2013/09/27

«Muitos empreendedores abandonam as empresas onde trabalham para criarem o próprio negócio, porque ninguém acredita neles»


«Qualquer CEO nos poderá dizer que encontrar ideias nem sempre é o problema. A verdadeira questão é selecionar e espalhar as melhores, testá-las rapidamente e executá-las sem falhas. Um “motor de inovação” é a capacidade de uma organização de pensar e investir em oportunidades a longo prazo, aliada à competência de promover, todos os anos, a continuidade da inovação.

»Para construir um motor de inovação, a sua empresa deve especializar-se em operacionalizar as ideias dos seus empregados enérgicos e desejosos de fazer tudo para combater a resistência interna sem criar o caos. Eis o seu banco de inovadores corporativos: os seus “intra-empreendedores”.


»Leia também: O livro que ensina a ser empreendedor.

»Estes intra-empreendedores naturais já existem na sua empresa. A alguns, conhece-os, mas a maioria estão escondidos. Estes indivíduos nem sempre são os seus melhores talentos, nem os rebeldes ou originais óbvios. Mas são únicos e certamente o oposto dos “homens da organização”. Quando os descobre e lhes dá o apoio certo, a magia acontece.

»Os intra-empreendedores podem tornar uma organização mais rápida e eficientemente que outros, porque são livres-pensadores auto-motivados, mestres em contornar a inércia burocrática e política.

»Descobrimos que numa empresa com 5000 empregados, existem pelo menos 250 inovadores naturais; destes, pelo menos 25 são grandes intra-empreendedores que podem construir o próximo negócio da sua empresa.


»Liderança Falhada

»Muitos líderes seniores, surpreendentemente, receiam promover o pensamento fora da caixa, por medo de perderem os seus melhores empregados para o sucesso e em seguida para a concorrência; este é um sinal seguro de liderança falhada.

»Tomas Chamorro‐Premuzic defende que 70% dos empreendedores bem-sucedidos tiveram a sua ideia de negócio enquanto trabalhavam num emprego anterior. Estes indivíduos talentosos bateram com a porta porque não existia um processo de intra-empreendedorismo onde pudessem lançar as suas ideias e os seus patrões eram insuportáveis. Descobrimos que as pessoas inteligentes saem das empresas para começarem os seus próprios negócios porque as empresas não acreditam no intra-empreendedorismo como uma ferramenta crítica para o crescimento.


»Intra-Empreendedores de Sucesso

»Com base no nosso trabalho com as corporações, descobrimos seis padrões de intra-empreendedores bem-sucedidos:


»Padrão 1: O dinheiro não é a medida. A motivação inicial para os intra-empreendedores é a influência com liberdade. Querem ser justamente recompensados mas, para eles, o dinheiro não é o ponto de partida. As recompensas são uma avaliação de como se estão a sair no jogo do intra-empreendedorismo.


»Padrão 2: Análise Estratégica. Os intra-empreendedores estão sempre a pensar no que vem a seguir, têm um pé no futuro. Estes agentes de mudança apaixonados são extremamente dedicados, muito clara e visivelmente consistentes no seu trabalho e nas suas interações. Não ficam sentados à espera que o mundo mude: percebem que parte do mundo está prestes a mudar e chegam mesmo a tempo de influenciar as novas perspetivas. Para eles, aprender é tão necessário como o oxigénio.


»Padrão 3: Semear em Estufa. Os intra-empreendedores costumam contemplar a semente de uma ideia ao longo de dias e semanas, entre telefonemas, reuniões e conversas. À medida que lhe lançam mais luz, a ideia torna-se mais clara mas ainda não é o momento de a partilharem. Sabem que os outros podem ignorá-la, sendo incapazes de a apreciar devidamente — por isso cuidam das ideias na sua estufa, protegendo-as durante algum tempo de potenciais detratores.


»Padrão 4: Pensamento Visual. O pensamento visual é uma combinação de brainstorming, mapas conceptuais e design thinking. Só depois de um insight excitante é que os intra-empreendedores parecem capazes de formular e visualizar uma série de soluções na sua cabeça — raramente formulam apenas uma. Não agem impulsivamente sobre uma solução, conscientes da necessidade de respeitar a fase de descoberta da nova solução, dando-lhe tempo para se desenvolver e cristalizar.


»Padrão 5: Dar a Volta. Dar a volta é fazer uma mudança significativa e frequentemente corajosa na direção estratégica atual. Parece assustador e incompreensível para a maioria das organizações maduras, embora seja muitas vezes o que é necessário para ressuscitar uma empresa moribunda.

»Por exemplo, Steve Jobs deu a volta à Apple, que passou de uma empresa de computadores vocacionados para a educação e o lazer a uma empresa de electrónica de consumo. A Wipro, da Índia, deixou de ser um pequeno fabricante de óleo vegetal e tornou-se um centro nevrálgico de subcontratação de software. Tony Hsieh, CEO da Zappos, deu a volta à empresa, que deixou de vender apenas sapatos para se tornar uma empresa online de serviço ao cliente. (Em 2009, a Amazon comprou a Zappos por 1,2 mil milhões de dólares.) Com Jeff Bezos, a Amazon deixou de ser o maior centro comercial online do mundo a vender as coisas de outras pessoas para vender o seu próprio hardware—o Kindle. Esta estratégia tem sido muito recompensada — neste momento, a Amazon é proprietária de cerca de 60% do mercado de e-readers, e o seu valor de capitalização de mercado é superior a 100 mil milhões de dólares.


»Padrão 6: Autenticidade e Integridade. Os intra-empreendedores que estudámos apresentam como características fundamentais a confiança e a humildade, e não os típicos comportamentos inconformistas frequentemente associados aos inovadores corporativos de sucesso. Todos eles, no entanto, transpiram um elevado conhecimento de si mesmos e um forte propósito.


»Poderá iniciar uma conversa sobre este tema a nível sénior respondendo às seguintes perguntas sobre a construção de um banco de intra-empreendedores:

»Qual é a definição da sua organização de intra-empreendedor corporativo?

»Como é que alguém se torna um intra-empreendedor bem-sucedido? Como pode encontrar intra-empreendedores dentro e fora da sua empresa?

»Quais são os métodos e táticas para desenvolver pessoas e empresas intra-empreendedoras? Como pode a sua organização estabelecê-los para alimentar os seus intra-empreendedores?

»As empresas de sucesso e possuidoras dos seus próprios motores de inovação sabem como encontrar, desenvolver e reter os intra-empreendedores. Para vencer a concorrência, promovem e alimentam um pequeno ambiente de start‐up no interior de uma grande estrutura organizacional, onde apoiam a experimentação contínua com o propósito de encontrar o próximo grande negócio.»



»Vijay Govindarajan é professor de negócios internacionais na Truck School of Business e é co-autor do livro Reverse Innovation.

»Jatin Desai é co-fundador e diretor executivo do The Desai Group e autor do livro The Innovation Engine: Driving Execution for Breakthrough Results



Dinheiro Vivo











2013/09/18

«Cabeceiras de Basto: Joaquim Barreto inaugura unidade fabril de Jóia Calçado»


«Cabeceiras de Basto acaba de inaugurar uma nova unidade fabril de calçado, que já entrou em funcionamento há um ano. A cerimónia foi presidida por Joaquim Barreto, presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, que, na ocasião, se congratulou com a concretização do projecto no concelho, “que tem vindo a apresentar resultados positivos e tem acrescentado valor à terra, outrora dominada pelo sector primário, mas que agora assiste ao desenvolvimento de outros sectores como o industrial”.

»O autarca frisou ainda que além do apoio que é prestado àqueles que querem continuar a apostar na agricultura - sector identitário das terras cabeceirenses - “também se procura simultaneamente dotar o concelho de outras respostas capazes de gerar dinâmicas empresariais e económicas, tais como a criação de várias zonas industriais em diferentes locais do território, criando bolsas de desenvolvimento, aproximando-as das pessoas e assim garantindo a sua fixação, procurando que o progresso se faça de forma integrada e sustentada”.

»O autarca lembrou ainda “as várias medidas que têm sido lançadas pelo executivo municipal tendo em vista incentivar o investimento seja através da aquisição de terrenos, seja através do apoio aos jovens, potenciais empresários”.

»Luís Sá, o director geral da unidade fabril ‘Jóia Calçado’, agradeceu a colaboração de todas as entidades, “nomeadamente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto”, que ajudaram a concretizar o projecto.

»Na oportunidade falou também da “competitividade” como um “importante factor para o desenvolvimento do sector empresarial nesta aldeia global em que vivemos e que deve assentar na excelência da prestação de serviços e na inovação tendo em vista garantir a qualidade do produto”.

»Refira-se que esta empresa de calçado investiu nesta unidade cerca de um milhão e duzentos mil euros em maquinaria industrial, procurando aumentar a produtividade e a redução de custos”.»



Correio do Minho

Logotipo no site web da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras (ESTGF)

Imagem da Câmara Cabeceiras de Basto em Facebook






2013/09/10

«Cavaco enaltece qualidade e competência de arquitectos portugueses na cerimónia de entrega do Prémio Aga Khan para a Arquitetura, em Lisboa»


«“A qualidade e a competência dos arquitetos portugueses, reconhecidos pela atribuição de prestigiados prémios, têm vindo a projetar a sua obra na esfera internacional. O seu trabalho representa não apenas um contributo importante para a vivência do quotidiano da nossa sociedade, mas também um meio de promoção e afirmação do património cultural português no exterior do País”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa intervenção na cerimónia de entrega do Prémio Aga Khan para a Arquitetura, em Lisboa.

»Destacando o “panorama arquitetónico singular” português, Cavaco Silva fez referência ao investimento que tem sido feito na recuperação e revalorização do património, procurando-se novas formas de sustentabilidade e funcionalidade.

»Paralelamente, acrescentou, Portugal tem “provas dadas na capacidade de criar uma linguagem arquitetónica contemporânea de referência”.

»No seu discurso, o Presidente da República deixou ainda uma palavra sobre a Fundação Aga Khan, sublinhando a missão assumida em várias partes do mundo de incentivar e apoiar a preservação do património, bem como “o seu vasto trabalho de revitalização social, económica e cultural”.

»Relativamente ao Prémio Aga Khan, que foi hoje atribuído a cinco projetos localizados no Sudão, Palestina, Marrocos, Irão e Áustria, que vão partilhar um milhão de dólares (770 mil euros), Cavaco Silva notou que a distinção constitui “um eloquente exemplo do compromisso da Rede Aga Khan para com o desenvolvimento humano, nas suas diversas vertentes”.

»“O Prémio identifica e reconhece o esforço e o talento de variadas escalas e geografias, constituindo um estímulo precioso para a conceção de obras de excelência que contribuem para uma melhoria das condições de vida das comunidades em que se inserem e que valorizam a identidade e a tradição, mas também a inovação e criatividade”, disse.

»O Presidente da República fez igualmente referência à “honra” que é receber em Portugal a cerimónia de entrega deste “prémio de mérito excecional”.

»“Trata-se, antes de mais, e permitam-me que o refira, do reconhecimento da capacidade de Portugal como anfitrião de grandes iniciativas, não apenas numa perspetiva estritamente turística, mas também do ponto de vista da organização de eventos internacionais de referência”, sustentou.

»Os projetos vencedores do Prémio Aga Khan 2013 para a arquitetura foram: o Centro de Cirurgia Cardíaca Salam, em Cartum, no Sudão, a revitalização do centro histórico de Birzeit, na Palestina, o projeto urbano de infraestrutura da Ponte Hassan II, em Marrocos, a reabilitação do Bazar de Tabriz, no Irão, e o Cemitério Islâmico em Altach, na Áustria.»



Notícias ao Minuto, Lusa

Imagem: euronews








2013/09/06

António Nóbrega: «O novo poder»



«O nosso destino, os êxitos, os fracassos, as rotinas ou a simples forma como utilizamos o nosso tempo nos dias que passam por nós, estão condicionados ao poder de um limitado grupo de indivíduos... São contemporâneos nossos que detêm, utilizam ou manifestam e exercem a sua vontade individualmente, em pequenos ou extensos grupos.

»Utilizam assim, discricionariamente o “poder” que o sistema, que pomposamente chamamos de “democracia”, lhes atribui.

»A nossa existência estará assim irremediavelmente depositada na vontade, na vocação, na competência – ou incompetência – e até na vocação ou talento dos senhores do poder.

»Estes grupos que, literalmente, gerem as nossas vidas, não se resumem, afinal, ao leque de governantes, de autarcas, de responsáveis ou dirigentes...

»Na penumbra, muitas outras estruturas mais ou menos organizadas de indivíduos coordenam corporações, instituições ou simples interesses transparentes ou não, abertos ou inacessíveis mas manuseiam as redes de influência, ou seja, os verdadeiros “cordeis” do poder.

»Controlam os “media”, os responsáveis pelos círculos de influência mais próximos da população, regulam o poder financeiro, condicionam o poder judicial e os sectores estratégicos da sociedade (água, energia, saúde, transportes, economia...) quando os governantes não sabem como gerir... ou não pretendem agir...(praticamente, sempre).

»Podem ter a certeza que administram a toda a produção e até o consumo... consumimos o que nos é destinado consumir.

»Alguns trocam habilidosamente de lugares estratégicos mantendo o círculo restrito quanto às decisões estruturais.

»Esporadicamente, quando o interesse ( seu) privado ou particular é influenciado, exibe-se estrondosamente a defesa da “causa pública”... virtual, claro está.

»Mas na nova sociedade, a transparência, a honestidade e a competência impõem-se por força das circunstâncias e torna-se irreversível.

»Não é possível de forma alguma, manter a sociedade no sistema deturpado de democracia em que se arrasta nas últimas décadas. Não há forma de disfarçar a evidência...

»Agora, quer queiramos ou não, chegou o tempo do “novo poder”... o tempo em que qualquer projecto de iniciativa pública ( política ou não) , mesmo os que servem de bandeira às promessas eleitorais, só pode ser apresentados à sociedade de forma transparente, honesta, concreta e objectiva.

»O projecto na sua essência, os objectivos e resultados pretendidos, a forma de o concretizar, as fases e metas a alcançar, o financiamento – (ainda que futuro, pois a crise não nos impede de raciocinar, de projectar e de agir), devem surgir perante a sociedade de forma simples, clara transparente e realista, sobretudo honesta.

»Os grupos de cidadãos isentos e independentes que acompanharão directamente a execução do projecto deverão ser claramente identificados e prestar, periodicamente, informações e contas às entidades reguladoras (não às que só consomem...) mas também à sociedade que os financia.

»Já não é possível manter uma sociedade justa, equilibrada, moderna e progressiva, sustentada como até agora, na demagogia, no obscurantismo, na defesa de interesses privados de alguns dos titulares do poder, no exercício constante do compadrio e da influência. Só a gestão pela competência trará estabilidade e progresso, o que nunca acontecerá na gestão por influência que nos arrastou para onde nos encontramos.

»A corrupção custa-nos um terço do PIB... custa muito caro!

»O novo poder não poderá fugir à realidade da inovação e da transparência na gestão da sociedade.

»O futuro encontra-se hipotecado. O exercício do poder por influência chegou à sua fase derradeira e quanto mais tarde for encarada esta realidade pior será para todos...

»Acordemos!»



diáriOnline (Algarve),


Mais sobre o autor, António Manuel Góis Nóbrega