definida. As ciências sociais e as humanidades não se enquadram nos temas prioritários e ocorrem, na melhor das hipóteses, como áreas subsidiárias para alguns dos temas propostos. O argumento de que são implícitas e transversais a tudo é a melhor forma de dizer que não estão em lugar nenhum.

»É triste e tacanho que não se perceba que, numa democracia ainda recente, com níveis de qualificação baixíssimos, com literacias literária e científica reduzidas e em que a mobilidade social que a educação e a ciência deviam permitir ainda não são uma realidade, o contributo das ciências sociais e das humanidades ainda não seja percebido como absolutamente prioritário para o desenvolvimento da economia e para a qualificação e valorização da população.

»Tal como nas candidaturas a projetos europeus, corremos o risco de ver os investigadores das ciências sociais e as humanidades em exercícios de criatividade para convencer avaliadores e financiadores de que os seus projetos têm alguma correspondência aos temas propostos. Mas isso é pouco sério e provará ser prejudicial. É redutor e uma estratégia pouco inteligente num país que ainda precisa de crescer e que o pode fazer apoiado por esta área científica. Esta estratégia tem, portanto, de ser revista urgentemente.»





A execução da inovaçao

2015/05/28

«Planetário do Porto investe meio milhão para simular o Universo»



Diário Digital



«O Planetário do Porto está prestes a reabrir ao público depois de investir cerca de 500 mil euros num novo sistema de projeção digital e na renovação da cúpula em que projeta o Universo.

»A atualização do sistema informático e de projeção permite aos funcionários do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto exibir simulações de todo o Universo visível, no que resulta em cerca de 13,7 mil milhões de anos-luz disponíveis para exploração em cadeiras reclináveis.

»"Foi uma autêntica revolução. Costumamos dizer que saímos do século passado e entrámos finalmente no século XXI", disse à Lusa Ricardo Reis, técnico do Planetário que reabre ao público a partir de 03 de junho.

»A principal inovação do equipamento da Universidade do Porto reside na substituição do "projetor optomecânico que só projetava estrelas", segundo Ricardo Reis, que sublinha as qualidades do novo projetor digital, capaz de exibir vídeo "em todos os 360 graus da cúpula."

"Permite-nos simular não só todo o Universo, mas também passar filmes e documentários imersivos", explicou o técnico, salientando o "'software' extremamente complexo que tem por base os dados mais recentes" da cartografia universal.

»"Permite-nos simular não só todo o Universo, mas também passar filmes e documentários imersivos", explicou o técnico, salientando o "'software' extremamente complexo que tem por base os dados mais recentes" da cartografia universal.

»O programa do Planetário do Porto deverá arrancar com três sessões, que variam entre apresentações dedicadas ao público infantil e o ex-líbris do Planetário - uma apresentação feita pela California Academy of Sciences (Academia de Ciências da Califórnia), que "não só se foca na astronomia, mas também na biologia, geologia ou na química, numa verdadeira história cósmica da vida", segundo Ricardo Reis.

»"De facto, a ciência é interdisciplinar", observa Daniel Folha, diretor executivo do Planetário do Porto, aludindo à sessão em que é possível "entrar" numa folha de sequoia, enquanto a narração descreve as minúcias da fotossíntese, numa viagem que se estende à origem da matéria e à influência da gravidade na criação de estrelas e planetas.

»O Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (UP) tem divulgado as sessões de exploração astronómica desde o início dos anos 1990, de acordo com Daniel Folha, algo que então se fazia em planetários portáteis, insufláveis e itinerantes, que viajavam de escola em escola até à inauguração do planetário fixo, em 1998.

»Desde então, o diretor executivo do Planetário do Porto congratula-se em receber alunos da licenciatura em Astronomia da Faculdade de Ciência da UP que "começaram a ficar com esse interesse quando o planetário portátil os visitou no ensino básico".

»"Imagino que muitos alunos tiveram um interesse pelas ciências que foi espoletado por essas visitas", considerou Daniel Folha, sublinhando a importância da "revolução" tecnológica daquelas projeções cósmicas que espera virem despertar "o bichinho pela ciência" em futuras crianças que entrem no edifício para olhar o céu.»





Uma inovação

2015/05/27

«O Santo Graal das empresas tecnológicas»



Fernando Amaral, Managing Partner da Sendys: Computerworld Portugal



«Nos últimos anos, não passou um só dia em que não tivéssemos ouvido falar do aparecimento de uma nova empresa que tinha desenvolvido uma solução tecnológica inovadora capaz de revolucionar o sector das TI e mudar o mundo. Algumas destas empresas deixam rapidamente de ser startups e acabam por se transformar em verdadeiros impérios tecnológicos.

»No entanto, na maior parte dos casos, não é este o percurso e o sucesso inicial rapidamente se desvanece e dá lugar ao esquecimento. Recentemente, tivemos conhecimento de vários casos de empresas – em Portugal e no estrangeiro – que, apesar de reunirem todas as condições para ser casos de sucesso e longevidade, acabaram por morrer.

»Para um empreendedor não há notícia mais preocupante do que o insucesso de outro empreendedor. É um duro “reminder” de que o fracasso pode estar à nossa espera em cada esquina. Mas o desaparecimento destes “casos de sucesso” leva-nos a uma questão muito importante: será que todos as empresas do sector das TI se tornam, numa altura ou outra da sua vida, inevitavelmente obsoletas? A resposta é claramente não. Mas antes de saber que ações temos de adotar para evitar este destino, é preciso compreender o que leva ao fracasso de tantas e tantas tecnológicas.

Será que todas as empresas do sector das TI se tornam, numa altura ou outra da sua vida, inevitavelmente obsoletas? A resposta é claramente não.

»Não nos podemos esquecer que a maior parte destes “sucessos instantâneos” surgem quando um empreendedor consegue angariar fundos suficientes para dar visibilidade e dimensão ao produto ou solução inovadora e revolucionária que desenvolveu. Da mesma forma, quando esta fonte de financiamento se esgota antes da implementação de um modelo de negócio sustentável, o sonho termina.

»Mas nem sempre o dinheiro é a razão das dificuldades: muitas vezes o sucesso de outras empresas com características semelhantes mas que apresentam soluções mais recentes, mais revolucionárias e mais inovadoras, é um fator mais do que suficiente para a perda de notoriedade e consequente morte de uma empresa de TI.

»Então de que forma pode uma empresa deste sector assegurar que o seu sucesso não é apenas temporário? Antes de mais criando um capital de confiança junto dos seus clientes que seja à prova de “novidades”, um capital que é ainda mais valioso do que a própria tecnologia e que se alcança com a qualidade e fiabilidade dos serviços prestados, mas sobretudo com trabalho. Trabalho antes, trabalho durante, trabalho depois. Em todas as fases e em todos os dias da vida da empresa.

»Mas o grande segredo para a juventude, o Santo Graal das empresas de TI é, sem sombra de dúvida, a inovação. Inovação continua, sólida e sustentável. Para estas empresas, a inovação tem o mesmo valor que um sistema de rega no meio do deserto: quando há água, há vida. Quando deixa de haver, a vida desaparece. Tal como a água no deserto, a inovação contínua é sinónimo de vida e de longevidade.

»Uma empresa que aposta na inovação é uma empresa que consegue apresentar novas soluções, aumentando o capital de confiança, expandindo a sua base de consumidores e, naturalmente crescendo. Dificilmente uma empresa de TI que siga estes passos desaparece ou fica obsoleta.»





Um inovador

2015/05/26

«A contratação pública eletrónica: mais uma vítima do modo local de legislar»



Manuel Lopes Rocha, partner da PLMJ – Sociedade de Advogados: Computerworld



«1 – A contratação pública eletrónica é dos poucos setores em que Portugal teve, e tem, um papel verdadeiramente pioneiro, a nível mundial. É um setor que funciona bem, aberto à concorrência, onde a inovação é amplamente estimulada;

»2 – Recorde-se que é o fruto da continuidade de políticas que se revelaram muito acertadas. Foi uma ideia inicial de Diogo Vasconcelos que Mariano Gago, e a sua equipa, continuaram e completaram. A partir de 2008, aquando da aprovação do Código dos Contratos Públicos, passou a deter um papel central na contratação pública, ou seja, na forma como a Administração Pública se relaciona com os particulares quando pretende adquirir, por exemplo, bens ou serviços;

»3 – Mas, inopinadamente, não se percebendo bem de onde vem tanta pressa, a Assembleia da República aprovou uma proposta de lei mais do que discutível, feita a correr, e mal, merecendo as maiores reservas de juristas e de entidades operando no setor;

»4 – A este coro de críticas juntam-se, agora, as dúvidas, muito bem descritas, por entidades como a CNPD ou o Tribunal de Contas;

»5 – Tratar-se-ia, nesse texto, já aprovado e que baixou para apreciação na especialidade, de regular a disponibilização e utilização das plataformas eletrónicas, como se fosse absolutamente necessário aprovar, assim, em finais de legislatura, um texto “de qualquer maneira”, sendo que o mesmo, em grande parte, acaba por reproduzir algumas das soluções já existentes;

»6 – Como sempre, às proclamações grandiloquentes do preâmbulo, aduz-se, como razão nuclear para a mudança legislativa, a regularidade da cobrança, pelas plataformas eletrónicas, dos serviços prestados aos utilizadores das mesmas. Seria isto que motivaria, e exigiria, uma nova lei (?!);

»7 – As leis são sempre necessárias, aquelas que são bem elaboradas e que busquem consensos, não estas cuja pressa, sobretudo, não encontra qualquer explicação visível, como se o mundo fosse acabar amanhã;

»8 – Mas o que mais impressiona nesta proposta de lei é o arsenal sancionatório que contém. São mais de sessenta tipos de ilícito, punindo tudo e mais alguma coisa, na atividade das plataformas eletrónicas que, recorde-se, são os parceiros tecnológicos do Estado, oferecem serviços de que o Estado não dispõe;

»9 – Ora, como é possível conceber-se que uma norma que regula uma parceria seja um atestado de desconfiança e de vigilância acerba de um parceiro, sempre debaixo de ameaça constante?

Ora, como é possível conceber-se que uma norma que regula uma parceria seja um atestado de desconfiança e de vigilância acerba de um parceiro, sempre debaixo de ameaça constante?

»10 – Mas, para além, das múltiplas contraordenações que o diploma contém, algumas eivadas de óbvia inconstitucionalidade e que, mais à frente, não resistirão à sua apreciação por um juiz, em sede de recurso, todo o diploma está polvilhado de mais e mais sanções a esmo, sem critério, como o inenarrável capítulo sobre a idoneidade comercial (!) das empresas, sendo que a tal subjaz outro tipo de sanção, qual seja o licenciamento e seu cancelamento, quanto à atividade das empresas que gerem plataformas eletrónicas;

»11 – O cardápio de sanções aqui inscritas é verdadeiramente delirante, persecutório, inadmissível. Acaba naquilo que não se julgaria possível, ou seja, só “contam”, para o juízo de idoneidade, as práticas ilícitas na atividade de gestão de plataformas eletrónicas. Assim, a contrafação ou imitação e uso ilegal de marca, quando praticado no âmbito de atividade de gestão de plataformas eletrónicas, desqualifica uma empresa e seus gestores, retirando-os do mercado. Mas que critério é este? De onde vem? O que significa? E por que razão só as marcas? E por que não a infração de patentes, de direito de autor, de segredos comerciais e industriais?

»12 – Em suma, no final da legislatura, à pressa, não se percebendo de onde vem esta, vamos ter, na nossa lei, um código “penal” feroz e descontrolado para punir aqueles que deveriam ser os parceiros do Estado;

»13 – Passam-se os anos e continua este flagelo das leis (muito) mal feitas. Basta compulsar os pareceres da CNPD e do TC para se concluir que subsistem erros na avaliação jurídico-constitucional destas normas, ou seja, uma deficiente técnica jurídica que colide com princípios essenciais de direitos, liberdades e garantias, além de práticas não autorizadas de deslegalização;

»14 – Ou seja, não é só o problema da absurda opção de política legislativa sancionatória – é, também, um deficiente exercício técnico do poder legislativo. Tudo isto, como é óbvio, fruto de uma pressa desatada que, aliás, se estende a outros domínios. No final da legislatura, circula, igualmente, nova versão do Código da Publicidade, também ela assaz discutível, uma vez mais, sobretudo, no que tange à técnica jurídica;

»15 – Será esta uma doença incurável da nossa democracia? Legislar muito, mal e à pressa?»





Administração Pública e inovação

2015/05/25

«Newsletter L&I» (n.º 54, 2015-05-25)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«Governo Digital Mobile é destaque em evento regional de tecnologia» [web] [intro]
«Mad Men: o que um publicitário dos anos 1960 ensinou à geração Y?» [web] [intro]
«Modelagem molecular amplia conhecimento sobre a celulose» [web] [intro]
«5 pontos de atenção para suas parcerias de inovação» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

«Comissão Europeia pretende Mercado Único Digital» [web] [intro]
«Clube de cavalheiros elegantes» [web] [intro]
«Concurso de Ideias Empreendedoras da Associação para o Desenvolvimento de Lagares apresentou nove projetos» [web] [intro]
«Reengenharia governamental» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

V Congreso Nacional de Interoperabilidad y Seguridad. CNIS 2015 [web] [intro]
«Colombiano crea plantillas que protegen contra las minas antipersona» [web] [intro]
«“Como dijera Violeta”, un innovador espectáculo de arte circense sin precedentes» [web] [intro]
«El Gurugú, Mejor instalación geotérmica 2014, y otros éxitos de Guadarrama» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«Le programme Surveillance du fleuve reçoit un prix KIRA pour l’innovation dans le secteur public» [web] [intro]
«Une main robot propulse un Niortais au rang d'innovateur» [web] [intro]
«Symposium de l'innovation à Marrakech: Les phosphatiers cherchent les idées de demain» [web] [intro]
«Pas d'innovation sans industrie» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«Public-private innovation hub aims to deliver innovation and growth for Scotland's life sciences industry» [web] [intro]
«MIT lecturer explains 5 key skills that separate innovators from imitators» [web] [intro]
«3 Michigan small businesses compete for national Comcast innovation prize» [web] [intro]
«Advice for startups: There’s always a better way» [web] [intro]

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2015/05/22

«Reengenharia governamental»



Jean Pisani-Ferry, professor na Hertie School of Governance em Berlim e actualmente Comissário-geral para o Planeamento de Políticas no governo francês: Jornal de Negócios. Tradução: Rita Faria, Project Syndicate.



«Desde que a crise financeira eclodiu em 2008, os governos dos países avançados têm estado submetidos a uma grande pressão. Em muitos países, as receitas fiscais caíram abruptamente quando a economia contraiu, os rendimentos diminuíram e as transacções imobiliárias paralisaram. Na maioria dos casos, a queda das receitas fiscais foi súbita, profunda e duradoura. Os governos não tiveram escolha a não ser aumentar os impostos ou adaptar-se ao tempo das vacas magras.

»Em alguns países, a magnitude do choque foi tal que um grande aumento de impostos não foi suficiente para preencher a lacuna. Em Espanha, apesar do aumento de impostos equivalente a mais de 4% do PIB desde 2010, o rácio dos impostos em relação ao PIB foi de apenas 38% em 2014, em comparação com 41% em 2007. Na Grécia, a subida de impostos ascendeu a 13% do PIB durante o mesmo período, mas o rácio aumentou em apenas seis pontos percentuais. Noutros países, foram alcançados os limites políticos para a subida dos impostos antes de a lacuna ser preenchida. Querendo ou não, está a ser dada prioridade aos cortes na despesa.

»A desilusão face ao crescimento futuro aumenta a pressão. A produtividade tem sido geralmente fraca ao longo dos últimos anos, sugerindo que o crescimento nos próximos anos poderá ser mais lento do que o anteriormente esperado. O aumento da receita parece, assim, insuficiente para responder ao crescimento da despesa pública relacionada com o envelhecimento da população, nomeadamente em saúde e pensões.

»Esta é uma crise muito diferente das que ocorreram nas décadas de 1980 e 1990. Naquela altura, a questão principal era política: a legitimidade e a eficiência da despesa pública estavam sob ataque. Nas palavras do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, o governo era o problema, não a solução. O Estado, proclamava-se, tinha que ser reduzido.

»Pelo contrário, as preocupações actuais são económicas. O desacordo entre os partidos sobre a dimensão apropriada do Estado persiste, mas não há uma rejeição geral da intervenção do Estado. Muitas vezes, não são os interesses ou ideologias que tornam os cortes na despesa inevitáveis — mas sim a realidade.

»Como é que os governos podem enfrentar o desafio? O risco que correm é bastante claro: sem uma profunda reengenharia, a despesa inercial — devido aos direitos e salários da função pública — limita os gastos com novas prioridades e novas políticas.

»Os países que foram forçados a realizar os maiores ajustamentos já sacrificaram o investimento público em infra-estruturas. A investigação é outra área em risco. As limitações financeiras também se estendem ao investimento social em programas que dão frutos a longo prazo, tais como a pré-escola. À segurança nacional não é dada a prioridade que merece, apesar das ameaças crescentes. Por último, mas não menos importante, as soluções improvisadas, como o congelamento prolongado de salários, podem, eventualmente, corroer a qualidade dos serviços públicos.

»Felizmente, há certas coisas que os governos podem fazer para mitigar os efeitos da despesa inercial. Para começar, podem sistematizar as avaliações da eficiência do dinheiro público. Na maioria dos países, essas avaliações ainda são escassas e assistemáticas: muitas vezes, os parlamentos promulgam políticas sem saber sem valem a pena em função do seu custo, e pode levar muito tempo até que se ponha fim a políticas ineficazes ou ineficientes. É por isso que a legislação relativa aos programas de despesa deveria compreender cláusulas de caducidade, com extensões sujeitas a uma avaliação independente.

A legislação relativa aos programas de despesa deveria compreender cláusulas de caducidade, com extensões sujeitas a uma avaliação independente.

»Em segundo lugar, a análise das despesas também deveria ser sistematizada. A definição de prioridades — gastar mais em educação e menos em pensões, por exemplo, ou investir em infra-estruturas ou investigação — implica escolhas difíceis que devem ser explicitadas. Num mundo ideal, estas opções seriam o foco dos debates eleitorais e do trabalho parlamentar. Mas por trás de cada rubrica orçamental há um eleitorado que tenta os responsáveis políticos e os leva a fugir das decisões difíceis. É por isso que as análises estruturadas das despesas são úteis: obrigam os políticos a preencherem a lacuna entre os meios e os fins, e incentivam a escolha democrática informada.

»Em terceiro lugar, os governos devem equipar-se com um orçamento de reengenharia. Como as empresas privadas sabem, as transformações — mudanças profundas na forma como as coisas são feitas — muitas vezes custam dinheiro antes de resultarem em poupanças. Isso acontece porque as mudanças exigem investimento em novas tecnologias, reciclagem de funcionários, ou simplesmente a obtenção do consentimento das partes interessadas. O dinheiro reservado no orçamento para essa reengenharia dos programas de governo seria um bom investimento.

»Em quarto lugar, os governos devem promover a inovação do sector público. Ao contrário do preconceito popular, os governos locais e órgãos públicos inovam; o que falta é um mecanismo para seleccionar e disseminar as inovações, da mesma forma que o mercado selecciona novos produtos ou processos de redução de custos. A uma forma melhor de prestar um serviço público pode permanecer desconhecida durante anos. Mas isso pode mudar se os governos adoptarem medidas simples, como a alocação de mais recursos a projectos concretos e à organização de concursos. Por exemplo, as escolas de bairros desfavorecidos deveriam ser autorizadas a apresentar propostas para os fundos para a inovação educacional.

»Por último, mas não menos importante, as pessoas devem ser capacitadas. Os cidadãos querem um Estado mais ágil que adapte as suas operações às necessidades locais. Na era digital, querem novos padrões de velocidade, confiabilidade e personalização. Cada vez mais os cidadãos desafiam a visão convencional de que a eficiência e a igualdade implicam menos escolha individual. E querem que o governo seja transparente, garanta o acesso aos dados, e que torne a sua eficiência e eficácia directamente observáveis.

»Estes são forças poderosas para a mudança, e os governos devem aproveitá-las para porem em marcha o processo de reengenharia que tão urgentemente necessitam. A alternativa é aceitar a deterioração da qualidade dos serviços públicos, que reduzirá a legitimidade do governo e, com isso, a vontade dos cidadãos de pagarem impostos.»





A execução da inovaçao

2015/05/21

«Concurso de Ideias Empreendedoras da Associação para o Desenvolvimento de Lagares apresentou nove projetos»



A VERDADE



«A Associação para o Desenvolvimento de Lagares, enquanto entidade coordenadora do programa Penafiel Social, Contrato Local Desenvolvimento Social +, dinamizou no dia 15 de maio, a apresentação final do concurso de Ideias Empreendedoras, no Auditório da Biblioteca de Penafiel.

»Nesta cerimónia foram apresentados nove projetos inovadores e empreendedores representantes de três estabelecimentos de ensino do concelho e que envolveu centenas de estudantes da Escola Secundária de Penafiel N.º 1, Agrupamento de Escolas de Pinheiro e Agrupamento de Escolas Joaquim de Araújo.

»A iniciativa contou com a colaboração do Centro de Formação de Associação de Escolas de Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel e, teve como objetivo “a educação para o empreendedorismo, para o conhecimento e a inovação, potenciando a criação de ambientes de aprendizagem motivadores, gratificantes e exigentes que, em contextos formais e não formais, promovam melhores aprendizagens em todos os alunos”.

A iniciativa contou com a colaboração do Centro de Formação de Associação de Escolas de Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel e, teve como objetivo “a educação para o empreendedorismo, para o conhecimento e a inovação, potenciando a criação de ambientes de aprendizagem motivadores, gratificantes e exigentes que, em contextos formais e não formais, promovam melhores aprendizagens em todos os alunos”.

»“É essencial, para os nossos jovens, serem empreendedores e dinâmicos, dadas as dificuldades que se encontram na procura de um emprego. As oportunidades e as iniciativas que são propostas pelas escolas devem ser aproveitadas pelos alunos, para que possam tornar-se cada vez mais capazes e bem formados, para entrar no mercado de trabalho”, considerou Susana Oliveira, vice-presidente da Câmara Municipal de Penafiel.

»Rodrigo Lopes, vereador da Educação da Câmara Municipal de Penafiel, destacou que o projeto “está em consonância com uma área muito importante que o município de Penafiel está a apostar. Cada vez mais precisamos de jovens dinâmicos, com iniciativa e que criem novos projetos, para que possam enfrentar o futuro sem medo e com garra, de forma a serem bem-sucedidos”.

»Através destas iniciativas, o CLDS+ Penafiel Social pretendeu “fomentar a apropriação social do espírito empreendedor, criando assim uma cultura de escola empreendedora, e traduzindo-se pela adoção de atitudes e valores culturais favoráveis à capacidade e iniciativa de empreender: sentido de responsabilidade, sentido de risco, espírito de iniciativa e cooperação, sentido de autonomia e autoconfiança”.»





Uma inovação

2015/05/20

«Clube de cavalheiros elegantes»



Catarina Vasques Rito: Notícias Magazine. Fotografia: Paulo Pinto.



«Originalmente, na Inglaterra no século XVIII, era um “homem de bom gosto e apurado sentido estético, que não pertence à nobreza”. O termo teve algumas variações, mas continua a adaptar-se a quem se preocupa muito com a aparência. “Homens janotas em fatos elegantes” também podia ser uma boa definição. Alguns juntaram-se e formaram o Portuguese Dandy’s, o primeiro clube português dirigido aos apreciadores desta estética. A boa notícia? Qualquer pessoa pode ser membro. Desde que seja dandy.

»Queremos promover uma forma de estar, de vestir, de sentir. No fundo, de viver o que de melhor existe em Portugal.” Rui Martins, de 32 anos, gestor de loja, é um dos 13 fundadores do Portuguese Dandy’s. Garante que não se trata de um projeto comercial, não querem ganhar dinheiro e não querem estar associados a marcas. “Queremos apenas pro­mover a troca de ideias em torno deste ideal.”

»A palavra ‘dandy’ tem origem na Inglaterra do sé­culo XVIIIe personifica o homem de bom gosto, com sentido estético, elaborado, sem relação dire­ta à nobreza. Cavalheiro, um pouco leviano, char­moso, pseudointelectual (não é necessariamen­te um homem das letras ou culto, mas pretende sê-lo), esteta, bem falante, apreciador das coisas boas da vida. Entre os dandies que fizeram história, Oscar Wilde (1854-1900) e Lord Byron (1788-1824) estarão entre os mais famosos de todos os tempos. Em comum, independentemente da época e da pro­fissão, estes homens partilhavam o culto da imagem e, em alguns casos, eram inovadores na postura, nos cuidados físicos e de vestuário.

»O século XX foi rico em contrastes. Até ao início da Primeira Guerra Mundial, os homens mantinham gosto e prazer em vestir-se bem e mostrá-lo. Com a Segunda Guerra Mundial a postura diluiu-se por motivos militares e socioeconómicos — passou a ser a mulher, a partir da década de 1950, a cultivar um no­vo estilo com os grandes costureiros franceses.

»Portugal não tem uma cultura reconhecida pe­lo seu inovador ou ousado sentido estético, mas as duas ou três últimas décadas têm demonstrado que os portugueses estão cada vez mais recetivos e atraí­dos pela moda, pela imagem e pelo bem-estar físico. Pro­va disso são as subculturas que voltaram a renascer do anonimato sem preconceitos e pouco preocupa­das com rótulos. Nos últimos anos assistimos a uma nova postura, no masculino, com estilos que vinga­ram e fizeram história no passado, como o punk ou o hippie — os dandies, em que a imagem acaba por ser o ponto forte e a referência, são outro bom exemplo.

Portugal não tem uma cultura reconhecida pe­lo seu inovador ou ousado sentido estético, mas as duas ou três últimas décadas têm demonstrado que os portugueses estão cada vez mais recetivos e atraí­dos pela moda, pela imagem e pelo bem-estar físico

»A ideia de criar o Portuguese Dandy’s, surgiu de conversas que 13 amigos iam tendo sempre que se encontravam. Oriundos de diferentes partes do pa­ís — e até do estrangeiro — e com atividades profissio­nais variadas como gestão de empresas, alfaiataria, moda, música ou fotografia, os fundadores têm em comum o estilo e a nacionalidade portuguesa. Artur Santos (Porto), Amilton Estrela e Tiago Cortez (Al­bufeira), Ricardo Viegas e Farid Sadrudin (Luanda, Angola), Telmo Galeano, Vitor Varela, Paulo Batis­ta, Rui Martins, Cláudio Sousa, Bruno Tiago, Ricar­do Lima Viegas e Marco da Cunha (Lisboa) resolve­ram fundar o clube para ser um espaço de partilha de experiências e de inspiração. “Criámos um site para divulgar o que estamos a fazer como grupo, partilhar sugestões e dicas para se ter este estilo e para promo­ver o bom gosto”, diz o jovem empresário. Homens ou mulheres. “O estilo dandy não é exclusivo dos ho­mens. Gostaríamos muito de ter mulheres a aderir.”

»Os novos dandies e os grupos de homens que se jun­tam em torno de um ideal de estética apurada são um fenómeno global. A inspiração para esta aventura em particular veio de Florença, onde todos os anos decor­re a mais importante feira de marcas masculinas in­ternacionais, a Pitti Uomo. A feira italiana costuma ser palco de lançamento de tendências e ali nascem novas atitudes, como importantes grupos de empre­sários do setor da moda para homem que são já consi­derados referências do estilo masculino. É o caso de Lino Lelucci, italiano, proprietário de uma loja na Via A Scapa, em Milão. “O Lino é uma referência em Itá­lia, amigo de um dos nossos fundadores, o Farid, tam­bém uma presença assídua na Pitti Uomo há alguns anos. Começamos a chamar a atenção. É interessan­te perceber que os senhores do estilo e da moda, os ita­lianos, também estão atentos a países como o nosso e a como nos apresentamos. Estamos a ficar menos cin­zentos e mais seguros.”»





Um inovador

2015/05/19

«Comissão Europeia pretende Mercado Único Digital»



TV Ciência



«Até dezembro de 2016 a Comissão Europeia (CE) pretende, através de dezasseis iniciativas, implementar as bases para a criação de um Mercado Único Digital na Europa.

»A definição de regras harmonizadas para facilitar o comércio eletrónico transfronteiras e a entrega de encomendas mais eficiente e a preços acessíveis são algumas das medidas de ação. Um dos atuais entraves ao comercio on-line é o custo da entrega de encomendas, indica a CE ao referir que 62 % das empresas afirmam ser demasiado elevado.

»O designado ‘bloqueio geográfico’, ou seja, quando o comprador on-line é reencaminhado para sites locais com preços diferentes dos disponíveis em sites localizados em outros estados é considerado uma prática discriminatória. Uma prática que a CE pretende abolir, para um verdadeiro Mercado Único Digital.

»Para permitir um maior acesso on-line a obras em toda a União Europeia, a CE pretende apresentar propostas legislativas até ao fim de 2015 que harmonizem a legislação de direitos de autor em todos os estados membros. Com isso pretende “melhorar o acesso on-line a conteúdos culturais, e assim proteger diversidade cultural, abrir novas oportunidades para criadores e indústria de conteúdos”, é referido em comunicado da CE. Um utilizador deverá aceder a um conteúdo digital como um filme em qualquer parte da União Europeia onde se encontre de forma independentemente do local onde procedeu à compra.

Um utilizador deverá aceder a um conteúdo digital como um filme em qualquer parte da União Europeia onde se encontre de forma independentemente do local onde procedeu à compra.

»Com as iniciativas agora adotadas pela CE, Jean-Claude Juncker, Presidente da Comissão, pretende “ver redes de telecomunicações pan continentais, serviços digitais que atravessem as fronteiras e uma vaga de jovens empresas europeias inovadoras”, refere em comunicado a CE.

»No mesmo comunicado é referido que Jean-Claude Juncker pretende “que todos os consumidores façam as suas compras nas melhores condições possíveis e que todas as empresas possam aceder ao mercado mais vasto possível e onde quer que se encontrem na Europa”.

»De entre as ações a tomar pela CE está a revisão da Diretiva Satélite e Cabo com o objetivo de avaliar a necessidade de alargar o âmbito às transmissões on-line das empresas de radiodifusão e explorar formas de promover o acesso transfronteiro aos serviços das empresas de radiodifusão na Europa.

»O quadro regulamentar dos meios de comunicação social audiovisuais também deverá ser revisto para o adaptar às necessidades do século XXI, considera a CE numa das ações a levar a cabo e de modo a que a Diretiva Serviços de Comunicação Social Audiovisual possa contemplar novos modelos empresariais para a distribuição de conteúdos.

»As plataformas de redes sociais, motores de pesquisa, lojas de aplicações e outras devem ser analisadas pela CE, no que diz respeito à falta de transparência dos resultados das pesquisas e das políticas de fixação de preços, o modo como as plataformas utilizam a informação que adquirem, as relações entre plataformas e fornecedores e a promoção dos seus próprios serviços em detrimento de concorrentes, pode ler-se no comunicado da CE.

»Com as diversas ações a CE pretende um Mercado Único Digital plenamente funcional que estima poder “contribuir com 415 mil milhões de euros por ano para a economia e criar centenas de milhares de novos postos de trabalho”.

»A revisão da Diretiva Privacidade e Comunicações Eletrónicas bem como uma parceria com a indústria sobre cibersegurança no domínio de tecnologias e soluções para a segurança das redes on-line, constam das ações a levar a cabo pela CE para a criação do Mercado Único Digital.

»Outra das iniciativas é sobre a Computação em Nuvem Europeia “abrangendo a certificação dos serviços de computação em nuvem, a mudança de fornecedor de serviços de computação em nuvem e a computação em nuvem da investigação”.

»Mas para que o Mercado Único Digital possa tomar forma a CE dará prioridade a elaboração de normas e interoperabilidade em domínios cruciais como a saúde on-line, a planificação dos transportes ou a da energia.

»A CE pretende poupar “5 mil milhões de euros por ano até 2017” com o lançamento de um novo Plano de Ação para a Administração Pública em on-line que “ligue os registos de sociedades de toda a Europa e garanta que diferentes sistemas nacionais possam comunicar entre si e que as empresas e os cidadãos apenas precisem de comunicar os seus dados uma só vez às administrações públicas”.»





Administração Pública e inovação

2015/05/18

«Newsletter L&I» (n.º 53, 2015-05-18)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«Minas estuda mecanismos para enfrentar concorrência de outros estados» [web] [intro]
«Dez lições que o ex-evangelista da Apple Guy Kawasaki aprendeu com Steve Jobs» [web] [intro]
«Inovação garante longevidade aos transformadores» [web] [intro]
«Inovação e execução: interdependentes» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

O financiamento da inovação na Administração Pública [web] [intro]
«Piratas portugueses à conquista do mundo» [web] [intro]
«Será que a impressora 3D de comida vai ser tão popular quanto o micro-ondas?» [web] [intro]
«ADENORMA recebeu donativo de apoio ao programa 'Semear Saúde, Colher Sorrisos'» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«La situación de I+D+i en España y su evolución desde el comienzo de la crisis» [web] [intro]
«Tareas pendientes en innovación» [web] [intro]
«Geocuba: Innovación, investigación y desarrollo» [web] [intro]
«Innovación Corporativa: Más relato que acción» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

Guide du Crédit Impôt Recherche 2015 [web] [intro]
«Apprendre des grands innovateurs» [web] [intro]
«La science des données: une occasion de réinventer l'économie numérique» [web] [intro]
«L’économie circulaire, une opportunité stratégique» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«New Study Suggests that Rapid Innovation in Semiconductors Provides Hope for Better Economic Times Ahead» [web] [intro]
«China emerges as a global innovator» [web] [intro]
«essDOCS wins Global Finance Innovators Award for CargoDocs BPO+» [web] [intro]
«Bosch CEO Remakes Company Around ‘Internet of Things’» [web] [intro]

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2015/05/15

«ADENORMA recebeu donativo de apoio ao programa 'Semear Saúde, Colher Sorrisos', um projecto desenvolvido no âmbito do Programa Inovação Social Criativa®»



Orlando Drumond: Diário de Notícias



«Realizou-se esta manhã na sede da SAIPEM (Zona Franca Industrial) a cerimónia de entrega de uma doação à ADENORMA – Associação de Desenvolvimento da Costa Norte da Madeira, para apoio do programa 'Semear Saúde, Colher Sorrisos', um projecto desenvolvido no âmbito do Programa Inovação Social Criativa® desenvolvido por esta Instituição Particular de Solidariedade Social.

»Nesta cerimónia estiveram presentes o engenheiro Giuseppe Sofrà, CEO da SAIPEM Portugal, o presidente da Assembleia Geral da ADENORMA Pereira de Gouveia e o presidente da direcção da ADENORMA, Medeiros Gaspar, e os engenheiros Paulo Santos, Luís Ribeiro e Ana Ghira, em representação da Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, bem como Ana Sousa, em representação da Secretaria Regional da Educação, instituições que são parceiras da ADENORMA neste projecto.


Leia mais sobre o programa Semear Saúde, Colher Sorrisos na newsletter DICA, da Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais

»Un secteur en pleine évolution à La Réunion

»Relativamente à natureza do projecto, o mesmo consiste em: Estimular cultivo de sementes para a produção de brotos de várias espécies vegetais para consumo doméstico, com estandardização e posterior comercialização em kit. Promover nas hortas pedagógicas (existentes em 86 escolas da Madeira) a produção e consumo generalizado nas próprias cantinas das escolas e depois na casa de cada aluno (com germinador individual). Catalisar o contributo solidário de várias entidades para a melhor estruturação e sustentabilidade do projecto designadamente: Especialistas em agricultura biológica, para a adaptação a esta prática das técnicas de produção das plantas para obtenção das sementes; e as Eco-escolas, integrando a actividade de produção de plantas para a obtenção de sementes como um projecto educativo complementar para os alunos.

»Na sua implementação efectiva, será disponibilizado aos alunos abrangidos pelo projecto, um Kit que inclui um germinador — Germinador Sorrisos —, um manual de utilização e duas embalagens de sementes que permitem quatro germinações.

»De referir ainda que esta doação se insere na política de responsabilidade social da empresa, assumida como atitude empresarial de referência pela SAIPEM.»





A execução da inovaçao

2015/05/14

«Será que a impressora 3D de comida vai ser tão popular quanto o micro-ondas?»



TEK SAPO



«Daqui a dez anos o mundo estará diferente. E a sua cozinha também. Um dos primeiros indícios disso são as impressora de alimentos. Pode parecer um utensílio de outro mundo, mas para os participantes na conferência 3D Food Printing é o futuro.

»Embora seja mais frequente falar da tecnologia que guardamos no escritório ou nos bolsos, não há nenhuma divisão em casa que consiga vencer a cozinha quando o assunto são os utensílios à disposição. Desde os instrumentos que cumprem as tarefas mais simples às mais complicadas.

»Se falarmos em cozinhas modernas, recuando 50 anos, depressa chegamos ao aparecimento do micro-ondas. Avançamos para o período atual e a inovação está nos robots multifunções e se pularmos até 2025 o protagonismo será das impressoras de comida em 3D.

»Ainda pode soar um pouco a ficção científica, mas os presentes na primeira Conferência 3D Food Printing, na Holanda, acreditam que estas impressoras vão fazer parte das cozinhas do futuro. Na conferência foram divulgadas as últimas e mais inovadoras novidades da área, incluindo as da empresa holandesa ByFlow, que consegue criar caviar a partir de gelatina de fruta.

»“Vamos voltar ao tempo em que os micro-ondas chegaram às cozinhas e as pessoas diziam que não iam aquecer a comida no micro-ondas porque não compreendiam o seu funcionamento. Esta é uma tecnologia diferente mas com o mesmo conceito. Assim que as pessoas aceitarem mentalmente este conceito na cozinha vão começar a imprimir a comida”, afirmou Marcio Barrades, responsável de vendas da ByFlow.

Vamos voltar ao tempo em que os micro-ondas chegaram às cozinhas e as pessoas diziam que não iam aquecer a comida no micro-ondas porque não compreendiam o seu funcionamento. Esta é uma tecnologia diferente mas com o mesmo conceito. Assim que as pessoas aceitarem mentalmente este conceito na cozinha vão começar a imprimir a comida.

»Embora ainda não se saiba quando a impressora chegará ao mercado sabe-se que é multifunções, ultraportátil e que utiliza a tecnologia de modelagem por deposição de material fundido (FDM). E, para além disso, terá espaço para inserir um cartão SD.


»Do tablet e do smartphone para o prato

»A start-up alemã Print2Taste, também apresentou no colóquio o seu mais recente conceito de plug and play. O utilizador desenha uma forma simples, num tablet ou smarphone, que é depois impressa utilizando uma substância de gelatina doce. O resultado, dizem os investigadores, vai além de um produto com aspeto atrativo pois poderá ser adaptado às necessidades alimentares de cada um.

»“Depende sempre da pessoa, por isso é que é personalizado”, disse Melanie Senger, criadora do conceito da Print2Taste. “Se alguém tiver falta de vitamina D pode adicionar um pouco, se alguém tiver outra deficiência, de um outro nutriente que não esteja a ingerir, pode adicionar um pouco de energia na forma de proteínas ou de gordura”.

»Ao contrário de outras impressoras de comida, esta start-up planeia vender tanto a impressora, a que chamou Bocusini, como um kit que transforme uma impressora 3D normal numa impressora de comida. E para garantir condições para desenvolver o projeto vai procurar financiamento através do Kickstarter a partir de 12 de maio.

»Embora a indústria de impressão de comida em 3D esteja apenas a nascer estão em curso vários testes e provas feitos por empresas e empreendedores que não imaginam as cozinhas do futuro sem este tipo de equipamentos. Será que, em 2025, se terão tornado tão populares quanto o micro-ondas?»





Uma inovação

2015/05/13

«Piratas portugueses à conquista do mundo»



Alexandra Prado Coelho: Público



«“Neste momento estamos em 18 países e 31 cidades e dos nossos programas saíram já 90 startups com projectos vivos”, diz Inês Santos Silva, co-fundadora juntamente com Rafael Pires e Daniela Monteiro (da equipa actual faz também parte Ana Almeida; os outros dois co-fundadores, Ariana Brás e João Oliveira, já não estão com a Startup Pirates).

»No meio de tantos países e cidades, é em Braga que os vamos encontrar. Num antigo quartel da GNR transformado desde há cerca de um ano em incubadora de projectos, Inês, Rafael, Daniela e Ana estão a ajudar a equipa da Young Minho Enterprise (YME) a organizar a terceira edição da Startup Pirates de Braga.

»E o que é a YME? Sandra Mesquita, a tirar o mestrado em Economia Monetária, Bancária e Financeira, e Cristina Ferreira, no 2.º ano do curso de Economia, explicam-nos que é uma empresa júnior da Universidade do Minho formada por cerca de 20 estudantes de diferentes anos e que trabalham aqui voluntariamente. “É uma forma de ganharmos soft skills para nos prepararmos para o mercado de trabalho, organizando eventos, contactando com patrocinadores, convidando oradores.”

»Inês conta que também ela fez parte de uma empresa júnior quando estava na faculdade. “É uma experiência muito exigente. Temos de lidar com empresas de grande dimensão, o que nos obriga a crescer.” Aqui, o que Sandra e Cristina fazem é organizar a semana de trabalho que junta os dez participantes nesta edição da Startup Pirates que vamos conhecer depois da pausa para almoço — a eles e às ideias que estão a trabalhar (a Revista 2 visitou-os no 4.º dia de trabalhos), na esperança de que se transformem em projectos viáveis. Podem também inscrever-se no programa “navegadores solitários, sem uma ideia mas com vontade de aprender”.

»O programa consta de oito dias de horário intenso divididos em sessões de team building, workshops dados por empresários, trabalho de grupo para desenvolver uma ideia (é escolhida apenas uma ideia por equipa de trabalho), sessões com mentores que vão criticar e orientar esse trabalho, encontros com a comunidade local para eventuais contactos, apresentação pública dos projectos e palestras de empresários sobre a sua experiência pessoal no mundo dos negócios.

»Começamos precisamente por assistir a uma dessas palestras, de meia hora, com conselhos para quem sonha com o sucesso. Pedro Fraga é empresário (fundador da empresa de tecnologias da informação F3M), mentor e business angel, o que significa que apoia projectos de startups em que acredita. E está aqui para “partilhar algumas lições” que aprendeu neste mundo dos negócios.

»Por exemplo: criar uma empresa com um amigo e achar que não é preciso definir regras “é o caldo certo para as coisas correrem mal”. Quando se trata do mundo empresarial, “um amor e uma cabana não existe”, afirma. Durante a meia hora seguinte, perante uma audiência atenta, Pedro Fraga vai resumindo, de forma descontraída, aqueles que na sua opinião devem ser os princípios básicos do empresário: “Nunca pensem que são as pessoas que mais trabalham no mundo — há sempre quem trabalhe mais do que nós. Não olhem para a vossa empresa como o vosso bebé — vão morrer agarrados a ela. Contratem apenas pessoas melhores do que vocês. Ninguém é insubstituível. Persistência é uma coisa, teimosia é outra.” Etc, etc.

Quando se trata do mundo empresarial, “um amor e uma cabana não existe”, afirma Pedro Fraga, empresário e fundador da empresa de tecnologias da informação F3M

»Terminada a palestra, os participantes, organizados em três equipas, regressam às suas mesas de trabalho. Em cima de cada uma está um Business Model Canvas, uma ferramenta criada por um dos gurus do empreendedorismo, Alexander Osterwalder — na prática, uma folha de papel dividida em nove espaços, cada um com várias perguntas. Por exemplo, no quadradinho dedicado aos clientes: para quem é que estamos a criar valor? Quem são os nossos clientes mais importantes? Ao lado surgem, implacáveis, outras perguntas sobre canais de distribuição, potenciais parceiros de negócio, estrutura de custos. Em cima de cada quadrado vão-se somando post-its com tentativas de respostas.

»“Um dos objectivos da nossa metodologia é mostrar que, se tivermos de falhar, é melhor falharmos o mais cedo possível”, explica Rafael da Startup Pirates. Inês acrescenta: “Não queremos que as pessoas estejam fechadas numa garagem durante dois anos a desenvolver um produto, sem falarem com ninguém, e quando chegam ao mercado percebam que aquilo não é preciso para nada. Nessa altura já perderam dois anos. E isso é mais comum do que se pensa.”

»Um dos grupos de participantes já aprendeu essa lição. Jorge, Cecília e Filipe tinham como projecto a criação de uma app. Como em todos os projectos, a primeira pergunta a que tinham de responder era: qual o problema que o vosso produto se propõe resolver? “O problema da indecisão quando é preciso escolher um sítio onde ir à noite beber um copo, seja um bar, uma discoteca…”, explica Jorge. “A ideia era que a aplicação gerasse uma escolha ou um roteiro, dando informação e eventualmente uma panorâmica do local, que podia ser partilhada entre os amigos, funcionando como uma rede social.”

»Mas uma sessão com um dos mentores convidados pelos Startup Pirates revelou-se um balde de água fria. “Nós pensávamos que seria uma novidade, mas [o mentor] disse-nos que o mercado está saturado deste tipo de aplicações, por isso estamos a reformular a ideia”, continua Jorge. O Business Model Canvas está aberto à frente deles, cheio de post-its coloridos, mas neste momento não serve de muito porque os três ainda não encontraram a melhor saída para o projecto que terão de apresentar no último dia perante um júri que irá avaliar todos os trabalhos — e premiar um.

»Isso não significa que tenham desanimado. Pelo contrário, estão a encarar as dificuldades como uma parte do processo que os irá preparar para o mundo das startups. “Deixei um emprego seguro para me dedicar a isto”, conta Cecília. “Queria fazer este teste. É a primeira vez na minha vida que estou sem emprego. Mas, com 32 anos, achei que estava na altura ideal. Tinha muita vontade de ser empresária.” Confessa que chegou ao workshop achando que “tinha um projecto já consolidado”, mas as perguntas dos dois colegas (que conheceu aqui mas de quem já se sente amiga) abalaram-lhe as convicções. “O que foi óptimo para mim”, garante. “Às vezes choramos, às vezes rimos, mas pela primeira vez estou a viver ‘à séria’.”

Jorge chegou ao workshop achando que “tinha um projecto já consolidado” pela criação de uma app, mas as perguntas dos dois colegas abalaram-lhe as convicções.

»Na mesa ao lado, outro grupo de três participantes também está a enfrentar algumas dificuldades, mas poderá já ter encontrado forma de “dar a volta” ao projecto que têm em mãos. André, Hugo e Rodrigo também não se conheciam. Cada um chegou com uma ideia, mas como aqui o objectivo é que trabalhem em conjunto centraram-se numa delas: criar uma aplicação (sim, muitos dos projectos de startups são para criar aplicações) que ajude as pessoas a poupar.

»Também neste caso os mentores fizeram as perguntas difíceis e o projecto tremeu. “Aconselharam-nos a pensar numa solução com pouco cariz tecnológico”, resume Hugo. E, de uma aplicação para dispositivos móveis, a ideia passou para mealheiros físicos, talvez com a forma do objectivo de poupança de cada um (um avião para uma viagem, por exemplo). Mas será que as pessoas querem mesmo ajuda para poupar? “A fase seguinte é irmos para a rua e começarmos a perguntar. Não será uma amostra representativa, mas dá para ter uma ideia.”

»Chegamos, por fim, à mesa do terceiro e último grupo, onde se discute uma proposta que não é tecnológica: Joana quer recuperar receitas antigas de doces regionais e “reintroduzi-los em Braga”. A parte de investigação das receitas já foi feita e os doces já foram testados. É altura de perceber como pode passar à prática e para isso está a trabalhar com o Carlos, a Sílvia e o Delmar, que conheceu aqui.

»Até hoje, os Startup Pirates já organizaram perto de 50 programas como este. No site da empresa, um mapa do mundo mostra como os “piratas” se têm vindo a espalhar — Europa, Norte de África, mas também América do Sul e até Ásia, onde já organizaram programas no Paquistão. O modelo que criaram é replicável e por isso são contactados por grupos nestes países que querem aplicá-lo num regime de franchising.

»“Hoje trabalhamos desde o Paquistão ao Peru e os países não são assim tão diferentes”, constata Inês. “No Brasil, temos visto um grande entusiasmo pela área do empreendedorismo e uma grande vontade de fazer acontecer. No Leste, Roménia, Hungria, Eslováquia, Polónia, também há muito entusiasmo. Depois há alguns pólos, como Paris, onde há grandes players, Londres, Berlim. No Paquistão, por exemplo, temos duas startups que nasceram do nosso programa. Isto é uma linguagem global. Se eu fizer uma skype call com alguém na Argélia, no Peru ou no Paquistão, todos temos acesso ao mesmo conhecimento, lemos os mesmos blogues, seguimos as mesmas pessoas no Twitter, há uma cultura global de empreendedorismo.”

»E como é que tudo começou? “Quando começámos a pensar nisto, em 2010, 2011, a realidade do empreendedorismo em Portugal era praticamente inexistente”, explica Inês. “Uma das razões que nos levaram a tomar esta iniciativa foi a nossa insatisfação com a ausência desta temática no ensino”, intervém Rafael. “Sentíamos que nas universidades não era dada a devida importância ao empreendedorismo e que se continuava a pensar que o normal era uma pessoa tirar o curso e entrar numa grande empresa. Não defendemos que todos devemos ser empreendedores, mas há uma atitude que, essa sim, todos podemos cultivar. E muitas das ferramentas e metodologias que usamos no nosso programa ajudam também a trazer inovação para dentro de empresas que já existem.”

»Desde o nascimento dos Pirates, em 2011, até hoje, muita coisa mudou. Inês: “De repente, Portugal deu um salto gigantesco nesta área. Todos os dias nos jornais, nas televisões, fala-se em empreendedorismo, incubadoras, investimentos.” A crise teve aí um papel, claro. “Em 2007/8 tornou-se mais barato criar empresas, passou a haver mais ferramentas disponíveis e muitas delas gratuitas. Apercebemo-nos de que as grandes empresas não estavam a criar emprego e por isso era preciso olhar para outro lado.” O Governo também apostou na área, as universidades começaram a estar mais atentas e a sociedade civil envolveu-se.

Em 2007/8 tornou-se mais barato criar empresas, passou a haver mais ferramentas disponíveis e muitas delas gratuitas. Apercebemo-nos de que as grandes empresas não estavam a criar emprego e por isso era preciso olhar para outro lado.

»E a ideia de empreendedorismo tornou-se até espectáculo televisivo, com um programa como o Shark Tank (em Portugal na SIC), no qual cinco “tubarões” (leia-se empresários de sucesso) “vivem numa procura constante de novos negócios em busca do melhor que os empreendedores portugueses têm para oferecer”, como resume o texto de apresentação, que não esconde a aposta no dramatismo, avisando que “eles são duros nas negociações, mas dão-lhe a possibilidade de vir a realizar o sonho da sua vida”.

»E não há o risco de tudo isto, de repente, parecer demasiado fácil e de todos sonharem ser o próximo Steve Jobs ou criar a próximo Facebook?

»“Tentamos explicar que o programa da Startup Pirates é sobretudo uma experiência: as pessoas podem entrar sem conhecer ninguém e sair dali com uma empresa”, diz Inês. “Podem avançar rapidamente com as suas ideias e ir buscar financiamento de forma mais fácil. Ou então simplesmente perceber que a ideia não tem pernas para andar. Para nós, isso não é falhar mas sim aprender a não gastar dinheiro numa coisa que ninguém vai querer. É uma experiência muito intensa, das nove da manhã às vezes até às dez da noite ou mais. E também muito emotiva, porque as pessoas estão muito ligadas às ideias que trazem. Há quem esteja seis meses a trabalhar numa ideia e depois perceba que afinal ela não pode arrancar. Às vezes há choro, as emoções estão ao rubro.”

»Rafael fala em diferentes fases: “Normalmente na primeira sessão de mentoria há um choque com a realidade porque os mentores começam a fazer perguntas difíceis, para as quais as pessoas não estavam preparadas e começam a aperceber-se de que a ideia não estava tão sólida como imaginavam ou que não resolve nenhum problema. Há um momento de depressão, mas na sessão seguinte há um momento de crescimento e nós notamos isso.”

»Fundamental no processo de desenvolver uma ideia é saber comunicá-la — e aprender a fazer um bom pitch (apresentação) de forma muito rápida e eficaz é uma das ferramentas que o programa oferece. “A comunicação pesa mais do que queremos admitir”, alerta Inês. “Se temos à nossa frente um investidor e não conseguimos traduzir o potencial da nossa ideia, perdemos a oportunidade do investimento”, sublinha, por seu lado, Rafael.

»Há, nisto tudo, um número que convém não esquecer, mesmo quando as coisas parecem estar a correr bem: “90% das startups falham”, lembram os “piratas”. “A maior parte morre à nascença, em três a seis meses.” Houve uma altura em que “era uma moda”, recorda Inês. “As pessoas tinham uma ideia na segunda-feira, criavam uma página de Facebook na terça e na quarta já acabava tudo porque afinal não dava. Houve uma grande excitação em Portugal nessa área. Agora já estamos numa fase em que as pessoas perceberam que ser empreendedor não é para todos.”

As pessoas tinham uma ideia na segunda-feira, criavam uma página de Facebook na terça e na quarta já acabava tudo porque afinal não dava. Houve uma grande excitação em Portugal nessa área. Agora já estamos numa fase em que as pessoas perceberam que ser empreendedor não é para todos.

Vale a pena regressar aqui a um dos conselhos deixados por Pedro Fraga no workshop: “Se forem muito bons, podem ter o mundo aos vossos pés. Se se convencerem demasiado cedo de que são muito bons, podem ir pelo cano. Só os projectos muito extraordinários é que vão vingar.”

»E quando é que uma startup deixa de o ser? “Segundo a nossa definição, uma startup é uma empresa de base tecnológica que está à procura de um modelo de negócio que seja replicável e escalável. Se o modelo de negócio já está bem definido, já não é uma startup”, explicam Inês e Rafael. A isto soma-se um lado de risco e um lado de inovação. Piratas, portanto?

»Curiosamente, os novos empreendedores são mesmo por vezes comparados aos piratas. É o que faz Jean-Philippe Vergne da Ivey Business School da Universidade de Ontario, nos Estados Unidos, onde dá o curso Lessons From the Dark Side of Capitalism: How Pirates Help to Shape New Industry (Lições sobre o Lado Obscuro do Capitalismo: Como É Que os Piratas Ajudam a Moldar a Nova Indústria). Vergne explica que muitas vezes é do lado dos piratas — e estamos a falar de ideias inovadoras e, eventualmente, ilegais — que surgem as mudanças.

»Sem fazer julgamentos morais, o que Vergne defende, como explica um artigo de Daina Lawrence no The Globe and Mail, é que os piratas “têm uma função económica porque podem reorganizar ou desmantelar monopólios e deslocar regras governamentais que por vezes já estão ultrapassadas”. O mesmo artigo cita como exemplos bem sucedidos (apesar das questões legais que têm enfrentado por todo o mundo) empresas com o serviço de transporte alternativo aos táxis Uber, ou o Airbnb, de aluguer de casas — ambos colocam em risco negócios mais do que estabelecidos como os táxis (em Portugal, a Uber acaba de ser proibida por decisão judicial) ou a hotelaria, mas inovam e conquistam um número crescente de clientes.

»Estes exemplos têm, obviamente, uma imensa influência. Um outro artigo, de Geoffrey A. Fowler no The Wall Street Journal, intitulado “Agora há um Uber para tudo”, descreve a febre de apps que se apoderou (neste caso) de São Francisco, onde o autor vive. Há aplicações para tudo desde entrega de flores, a massagens ao domicílio, passando por serviços de lavagem de roupa, médicos, compra de álcool (ou marijuana para fins médicos), pôr cartas no correio ou estacionar-nos o carro.

»Pode haver um Uber para tudo, mas não há certamente espaço para todas as aplicações saídas da imaginação de todos os potenciais empreendedores no mundo. Há uma (muito grande) selecção natural. Provavelmente vai continuar a haver piratas (e, aqui e ali, surgirá um Jack Sparrow, único e inimitável) e vai continuar a haver muita gente a sonhar ser pirata. Alguns vão fazer-se ao mar e conseguir — a Startup Pirates é um bom exemplo. Os outros… bem, os outros vão mesmo ter de se juntar à Marinha.»





Um inovador